domingo, 17 de julho de 2016

Moonlight - Capitulo Vinte e Dois

Alguns dias depois...
É curioso de se notar que, após tantos anos, um sentimento pode se virar contra você. Também é curioso de se perceber que sua fidelidade para aquele ao qual jurou permanecer eternamente ao lado... Agora de nada valia. Além do mais, seu Mestre havia o abandonado. Sehun recostou-se ao parapeito da varanda de seu apartamento e observou a noite bem iluminada de Londres, enquanto um suspiro arrastado escapava de seus lábios. Suavemente, as lembranças de duas noites anteriores retornaram à sua mente concentrada, enquanto as imagens de um Príncipe fora de controle e as garras rasgando seu rosto preenchiam não apenas seus pensamentos, mas seus olhos também.
Nem mesmo o Matador iniciou seus questionamentos, Luhan transformou-se num monstro e o atacou ali mesmo. E sequer voltou a encará-lo quando o ruivo decidiu partir.
Gradativamente, sua atenção se desviou para seu tronco, onde era possível perceber, através de sua visão aguçada, o discreto relevo das marcas produzidas pelo castanho. Não demorou muito para que um sorriso triste estampasse seu rosto, afinal... Ele não revidou o ataque, ainda que fosse melhor lutador do que seu Mestre. No fundo, Sehun sabia que aquilo não passava de puro ciúme de Luhan, já que o mesmo havia “tirado satisfação” algumas horas antes com Jongdae. É claro que o ventrue temeu pela vida do humano, mas ao se recordar das palavras do Mordomo, percebeu que o Príncipe nada podia fazer dentro da Ordem.
Por mais que Luhan anseie em ver o sangue do humano manchar o carpete do escritório do Sr. Kim, ele não podia tocá-lo.
Todavia, havia uma pergunta que rondava a mente do Matador na qual ainda não possuía uma resposta: que tipo de sentimentos exalavam de seus poros ao estar com o humano? Afinal, ele era leal ao Príncipe desde o seu renascimento. Sehun sentou-se no parapeito da varanda, fechando os olhos e mentalizou desde as feições tranquilas de Jongdae até seu dorso forte. Num contexto geral, a razão do seguidor de Luhan acompanhar o seguidor de Minseok estaria relacionado ao fato de seus Mestres possuírem um caso. Isso é claramente notável. Porém, o Líder da Ordem já havia deixado bastante claro que estava comprometido com outra pessoa. Então, por que a insistência? Por que a necessidade de proteger e cuidar do humano? Aliás, o ruivo sabia que tudo o que dizia ou fazia ao outro não passava de pura provocação. Uma forma de vê-lo perder a paciência e o raciocínio lógico.
E era divertido ver Jongdae fora de controle.
Os pensamentos de Sehun se aprofundaram numa intensidade, a procura de uma resposta plausível que, ao encontra-la, acabou lhe surpreendendo. Durante todo o período em que ambos conviveram ou trabalharam juntos, Jongdae havia deixado claro de que nada queria com o outro. Nenhum sentimento, nenhum caso... Absolutamente nada. Então, aquilo que o Matador havia sentido... Não. Aquilo não era amor. Ou melhor, não podia ser amor. Era impossível de se imaginar que ele estivesse apaixonado pelo mortal. Nem pensar!
Rapidamente, o ruivo negou com a cabeça e refez seus pensamentos desde o início. Sehun sabia que a atração de seu Mestre pelo Líder da Ordem não se iniciava no primeiro encontro dos dois e sim, de algumas vidas passadas, onde o Príncipe havia conhecido um rapaz de coração bondoso e os mesmos traços que Minseok possuía. Como uma reencarnação anterior. Aquele garoto que havia confundido os sentimentos de seu Mestre foi um dos motivos para o Matador redobrar o esforço em atrair a atenção de seu Senhor para si.
Lee Gyeon era o seu nome.
Ambos haviam se conhecido durante uma das entregas de mercadorias, onde o jovem Gyeon havia deixado algumas especiarias na casa do Príncipe. Luhan ficara tão encantado pela beleza do rapaz que cogitou seriamente a ideia de “abraça-lo” naquela época. Afinal, o fascínio do castanho não podia ser medido. Em resposta àquela provocação, Sehun chegou a repreendê-lo por perseguir aquela criança para onde quer que ela iria, sendo seu argumento rebatido pelo outro que ria, alegando “não fazer absolutamente nada do que ele realmente gostaria de fazer com o menor”. Infelizmente, uma tragédia havia acontecido ao jovem entregador, fazendo o vampiro se revoltar com seu seguidor.
Luhan acusara Sehun por ter assassinado friamente Gyeon por conta de ciúmes infantis... Apesar de, décadas mais tarde, descobrir que o ruivo nada fizera ao humano.
Quanto à Jongdae... Ainda era uma incógnita. Em todas as andanças de Sehun pelo mundo, não houve nenhum homem, ou mulher, ou criança ou velho que se parecesse com aquele humano. Ou seja, a aproximação do Matador para com o mortal não vem de vidas anteriores, como foi com seu Mestre. Então, o que ele sentia pelo Mordomo era... Apenas atração, por ele ser sua “comida”? Ou provocação, como dito anteriormente? No entanto, se era esta última, por que ele estava preocupado com o moreno quando o Príncipe visitou a Ordem? É óbvio que o vampiro não queria que seu Mestre atacasse a Instituição e provocasse uma guerra contra a Máscara.
Certo. Se tudo não passava de uma simples provocação do vampiro ao humano – afinal de contas, o moreno, mesmo apaixonado pelo próprio Mestre, não pode se aproximar por este estar comprometido –, e a maioria de suas ligações estarem relacionadas às investigações que estavam fazendo sobre a nova raça que se instalou em Londres, então...
E Sehun pensou mais um pouco.
Por que ele havia dito aquelas palavras no meio da ligação após a visita do Príncipe?
Sehun encarou o vazio por longos minutos, quando subitamente, seu celular vibrou em seu bolso. Logo, o ruivo retirou o aparelho e examinou a tela, enquanto seu coração – que para muitos, estava morto – disparou rápido. E, antes de atender, o vampiro praguejou, fechando os olhos.
Maldito humano que está destruindo seus pensamentos!
O intervalo entre a conversa breve com Jongdae e a entrada do mesmo em seu apartamento durou os mais longos vinte minutos da existência do ruivo. Sehun avaliou, em silencio, as vestimentas do caçador que, aparentemente, estava menos cansado e mais corado até. Pelo visto, as noites de sono fizeram bem a ele. As órbitas escuras encaravam as feições do vampiro que, internamente, estava desconsertado, enquanto lhe questionava quais eram os motivos de ter sido chamado para aquele local específico. Por fim, o homem sorriu de leve, afinal, naquele momento, era perceptivo ao olhar aguçado o tamanho do desgosto alheio em estar ali e, finamente, explicou exatamente o que estava se passando em sua mente, surpreendendo o humano que piscava surpreso a cada palavra dita.
_ Eu me sinto estranhamente atraído de forma sentimental por você, Jongdae. – concluiu, enquanto o moreno respirava fundo e, prontamente se levantou do sofá, ameaçando sair dali.
Mas convenhamos... Para onde Jongdae iria, já que Sehun consegue encontra-lo em qualquer lugar?
O silêncio naquele cômodo parecia mórbido aos ouvidos atentos do Mordomo que, lentamente se virou para o Matador e um suspiro cansado deixou seus lábios, fazendo-lhe a pergunta mais coerente daquela noite: e se tudo o que ele relatou ao moreno, e se tudo o que ele sente pelo seguidor de Minseok não passasse de uma simples necessidade de sentimentos recíprocos? Uma necessidade de ter alguém que corresponda ao que Sehun sente naquele momento? O vampiro repensou nas palavras alheias e sorriu fraco, dando de ombros. Aquilo também era possível. Jongdae o olhou por alguns minutos e bufou, passando a mão pelos cabelos. E enquanto o humano repensava em novas explicações para as confusões mentais do ruivo – algo que, particularmente falando, não era da sua conta –, o maior se ergueu de seu lugar, caminhando até o outro e o encurralou contra a porta, que lhe encarou nos olhos.
