sexta-feira, 24 de junho de 2016

Moonlight - Capitulo Vinte

Se fosse possível resumir o sentimento que aflorava e emanava dos poros de Park Chanyeol, naquele segundo, seria o ódio. Puro e mortal, afinal quem era o bastardo de olhos esbugalhados que surgiu naquela manhã cinzenta e acompanhou o jovem professor de história até a entrada da Instituição? E por que Baekhyun parecia cada vez mais nervoso quando lhe viu ao entrar na biblioteca... Exatamente como naquele momento? Desde que o dono das safiras brilhantes entrou no corredor D12, havia se passado vinte minutos e, até agora, não havia saído.
Por acaso, ele estava planejando algo que não sabia?
Do outro lado, a mente de Baekhyun disparava em inúmeros pensamentos. Não era possível acreditar que o simpático bibliotecário era o mesmo que lhe marcou na pele e na mente há vinte anos. Discretamente, seus olhos desfocaram das palavras. E por que ele não percebeu desde o começo que ele era o vampiro que tentou matar a si e a seu irmão? O moreno ainda folheava algumas páginas quando um sopro gelado roçou próximo ao seu rosto e alguns pelos se eriçaram. Ele estava ali, talvez a centímetros de seu corpo, e não era necessário olhar para trás e confirmar que o outro encontrava-se realmente atrás de si. O professor respirou fundo, fechando o livro lentamente e desviou as órbitas para trás, enquanto o maior o avaliava em silêncio.
_ Sr. Byun. – ditou o bibliotecário.
_ Sr. Park. – respondeu o menor, baixando os olhos para as mãos grandes, que tamborilavam nervosas contra a capa dura. – Deseja algo?
_ E-eu... – gaguejou, baixando a cabeça, enquanto os óculos quadrados ameaçavam escorregar de seu rosto. Rapidamente, o castanho arrumou a armação, levantando os olhos novamente para o humano. – Eu encontrei um livro que poderia ajudá-lo na sua aula com o professor Edward...
_ Obrigado, mas já encontrei o que procurava. – agradeceu, afastando-se alguns passos no corredor.
_ Baekhyun... – chamou novamente, vendo o jovem Byun parar no meio do corredor. – Por favor... Não faça isso. N-não... Me evite. E-eu... – tentou se explicar, porém o moreno sequer se virou para olha-lo. – Eu ainda acho que precisamos conversar...
_ Não temos nada do que conversar, Sr. Park. – ditou, dando a conversa por encerrada.
Em passos calmos, Baekhyun deixou a biblioteca e atravessou o longo corredor, enquanto controlava-se para não tremer de medo. Desde a conversa que teve com Jongdae, o jovem professor foi proibido de chamar pelo nome verdadeiro do vampiro que tentou lhe matar. Afinal, pela dedução do líder temporário, “Chanyeol não sabe que você reconheceu o seu verdadeiro nome”. Então, por hora, ele teria de ficar quieto e chama-lo apenas por “Sr. Park”.
As órbitas de Netuno vagaram pelos corredores pouco movimentados e, ao virar num segundo corredor, o moreno assustou-se com a aparição súbita do maior diante de si. Baekhyun não conseguiu conter o medo que preencheu seu peito, mas não permitiu que esse fosse percebido pelo outro. Devagar, Chanyeol aproximou-se de si e ao ameaçar tocar seu rosto, o sinal, anunciando o início das aulas, soou. Os olhos castanhos piscaram devagar e a mão grande logo cedeu para junto do corpo, enquanto o vampiro observava o humano passar ao seu lado, desaparecendo de sua vista.
Ele estava lhe fazendo perder a paciência.
Sem esperar muito, o maior retornou velozmente para a biblioteca e caminhou pelos corredores, procurando pelo exemplar que o jovem professor havia pego. E, ao verificar a brecha dentre os outros livros, notou que Baekhyun havia levado um livro sobre lendas vampirescas. Enquanto isso, na sala de aula, os dois professores conversavam baixinho entre si até os últimos alunos adentrarem o espaço e acomodarem em seus lugares. Logo, Edward seguiu para a janela e fechou as cortinas, enquanto o moreno ligava o aparelho de multimídia.
_ Bom dia. – disse o professor de Literatura.
_ Bom dia. – respondeu os alunos.
_ Eu sei que muitos de vocês devem estar se perguntando... – enquanto o homem explicava, Baekhyun reprimia um sorriso. Se fosse um de seus alunos, teria adorado aquele professor. – Por que estamos no escuro? – e um burburinho se iniciou empolgado. – Bem, a pedido do professor de História, Sr. Byun, o tema da nossa aula será: Os Vampiros na História e na Literatura.
_ Professor Byun. – uma das alunas ergueu a mão, ao que Baekhyun desviou a atenção para ela. – Por que escolheu esse tema?
_ Bom... – começou o moreno, pensativo. – Eu... – e as imagens de seu irmão em coma preencheram sua mente. – Eu tenho uma grande curiosidade sobre esses seres da noite. – por fim, sorriu. – Mas não pensem que falaremos só das lendas dessas criaturas na história. O professor Hardy irá contar para vocês como surgiu os primeiros romances vampirescos, certo?
_ Sim. – concordou o outro. – Bom... Podemos começar? – logo, Edward abriu o slide e exibiu para a turma. Não demorou muito para que o burburinho recomeçasse quando viram o pôster clássico do filme “Drácula” de Bram Stoker. – Pelo visto, vocês conhecem bem esse filme, não?
_ Sim. – responderam.
_ Olha... Admito que sou fã do Gary Oldman, mas... – Edward observava a belíssima imagem de Vlad Dracul e Mina Harker. – Nesse filme, em particular, ele foi extraordinário. – e risos baixinhos preencheram a sala. – E olha que sou meio chato quanto a filmes vampirescos. Mas, vamos lá: alguém sabe dizer como surgiu a mitologia do vampiro? – a turma ficou em silêncio. – Prof. Byun, quer nos contar?
_ Bem... – pigarreou Baekhyun, olhando-os. – A noção de “Vampirismo” já existe há milênios na Antiguidade e elas continham lendas de demônios e espíritos que vieram antes dos vampiros modernos. No entanto, essa “entidade” foi reconhecida quase que exclusivamente no sudoeste da Europa no início do século 18, através de relatos orais; ou seja, eles não registravam os supostos ataques “no papel”.
_ E, por curiosidade, como eles eram retratados? – questionou Edward.
_ Na maioria dos casos, os vampiros eram espectros de seres malignos, muitas vezes, vítimas de suicídio, ou eram bruxos. – explicou. – E houveram pessoas que acreditaram tanto nas lendas que, além da histeria em conjunto, aconteceram execuções públicas em pessoas que acreditavam serem vampiros. – por fim, assentiu. – Naquela época, você tinha que tomar muito cuidado com o que dizia ou era capaz de ser jogado na fogueira.
_ Já na Literatura, o “Vampiro” surgiu entre a literatura gótica e a literatura fantástica, também por volta do mesmo século. – logo, a atenção do Sr. Hardy se desviou para a turma. – Porém, não pensem que ele surgiu como uma criatura bela, sedutora e romântica como muitos de vocês leem nos livros da Stephenie Meyer ou da Anne Rice. Os primeiros contos que possuíam a palavra “Vampiro”, relatavam sobre criaturas horrendas e traiçoeiras, que desejavam apenas a sua força vital; muitas vezes, as suas energias ou até, em contos mais sombrios, o seu sangue.
_ Podemos ver isso bem nos primeiros filmes sobre vampiros. – Baekhyun riu, desviando a atenção para a sala. – Alguém aqui ouviu falar de um filme chamado “Nosferatu”? – em resposta, muitos alunos ergueram as mãos. – Vocês viram como ele é? Uma criatura horrenda, de longos dedos e unhas grandes, dentes afiados e aparência cadavérica...
_ Com certeza, ele teve dificuldades para namorar com uma garota. – comentou Edward, fazendo os alunos rirem.
_ Professor. – disse um rapaz, levantando a mão. – Dizem que o primeiro vampiro nasceu de uma união entre Adão e Lilith. É verdade?
_ Olha... – o professor de literatura o fitou surpreso. – Eu realmente não sabia dessa informação. – e desviou a atenção para Baekhyun. – Você sabia disso?
_ Bem, ouvi falar de algumas lendas primordiais da existência humana e, supostamente, talvez seja. – pensou Baekhyun. – Pelo que cheguei a pesquisar, porém não aprofundei o assunto, Lilith foi a primeira mulher de Adão, e não Eva. Num resumo geral, ambos estavam numa disputa de quem “fica por cima” – ao falar, o moreno gesticulou as aspas. – até que ela o abandonou, deixando o Jardim do Éden.
_ Ela acabou se casando com Samael e, juntamente com ele, haviam arquitetado um plano para fazer Adão e Eva cometerem adultério. – continuou o garoto, ao que Baekhyun assentiu.
_ Nossa... Mas ela era mesmo cruel! – comentou Edward.
_ Exatamente. Agora, essa é uma das milhares de lendas sobre a origem dos vampiros, David. – alegou o professor, vendo-o concordar. – Não que esteja errado, mas as lendas tendem a mudar constantemente, dependendo do lugar.
Não demorou muito para que o Sr. Hardy continuasse com sua explicação sobre os vampiros na literatura e suas primeiras aparições. Estranhamente, Baekhyun se sentia à vontade em conversar sobre aquele assunto... Como se estivesse na Ordem, com seu irmão mais velho. Lentamente, suas safiras brilhantes desviaram do chão para a porta de entrada, onde avistou o bibliotecário lhe observando antes de se assustar e deixar rapidamente o local.
_ Bom, agora eu e o professor Byun... – porém, antes mesmo que Edward continuasse, o sino soou, anunciando o fim das aulas, algo que desanimou completamente os alunos. – Pois é. Infelizmente, nós encerramos nossa aula, mas amanhã continuaremos falando sobre vampiros, ok?