O vampiro questionou-lhe num sussurro como andava a recuperação do Líder da Ordem, ao que Jongdae suspirou, visivelmente cansado de repetir aquela história, explicando que Minseok ainda não despertou de seu coma. No entanto, o que havia surpreendido Sehun naquele momento foram suas palavras finais: por mais que desejasse acreditar que seu Mestre voltaria, o Mordomo estava perdendo as esperanças na recuperação alheia. Talvez fosse Eunjung lhe mostrando o óbvio, ou seu irmão mais velho, que sempre repetia que ele, Jongdae, deveria ser o novo líder da Ordem. E não demorou muito para que um soluço baixo escapasse de seus lábios, enquanto suas lágrimas desciam livres por seu rosto, ainda que relutasse bravamente contra o choro. Envolvendo-o em seus braços, o ruivo afagou seus cabelos, selando sua têmpora e o guiou até o quarto, acomodando-o sobre a cama.
Sehun abaixou-se a frente do moreno que passava a mão pelos cabelos, limpando o rosto e por fim, fechou os olhos, respirando fundo. Atento, observou as reações do Mordomo, notando o tamanho de sua fragilidade e ajudou-o a ficar confortável ali, removendo assim, sua jaqueta e as botas de couro. Gentilmente, ele lhe sugeriu que descansasse ali mesmo, ao que Jongdae se recusou, agradecendo a hospitalidade. De qualquer forma, ele deveria voltar para casa. Devagar, as palmas frias pousaram sobre o peito do homem que lhe observou curioso, enquanto era empurrado para trás. Aos poucos, o Matador deitou-se por sobre o humano, invadido suas mãos por baixo da camisa e roçou a ponta do nariz contra o maxilar alheio, enquanto inúmeros arrepios percorriam pela tez quente do seguidor de Minseok.
Mas afinal, o que ele estava fazendo?
Rapidamente, Jongdae o empurrou, fazendo o maior se apoiar nos braços e lhe encarar por alguns segundos antes de lhe tomar a boca num beijo saudoso. Sehun sugou-lhe os lábios avidamente, provocando um estalido cada vez que as bocas se afastavam para, em seguida, recomeçarem. E não foi necessário muito para que o moreno cedesse aos desejos do vampiro que, prontamente, roçou ambos os corpos, excitando-os. Suas mãos deslizaram pelo dorso esguio e forte do moreno até a virilha, fazendo-o arfar e o afastar um pouco. Em resposta, o homem de madeixas avermelhadas sorriu – logo lhe questionando se nunca foi tocado naquele lugar –, tornando a beijá-lo e o puxou para junto de si, enquanto friccionava as línguas num ósculo longo. A medida em que os minutos se passavam mais os toques se tornavam íntimos, fazendo-o remover algumas peças do corpo.
Despidos da cintura para cima, o dono das orbitas escuras girou o corpo, posicionando sobre o outro que se encaixou entre suas pernas, enquanto roçava ambas as intimidades cobertas pelas calças. Os pelos de Jongdae se eriçavam sempre que os dedos longos de Sehun percorriam sua coluna e braços, provocando alguns vergões avermelhados. Um suspiro arrastado lhe abandonou os lábios ao sentir os semelhantes alheios selarem seu pescoço gentilmente, e, consequentemente, fazendo seu coração disparar loucamente. Logo, o vampiro sentou-o em seu colo, tomando novamente sua boca para mais um ósculo quando o Mordomo o interrompeu, afastando-se. Nem mesmo ele sabia o que estava fazendo ou por que estava fazendo.
_ Eu... Estou traindo a confiança de meu Mestre... – sussurrou Jongdae, logo se levantando da cama. – Eu... Eu não devia ter feito isso... – continuou, balançando a cabeça.
_ Às vezes, eu acho que você é um mar de confusões, Jongdae. – comentou, ajeitando-se sobre a cama.
O ventrue observou o vagar dos mares escuros pelo vazio e não era impressão sua: o outro estava realmente indeciso. Seria por estar consigo ou por ainda possuir sentimentos pelo próprio Mestre? Calmamente, o maior se aproximou do moreno e o girou, guiando-o em direção à parede. Antes mesmo que Jongdae percebesse, seus lábios foram capturados pelos semelhantes alheios como um fruto proibido. Em momento algum, Sehun foi indelicado ou forçou a vontade do homem que lhe correspondia. Por fim, o Mordomo interrompeu o ósculo, ofegando baixo e crispando os lábios. Aquele vampiro devia parar de lhe confundir tanto.
_ Eu lhe disse para não fazer isso. – sussurrou Jongdae.
_ Engraçado, por que você não parece re- – e antes que Sehun concluísse, Jongdae o encarou e lhe desferiu um soco no rosto, fazendo-o cambalear para trás. Logo, o maior soltou uma risada nasalada, voltando a atenção para o humano que retribuía o olhar friamente.
_ O que eu havia dito? – rosnou Jongdae.
_ Eu sei. – concordou, deslizando a língua pelo canto da boca e limpando o resquício de sangue ali encontrado. – Afinal, não é a primeira vez que sou rejeitado. – murmurou, afastando-se.
E logo a atenção do moreno se voltou para as marcas no corpo do homem que revirava o frigobar. Em passos lentos, Jongdae se aproximou do outro e tocou-lhe no centro das costas, surpreso com a profundidade da marca. Talvez tivesse uns cinco ou seis centímetros de profundidade... Ele não tinha certeza. Devagar, Sehun se virou para o outro, dando de ombros.
_ Se acha que isso é horrível... – aproximou-se do humano. – Imagine isso aqui. – e guiou a mão alheia até seu peito, deslizando-a por todo o tronco.
_ Luhan...
_ Sim. – concordou num suspiro. – Ele estava alterando quando fez isso.
_ Eu sinto muito. – ditou.
_ Sente? – e arqueou uma das sobrancelhas, surpreso.
_ Não achei que seu Mestre fosse capaz de...
_ Luhan é capaz de fazer coisas piores. – interrompeu-o num sussurro. – E ele tem o direito de descontar sua raiva em mim, afinal... Ele “perdeu” seu fiel seguidor.
_ O que fará agora? – questionou.
_ Agora? – o olhou, pensando um pouco. – Ainda não tenho autorização para retornar à Máscara e... – logo, um sorriso maroto se formou em seus lábios. – estou realmente cogitando a ideia de transar com você esta noite.
_ Você é louco. – bufou, balançando a cabeça.
_ Eu estou falando sério, Jongdae. – comentou ao vê-lo se afastar. Devagar, Jongdae desviou os olhos para o ruivo que se aproximava em passos lentos. – Além do mais, seu Mestre não está acordado e... Muito tempo deve ter se passado desde a última vez que você dormiu com alguém.
_ É... Pelo visto, você precisa mesmo de alguém que corresponda seus sentimentos. – zombou, balançando a cabeça.
_ Ou não. – negou. – Talvez você seja a pessoa que eu desejo.
Longos minutos se passaram em meio àquela troca de olhares até que Sehun venceu a pequena distância dos dois e roçou os lábios contra os semelhantes alheios. Em tom de zombaria, o vampiro questionou por que o outro relutava tanto sendo que ambos tinham certeza de que acabariam na cama cedo ou tarde. Jongdae sorriu, revirando os olhos e afastou o rosto, negando com a cabeça. “Não vou transar com você, se é o que está pensando”, alegou.
_ E se eu disser que, fazendo amor comigo... Você pode trazer o seu Mestre de volta? – sugeriu.
_ É impossível. – desta vez, ele gargalhou.
_ Não é não. – balançou a cabeça, o puxando para junto de si. – Se quer saber, eu, nesse momento, estou na mente de Minseok. Ou você se esqueceu de que temos a capacidade de invadir o inconsciente dos humanos?
_ Achei que isso apenas funcionasse com os marcados. – estranhou.
_ Também funciona. – concordou. – Mas eu posso fazer isso com os não marcados.