_ Esperem. – pediu Baekhyun. – Antes de saírem, eu quero pedir que todos escrevam um conto sobre vampiros. Não precisa ser muito grande, mas tentem fazê-las interessante, ouviram?
_ Sim senhor! – concordou os alunos, deixando a sala de aula.
_ Obrigado, Baekhyun. – agradeceu Edward com um sorriso singelo. – Sequer me lembrei dessa tarefa para eles.
_ De nada... – respondeu, porém, uma voz próxima da porta chegou aos seus ouvidos.
_ Prof. Byun? – logo, os dois homens desviaram atenção para a entrada, onde Baekhyun reconheceu as roupas escuras e o olhar intenso de Kyungsoo. – Está pronto?
_ Sim. – concordou o moreno, recolhendo seus pertences e despediu-se do outro professor, seguindo o caçador pelos corredores. – Alguma novidade?
_ Sua noiva acabou de chegar. – anunciou Kyungsoo, abrindo a porta para o mais velho. – Ela está com Jongdae.

_ Srta. Kim. – Taeyeon rapidamente desviou os olhos para a escadaria do salão, onde Jongdae descia devagar, com um sorriso discreto no rosto. – Obrigado por ter vindo.
_ Eu... – começou, um pouco nervosa. – Eu vim por que Baekhyun deixou esse endereço na porta da geladeira...
_ Sim. – assentiu, compreendendo.
_ Ele está aqui? – questionou.
_ Baekhyun já deve estar voltando do trabalho. – explicou, verificando o relógio de pulso. – Poderia me acompanhar?
Por fim, Jongdae ofereceu-lhe o braço, ao que ela assentiu, acompanhando-o pelo salão até a varanda da mansão, onde se acomodaram numa mesa preparada pelos caçadores. Taeyeon agradeceu pelo chá servido pelo moreno e tomou um breve gole, apenas esperando as palavras do homem. Porém, o Mordomo nada disse, enquanto lhe avaliava em silêncio.
_ Hã... – pigarreou ela. – E... Por que Baekhyun veio para cá?
_ Nós o trouxemos para cá a pedido do Sr. Kim. – resumiu.
_ Ah, entendi. – concordou. – Mas, onde está Minseok?
_ Nesse momento? – e estreitou os olhos. – Ele está ocupado.
_ E essa mansão... – logo, os olhos da morena vagaram pelo enorme espaço, onde as crianças corriam e brincavam entre si. – Ela...
_ É uma das instituições que o Sr. Kim ajuda. – explicou. – O “Lar dos Escolhidos” foi construído com o dinheiro do Sr. Kim para abrigar as crianças que vivem sozinhas nas ruas. – logo, os olhos de Jongdae desviaram para as pessoas que transitavam por ali.
_ Minseok tem mesmo um grande coração. – comentou ela, sorrindo. – E quantos funcionários estão trabalhando aqui?
_ Hã... – desta vez, Jongdae pensou rápido. – Nós não contratamos funcionários. – ao ditar, Taeyeon desviou os olhos confusos para o moreno. – Os homens e as mulheres que você vê, no passado, já foram crianças que os familiares do Sr. Kim havia abrigado.
_ Oh! – surpreendeu-se. – Então, eles possuem uma grande devoção pelo irmão do Baekhyun.
_ Sim. – e seus olhos encararam o vazio. – Eles possuem.
_ Você... – ela o olhou. – Também foi uma dessas crianças?
_ Fui. – sorriu forçado. – Mas agora, sou apenas o mordomo do Sr. Kim.
Taeyeon assentiu, tomando mais um gole de seu chá, quando sua atenção se desviou para um homem de feições angelicais, apesar de seu olhar ser extremamente misterioso. Jongdae seguiu o olhar da moça, encontrando Yixing próximo de si, com sua bolsa ao lado. Prontamente, o moreno ergueu-se, ao que ele se curvou breve e pediu gentilmente para conversar com o Mordomo em particular.
_ Se me der licença. – pediu Jongdae à Taeyeon, logo seguindo Yixing. – Por que essa mala? Para onde vai?
_ Preciso resolver alguns assuntos em Pequim. – explicou, verificando se ninguém os escutava.
_ M-mas... – gaguejou. Nem mesmo ele esperava que o chinês fosse embora. – E o Sr. Kim?
_ Minseok ficará bem. – garantiu, pousando a mão em seu ombro. – Aliás, Baekhyun e Kyungsoo acabaram de chegar. – e, no segundo seguinte, as portas se abriram, onde o professor de História e o seu seguidor caminharam pelo grande salão. – Bem-vindos de volta. – cumprimentou o chinês.
_ Obrigado. – agradeceu Baekhyun. – E Taeyeon, onde está?
_ Na varanda. – Jongdae ditou, sem olhar para o jovem Byun. – Yixing, por favor. Você não pode partir agora. Além do mais, a Ordem...
_ Acalme-se, Jongdae. – disse o outro, sorrindo largo. – Só por que preciso ir, não significa que jamais retornarei. Pelo contrário! – e afagou seu rosto. – Logo voltarei para proteger o Mestre.
_ E quanto voltará? – questionou.
_ Na outra semana. – garantiu. – Agora, se me der licença... Preciso pegar o avião.
Jongdae assistiu o Chefe dos Zeladores despedir-se de si e de Kyungsoo, antes de colocar os óculos escuros e abrir o guarda-chuva, enquanto enfrentava o céu nublado daquela manhã. O moreno suspirou, passando a mão pela face, enquanto o jovem Mordomo se aproximava devagar, apenas o observando.
_ Jongdae. – chamou Kyungsoo. – Está tudo bem?
_ Vigie Baekhyun. – pediu, subindo as escadas. – Se precisar de mim...
_ Eu sei onde encontra-lo. – completou, curvando-se e seguiu na direção do professor.
No andar de cima, Jongdae rumou para os aposentos de seu Mestre, porém, ao tocar na maçaneta dourada, seu coração se apertou. Ele sabia que era uma obrigação sua cuidar da saúde de Minseok, no entanto... Lhe doía vê-lo naquele estado. Além do mais, ninguém esperava ver o grande Líder da Ordem tão frágil sobre a cama quanto o homem de madeixas acinzentadas estava naquele momento. Logo, a porta abriu-se, ao que Eunjung se assustou com a presença do Mordomo ali.
_ Achei que estivesse conversando com a garota. – disse a médica, olhando-o confuso.
_ Baekhyun está com ela. – murmurou, desviando os olhos. – Alguma novidade dele?
_ Por enquanto, nenhuma. – respondeu num suspiro. Logo, a morena bufou, franzindo o cenho. – Jongdae, eu odeio dizer isso, mas... – e a atenção do homem se desviou para a outra. – Eu não creio que Minseok...
_ Não diga isso. – interrompeu-a. “Eu não creio que Minseok irá sobreviver”, era o que ela diria para si. – Minseok irá acordar sim.
_ Por que tem tanta fé? – o olhou confusa. – Não vê o estado dele? Jongdae, se puxarmos apenas um dos tubos, ele morre. Minseok não tem mais forças para suportar esse tratamento.
_ Ele vai sobreviver. – ditou, dando a conversa por encerrada.
_ Pare de teimosia. – Eunjung continuou, segurando-o pelo pulso e impedindo-o de entrar no quarto. – Por que insiste em pensar que ele sairá dessa vivo?
_ Posso lhe perguntar algo? – começou Jongdae, sem olhá-la. – Já se apaixonou perdidamente por alguém ao ponto de temer perde-la? – lentamente, o pulso do moreno foi solto. – Exatamente. – e a encarou. – A razão por eu querer insanamente que o Sr. Kim sobreviva não é por causa do cargo de líder da Ordem, mas por que eu não sei como serão meus próximos dias se ele partir.
_ Eu... – murmurou a médica, um tanto surpresa. – Sempre achei que estivesse apaixonado pelo Mestre, mas... Nunca imaginei que seus sentimentos fossem tão fortes, Jongdae.
E, sem proferir mais uma palavra, o moreno adentrou o cômodo, fechando a porta atrás de si. Devagar, recostou-se na madeira, ainda de cabeça baixa, e tentou conter as lágrimas que ameaçavam deslizar por seu rosto. Para dizer a verdade, havia muita coisa ali que nenhum dos caçadores ou chefes dos departamentos – especialmente, seu irmão mais velho – sabiam o que se passava na mente e no coração do Mordomo. Gradativamente, seus olhos se ergueram, encarando o leito, onde o corpo adormecido de Minseok se encontrava.
Seus passos arrastados venceram a pequena distância, onde o moreno sentou-se na cama, enquanto avaliava em silêncio, as condições físicas do Mestre. Seria bem melhor se ele estivesse acordado e lhe dando algumas ordens de como cuidar da Ordem...
_ Meu Senhor... – murmurou Jongdae, apoiando-se em um dos braços, enquanto afagava a bochecha alheia. – Por favor... Se estiver me ouvindo, dê-me algum sinal. – e um soluço escapou de seus lábios. – M-minseok...
Aos poucos, Jongdae escondeu o rosto contra o peito levemente desnudo do homem de madeixas acinzentadas, enquanto o choro preenchia seus sentidos. Seus dedos se fecharam devagar contra os lençóis da cama, enquanto implorava a todas as entidades para que Minseok despertasse, ou, pelo menos, lhe permitisse uma última troca de olhares.
_ Minseok... – chamou abafado, e ergueu os olhos para a face adormecida do mais velho.
Mas, antes que o moreno tornasse a baixar a cabeça, seu coração acelerou ao observar as pálpebras alheias mexerem, como se ameaçassem abrir. Prontamente, Jongdae se aproximou do líder, chamando-o baixinho, apenas à espera de uma nova reação. Porém, o corpo de Minseok mais uma vez, relaxou sobre o colchão, fazendo o moreno arfar.