_ Eu não devia confiar em você. – negou com a cabeça.
_ Tudo bem. – deu de ombros. – Então, aproveite o resto da semana com seu Mestre em coma. – e rumou para a varanda.
_ Espere. – Jongdae suspirou, encarando o vazio. No fundo, ele não queria fazer aquilo. E se Sehun mentindo para si? – Como... Como sabe que está na mente do Sr. Kim?
_ Como eu sei? – um arrepio percorreu pela espinha de Jongdae ao ouvir o sussurro rouco de Sehun contra o seu ouvido. – Bem... Agora, ele está prestes a me matar se eu encostar um dedo em você.
_ Isso é mentira. – o olhou de soslaio.
_ Ele não cansa de repetir “encoste em Jongdae e eu o transformo em cinzas”. – ao ditar a última parte, Sehun reproduziu o idêntico tom de voz de Minseok, surpreendendo o Mordomo. – E então? Quer testar?
_ Eu não vou fazer isso. – declarou, balançando a cabeça e se afastou.
_ Jongdae... – começou Sehun, um pouco pensativo. – Não estou fazendo isso apenas para provoca-lo ou... Incomodar o Sr. Kim. – logo, o moreno que segurava a maçaneta da porta se virou. – Tudo o que eu estou tentando fazer é ajuda-lo a ter seu Mestre de volta. Eu quero que seja fiel à Minseok como fui com Luhan no passado. Eu... Estou sugerindo isso como uma forma de despertar abruptamente seu Senhor.
_ Como posso saber que não está mentindo para mim? – estreitou os olhos. – Desde a ideia de transar comigo até a conexão mental?
_ Não tem como. – suspirou, dando de ombros. – Você acredita se quiser.
_ Ok. – assentiu. – Suponhamos que eu concorde. – e cruzou os braços. – Quanto tempo demoraria para ele despertar?
_ Definitivamente, eu não sei o prazo exato, mas... Em um ou dois dias, no máximo. – o olhou.
_ Um ou dois dias? – bufou, incrédulo. – No máximo?!
_ Isso. – concordou. – E então? O que me diz?
Gradativamente, o moreno venceu a pequena distância entre os dois, ainda avaliando friamente as reações do vampiro que apenas retribuía a atenção. Jongdae sabia que fazer aquilo seria uma faca de dois gumes: por um lado, estaria traindo completamente a confiança de seu Mestre. Por outro... As chances do ruivo dizer a verdade e Minseok despertar de seu coma seriam grandes. Então... Ele deveria confiar?
Lentamente, os lábios finos do maior roçaram nas semelhantes alheias, antes de serem pressionados com cuidado. Sehun tentou, em todo o momento, permanecer calmo, enquanto iniciava um ósculo tímido. Além do mais, ele compreendia o medo do Mordomo ao se entregar completamente, já que o mesmo não possuía nenhuma certeza de que estava dizendo a verdade. No entanto, não havia mentiras nas palavras do Matador. Enquanto os braços longos envolviam o corpo esguio de Jongdae e o apertavam contra si, Minseok insistentemente gritava contra a mente do vampiro, que se afundava mais e mais no calor do homem. Não demorou muito para as últimas peças fossem ao chão e o ruivo os guiasse até a cama. Beijos suaves percorreram pela tez suada do moreno, provocando-lhe arrepios constantes, enquanto que as palmas passeavam livremente pelo dorso do rapaz.
E, por um segundo, Sehun desfez a conexão com Minseok. Afinal, o líder da Ordem somente poderia vê-lo quando Jongdae estivesse pronto.
Jongdae sugou-lhe os lábios, apertando-o contra si enquanto sentia os dedos gelados deslizarem para o interior de suas coxas. Era estranho de se pensar que, nos próximos minutos, ele estaria fazendo amor com um “bloco de gelo”, por assim dizer. Logo, as órbitas de Marte encaram os mares escuros do humano, que estava visivelmente ansioso com aquilo. No fundo, o rapaz percebia que havia uma sutileza estranha nos toques e beijos do Matador. Como se Sehun tivesse medo de tocá-lo com prazer. Devagar, o moreno o derrubou sobre a cama e sentou em seu colo, friccionando as intimidades lentamente, enquanto a atenção dos rubis de direcionavam ao seu rosto. Mais uma vez, beijaram-se avidamente, provocando estalidos em meio ao ósculo quando as mãos frias do maior desceram por suas costas até as nádegas, as afastando. O Mordomo tentou permanecer calmo ao se tornarem apenas um, por mais que coração martelasse constantemente em seu peito e sua respiração – juntamente com a tempestade interna – sequer houvessem se normalizados. E em meio aos constantes movimentos, Sehun se reconectou com a mente do Sr. Kim.
Em meio ao ato, Sehun sibilava constantemente, algo que era difícil para Jongdae distinguir se o outro conversava consigo ou com mais alguém naquele cômodo. Era notável o tamanho da fúria em cada palavra sua proferida, como se odiasse o remetente daquela conversa do fundo da própria alma – por mais que não a tivesse. Vez ou outra, o Mordomo tentava chamar a atenção do ruivo que lhe encarava, porém não o olhava diretamente. Como se o vampiro que estava sobre si não estivesse, mentalmente, ali. E ao tentar novamente chama-lo, foi calado por um ósculo aprofundado. As unhas afundaram-se nos ombros largos do maior que estava bastante disposto a concluir o ato, ainda que houvesse relutância da outra parte. O ventrue, em momento algum, desviou os rubis da face corada e das reações prazerosas do menor sob si, e de forma rápida, foi puxado pelo caçador para mais um beijo fogoso, enquanto se afundando cada vez mais em seu cheiro.
Por mais que tudo o que estava fazendo naquele momento fosse para o bem de Jongdae, a fim de ajudá-lo a trazer o líder da Ordem de volta, Sehun estava odiando a relação dele com o próprio Mestre. Tudo o que o Mordomo fez, disse, pensa e ordena é pelo bem de Minseok... Será que, não havia um único momento em que aquele humano se importasse consigo? Com o que ele sentia ao tocá-lo ou se afundar em seu perfume? Ou mesmo quando o ajudou e o salvou algumas vezes? Por que só aquele maldito humano poderia receber seus sentimentos? Ele também não tinha esse direito? E, enquanto o vampiro refletia seus próprios pensamentos, algumas lágrimas de sangue deslizavam por sua bochecha, gotejando no peito alheio. Rapidamente, ele deslizou a língua pelo colo, limpando os resquícios e tornou a beijá-lo avidamente. O moreno devia saber o que ele sente também, apesar de muitos afirmarem que “vampiros não sentem nada”.
Jongdae arfou quando as primeiras correntes elétricas percorreram por seu corpo, assim como seus gemidos e o choque dos corpos foram os únicos sons que ecoavam provocantes pelo quarto do apartamento. Seria apenas uma questão de tempo para que o moreno se desmanchasse. Subitamente, o ventrue o puxou para o colo, mantendo-o em seu abraço, e moveu-o, enquanto provocava vergões e marcas por seu pescoço e peito. O rapaz agarrou-lhe as madeixas avermelhadas em resposta as constantes provocações do vampiro e, no segundo em que as lágrimas do Mordomo caíram, ambos finalmente se desmancharam. Sehun observou o menor descansar o corpo por sobre o seu, enquanto o choro e os soluços baixos preenchiam o ambiente. O Matador sabia que o outro estava arrependido, principalmente pelo que acabou de fazer, e pacientemente, o arrumou em seu colo, deslizando os dedos pelas costas alheias e a maçã do rosto, enquanto um suspiro arrastado escapava de seus lábios.
_ Não se preocupe. – sussurrou em seu ouvido. – Seu Mestre o ouviu. – logo, o olhar confuso do moreno se desviou para o ruivo. – Minseok acordará em breve. – devagar, o deitou sobre a cama, abandonando seu corpo. – Por hora, descanse um pouco. – por fim, vestiu-se e saiu do quarto, fechando a porta atrás de si.


“Era uma vez dois irmãos, um rico e outro pobre. O rico era ourives e malvado até não poder mais. O pobre ganhava a vida fabricando vassouras, e era bom e honesto. O pobre tinha dois filhos, dois gêmeos iguaizinhos como duas gotas d'água. De vez em quando, eles iam até à casa do rico e, às vezes, ganhavam umas sobras de comida. Um dia, o fabricante de vassouras...” – porém, as palavras de Baekhyun foram subitamente interrompidas pelo constante apitar do monitor cardíaco, ao que as safiras brilhantes se desviaram do livro para o irmão acamado, prontamente ficando de pé.
O jovem professor abandonou o exemplar sobre a poltrona, sentando-se ao lado do mais velho e segurou-lhe a mão, chamando-o seu nome baixinho. Vez ou outra, o moreno notava alguns espasmos num intervalo de três ou quatro segundos do líder da Ordem, que sequer abriu os olhos. Para Baekhyun, era como se Minseok estivesse lutando bravamente contra algum pesadelo. Sem esperar mais, o rapaz correu para fora do quarto, gritando por alguém ao que Eunjung logo surgiu em seu campo de visão, caminhando rápido.
_ O que houve? – perguntou ela.
_ Minseok está tendo convulsões, eu não sei. – respondeu, visivelmente perdido. – Seu corpo está sofrendo espasmos, mas...
Logo, a médica examinou o acamado, mas antes mesmo que pudesse chama-lo, os espasmos se encerraram de súbito. Tanto Eunjung quanto Baekhyun desviaram os olhos para o monitor cardíaco, notando que o mesmo exibia os batimentos calmos de Minseok. Como se nada houvesse acontecido há alguns minutos. A mulher suspirou arrastado e desviou os olhos para o irmão mais novo do líder, alegando de que, se isso se repetisse, ele deveria chama-la de imediato. O professor concordou, agradecendo e desviou os olhos para o mais velho, ao que a outra deixou o quarto, fechando a porta atrás de si.
_ Olha... – suspirou Baekhyun, passando a mão pelo rosto e se aproximou da cama, sentando ao lado do irmão. – Eu vou denunciá-lo à Jongdae por estar me assustando dessa forma, ouviu? – e ao baixar a cabeça, um sussurro chegou aos seus ouvidos.
_ Jong... Dae...
Lentamente, Baekhyun desviou os olhos para o irmão, notando as inúmeras gotículas de suor em sua testa e pescoço, enquanto observava os lábios levemente carnudos do mais velho se moverem devagar, como se estivessem tentando pronunciar alguma palavra. O mais novo aproximou o ouvido da máscara de ar que cobria a boca de Minseok e esperou pelo som do outro. Ele não podia ter ouvido errado... Podia?
_ Jong... Dae... – as palavras saiam forçadas do mais velho, enquanto uma lágrima solitária escorria de seu olho.
E, em pouco tempo, Baekhyun já discava o número do Mordomo, ordenando-o para que voltasse logo para casa. Jongdae respondeu na outra linha que estava próximo da mansão e não demoraria em chegar. Assim que o professor desligou o celular, assustou-se com a presença de Kyungsoo na porta, questionando qual seria o motivo pelo jovem Byun se desesperar tanto. Logo o menor suspirou, alegando que seu irmão estava chamando pelo próprio assistente.
_ Está dizendo que o Sr. Kim... – começou Kyungsoo, franzindo o cenho.
_ Sim. – concordou. – Parece que Minseok está chamando por Jongdae. Mas o que me deixa confuso são os espasmos de seu corpo.
_ O que quer dizer? – devagar, o moreno se aproximou.
_ Antes de chamar pelo Jongdae, o corpo de Minseok começou a tremer um pouco. Como se estivesse tendo uma convulsão ou algo parecido. – comentou, desviando a atenção para o irmão. – Eu... Temi que fosse algo mais grave, mas...
_ Por que não descansa um pouco, Sr. Byun? – sugeriu Kyungsoo, gesticulando na direção da porta. – Eu ficarei aqui até que Jongdae chegue.
_ Eu estou bem... – suspirou, porém foi interrompido.
_ Não, o senhor não está. – ao ditar, Baekhyun desviou o olhos para o moreno que parecia não reagir a nada. Quer dizer, Kyungsoo o acompanhava havia uma semana e meia e ele sequer sorriu ou chorou ou gritou... Que tipo de Mordomo era aquele que parecia uma máquina? – O Senhor vela o sono de seu hyung há algum tempo. Até mesmo Jongdae tentou descansar um pouco... Por isso, sugiro que o senhor faça o mesmo e, se quiser, pela manhã, poderá vir visitar seu irmão.
_ E se eu negar? – e ergueu uma das sobrancelhas.
_ Eu iriei insistir. – completou.
Alguns minutos se passaram naquele silêncio mórbido até que Kyungsoo usou um argumento simples que, para Baekhyun, era um grande golpe baixo: o jovem professor deveria retornar para os seus aposentos ou sua querida noiva, Kim Taeyeon, desconfiaria de sua ausência no leito. O moreno suspirou arrastado, assentindo de leve e pediu que, se o – era estranho emitir aquela palavra – seu Mordomo soubesse de alguma novidade de seu irmão, que o avisasse de imediato, logo saindo dos aposentos principais.
Do lado de fora do quarto, Kyungsoo observou o dono das famosas safiras desaparecer no fim do corredor e um suspiro deixou seus lábios, antes de fechar a porta. Longos minutos se passaram enquanto o moreno repensava na noite em que encontrou a noiva de seu Senhor caminhando pelas ruas desertas de Londres. Se o jovem rapaz não estivesse enganado, a moça estava visivelmente nervosa ao seu lado, remexendo os dedos e desviando os olhos para a janela do veículo. Afinal, o que Taeyeon estava planejando às escondidas?
_ Vim assim que possível. – a voz grave de Jongdae chegou aos seus ouvidos, lhe despertando de seus devaneios, enquanto atravessava o corredor. – Está tudo bem? – perguntou, parando ao lado do menor.
_ Sim. – concordou, sorrindo de leve e abriu a porta, gesticulando para que entrasse. – O Sr. Kim está lhe chamando.
_ C-como? – gaguejou, parando subitamente na entrada do quarto. – O que disse?
_ Segundo o Sr. Byun, o Sr. Kim estava chamando por você, Jongdae. – explicou. – E antes disso, o Sr. Kim sofreu alguns espasmos, o que o Sr. Byun julgou ser convulsões ou algo do gênero.
_ Ok. – assentiu, baixando os olhos para os próprios pés. – Eunjung o examinou?
_ Creio que sim. – assentiu. – Se me der licença.
Logo, o rapaz se curvou e afastou-se dos aposentos do líder da Ordem, caminhando devagar na direção de seu próprio quarto. Kyungsoo estava quase passando pela escadaria ao saguão de entrada quando um violento arrepio percorreu por seu corpo, fazendo-o parar subitamente de andar. O suor acumulou-se aos poucos em sua testa, escorrendo por sua têmpora, enquanto seu maxilar travava. Ele não podia ter sentindo errado, podia?
E, em poucos segundos, o corredor principal foi preenchido por inúmeros caçadores que olhavam em volta confusos, exatamente como o Mordomo de Baekhyun. Alguns de seus amigos ‘recrutas’ questionavam aos mais experientes sobre o que estava acontecendo ali e por que todos estavam acordados. Até mesmo Jongdeok estava nervoso com aquela súbita presença carregada, fazendo-o atravessar o corredor lotado na direção dos aposentos do irmão mais novo do líder. Em passos largos, Kyungsoo o seguiu, questionando se ele também sentiu aquela presença, porém ao tentarem abrir a porta, a mesma estava travada. Impaciente, o irmão de Jongdae chutou a porta, mas a mesma sequer se moveu.
_ Arrombem a porta. – ordenou o Chefe dos Caçadores, enquanto apressava-se em chamar o líder temporário.
Kyungsoo, juntamente com os outros, chutaram as portas de carvalho e, somente no terceiro impacto, as mesmas se abriram, revelando uma adormecida Taeyeon e o movimentar das cortinas brancas por conta da brisa noturna. E, claramente, sem nenhum sinal de Baekhyun ali.