_ Você está me ouvindo. – sorriu aliviado, enquanto novas lágrimas escorriam. 

Com o veículo parado no sinal, Yixing observava a movimentação das pessoas do lado de fora pela janela, enquanto uma música qualquer tocava na rádio. Involuntariamente, o chinês cantarolou a melodia, quando a mesma foi interrompida por uma notícia urgente. Segundo o radialista, naquela manhã, foram encontrados quatro corpos mutilados nas proximidades de uma boate gay. As autoridades pedem para que a população, a partir daquele momento, tome cuidado para onde vai, enquanto que o Primeiro-Ministro, juntamente com o parlamento, decide se devem ou não incluir um toque de recolher.
_ Mutilados... – murmurou Yixing, dirigindo pelas ruas londrinas. – Será que...
Mas seus pensamentos foram interrompidos pelo toque de seu telefone. Rapidamente, o homem colocou o fone e pressionou o botão sensível, atendendo a ligação.
_ Alô? – disse, olhando em volta. E, bruscamente, ele pisou no freio, estacando o carro. – S-senhor... – murmurou, assustado. – Sim. Eu soube. Acabei de ouvir na rádio. – e calou-se. – O senhor... O quê? – franziu o cenho, logo ligando o veículo e acelerou. – Desculpe, mas... O que quis dizer com “estou em Londres”? – Yixing virou numa esquina e pegou a avenida principal, rumando para o aeroporto. – Mas havíamos combinado de que nos encontraríamos em Pequim e não...
Sem demoras, o chinês entrou no estacionamento do aeroporto e saiu às pressas na direção da enorme construção, enquanto continuava a falar no telefone e arrastava a bolsa consigo.
_ Por favor, não... – tentou pedir, porém a ligação foi encerrada. – Merda! – reclamou.
_ Está atrasado.
Muito tempo havia se passado desde a última vez em que Yixing sentiu todos os pelos do corpo se eriçarem. Ele não podia ter ouvido errado, afinal, o primeiro treinamento que todos os caçadores recebem é o de ampliar os próprios sentidos para o caso de qualquer ataque surpresa. No entanto, aquela voz, em particular, parecia ter quebrado todo o seu treinamento em míseros fragmentos. Lentamente, os olhos do rapaz se desviaram devagar para a fisionomia alta do homem atrás de si, que sorria de leve. Tentando manter o máximo de controle possível, o Zelador afastou-se um pouco e mesurou graciosamente para o maior, chamando assim, a atenção das pessoas que passavam por entre eles.
_ Meu Senhor. – murmurou Yixing.
_ Eu sei que me pediu para ficar onde estava, mas... – começou o outro. – Eu preciso vê-los, Yixing.
_ Eu sei o quanto insana por isso. – desta vez, os olhos do chinês encararam os semelhantes do homem. – Mas este não é um bom momento...
_ Eu encontrei Joonmyun. – murmurou, afastando-se do menor que rapidamente o seguiu em passos largos. – Ele está bastante mudado desde a última vez que o vi.
_ O s-senhor... O encontrou? – gaguejou. – M-mas... Como? Quando?
_ Em minhas andanças. – justificou, logo se acomodando em uma mesa próxima à cafeteria do aeroporto. – Por favor, sente-se.
Relutante, Yixing soltou a bolsa no chão e puxou uma cadeira, acomodando-se à frente do outro homem. Ao observar as vestes alheias, percebeu que o capuz lhe cobria bem o rosto, deixando-o ver – naquele ângulo – apenas o sorriso retangular e o nariz, enquanto o maior entrelaçava as mãos sobre a mesa fria. O chinês sabia que o outro estava quebrando suas regras.
_ Quando liguei para você anteriormente, me disse que os irmãos Kim foram derrubados... É verdade? – questionou.
_ Na verdade... – e engoliu em seco. – Somente o Mestre foi derrubado. O irmão dele estava apenas dormindo e...
_ Mas eles estão bem? – continuou.
_ Estão. – concordou. – Quero dizer, Eunjung ainda não confirmou por quanto tempo Minseok ficará em coma, mas Baekhyun está... – e pigarreou. – Está bem. Só o que não entendo é sua vinda para Londres.
_ Já lhe disse: eu preciso vê-los, Yixing. – não demorou muito para que o medo preenchesse o corpo do homem de madeixas douradas ao ouvir aquelas palavras suaves. – Já se passaram muitos anos e...
_ Se o senhor vê-los... – interrompeu o chinês. Ele precisava abrir os olhos do outro. – Eles se questionarão sobre tudo o que ouviram! O senhor chegou a pensar sobre o que o Minseok dirá quando encontra-lo?
_ Então, deixe-me ver Baekhyun. – havia uma súplica discreta na voz alheia. – Eu prometo que não passarei muito tempo, eu só...
_ Por mais que eu queria permitir, meu senhor... Eu não posso fazer isso. – e deu a conversa por encerrada. Por fim, Yixing se ergueu, respirando fundo e colocou a alça da bolsa em seu ombro. – Agora, por favor... Queira me acompanhar. Nós voltaremos para...
_ Se está pensando em me devolver para as ruínas da Grécia... – ele rosnou, assustando o menor. – Esqueça, por que eu não voltarei.
E, de supetão, o homem ergueu-se, rumando calmamente na direção da entrada do aeroporto. Yixing suspirou e apressou-se em segui-lo, mas ao tentar segurá-lo pelo pulso, o maior soltou-se rápido, segurando-o pela gola do casaco e o ergueu acima da cabeça. Em alguns minutos, alguns seguranças se aproximaram, preparados para remover as armas dos coldres, enquanto pediam calmamente para que o cidadão colocasse o rapaz devagar no chão.
_ Senhor. – chamou Yixing num tom apenas para que o outro lhe ouvisse. – Por favor, me escute. Vê-los agora não será uma boa ideia. – devagar, o homem o colocou no chão, ouvindo atentamente às palavras alheia. – Deixe Minseok despertar primeiro e eu lhe prometo, que levo o senhor até o Mestre. – por fim, o loiro olhou em volta, sorrindo de leve. – Está tudo bem. Ele está comigo.
Yixing esperou que os seguranças se afastassem e suspirou arrastado, desviando os olhos para o homem, que se controlava para não se enfurecer. Afinal, aquela decisão que o chinês propôs não lhe agradava nem um pouco, no entanto, ele estava certo: depois de tantos anos... Como ele poderia reencontrar os irmãos Kim?
_ Quanto tempo devo esperar? – questionou.
_ Pelo menos, uma semana. – decidiu. – Uma semana. É tudo o que lhe peço.
_ Tudo bem. – concordou. – Mas não mais do que isso.

_ Sim. – assentiu. – Agora... – e gesticulou na direção da entrada de embarque. – Podemos voltar para Pequim?

quinta-feira, 23 de junho de 2016

Moonlight - Capitulo Dezenove

_ É aqui. – ditou Sehun num tom tão baixo que mais parecia um sussurro aos ouvidos humanos. Jongdae desviou os olhos para a boate com suas luzes de néon, enquanto clientes entravam e saiam do local. O moreno avaliou o lugar por alguns segundos e arqueou uma das sobrancelhas para o ruivo que ainda encarava a frente da casa de show.
_ Uma boate gay? – comentou baixinho. – Tem certeza?
_ Pelo que sei, um dos proprietários é quem procuramos. – explicou, estendendo a mão para o outro. – Virá comigo?
Jongdae respirou fundo três vezes e contou até dez duas vezes antes de segurar a mão do Matador e, juntos, entrarem no estabelecimento. Em pouco tempo, as luzes ofuscantes e a música alta chegaram aos seus ouvidos, obrigando a dupla a se afastar um pouco da multidão. Num tom natural, o Mordomo questionou ao parceiro se ele havia se alimentado, já que o cheiro dos humanos parecia um banquete para seres como ele. Sehun gargalhou baixinho e alegou que, “antes de sair de casa, ele havia comido algo”. Por fim, a dupla acomodou-se próximo ao bar, apenas esperando.
_ Duas cervejas, por favor. – pediu um homem que parou ao lado esquerdo de Jongdae. Sehun, que estava do lado direito, desviou os olhos para o novo visitante, notando o longo olhar que este dava ao moreno. Logo, uma das cervejas foi estendida para o Mordomo, que estranhou a gentileza. – Vem sempre por aqui?
_ Primeira vez. – respondeu, pegando a bebida e agradeceu.
_ Eu... – e o avaliou dos pés a cabeça. – Notei. Quer dizer... – logo, uma risada nervosa escapou-lhe dos lábios grossos. – Eu meio que percebo as pessoas e eu nunca te vi por aqui.
_ Hum. – assentiu Jongdae, reprimindo uma risada. Não era impressão sua: aquele cara estava lhe cantando. E, por sinal, estava indo muito mal.
_ Veio sozinho? – o homem se apoiou no balcão, no entanto, estava bastante próximo de Jongdae. E antes mesmo que o moreno pudesse responder, Sehun se adiantou.
_ Ele veio com o namorado. – e meteu-se entre os dois. – Por que não vai cantar outro cara, hein?
Como um animal assustado, o homem alternou os olhos entre os dois e sorriu nervoso, afastando-se em seguida. Jongdae riu da reação alheia e tomou um breve gole da cerveja, colocando-a sobre o balcão. Nem mesmo ele esperava uma reação exagerada do Matador. Quer dizer, ou aquilo foi um fingimento forçado... Ou realmente Sehun estava com ciúmes. Logo, o ruivo desviou os olhos para o moreno que ainda encarava longamente a bebida a sua frente.
_ Estava tentando agir como um humano? – o humano questionou baixinho.
_ Eu exagerei? – suspirou.
_ Não... – negou. – Quer dizer, se está se referindo a agir como um namorado ciumento, você foi bem. – por fim, desviou os olhos para o ruivo. – Mas acredito que...
Rapidamente, a atenção de Jongdae se voltou para dois homens mais afastados, que conversavam brevemente entre si. Ambos eram altos e fisicamente enormes, algo que poderia assustar um humano comum. Mas o Mordomo sentia que eles eram diferentes. Em especial... O cheiro que emanava de seus poros. Sehun notou que ele parecia levemente nervoso e, no segundo em que as órbitas escuras voltaram para as semelhantes vermelhas, o vampiro entendeu os motivos.
Dois Adoradores da Lua estavam se aproximando.
_ Tem alguma ideia do que fazer? – murmurou o humano, tomando um gole de sua bebida.
_ Para dizer a verdade, tenho. – concordou, guiando o moreno para longe.
Atravessaram a multidão rapidamente e logo esconderam-se nas sombras da boate movimentada. Jongdae observou os homenzarrões, que havia avistado anteriormente, procurando algo em meio as pessoas. Logo, ele desviou os olhos para Sehun estava notavelmente colado ao seu corpo. Para o ruivo, o cheiro do moreno era mais do que viciante para si: uma mistura de suor, colônia masculina, testosterona e muito, mas muito sangue.
_ O que faremos agora? – questionou o Mordomo, enquanto o vampiro lhe observava.
E, sem delongas, Sehun calou os lábios finos do menor. Por um segundo, Jongdae cogitou a ideia de interromper e, consequentemente, mata-lo, porém, tal ideia foi abandonada quando a presença dos mesmos homens surgiu ao seu lado. O moreno correspondeu ao ósculo longo e saudoso, enquanto as palmas frias lhe apalpavam pela extensão de seu corpo. Calmamente, o Matador encurralou o rapaz, roçando suas intimidades e provocando arrepios gostosos do outro.
_ Espero que não esteja se aproveitando do momento. – rosnou Jongdae, enquanto lhe mordia o lábio inferior.
No entanto, o ruivo nada disse; apenas tornou a beija-lo. Vez ou outra, o moreno abria um dos olhos, a fim de verificar onde os dois homenzarrões estavam, enquanto seu coração disparava loucamente contra o peito. As palmas frias invadiram suas vestes, roçando a ponta das unhas na tez branquinha, enquanto Jongdae gemia baixinho e segurava as madeixas avermelhadas do Matador. As línguas moveram-se em fricções excitantes, enquanto os dentes se faziam presentes apenas para maltratar os lábios afoitos. Logo os selares desceram pelo pescoço longo, enquanto os olhos se fechavam em resposta. Involuntariamente, o Mordomo estava, mais uma vez, se entregando aos desejos abolidos. E ele se sentia mal por trair a confiança de seu Mestre.
Diferente do seguidor de Luhan, que parecia bastante satisfeito com aquela situação.
_ Garoto. – o tom grave chegou aos ouvidos do ruivo, que interrompeu as carícias e desviou as órbitas de Marte para a dupla atrás de si. Nesse segundo, Jongdae se autodeclarou “mortos”. – Por acaso, sabe onde você está?
_ Numa boate? – respondeu simplista, porém, o homenzarrão arqueou uma das sobrancelhas grossas. – Ah... Eu não sabia que esse era o território de vocês.
_ Não sabia? – comentou o outro, sorrindo e logo desviou os olhos para Jongdae que tentava se recompor. Algo que parecia demorar mais do que o esperado. – Parece que ele estava mais preocupado em brincar com a comida do que identificar o território, Taylor.
_ Também acho... – concordou o primeiro, alternando os olhos entre os visitantes.
_ Bem, já que estou em território proibido... – ditou Sehun, segurando Jongdae e afastou-se aos poucos. – É melhor eu ir.
_ Espere. – o segundo homem começou, se aproximando aos poucos da dupla. – Eu acho que sei... Quem você é. – por fim, ordenou. – Sigam-nos.
E, devagar, os homenzarrões se afastaram ao que Sehun puxou Jongdae pela cintura, também os seguindo. O quarteto atravessou o longo corredor humano e, logo que passaram pela porta de acesso restrito, a música estrondosa diminuiu drasticamente. Caminharam pelo corredor bem iluminado, enquanto os outros funcionários desviavam os olhos para eles, até finalmente pararem diante uma porta robusta.
_ Alguém vai querer ver vocês. – ditou Taylor, abrindo a porta.
Sem muitas opções naquele segundo, o moreno caminhou para dentro da sala, sendo acompanhado pelo ruivo que observou a porta ser fechada atrás de si. O local mais parecia um gabinete simples: uma grande mesa de vidro com uma cadeira atrás dela, onde – pelo que Jongdae notava – havia um homem de cabelos vermelhos acomodado. Sehun, que se encontrava atrás do Mordomo, verificou rapidamente em volta da saleta, surpreendendo-se – no entanto, sem muito demonstrar – com o corpo de um homem acorrentado no canto.
_ Vejo que devem ter percebido o meu ilustre convidado. – comentou o homem sentado, que virou na direção da dupla. Rapidamente, Jongdae desviou os olhos para onde Sehun encarava, piscando incrédulo. Um homem estava sendo drenado por muitos e muitos tubos, espalhados por seu corpo seminu. – Este é Alexander. – apresentou, enquanto se levantava. – Aparentemente, 28 anos, cabelos negros, olhos verdes... Ou no passado, foram verdes. Renascido em 1735, por uma criatura que costumavam chamar de “succubus”. Atualmente, pertence ao clã Ventrue e está sob proteção da Máscara. – e riu. – Ou melhor, pertencia, já que ele foi capturado pelos meus homens.
_ O que está fazendo com ele? – perguntou Sehun, ao que o homem recostou-se a mesa, enquanto lhe encarava.
_ O que acha que estou fazendo? – refez a pergunta. – Estou drenando o sangue dele.
_ Por quê? – sussurrou Jongdae.
_ Por que, além de pertencer à Máscara, ele invadiu o meu território sem nenhuma autorização. – explicou. – Segundo ele, o Príncipe ordenou que ele seguisse seu Matador... – nesse momento, Jongdae baixou os olhos, confusos. Eles sabiam que estavam sendo seguidos? – Mas não entrou em muitos detalhes. Então... Eu supus que você, Sr. Oh, me explicasse por que está aqui.
_ Diversão? – comentou, calmo. – Não tenho a intenção de incomodar os vizinhos.
_ Entendo. – sorriu, piscando devagar. – Então, por precaução e, claro, antes que meu Mestre descubra... Sugiro que saiam daqui imediatamente.
_ Como quiser. – finalizou Sehun, puxando Jongdae pelo pulso e o arrastou para fora da saleta. Antes mesmo que eles alcançassem o final no corredor, o Matador ainda conseguiu ouvir a última ordem do anfitrião: “E alerte ao Príncipe de que, se a Máscara ousar expandir o território, eles irão se mover”.
E aquilo estava começando a assustar do vampiro.
_ Espera. – pediu Jongdae, soltando-se do ruivo logo que saíram da boate. – O que está acontecendo? Quem é aquele cara? E por que você está tão nervoso?
_ Vamos embora daqui. – ordenou Sehun, levando-os rapidamente para o carro, onde imediatamente partiram. – Merda! – ditou, passando a mão pela face.
_ O que houve? Por que aquele cara estava sendo drenado? – questionou. – Sehun!
_ É pior do que eu temia. Londres será banhada de sangue... – murmurou pensativo.
_ Para de resmungar e fala!
_ O anfitrião... – começou, observando a movimentação rápida do lado de fora. – Aquele é Marcus Tuan. Também conhecido como Mark.
_ O que tem ele? – o olhou.
_ Ele é um Adorador da Lua. – explicou. – Assim como os dois brutamontes.
_ Ok. E aquele Marcus... Era quem procurávamos? – questionou.
_ Não. Ainda não é quem procuramos.
_ Mas por que você ficou nervoso?
_ Por que Luhan enviou um membro da Máscara para uma missão e ele foi capturado. – suspirou. – E quando isso acontece... Significa que algo muito ruim está prestes a acontecer.

Acomodado numa poltrona relativamente afastada da grandiosa cama de casal, Yixing observava em silêncio as feições tranquilas de um Baekhyun adormecido. E pensar que o moreno entrou em pânico há algumas horas só em ter visto seu irmão mais velho acamado. O chinês suspirou arrastado e moveu a taça em círculos, tomando um breve gole de vinho. Lentamente, a porta do quarto se abriu, ao que Eunjung adentrou o cômodo silencioso e se aproximou do Chefe dos Zeladores.
_ Algum sinal de que ele acordará? – questionou num sussurro.
_ Por enquanto, não. – suspirou. – Por que não descansa um pouco? O turno agora é de Kyungsoo.
_ Certo. – assentiu. – Me avise se ele acordar, ok?
_ Ok. – concordou. – Boa noite.
_ Noite. – respondeu, deixando o cômodo em seguida.
Assim que a porta se fechou, o celular do chinês vibrou em seu bolso, fazendo-o remover o aparelho e verificar o visor. Não demorou muito para que um sorriso tímido transparecesse seus lábios e, imediatamente, ele atendesse a ligação.
_ Sim? – começou, esperando. – Sim, eu sei. – concordou. – Irei providenciar. – mais um longo silêncio. – Nesse momento, a situação está um pouco complexa. – alegou. – Por que o Mestre foi abatido e seu irmão está desacordado. – subitamente, Yixing ficou de pé. Nesse momento, Baekhyun se remexeu entre os lençóis, acordando aos poucos de seu desmaio. – Não, não faça isso. Se tentar algo parecido, eles vão acabar... – mas, foi interrompido. Devagar, a atenção do professor de História se desviou para o dorso do zelador, que parecia nervoso ao telefone. – Eu entendo, meu senhor, mas ainda não. Agora não. – implorou, levemente desesperado. Mas quem estaria assustando Yixing? – Por que eles não sabem de sua existência! – gritou.