Mas para onde o seu Mestre havia ido?
Já nos aposentos de Minseok, Yixing segurou firmemente a porta de carvalho, reforçando sua tranca com a poltrona, enquanto acomodava um Jongdae desmaiado no local. Um suspiro arrastado abandonou os lábios do chinês, que mentalmente pedia desculpas ao amigo, se virando na direção do leito. Gradativamente, os olhos avaliadores se desviaram do rosto adormecido e tranquilo do Líder da Ordem para o semelhante de Baekhyun, que parecia um bebê acomodado nos braços do homem de pé.
Trajando vestes simples de um caçador da Ordem, sendo as mesmas cobertas pelo longo casaco escuro e de capuz, o maior dos três alternou os olhos entre os dois homens – o que estava em seus braços e o acamado – enquanto um sorriso discreto e retangular se formava em seus lábios. Nem mesmo ele parecia acreditar que os anos fizeram demasiada diferença aos antigos garotinhos assustados. Os dedos longos afagaram suavemente o rosto de Baekhyun, que apenas afundou o rosto contra seu peito, relaxando novamente.
Seus garotinhos estavam amadurecidos...
_ Por favor... – sibilou Yixing, ouvindo os gritos e pancadas contra a porta. – Seja breve.
_ Quantos anos se passaram, Yixing? – questionou o homem, alternando os olhos entre Baekhyun e Minseok.
_ Senhor... – tentou apressá-lo, porém, foi em vão.
_ Quanto anos... Yixing? – repetiu num rosnado.
_ Vinte anos, senhor. – respondeu, baixando a cabeça. – Vinte anos se passaram desde aquela noite.
_ Então, por que você não me permite passar vinte minutos com eles? – ditou em tom preocupado, como se estivesse inconformado com algo.
_ Eu permitiria, mas a Ordem entrou em alerta e...
_ Ordene-os que voltem para os seus aposentos. – disse, como se aquilo fosse óbvio. – Eu preciso de mais tempo.
Logo, o homem sentou na cama ao lado de Minseok e acomodou melhor Baekhyun em seu colo, enquanto avaliava melhor as feições dos irmãos. O mais velho se parecia muito com a mãe – a grande e “autoritária” Jung Yura – enquanto que o mais novo possuía as mesmas características que a sua. E aquilo o deixava muito curioso... Assim como deixava preocupado. Passou tanto tempo longe dos meninos que, ao vê-los... Lentamente, o maior baixou o capuz, ao mesmo tempo que os olhos de gato de Minseok se abriam gradativamente. E, não demorou muito para que as safiras azuladas encontrassem as semelhantes avermelhadas do ser próximo de si.
_ Você acordou. – sorriu o homem, ao notar seu despertar. Minseok o encarou por longos minutos, enquanto o outro desviava os olhos para o seu irmão. – Yixing me contou sobre algumas coisas que aconteceram. – e voltou a atenção para o líder. – Sinto muito se os deixei sozinhos, Minseok.
_ Nós precisamos ir, senhor. – sussurrou Yixing que surgiu ao lado do homem. – Além do mais, há algumas informações que descobri recentemente.
_ Não vê que estou conversando com meu filho? – rosnou, sem se virar para o chinês.
_ É sobre sua sobrinha. – suspirou e o homem se virou. – A filha de seu falecido irmão mais velho acabou de completar vinte anos.
O silêncio no cômodo se estendeu por alguns minutos – que mais pareciam longos para Minseok – e um suspiro gelado abandonou seus lábios, assentindo de leve. Devagar, a atenção do homem se desviou para o filho mais velho que, mais uma vez, entrava em sono profundo e depositou-lhe um demorado selar em sua testa, enquanto uma lágrima traiçoeira escorria de seu olho.
_ Descanse, meu pequeno Baozi. – sussurrou contra a pele alheia, voltando a atenção para Baekhyun. Delicadamente, o maior se ergueu, levando o filho no colo e rumou para a varanda do quarto, enquanto seus olhos encaravam intensamente a face adormecida do jovem professor. – Meu pequeno Sunshine... E pensar que a última vez que o vi, você tinha apenas dois anos. Agora, vinte anos depois, você está tão parecido comigo. Espero que seja forte e siga os passos de seu irmão.
_ Tempo esgotado, senhor. – Yixing se aproximou e tudo aconteceu numa velocidade impressionante.
De súbito, Jongdae despertou de seu sono, assustando-se em seguida com uma nova pancada contra a porta de carvalho. Rapidamente, o Mordomo afastou a poltrona, destrancando a entrada, ao mesmo tempo que seu irmão quase lhe chutava no abdômen. Jongdeok questionou por que raios ele não havia ouvido o seu chamado, ao que o outro se calou. Afinal, como ele explicaria que num momento havia visto Yixing entrar pela varanda e, no outro, se encontrava sentado na poltrona?
Sem demorar muito, o Chefe ditou que Baekhyun havia desaparecido, se afastando do cômodo, ao que Jongdae logo o seguiu. Ambos atravessaram os corredores, sob os questionamentos do Mordomo em descobrir o que estava acontecendo ali, quando o grito de um dos caçadores chamou sua atenção. Eles haviam encontrado o irmão de Minseok deitado sobre a borda do chafariz, no centro do jardim. Não demorou muito para que o Mordomo avistasse o jovem professor olhando confuso para Kyungsoo, enquanto Taeyeon o abraçava forte e repetia constantemente para que ele não desaparecesse completamente, já que ela havia ficado aflita com aquela confusão.
_ O que está acontecendo? – questionou Jongdeok, se virando para o irmão.
_ Eu não sei. – suspirou, balançando a cabeça. – Aumente a vigilância. Encontrem o vampiro e, se possível, o matem. – ordenou Jongdae, retornando para a mansão.

sexta-feira, 8 de julho de 2016

Moonlight - Capitulo Vinte e Um

_“A Lagarta e Alice olharam-se uma para a outra por algum tempo em silêncio: por fim, a Lagarta tirou o narguilé da boca, e dirigiu-se à menina com uma voz lânguida, sonolenta. ‘Quem é você’, perguntou a Lagarta. Não era uma maneira encorajadora de iniciar uma conversa. Alice retrucou, bastante timidamente: ‘Eu... Eu não sei muito bem, Senhora, no presente momento... Pelo menos eu sei quem eu era quando me levantei esta manhã, mas acho que tenho mudado muitas vezes desde então’.”. – ditou Baekhyun, suspirando arrastado.
Logo, o professor se calou. Seus olhos vagaram pelas últimas falas – especialmente da Lagarta – do livro “Alice no País das Maravilhas” e repensou em seu significado. Muito havia acontecido entre o dia em que ele abandonou a Ordem e aquele exato momento. A aparição de Minseok, o reencontro com Chanyeol, a morte de sua aluna, além de outros fatores que incentivavam o jovem professor a se direcionar para a Instituição que, uma vez, abandonara. Mas afinal... O que exatamente Baehyun era? Um professor de História? Ou um futuro Líder da Ordem? E quem ele se sentia naquele momento? Havia muitas perguntas rondando sua mente já cansada. O moreno respirou fundo e desviou os olhos das páginas para o corpo descansado sobre a cama.
Seu irmão parecia mais frágil diante seus olhos. Talvez mais do que quando o viu assim pela primeira vez. Por fim, seus pensamentos recordaram-se das palavras do Mordomo. Segundo Jongdae, Minseok havia tremulado as pálpebras, porém não abriu seus olhos. “Ele parece nos ouvir quando conversamos consigo, mas... Até agora, o Sr. Kim não nos deu uma resposta”. Baekhyun já estava há mais de quatro horas naquele quarto, apenas esperando uma resposta do mais velho. Qualquer que ela fosse.
_ Você se lembra de quando lia “Alice no país das maravilhas” para mim? – perguntou, fechando o exemplar e apoiou os cotovelos sobre os joelhos. – Eu sempre dizia que você era o Coelho Branco e eu era a Alice... – e um sorriso fraco transparecia em seus lábios finos. – Por que eu vivia correndo atrás de você. E creio que nada mudou, já que continuo retornando para a minha origem...
_ Baekhyun? – rapidamente, a atenção do professor se desviou para a porta, onde Jongdae surgiu. O Mordomo alternou os olhos entre os dois Kim e sorriu de leve, adentrando o cômodo em silêncio. Para ele, era raro ver ambos os irmãos no mesmo cômodo. No entanto, devido aos acontecimentos, a frequência de vê-los juntos estava cada vez maior. – Já são onze e meia da noite. Por que não descansa um pouco? Eu fico aqui...
_ Eu estou bem, Jongdae. – agradeceu. – Eu vou ficar aqui com Minseok. – decidiu, vendo o outro concordar brevemente, porém, antes que ele deixasse o quarto, Baekhyun se adiantou. – E minha noiva? Onde está Taeyeon?
_ Em seus aposentos. – respondeu. – Provavelmente, descansando.
Baekhyun agradeceu novamente e finalmente Jongdae deixou o quarto. Logo, as íris azuladas desviaram para o leito, enquanto observava atentamente a face adormecida do mais velho, que se encontrava parcialmente escondida pela máscara de ar. Involuntariamente, seus olhos marejaram e lágrimas escorreram por sua face, enquanto tentava reprimir um choro no fundo da garganta. Lhe doía saber que nos próximos três dias fechariam as duas semanas em coma de Minseok. E por que ele não podia simplesmente acordar?
_ Vamos, seu idiota. – murmurou Baekhyun com a voz embargada. – Acorde e volte a ser o “insuportável” irmão mais velho que tanto me importo. – por fim, sorriu fraco, levantando da poltrona e deitou-se com calma ao lado de Minseok. – Eu sei que você é mais forte do que isso, Minnie. – e, fechou os olhos, derramando mais algumas lágrimas, enquanto entrelaçava os dedos aos semelhantes do acamado. – Muito mais forte.

No outro quarto, Taeyeon fechava os últimos botões do casaco de frio e cobriu a cabeça, deixando os aposentos num completo silêncio. Atenta, vagou os olhos em volta durante sua caminhada pelos corredores, a fim de ter certeza que não esbarraria com nenhuma pessoa daquela mansão, e desceu as escadas, rumando até o hall de entrada. Mal sabia ela que Kyungsoo a observava imerso nas sombras, apenas esperando-a fechar a porta de entrada. Logo que o suave “clique” chegou a sua audição apurada, o moreno de olhos grandes emergiu da escuridão e saltou do parapeito, pousando silencioso no enorme salão.
Logo que se ergueu, Kyungsoo desviou os olhos para a entrada ao subsolo onde dois de seus antigos amigos o encaravam pasmos com o que haviam presenciado. Nenhum caçador – pelo menos, segundo todos os “recrutas” – chegou a fazer aquilo que o futuro Mordomo fizera: saltar do primeiro andar sem provocar um único barulho. Porém, antes que a dupla proferisse algo, o menor seguiu para fora da mansão, enquanto encarava o jardim silencioso e deserto.
A garota havia sumido. Mas, para onde ela foi?
_ Sr. Do. – chamou um dos caçadores de plantão que se aproximava. – Algum problema?
_ Por acaso não viu nenhuma moça sair da mansão? – questionou.
_ Se refere à Srta. Kim? – o homem o olhou e Kyungsoo assentiu. Então, o outro também a viu. – Sim. Nós a vimos sair. Disse que precisava ver uma amiga que havia adoecido em casa.
_ Vocês se ofereceram para ajudá-la? – estreitou os olhos.
_ Claro que sim, porém, ela recusou a ajuda, alegando não demorar muito. – explicou.
_ Ela deixou algum endereço?
_ Não, senhor. – negou o homem. – Por quê?
Porém, Kyungsoo não respondeu. Apenas rumou para a garagem e pegou um carro, partindo em seguida. No fundo, algo lhe dizia que havia sim, alguma coisa errada. Especialmente vindo da noiva de Baekhyun. E, enquanto o jovem Mordomo dirigia pelas ruas bem iluminadas de Londres, Taeyeon desceu do táxi e pagou a corrida, entrando rapidamente pelo mesmo beco que havia passado dias antes. Afinal, havia uma urgência na mensagem que recebeu por telefone. Por acaso, algo muito grave aconteceu?
_ Senha? – ditou o mesmo homem da noite anterior e Taeyeon respirou fundo.
_ Andarilho.
E, mais uma vez, a passagem foi permitida. A morena atravessou o estreito corredor escuro até adentrar o enorme salão de festas. A iluminação azulada do lugar, misturada ao som do jazz tornava o espaço bastante parecido com os bares americanos. Não demorou muito para que incontáveis pares de olhos se desviassem para o seu rosto, surpresos e confusos com sua aparição. E claro, ninguém que estava ali esperava que Taeyeon fosse aparecer. Não depois que conseguisse cumprir sua missão.
_ O que está fazendo aqui, mocinha? – perguntou uma mulher. Talvez tivesse o dobro de sua altura e fosse extremamente sexy. Nesse caso, a menor não sabia dizer. Logo, a mulher acomodou-se majestosamente sobre o colo de seu acompanhante que também observava a recém-chegada. – Pelo que ouvi, Marcus só quer que você volte se tiver terminado a missão.
_ Há alguns minutos, Marcus me enviou uma mensagem, Helena. – ela a olhou, caminhando devagar na direção das escadas.
_ Então, provavelmente, Marcus a chamou para os experimentos dele. – ditou o homem que estava com Helena. – Ele não pode tê-la chamado à toa.
Taeyeon encarou o homem loiro que mordiscava o ombro de Helena e a mesma gemeu baixinho, se virando para o parceiro. Eles iriam transar ali mesmo, se fosse possível. Rapidamente, a coreana virou o rosto, subindo as escadas e entrou no corredor principal, enquanto alguns homens interrompiam a conversa para observá-la. Mesmo depois de tanto tempo, caminhar por ali ainda lhe provocava um certo temor. E assim que ela parou diante a enorme porta de madeira, um arrepio violento percorreu sua espinha ao ouvir um sonoro gemido de prazer ser emitido do outro lado. Trêmula, ela ergueu a mão, pronta para bater, quando subitamente a entrada se abriu e um suado e ensanguentado Marcus surgiu em seu campo de visão.
A garota olhou-o dos pés à cabeça, notando as inúmeras gotículas de sangue e suor que se espalhavam por seu peito, braços e coxas. Não se podia ter certeza se sua intimidade também tinha sangue, já que a mesma estava coberta por uma boxer preta. Marcus avaliou a reação da morena por alguns segundos e sorriu de leve, permitindo sua entrada. Taeyeon ameaçou alguns passos para dentro da sala e, ao olhar em volta, assustou-se com um homem estirado e completamente estraçalhado sobre o carpete vinho. Imediatamente, ela se virou, bloqueando a vista com as mãos, enquanto ofegava abafado.
_ Ora, deixe de besteiras. – riu o loiro, rumando até a mesa de vidro. –Essa não é a primeira vez que você vê um cadáver, “Tae Byun”.
Não. Não era, mas Taeyeon esteve fora de si nos outros momentos em que presenciara aquilo.
_ Pare de me chamar desse apelido. – ela o encarou, fechando os punhos ao lado do corpo. – É Kim Taeyeon ou Srta. Kim para você, Marcus.
_ “Srta. Kim”? – ele estreitou as sobrancelhas, rindo confuso. – Isso é realmente sério?
_ É claro que é! – rebateu autoritária e, prontamente, Marcus se lançou contra ela, encurralando-a contra a porta de ferro. – Ordeno que me largue. Para sua informação, eu estou noiva...
_ De um miserável professor de História. – completou ele, encarando-a. – Todos sabem disso. E estou surpreso por você querer uma vida diferente da vida que eu havia oferecido. De qualquer forma, eu não me importo mais. – e se afastou, caminhando até a mesa e pegou a calça, vestindo-se.