_ Yixing? – chamou Baekhyun, que se sentou na cama. Rapidamente, o chinês desligou o celular e se virou para o moreno. – Algum problema?
_ Não. – sorriu de leve, enfiando o aparelho no bolso, enquanto se aproximava. – Como se sente?
_ Meio sonolento. – respondeu confuso. – O que aconteceu?
_ Você desmaiou. – explicou, sentando na cama ao lado do rapaz. – Além do mais...
_ Onde está Minseok? – a pergunta interrompeu as palavras do Chefe que o observava atentamente. Yixing sabia que Baekhyun perguntaria pelo irmão mais velho em algum momento.
_ Está descansando. – começou. – Baekhyun, eu quero que você me escute com bastante atenção. E não fale nada até que eu conclua, certo? – e o moreno concordou em resposta. – Ok. Há uma semana, seu irmão travou uma luta com o homem que assassinou o pai de vocês. O nome deste homem é Park Changmin; o mesmo que comandou o ataque à Ordem, em Busan. – logo, continuou. – Após vencer a batalha, o Sr. Kim... Quer dizer, Minseok ficou gravemente ferido. Nós o trouxemos à Ordem, e, após todos os cuidados, o deixamos descansando.
_ Qual é o estado dele? – murmurou. Nem mesmo o professor tinha confiança na própria voz.
_ Gravíssimo. – resumiu.
_ Eu quero detalhes, Yixing. – ordenou.
_ Pois bem. – pigarreou, iniciando. – Minseok teve um ferimento abdominal profundo, quatro costelas quebradas, hemorragia interna e externa, o braço esquerdo descolado, muitas contusões pelo corpo e, logo que chegou à Ordem, uma parada cardíaca. – a cada palavra pronunciada, mais o coração de Baekhyun se apertava no peito. – Nesse momento, estamos filtrando o sangue dele para remover completamente o veneno que percorre suas veias. É claro que isso requer tempo e...
_ Eu quero vê-lo. – ditou num sussurro.
_ Baekhyun, não acho que seja uma boa ideia...
_ Mas eu quero. – foi firme. – Ele é meu irmão. E eu... Preciso vê-lo.
_ Você não está preparado para isso. – justificou. – Nesse momento, você está assustado, Baekhyun. Está com medo de que o homem, que tanto o protegeu durante esses anos todos... Tenha sido derrubado.
Era como se Yixing conseguisse lê-lo como um livro. Baekhyun estava mesmo assustado com o que poderia encontrar nos aposentos de seu irmão, no entanto, não voltaria atrás do que havia decidido. Ele precisava ter certeza de que o homem, que tanto lhe incomodou – ao ponto de sequestra-lo – estava, mais uma vez, vivo. O chinês pensou e repensou inúmeras vezes, antes de suspirar arrastado e assentir, levantando-se da cama. Se isso era tanto o que o professor de História precisava... Então, ele o faria.
Mesmo relutante, o Chefe ajudou-o a se levantar e o guiou para fora do cômodo, seguindo lentamente pelos corredores. O moreno ainda cogitou a ideia de questionar as razões por Minseok se encontrar “naquela forma”, porém, permaneceu calado até finalmente pararem diante a porta de carvalho dos aposentos de seu irmão. Yixing observou o professor deslizar a palma trêmula sobre o símbolo em alto relevo da Ordem, enquanto algumas lágrimas silenciosas deslizavam por seu rosto.
_ Quando se sentir pronto. – falou.
_ Certo. – assentiu, afastando-se um pouco da porta. – Pode abrir.
Num breve movimento, Yixing abriu a porta, permitindo a entrada do moreno que adentrou hesitante o cômodo. E, ao instante em que as safiras encontraram a fisionomia acamada do homem de madeixas acinzentadas, seu coração se apertou. Seus pés arrastaram-se pelo grandioso quarto, até a cama, onde o véu o impedia parcialmente de vê-lo nitidamente. Devagar, Baekhyun afastou os véus do leito e sentou-se na cama, enquanto seu olhar vagava pelo inúmeros tubos e faixas que se espalhavam pelo corpo. Era quase impossível identificar Minseok com aquela máscara de ar e o rosto enfaixado.
_ M-Minseok... – arfou, derramando mais lágrimas. Não demorou muito para que Yixing ficasse ao seu lado. – O-o... O que aconteceu... Com ele?
_ Nós o deixamos em coma para se recuperar dos ferimentos. – explicou. – Mas, segundo Eunjung, ele está se recuperando bem.
_ E... – logo, pigarreou. – E quem está no comando da Ordem?
_ Jongdae. – Yixing ditou, desviando os olhos para a porta, onde o Mordomo, que acabou de chegar, observava a cena em silêncio. – Venha fazer companhia à Baekhyun.
O moreno respirou fundo e adentrou o cômodo silencioso, enquanto Yixing os deixava sozinhos. Longos minutos se passaram naquele quarto, até que finalmente, Jongdae se pronunciou.
_ Yixing lhe contou o estado crítico do Mestre? – questionou, ao que Baekhyun assentiu. – Ele também revelou quem está no comando da Ordem? – e, mais uma vez, o professor assentiu. – Baekhyun, eu...
_ Por que não o protegeu? – a pergunta surpreendeu o Mordomo, que desviou a atenção do chão para o rosto choroso do rapaz. – É sua tarefa protege-lo.
_ Nós tentamos protege-lo...
_ Tentar não foi o suficiente. – e, como nas outras vezes, as safiras brilhantes fizeram o corpo de Jongdae tremer. – Você tentou e agora, ele está assim!
_ Acha que eu não estou fazendo o meu trabalho? – questionou, estreitando as sobrancelhas.
_ Pelo menos, esse trabalho, você não o fez. – rebateu.
_ Eu não pude protege-lo por conta da regras... – tentou explicar.
_ Foda-se as regras! – berrou, pondo-se de pé. – Meu irmão está em coma por que a Ordem não conseguiu proteger seu líder!
_ Primeiro: baixe o tom, Baekhyun. – ordenou Jongdae, observando-o ofegar. – Segundo: sob as Ordens de seu irmão, nós não podíamos interferir no combate. Acredite em mim: eu queria tê-lo salvo, mas eu estava de mãos atadas! Agora, pare de repetir que a Ordem foi inútil em proteger o Mestre. – por fim, engoliu em seco. – Acha que não me arrependo de não o ter impedido?
_ E... – recomeçou, um pouco mais calmo. – Que regras são essas que você não podia quebrar?
_ Uma das regras é que, nenhum caçador, zelador, médico, recruta e, principalmente, o Mordomo não podia interferir no combate. – resumiu. – Foi Minseok quem escolheu a regra. Não eu.
_ E agora, ele está assim. – e desviou os olhos para o irmão.
Jongdae encarou o líder em coma e respirou fundo, gesticulando para que ele e Baekhyun deixasse o cômodo, alegando querer conversar em particular com o professor. Ainda relutante, o moreno concordou, caminhando para fora do quarto e ambos seguiram para o escritório, onde se acomodaram no sofá. O Mordomo relatou sobre os últimos acontecimentos naquelas duas semanas conturbadas. O rapaz ouviu a tudo sem proferir uma única palavra e, no segundo em que o seguidor de Minseok se calou, o outro apenas assentiu.
_ Você disse que precisava conversar comigo e com o Sr. Kim. – Jongdae recomeçou. – Aconteceu alguma coisa?
_ Há uma semana... – iniciou, pensativo. – Eu estava saindo com um amigo e... – mas como Baekhyun explicaria sobre o que aconteceu naquela noite?
_ Sr. Byun, se quiser ir com calma... – ditou Jongdae.
_ Quem é Sehun? – questionou.
_ O que? – estranhou o Mordomo. – Onde você ouviu esse nome?
_ Não importa onde eu ouvi. – rebateu. – Só quero saber: quem é Sehun?
_ Sehun... – murmurou, pensativo. – Oh Sehun é o atual Matador do Príncipe. Ele pertence à Máscara. Mas por que está me perguntando isso?
_ Numa noite, eu estava acompanhado de um “amigo” quando este Sehun apareceu, alegando que meu amigo estava provocando a Ordem. – explicou. – Principalmente, estava provocando Minseok. O problema é que meu “amigo” disse que pensou que este homem estava assistindo meu irmão morrer. – e cada vez que Baekhyun continuava, mais Jongdae ligava os pontos. O visitante que o Matador do Príncipe foi convidar era amigo de Baekhyun?
_ Este seu amigo... – o interrompeu. – Qual é o nome dele?
_ Richard Park. – respondeu.
_ Richard Park? – repetiu Jongdae.
_ Sim. – concordou. – Mas naquela noite, Sehun o chamou por outro nome.
_ Qual nome? – devagar, a atenção do Mordomo se desviou para o professor.
_ Ele disse... Chanyeol. – respondeu. – Sehun chamou Richard Park de Chanyeol.
Jongdae o olhou por alguns segundos e assentiu, pensando um pouco. Então, Chanyeol sempre esteve perto de Baekhyun todo esse tempo? O professor avaliou as reações do Mordomo que nada dizia e engoliu em seco, recomeçando.
_ Esse Chanyeol... – disse. – É o mesmo vampiro que...
_ Provocou uma marca em você? – o olhou. – Sim.
_ Então, ele...
_ Baekhyun, o que irei lhe pedir não será muito de seu agrado, mas não temos muito tempo. – começou, apoiando-se nos joelhos. – Eu quero que pegue seus pertences e venha para a Ordem imediatamente...
_ Eu não vou abandonar...
_ Não se trata de torna-lo um membro da Instituição. – rebateu. – Trata-se de sua proteção. Se você passar algum tempo aqui, poderemos garantir isso. Podemos colocar alguém para protege-lo na Instituição de ensino ao qual leciona. Eu só preciso que fique na Ordem até que seu irmão acorde.
_ Mas e minha noiva? – questionou. – Eu não poderei deixar Taeyeon sozinha...