_ Por que me chamou? – foi direta.
_ Quero saber como está o andamento da missão. – disse ele, fechando os botões e o zíper da calça, se virando em seguida. – Espero que tenha avançado bastante, Taeyeon.
_ Preciso de mais algum tempo. – pediu ela. – Ainda não aprofundei...
_ É melhor você se apressar, por que ele não gosta de esperar. – alertou, se aproximando novamente. – Eu lhe confiei essa missão, Taeyeon, por que acredito no seu potencial e sei... – por fim, Marcus roçou os lábios contra a pele alheia. – Que não vai me decepcionar.
_ Eu não irei decepcioná-lo. – confirmou.
_ Então... – bruscamente, o homem lhe segurou pelos cabelos e a fez lhe encarar. – Trate de descobrir se ele está vivo ou não! – e a soltou. – Ou será você a estraçalhada sobre o carpete. – por fim, apontou para o corpo desfalecido.
E, sem esperar muito, a morena deixou o cômodo, atravessando os corredores praticamente correndo. Até mesmo as pessoas, que estavam no salão de festas, perceberam o nervosismo da garota ao passar por eles. Por fim, Taeyeon saiu do beco e caminhou em passos largos pelas ruas desertas de Londres. Mais atrás, com o veículo estacionado próximo à calçada, Kyungsoo a observava desaparecer no fim da rua, ao que o Mordomo ligou o carro, dirigindo devagar até a noiva de Baekhyun. Notando que estava sendo seguida, a moça olhou para trás, assistindo o automóvel preto parar ao seu lado e o vidro descer devagar.
_ Srta. Kim. – sorriu o homem de olhos grandes. Estranhamente, Kyungsoo desconfiava do temor da outra.
_ Eu o conheço? – questionou ela, olhando-o confusa.
_ Sou um amigo de seu noivo, o Sr. Byun.
_ Ah... – sorriu nervosa, e agradeceu quando ele abriu a porta para si. – Obrigada pela carona. – disse, entrando no carro. E, mais uma vez, eles partiram, rumando para a mansão.

Sobre sua cama, Jongdae movia-se de um lado para o outro, relutando contra o pesadelo que lhe perturbava quando, prontamente, o moreno acordou, sentando-se sobre o colchão. Algumas gotículas de suor escorriam de sua têmpora até o peitoral, enquanto respirava descompassado. Desde o coma de Minseok, seus pesadelos sempre retornam, como uma forma de assombrá-lo durante a noite. O Mordomo passou a mão pela face, ainda incomodado com a interrupção de seu sono sagrado, mas ao tentar novamente adormecer, uma batida suave soou em sua porta.
_ Quem é? – questionou Jongdae.
_ Está acordado? – o timbre rouco de seu irmão mais velho soou do outro lado. Por fim, a porta se abriu, ao que o moreno avistou um sonolento Jongdeok escorado na porta. – Você tem visita.
_ Visita? – repetiu incrédulo, desviando os olhos para o relógio em sua cabeceira. – Às três da manhã?
_ É. – concordou. – O Príncipe está no salão lhe aguardando.
_ Luhan está aqui? – subitamente, Jongdae se levantou da cama e vestiu a camiseta preta, caminhando na direção da porta. – E veio acompanhado?
_ Não. – negou o mais velho, que o assistiu passar por si. – Ele veio sozinho.
De imediato, Jongdae parou no meio do corredor, ainda processando as palavras de Jongdeok. Por que Luhan viria à Ordem sozinho, e não com seu Matador, algo comumente visto pelos outros caçadores? Um suspiro arrastado abandonou seus lábios finos, fazendo-o inspirar e expirar algumas vezes antes de prosseguir até a escadaria. Já no andar de baixo, o vampiro observava atentamente aos caçadores que estavam de prontidão, apenas a espera de algum movimento brusco vindo de sua parte. No entanto, o castanho não estava ali para atacar ninguém.
Sua intenção nem mesmo estava relacionada à Minseok.
_ Sr. Luhan. – logo, a atenção do homem se desviou para o alto, onde Jongdae descia lentamente as escadas.
_ Jongdae. – respondeu, sorrindo de leve. – Espero não ter lhe despertado de seu sono profundo.
_ Para dizer a verdade, o senhor me salvou de um pesadelo. – foi sincero. – Mas qual seria o motivo de sua visita? – no fundo, Jongdae sabia que os outros caçadores também prestavam atenção nas palavras dos dois onipotentes. – Veio saber se o Sr. Kim ainda se encontra vivo?
_ Sehun já havia me dito sobre isso quando retornou à Máscara. – sorriu fraco. – Eu sei que Minseok ainda está se recuperando. No entanto... Eu vim à Ordem por sua causa.
_ Minha? – Jongdae estreitou as sobrancelhas.
_ Podemos conversar em particular? – Luhan caminhou até o moreno, subindo alguns degraus e parou ao lado do humano que desviou a atenção brevemente para os outros caçadores, antes de assentir e gesticular para que o Príncipe o acompanhasse.
Durante o trajeto até o escritório de Minseok, Jongdae avaliava as ações e reações do vampiro, que parecia tranquilo e indiferente ao seu lado. Como se estivesse visitando um velho amigo, e não uma Instituição com caçadores bem treinados. Logo, o moreno abriu a porta, permitindo a entrada da criatura de muitos séculos e o acompanhou, trancando em seguida.
_ Eu... Nunca vim aqui. – murmurou Luhan mais para si, enquanto observava atento aos objetos naquele cômodo. “Talvez nunca tenha vindo por que prefere visitar os aposentos do Mestre”, pensou Jongdae, enquanto gentilmente pedia para que o outro se sentasse. – Obrigado. – agradeceu o ruivo, sentando-se no enorme sofá e relaxou.
_ E então? – começou Jongdae. – Sobre o que quer falar comigo?
_ Bem... – Luhan cruzou as pernas e, de súbito, suas feições tranquilas foram substituídas por um semblante sério. – Eu sei que está se encontrando com o meu Matador. – em resposta, Jongdae piscou rápido, enquanto se ajeitava do sofá diante o outro. – Sehun pode até tentar, mas ele não consegue esconder isso de mim.
Jongdae encarou as feições avaliadoras do ruivo que respirou fundo, engolindo em seco. Era curioso de se perceber que Luhan estava nervoso pelo fato de Sehun sempre – ou pelo menos, na maioria das vezes – solicitar a presença do Mordomo em suas investigações. Como se ele fosse mais importante que seu próprio Mestre. No entanto, havia uma pergunta a ser respondida: se o moreno sequer “reclamou” da presença do Príncipe nos aposentos do líder... Por que o próprio vampiro estava desgostando daquela aproximação?
_ Desculpe-me, mas... O que está insinuando? – questionou.
_ Você é o amante de Sehun. – completou, como se aquilo fosse o óbvio. – E por isso, eu vim lhe dar uma ordem: Afaste-se dele. – continuou, arqueando uma das sobrancelhas. – Ou, do contrário, não medirei esforços para impedi-lo.
“Impedir-me?”, pensou o moreno.
_ Príncipe... – iniciou Jongdae, pensativo. Por fim, o moreno desviou os olhos para os rubis da criatura. – Não tenho culpa se aquele que dorme com Sehun não o satisfaz. – ao ditar, Luhan fechou o semblante. – Aliás, em uma de nossas conversas, Sehun deixou bastante claro que o senhor possui outro em sua mente quando está fazendo amor com ele.
_ Meus pensamentos não são do seu interesse. – rebateu. – Muito menos, de Sehun.
_ Não. Seus pensamentos não são de meu interesse. – repetiu. – Mas o homem que está relacionado à eles, sim. – continuou. – Achas que não sei que sempre vem à noite e visita os aposentos do Sr. Kim?
_ Isso é mentira. – bufou irônico.
_ O senhor sabe que não é. – revidou e Luhan engoliu em seco. – Todas as noites, logo que acontece a troca de guardas, o senhor invade a mansão e se encontra na varanda com o Sr. Kim.