_ Ela também virá. – garantiu. – Vocês poderão ficar em seus aposentos até que tudo se acalme.
_ Só que ela não sabe da Ordem. – lembrou-o.
_ Não se preocupe. Ela não saberá. – explicou. – Agora, por favor... – Baekhyun o olhou por alguns segundos e assentiu. – Pedirei que seja acompanhado por seu Mordomo. – Jongdae se levantou, caminhando para fora do escritório.
_ Espera... – chamou Baekhyun, logo o seguindo em passos rápidos. – O que quer dizer com “seu Mordomo”?
E logo que Jongdae e Baekhyun entraram num novo corredor, o seguidor de Minseok avistou Kyungsoo deixar os próprios aposentos. Rapidamente, o jovem professor reconheceu as feições do baixinho de olhos grandes que parou diante os dois, cumprimentando-os com uma leve mesura.
_ Acho que vocês já se conhecem. – começou Jongdae. – Este é o seu Mordomo, Do Kyungsoo. – os apresentou, enquanto Baekhyun o olhava longamente. – Sr. Do, preciso que acompanhe o Sr. Byun até seu lar e o espere até que ele pegue seus pertences. Quando terminar, retorne com o Sr. Byun e sua noiva à Ordem imediatamente. Fui claro?
_ Sim, senhor. – concordou, voltando sua atenção para o jovem professor. – Por aqui, senhor. – e gesticulou para o corredor que deveriam seguir.
_ Jongdae... – Baekhyun o olhou.
_ Você ficará bem. – garantiu. – O Sr. Do é um homem de confiança.
Relutante, Baekhyun concordou e seguiu Kyungsoo para o hall de entrada, onde este o aguardava. Logo, os dois adentraram o carro e dirigiram pelas iluminadas ruas londrinas. E, ainda na mansão, Jongdae observou os portões de ferro se fecharem, enquanto um suspiro arrastado abandonava seus lábios.
_ Chanyeol está jogando contra as regras. – murmurou. – Faremos o mesmo.

quarta-feira, 22 de junho de 2016

Moonlight - Capítulo Dezoito

Uma semana depois...
_ Professor? Professor Byun?
Baekhyun desviou os olhos lentamente para a voz que lhe chamava, notando que todos os seus alunos ainda lhe encaravam confusos. Afinal... Ele havia parado sua explicação sobre a importância da Revolução Industrial nas grandes obras do século 18. Juntamente com ele, estava o professor de literatura que também não compreendia o silêncio de seu colega de trabalho. O moreno piscou devagar e engoliu em seco, alegando que ambos os professores continuariam aquele tema na próxima aula, liberando os alunos mais cedo.
_ Está tudo bem? – questionou o homem de barba cheia e órbitas claras. Edward Hardy era o professor de literatura britânica daquela instituição há mais tempo que Baekhyun. Apesar da aparência grotesca e assustadora, ele era um dos homens mais simpático e engraçado dentre todos os professores. Superando até Aaron e Benjamin. – Você... Parece perdido.
_ Para dizer a verdade, eu não sei o que está acontecendo comigo. – explicou, sentando-se sobre a mesa.
_ Quer conversar? – sugeriu.
_ Eu... – suspirou Baekhyun, baixando os olhos. – Não. Obrigado, Ed. – agradeceu, sorrindo fraco.
Edward recolheu seus pertences, guardando-os em sua pasta e bateu levemente no ombro alheio, alegando que, se Baekhyun precisasse desabafar, ele estaria disposto a ouvi-lo. O moreno agradeceu novamente, assentindo e observou o outro deixar a sala de aula. Vendo-se sozinho, o professor bufou, deixando a mesa e seguiu para a janela, enquanto assistia a chuva fina cair do lado de fora. Inconscientemente, as imagens daquela noite retornaram em sua mente juntamente com as sensações. Ainda era possível sentir os lábios de Richard percorrendo seu corpo ou envolvendo seu sexo. Assim como também era possível notar aqueles rubis brilhantes lhes encarando com tanto desejo...
_ Te encontrei. – subitamente, Baekhyun virou na direção da voz grave e sorridente, avistando a fisionomia alta e esguia de Richard. – Eu... Estava te procurando. – porém, o professor nada disse, enquanto o outro adentrava a sala. – Eu pensei que nós poderíamos... Sei lá... – deu de ombros, mas ainda o observando. – Sair para comer alguma coisa.
_ Eu não posso. – respondeu, vendo-o franzir o cenho.
_ Não pode? – questionou, enquanto que, aos poucos, seu sorriso morria. – Espera... Ainda está chateado sobre aquela noite? Quer dizer, desde aquela noite, eu não conseguia te encontrar pelos corredores e...
_ Richard. – Baekhyun engoliu em seco. – Eu descobri que tenho de refazer alguns planos de aula. E... Eu estarei ocupado a semana toda.
_ Se precisar de ajuda, pode...
_ Eu pedirei aos outros professores. – interrompeu-o. – Aliás, ainda terei de me encontrar com Edward para definir a continuação da nossa aula. – declarou, sorrindo de leve e aproximou-se de sua mesa, arrumando suas coisas.
_ E semana que vem? – perguntou novamente. – Vai estar ocupado?
_ Talvez. – resumiu, fechando o zíper da bolsa e colocou a alça sobre o ombro. – Eu te ligo se sobrar algum tempo. – no entanto, ao tentar se afastar, sua mão foi segurada.
_ Olha... Se você está assim pelo que eu disse no pub... – e o olhou de soslaio. – Eu... Não estava mentindo. Eu gosto de você, Baekhyun.
_ Mesmo sabendo que estou noivo? – brincou sem ânimo.
_ Mesmo assim. – concordou.
_ Richard... – suspirou, soltando a mão alheia. – Eu... – e o olhou. – Eu vou me casar em breve.
O maior calou-se por longos minutos, enquanto era observado pelas mesmas brilhantes e intensas órbitas de Netuno. Era como se o destino brincasse consigo pela segunda vez consecutiva. Richard sorriu de leve, um pouco conformado e assentiu breve, baixando os olhos. Já Baekhyun apenas respirou fundo e baixou a cabeça, enquanto seu coração parecia quebrar sua caixa torácica. Não era para ele estar nervoso. E, antes mesmo que ele pudesse deixar a sala, seu rosto foi puxado para um ósculo afoito. O menor tentou afastar-se do mais novo, porém, quanto mais tentava, mais o bibliotecário o puxava contra si.
_ Rich... – ditou entre dentes, ao que o outro parou de súbito.
_ Naquela noite... Você não sentiu nada? – sussurrou.
_ Não vamos falar disso.
_ Mas eu quero. – foi firme. – Você não sent-
_ Me largue. – ordenou, em tom ameaçador. – Agora.
Ambos os olhos estavam tão próximos quanto às bocas que ofegavam baixinho. Baekhyun sequer tocava o chão já que estava suspenso nos braços do maior que estava visivelmente trêmulo. Num sussurro, o moreno repetiu para que voltasse para o chão e ao fazê-lo, se soltou dos longos braços do castanho. Logo, arrumou as próprias vestes e, sem proferir mais uma palavra, deixou a sala de aula. Na medida em que avançava pelos corredores, mais seu coração parecia acelerado e sua mente cada vez mais confusa. Porém, ele não mudaria sua postura.
_ Baekhyun! – chamou Richard, que não demorou em segui-lo. – Baekhyun, espera!
Mas o moreno fingiu não ouvi-lo e entrou na sala dos professores, fechando a porta e trancando-a. Passou as mãos pelo rosto, respirou fundo e apoiou-se sobre a enorme mesa, pensativo. O que estava acontecendo consigo? Afinal, o professor era maduro o suficiente para deixar claro o que queria ou não queria. Então, por que Richard insistia em tê-lo? E por que Baekhyun estava com medo do outro? Subitamente, algumas batidas na porta soaram do outro lado, enquanto a voz grave chamava seu nome.
_ Baekhyun, por favor. – implorou do outro lado. – Me escute pelo menos um pouco.
_ E o que você teria a dizer? – perguntou, desviou os olhos para a porta.
_ Talvez, a verdade...
Baekhyun jogou a bolsa sobre a mesa de madeira e retirou o celular, discando o número de seu irmão. No entanto, toda vez que discava, o mesmo caia na caixa postal ou estava desligado.
_ Olha, se está tentando ligar para a polícia, por favor... Não o faça. – pediu. – Eu não vou te machucar. Eu só quero conversar.
Mais três tentativas e a mesma resposta. Rediscou novamente, mas o outro não lhe atendia. O que havia acontecido para que Minseok não o atendesse? O professor tentou um número diferente e, de súbito, assustou-se com a voz calma de Jongdae.
_ Jongdae? – sussurrou, aliviado. – O que houve? Por que Minseok não está me atendendo? – e esperou. – Como assim, “ele ainda está dormindo”? – franziu o cenho e engoliu em seco. – Eu já disse para ele não participar de caçadas à noite... Enfim. Isso não importa. Os motivos por eu te ligar é que... Espera. Eu estou falando com você! – justificou, porém a resposta do Mordomo o calou ao que a chamada foi encerrada. – O que houve com ele?
_ Baekhyun. – e o moreno desviou a atenção para a porta. Era possível ver a sombra do maior sentado, já que o vidro era fosco. – Por favor... Me deixa explicar.
_ Explicar o que? – questionou num tom mais alto.
_ Meus sentimentos. – respondeu. – Eu... Quero que saiba dos meus sentimentos.
_ Richard... – respirou fundo. – Eu... Eu sinto muito se o iludi, fazendo-o pensar que eu estava gostando de você, mas... Eu estou noivo. De uma mulher.