Por fim, seu olhar desviou para o vazio, como se a imagem de seu Mestre encurralado contra o pilar enquanto o Príncipe murmura algo em seu ouvido ainda lhe machucasse o peito. E foi por ver aquela cena que Jongdae relutou em ficar nos aposentos de Minseok quando este lhe chamou. Logo, sua atenção se desviou para Luhan que ainda lhe encarava.
_ Sei que o que direi agora vai soar como uma provocação, mas... – continuou. – Sehun tem todo direito de encontrar outra fonte quando àquela em que está não lhe proporciona mais nada.
Ah, como ele queria ver o sangue de Jongdae jorrando de seu pescoço e encharcando o carpete branco! Luhan travou o maxilar, encarando friamente o moreno diante de si que estava visivelmente calmo. Bastava suas unhas rasgarem aquela pele fina da jugular e... Voilà! Seu problema estaria resolvido.
_ Muita coragem em me provocar, Jongdae. – sorriu largo, exibindo as presas pontudas. – Mas saiba que seu tempo como Mordomo pode ser menos duradouro...
_ É uma ameaça? – perguntou, estreitando as sobrancelhas.
_ Talvez. – deu de ombros.
_ Sr. Luhan... – Jongdae suspirou, balançando a cabeça. – Quando vai entender que, provocando a minha morte, o senhor iniciará uma guerra entre a Ordem e a Máscara? – desta vez, Luhan piscou rápido e o moreno lhe observou. – E principalmente, com a minha morte... O senhor provocará a ira daqueles que o senhor tanto se preocupa: O Sr. Kim e Sehun.
Se o Mordomo morresse por suas mãos, assim que Minseok despertasse de seu coma, ele questionaria o desaparecimento do humano; e ao descobrir o seu assassino, ele visitaria pessoalmente a Máscara para matar o vampiro. O mesmo valeria para Sehun que, sabendo da morte do moreno, o abandonaria. E tudo aquilo resultaria num massacre mortal entre a Máscara dos Vampiros e a Ordem dos Caçadores. De alguma forma que não queria admitir, o Príncipe estava em grande desvantagem. Subitamente, Luhan se ergueu do sofá, cerrando os punhos ao lado do corpo e Jongdae também se levantou, caminhando na direção da porta. Por fim, ele a abriu, desviando as pérolas negras para o ruivo que caminhou devagar até si, respirando fundo.
_ Este é meu último aviso, Sr. Jongdae. – alertou Luhan. – Fique longe de Sehun ou eu o matarei.
_ Está dizendo isso por que não possui mais ninguém em que pode se apoiar, não é? – comentou, sorrindo de leve, porém, Luhan nada disse. Apenas se afastou do escritório e atravessou o longo corredor, desaparecendo do campo de visão de Jongdae que, finalmente, fechou a porta.
Um suspiro arrastado abandonou seus lábios, enquanto recostava-se a porta e encarava o vazio por longos minutos. Apesar dos alertas e explicações, Jongdae não tinha nenhuma certeza do que o Príncipe poderia fazer. Nem mesmo se aquela ameaça direcionada a si devia ser levada a séria. No entanto, por hora, ele não pensaria naquilo. Pelo menos, não até ter certeza de que seu Mestre estava bem. Por fim, o Mordomo deixou o cômodo e atravessou o longo corredor até seus aposentos, porém foi impedido por Jongdeok que segurou seu pulso, o olhando brevemente.
_ O que o Príncipe queria com você? – questionou-o.
_ Apenas saber como o Mestre estava. – respondeu, dando de ombros e soltou-se do irmão mais velho.
_ Só isso? – estranhou, franzindo o cenho. – Mas ele estava com uma cara feia quando passou por mim...
_ Jongdeok. – interrompeu Jongdae, bufando. – Vá dormir. Todos estamos cansados.
E, finalmente, entrou em seu quarto, fechando a porta atrás de si. Logo que seus passos alcançaram a cama, seu celular soou sobre a mesinha de cabeceira, fazendo-o pegar o aparelho e examinar a tela. Um suspiro escapou-lhe dos lábios finos antes de Jongdae atender.
_ Jongdae. – ditou. – Sim, ele veio aqui. – concordou, baixando os olhos para o chão. – Se me ameaçou? – bufou irônico. – Só estou jurado de morte caso eu decida me aproximar de você. – deu de ombros, como se aquilo não fosse muito importante. – Está tudo bem, Sehun. – sorriu de leve, passando a mão pelos cabelos escuros. – Luhan só está com medo de perder você. – explicou, pensativo. – E... Eu compreendo o lado dele. – murmurou. – De qualquer forma, eu não irei pensar nisso agora. – calou-se, enquanto um sorriso pequeno transparecia em seus lábios finos. – Estou surpreso por você dizer isso. – e passou a mão pela face. – Sehun, não faça isso. Você não é um príncipe dos contos de fada... – logo, o moreno piscou surpreso.
“Se sacrificar minha vida for o suficiente para protege-lo de Luhan, então eu o farei”. As palavras emitidas por Sehun em meio a ligação surpreendeu Jongdae que permaneceu em silêncio por longos minutos. Aliás, aquela era a primeira vez que alguém dizia tais palavras para si. O moreno respirou fundo e murmurou o nome do ruivo que, subitamente, se calou na outra linha. Por fim, o Mordomo explicou que precisava descansar e, sem esperar uma resposta, desligou o celular, enquanto encarava o vazio. Não demorou muito para que o aparelho tornasse a chamar, onde as iniciais “OSH” piscavam sutilmente.
No entanto, antes que o moreno atendesse novamente, a porta de seu quarto se abriu num baque, onde um Baekhyun ofegante e nervoso surgiu, alegando que seu irmão mais velho está tendo um novo infarto. Prontamente, Jongdae jogou o celular sobre a cama, correndo para fora do cômodo – sendo constantemente acompanhado pelo professor – e invadiu os aposentos de Minseok, enquanto este era reanimado por Eunjung. Para os ouvidos atentos do Mordomo, parecia que apenas o bipe do monitor cardíaco produzia e emitia sons; por que ele não conseguia ouvir uma palavra de ninguém que estava ali.
Foram longas horas de desespero até que finalmente a médica conseguiu trazê-lo de volta. Baekhyun assistiu todo o procedimento de longe, enquanto os enfermeiros trabalhavam. Ao seu lado, Jongdae apenas esperou, quando Eunjung limpou a testa com o dorso da mão e desviou os olhos para o Mordomo. Como se dissesse: “Não adianta mais. Ele não vai conseguir acordar”. As pérolas negras do seguidor de Minseok desviaram para o corpo de seu Mestre assim que todos deixaram o quarto e um suspiro cansado abandonou seus lábios.
_ O que aconteceu? – começou Jongdae.
_ Eu... Não sei. – Baekhyun o olhou. – Apenas acordei quando o monitor não mostrou nenhum batimento cardíaco.
_ Baekhyun... – o moreno recostou-se a parede, ainda pensativo. Ele deveria contar sobre os últimos pedidos de seu irmão? – O Sr. Kim... Às vésperas da batalha...
_ Não diga. – logo, a atenção do professor se voltou para o Mordomo. – Se estiver relacionado à morte dele, não quero ouvir. Pelo menos, não agora.
_ Mas, Baekhyun...
_ Você me ouviu, Jongdae. – interrompeu-o. – Enquanto Minseok estiver ligado às máquinas... Enquanto estivermos lutando pela vida dele... Eu não quero ouvir nenhum último pedido. – e o olhou. – Fui claro?
_ Sim. – concordou, após muito relutar.
Logo, Baekhyun caminhou até a cama, onde se acomodou ao lado do irmão e lhe afagou as madeixas acinzentadas. Jongdae assistiu aquele momento por longos minutos, até que o jovem professor finalmente adormecesse ao lado do mais velho. Um suspiro deixou seus lábios finos, enquanto o cansaço parecia pesar em seus ombros rígidos. De alguma forma... Ele deveria passar a noite ali.
Por fim, Jongdae seguiu até a poltrona e acomodou-se no estofado, apenas esperando o sono capturar mais uma vez os seus sentidos.