_ Eu sei que está. – concordou. – Aliás, você deixou isso bem claro na nossa primeira conversa. – e a sombra se ergueu, aproximando-se do vidro. – Mas... Eu gosto de você. Eu não posso controlar meus sentimentos e acho um crime quem o faz, então... – devagar, o menor se aproximou e girou a maçaneta, abrindo a porta. Não demorou muito para que aqueles olhos grandes lhe encarassem longamente.
_ Você se lembra do que aconteceu naquela noite, não lembra? – perguntou.
_ Sim. – assentiu, sem desviar os olhos.
_ Também se lembra de que me levou para a cama? Contra a minha vontade? – e estreitou as sobrancelhas.

_ Eu sei que foi errado. – sussurrou.
_ Errado? – bufou, irônico. – Você me assediou. Aquilo é abuso e, em pleno século 21...
_ Eu sei que errei. Eu não devia ter feito aquilo! – admitiu, e num impulso, segurou o rosto alheio com as palmas grandes. – Mas eu não resisti. Eu não suportei a ideia de te ter ali, completamente entregue para mim e não fazer nada...
_ Canalha. – rosnou. – Que tipo de amigo você é? – e subitamente, afastou as mãos alheias com uma tapa. – Não se atreva a encostar em mim.
_ Baekhyun... – tentou chamá-lo.
_ Eu não acredito nisso, Richard. – suspirou, recolhendo sua bolsa e afastou-se. – Eu pensei que fosse meu amigo.
_ Espera... Baekhyun! – chamou, tentando segurar seu braço, porém, de súbito, Baekhyun acertou-lhe um chute na face, fazendo-o ir ao chão. O impacto lhe pegou de surpresa, como se aquela força pertencesse a um caçador da Ordem.
_ Eu tenho nojo de você. – praguejou, afastando-se pelo corredor.
Ainda no chão, Chanyeol observava o moreno desaparecer no fim do corredor e suspirou pesadamente, levantando-se. Aquela não era uma reação que ele esperava do humano, porém, ficou surpreso com a mesma. Devagar, o maior retirou os óculos e sorriu de leve, enquanto massageava o local atingido.
_ É, Bebê... – murmurou. – Você ainda tem a força do seu irmão.
As razões de Baekhyun ter esse ódio e medo de Richard não se remetia apenas ao fato de ter sido levado para a cama do outro contra a vontade. O que forçava o jovem professor a se afastar do bibliotecário era a estranha citação de seu irmão na conversa. Não. Ele não havia desmaiado completamente. Mesmo com parte de seus sentidos adormecidos, o moreno ainda conseguiu ouvir a rápida discussão entre o castanho e uma terceira pessoa, que parecia furiosa por ele estar ali.
“_ O que pensa que está fazendo? Está querendo iniciar uma guerra, Chanyeol? – dissera o visitante.”
“_ O que faz aqui? Achei que estivesse assistindo Minseok morrer. – respondera Richard.”
“_ Largue o garoto. – ordenou o outro e Richard riu.”
“_ ‘Largue o garoto’? – provocara. – É tudo o que tem a dizer?”
“_ Você está provocando a Ordem, Chanyeol. Em especial, Minseok. – alertou. – Sabe que se algo acontecer ao garoto...”
“_ O que acontecerá ao garoto ou não... Não é da sua conta, Sehun. – interrompeu-o. – Agora, volte para debaixo da saia de Luhan, que é o seu lugar.”
Baekhyun entrou no taxi e respirou fundo, indicando o caminho de sua casa, enquanto sua mente insistia em inúmeras perguntas sem resposta. Mas, afinal... Quem era o visitante furioso ao qual Richard chamou de “Sehun”? Por que Sehun insistia em chamar Richard de “Chanyeol”? E, principalmente... O que Richard quis dizer com “achei que estivesse assistindo Minseok morrer”?
_ Acho que está na hora de visitar a Ordem novamente. – murmurou, encarando o mundo através da janela.

As últimas investidas de Sehun contra Luhan foram precisas, proporcionando o prazer ao Príncipe que se esticou como um felino e arranhou as costas largas do ruivo, ferindo-o. Algumas gotas de sangue escorriam pelas costas alheias, manchando a tez clara e os lençóis da cama, no entanto, seus ferimentos logo se fecharam. Devagar, o mais novo abandonou o leito, seguindo para o mini-bar e serviu uma taça de sangue para seu Mestre, retornando.
_ Obrigado. – agradeceu, porém antes de levar a taça aos lábios, observou seu Matador recolher as próprias vestes e se vestir. – Vai a algum lugar?
_ Preciso continuar minha pesquisa. – resumiu, enquanto fechava os botões da calça.
_ Sobre essa nova raça? – questionou e Sehun assentiu. – Então, eu irei com você.
_ Não é necessário. – declarou e Luhan o olhou confuso.
_ Não é necessário? – repetiu.
_ O senhor ainda está se recuperando do incidente. – alegou, olhando-o. – Descanse um pouco. Não irei demorar.
Por que seu Matador estava recusando sua ajuda, quando ele sempre foi clamado pelo mais novo? O castanho o fitou por alguns segundos, notando a agilidade alheia em recolher seus pertences e desaparecer do cômodo. Por acaso, Sehun estava lhe provocando? Luhan respirou fundo, arqueando uma das sobrancelhas e deixou a cama, caminhando pelo quarto silencioso. Antes mesmo que vestisse o roupão rubro de seda, um vampiro de seu clã Ventrue surgiu na entrada, pronto para receber as ordens.
_ Deseja algo meu senhor? – perguntou.
E enquanto o Príncipe passava as ordens para o ventrue, Sehun pilotava sua moto na mais alta velocidade, chegando aos portões da Ordem em poucos minutos. Logo que estacionou, a guarda se prontificou nos muros, apontando suas armas na direção do Matador, que calmamente, removeu o capacete. E talvez, o ruivo entenda os motivos. Desde o combate mortal entre o líder da Ordem dos Caçadores e o “Lorde” – que resultou na vitória de Kim Minseok –, todos os caçadores da Instituição estão sob constante alerta, prontos para qualquer invasão da Máscara.
Para Sehun, a ordem de “vigilância 24 horas” não veio do Mestre deles, mas de alguém que conhece bem os vampiros tanto quanto Minseok. O Matador ergueu as mãos, em rendição e alertou que estava ali sob ordem do Príncipe. Entretanto, os portões não foram abertos, como de costume. As órbitas de Marte avaliaram atentamente cada um dos homens que lhe apontava as armas e esperou cauteloso, quando, finalmente a passagem foi aberta. E, ainda sob observação, o vampiro adentrou os terrenos da Ordem, parando próximo à construção. Por mais que não quisesse admitir, ali havia uma forte tensão como se, a qualquer momento, um caçador fosse atirar uma bala em sua cabeça.
Então... Se ele quisesse sobreviver, teria de ser o mais breve possível.
_ Surpreende-me vê-lo aqui. – a voz grave chegou aos seus ouvidos com certa autoridade. Logo que Sehun desceu da moto e subiu as escadas, Jongdeok se pôs a sua frente, cruzando os braços, rente ao peito. – O que quer?
_ Vim sob ordens do Príncipe. – mentiu, enquanto o observava com calma.
_ E desde quando seu Mestre se importa com o nosso? – provocou.
_ Basta, Jongdeok.
E a atenção dos dois homens se desviou para a escada, onde um terceiro, de rosto cansado e vestimentas simples, descia os degraus. Mais parecia que aquele homem não havia dormido por dias e ainda estivesse em vigília constante. Os passos calmos do moreno seguiram até o hall de entrada e finalmente parando ao lado do irmão mais velho, que se afastou desconfiado, desaparecendo em pouco tempo de vista. Sehun podia notar – independente se fosse uma criatura da noite ou humano – as enormes olheiras por baixo dos olhos pequenos. Além, é claro, da palidez de Jongdae.
_ O que faz aqui? – suspirou o Mordomo, desta vez, num tom mais brando. – Achei que Luhan soubesse da situação do Sr. Kim.
_ Na verdade... Ele não sabe. – admitiu. Os olhos pequenos se desviaram para os semelhantes rubis por alguns segundos, antes de assentir e se afastar em direção à escadaria. Não demorou muito para que Sehun o seguisse e juntos, subissem os degraus. – Como está o Sr. Kim?
_ Em coma. – declarou cansado, como se repetisse a mesma história para uma criança. – Os médicos o deixaram assim para melhor se recuperar dos ferimentos. No entanto... – e parou de andar em meio ao corredor. – Acho que estão o torturando cada vez mais. – logo, Sehun o olhou. – Estamos filtrando o sangue dele a cada duas horas, por conta do veneno que havia na lâmina. E a cada dia que se passa... Ele parece definhar.
_ Há alguma chance de sobreviver? – questionou, tornando a segui-lo quando Jongdae continuou.
_ Não sabemos. – admitiu visivelmente perdido. – Para dizer a verdade, há muita coisa que ainda não sabemos.
_ Como o que, por exemplo?
_ Sua aparição. – e o olhou, parando próximo ao escritório do líder. – O que veio fazer aqui? Está sob ordens de Luhan?
_ Não. – negou. – Meu Mestre não sabe que vim à Ordem.
_ Então, por que veio? – estreitou as sobrancelhas.
_ Eu... Vim buscá-lo. – declarou e Jongdae franziu o cenho. – Há dois dias, encontrei um lugar suspeito onde possivelmente pode estar essa nova raça.
_ Possivelmente? – questionou. – Então, você não tem certeza?
_ Dois homens, como o daquela noite, deixaram o local acompanhado de uma garota menor. – explicou. – Eu sei o que eu vi e preciso que venha comigo.
_ Sehun, eu... Agradeço a informação, mas...
_ Podemos provar o que encontramos, Jongdae. – garantiu.
_ Eu não deixarei o meu posto. – concluiu, como se não fosse interrompido. Em resposta, Sehun se calou e o moreno suspirou. – A Ordem está um caos, os “recrutas” estão assustados, os caçadores tiveram que deixar suas famílias para proteger a Instituição. Estamos em vigilância constante por que não sabemos quando seremos atacados novamente.
_ Quem comanda a Ordem? – perguntou.
_ Isso não importa...
_ Seu Mestre foi derrubado. – interrompeu. – E, pelo que conheço das regras da Ordem, há sempre um substituto. Agora... Quem comanda, nesse momento, a Ordem?
_ Eu. – respondeu, após longos segundos. – Eu sou o líder temporário da Ordem desde uma semana atrás.
Devagar, o ruivo se aproximou do homem e descansou a palma gelada contra a face alheia, ao que Jongdae fechou os olhos, relaxando um pouco. O contato frio contra a pele quente parecia tranqüilizar os pensamentos do humano. Pelo menos, parcialmente. Sehun percebeu a enorme pressão que o moreno estava recebendo e aquilo estava piorando seu estado.
_ Você está cansado. – sussurrou, roçando os lábios contra a testa alheia. – Devia tirar algum tempo para dormir.
_ Quem me dera poder dormir. – zombou, suspirando. – Eu não posso. Não enquanto meu Mestre estiver desacordado. – e o afastou.
_ Então, não virá comigo? – continuou. – Para tentarmos descobrir o que é essa nova raça?
_ Achei que tinha descoberto. – o fitou.
_ Eu estava esperando por você.
Gradativamente – e visivelmente cansado –, Jongdae arqueou uma das sobrancelhas, sem realmente acreditar no que havia acabado de ouvir. Se aquilo era alguma cantada de Sehun, com certeza, ele não estava interessado. Em resposta, o humano sorriu e suspirou, balançando a cabeça.
_ Eu... Agradeço pelo que fez por meu Mestre, mas... Acho melhor você ir sozinho. – sugeriu, adentrando o escritório. Não demorou muito para que Sehun o seguisse, levemente confuso. – Acredite: a Ordem está em dívida com você, Sehun, no entanto... – e se virou para o ruivo. – Não posso acompanhá-lo nessa investigação.
_ Não pode... Ou não quer? – questionou.
_ Não posso. – esclareceu. – A Ordem precisa de um comandante. Não posso deixá-los na mão.
_ Entendo. – assentiu, aproximando-se do menor.
Jongdae recostou-se à mesa, cruzando os braços próximos ao peito e assistiu o ruivo diante de si. Talvez fosse sua mente confusa, devido a falta de sono e seguidas noites em claro, mas era possível notar um brilho diferente naquelas órbitas de Marte. Sehun suspirou leve e, num impulso, aproximou ambas as faces, provocando, em seguida, um selar demorado. Delicadamente, os lábios finos sugaram os semelhantes e, em pouco tempo, o moreno correspondeu ao ósculo. A posição fechada e “autoritária” do humano foi desfeita e logo as mãos seguraram as madeixas avermelhadas, enquanto que as palmas alheias lhe puxavam pela cintura. Friccionaram os pequenos músculos, provocando leves correntes elétricas pela extensão dos corpos.
_ Espere... – interrompeu, ofegante. O que diabos, Jongdae estava fazendo? Por que seu coração estava tão confuso?
Sehun encarou o menor que lhe soltava aos poucos e afastava-se, seguindo para a janela. E, no que o vampiro encontrava-se confuso, o humano estava nervoso. Afinal, Jongdae havia deixado bastante claro – para o seu coração – que este possuía um dono. Então, por que aquele ventrue estava confundindo seus pensamentos? Aliás, não é possível que o Mordomo esteja dividido entre o Matador do Príncipe e o Líder da Ordem... Ou é?
_ É melhor você ir. – murmurou o moreno, passando a mão pela face.
_ Não virá comigo? – questionou próximo à orelha. Nem mesmo o Mordomo sentiu a presença do outro se aproximar.
_ Não. – declarou, encarando-o de soslaio.
E, sem proferir mais uma palavra... Sehun deixou o escritório. Jongdae suspirou pesadamente, voltando a encarar a janela, enquanto observava o ruivo desaparecer atrás dos portões. Por mais que seja uma decisão difícil, foi a mais coerente a ser tomada. No entanto... “Coerente” para quem? Para não magoar os sentimentos de seu Mestre? Ou para a Ordem, que está completamente fragmentada?
Entretanto, Minseok lhe questionaria por que ele não concordara em investigar sobre essa nova ameaça.
_ Jongdae. – a voz de Jongdeok rompeu seus pensamentos logo que adentrou o cômodo.
_ Jongdeok. – se virou, caminhando até o irmão. – Preciso que vigie o Mestre. – e passou por este.
_ Mas... Espera. Aonde vai? – questionou, seguindo-o.
_ Resolver alguns assuntos. – respondeu, pegando o celular do bolso e discando rapidamente um número. Logo no segundo toque, a voz de Sehun soou na outra linha. – Eu irei com você. – e desligou.
Em pouco tempo, o moreno vestiu suas roupas – específicas para caçar – e deixou o quarto, ainda sob o constante questionamento de Jongdeok. Jongdae suspirou, alegando que não demoraria tanto e desceu as escadas, se dirigindo ao hall de entrada. No entanto, ao abrir a porta, um arrepio violento percorreu sua espinha, enquanto seu corpo permanecia estático diante as órbitas de Netuno. E parecia que o tempo estava contribuindo com o visitante, já que, segundos depois, um relâmpago, seguido de um estrondoso trovão surgiu atrás de si.
Independente de quem fosse o dono, aquelas íris sempre o fazia tremer.
_ Boa noite, Jongdae. – desejou Baekhyun, que, em silêncio avaliou as roupas do Mordomo. – Pretende ir a algum lugar?
_ E-eu... – como Jongdae poderia ficar nervoso diante de Baekhyun? Seria por que o moreno não esperava a presença do mais novo naquela noite? Ou por ter desligado a chamada que recebeu do menor? – Pretendia. O que faz a essa hora tão tardia na Ordem? Eu não achei que fosse...
_ Vim conversar com você e Minseok. – resumiu. – Podemos entrar? – sugeriu, passando pelo moreno que o acompanhou nervoso com os olhos. – Meu irmão está?
_ O Sr. Kim está descansando. – explicou, fechando lentamente a porta. – Eu lhe disse que ele havia caçado...
_ Então, pode acordá-lo. – decidiu, caminhando na direção da escadaria. – Estarei esperando-o no escritório...
_ Sr. Byun. – chamou Jongdae, apressando-se em segui-lo. – Será que não podemos ter essa conversa num outra hora?
Subitamente, Baekhyun parou de andar.
_ Aconteceu alguma coisa na Ordem que eu não sei? – e desviou a atenção para o moreno que novamente travou o corpo. – Ou melhor... – desta vez, os três chefes dos departamentos surgiram no alto da escada. – Aconteceu alguma coisa à Minseok... Que você não me contou?
O Mordomo alternou os olhos entre o trio e o irmão mais novo de seu Mestre, sem proferir uma única palavra. O que ele diria: o que houve anterior ou posterior ao ocorrido? Deduzindo que aquela resposta silenciosa era suspeita – afinal, Jongdae não conseguia guardar muitos segredos. Essa função cabia à Minseok –, o professor subiu as escadas correndo e disparou pelos corredores, ao que o quarteto o acompanhou na mesma velocidade, chamando-o constantemente. No entanto, nenhum deles conseguiu impedir Baekhyun de adentrar os aposentos de Minseok, que estancou subitamente na entrada, enquanto encarava aquela cena, incrédulo.
_ M-mas... – sussurrou.
_ Baekhyun. – Jongdae puxou o menor para fora do cômodo e, prontamente, as portas se fecharam, enquanto Yixing as trancava com a chave. – Eu posso explicar, mas, por favor...
_ O que aconteceu com ele? – o terror estava estampado nos brilhantes Netunos, que sequer desviou a atenção para as portas de carvalho. Ele nunca vira o irmão daquela forma. – Diga-me que aquilo não é verdade. Diga-me que eu não vi o que vi...
_ Por favor, se acalme. – pediu Eunjung, tentando tocá-lo, porém, suas mãos foram afastadas pelo moreno.
_ Não! – gritou nervoso. – Jongdae! O que aconteceu com Minseok?! Por que ele está daquele jeito? – e apontou para a porta.
_ Ele estava... – começou Jongdeok, mas foi interrompido pelo irmão mais novo.
_ Cale-se, Jongdeok! – ordenou, respirando fundo. – Baekhyun, por favor. Eu preciso que fique calmo e...
_ Eu quero respostas! – gritou o moreno.
Enquanto Jongdae tentava explicar à Baekhyun sobre o ocorrido, Yixing se aproximou do menor e bloqueou seus olhos com uma das palmas, enquanto cercava-lhe o corpo com o outro braço. E, ao lhe sussurrar algumas palavras no ouvido, o moreno adormeceu de imediato, sendo sustentado pelo outro. Eunjung e Jongdeok alternaram os olhos entre si, perplexos com o que haviam presenciado, enquanto o chinês arrumava o professor no colo, guiando-o pelo corredor.
_ Yixing... – chamou Jongdae, ao que o outro parou, desviando os olhos para o Mordomo.
_ Vá. – incentivou-o. – Você tem assuntos a resolver. Eu cuido de Baekhyun. – e sorriu leve, tornando a caminhar pelos corredores.
Jongdae ainda assistiu a dupla desaparecer no corredor antes de deixar a mansão. Dirigiu para além dos portões e ao parar no sinal, a porta de seu carro se abriu, enquanto Sehun se acomodava no banco do passageiro.
_ Sabe qual é o endereço? – questionou o humano, encarando o semáforo.
_ Conhece a boate que todos os jovens comentam, mas são poucos os que a freqüentam? – e o olhou.
_ Conheço. – respondeu, partindo em seguida. – O que vamos encontrar lá?
_ Bom... Para isso, vamos ter que descobrir. – e sorriu, calando-se.