sábado, 8 de abril de 2017

Moonlight - Capitulo Trinta e Seis

_ Príncipe.
A suave voz de Aliah preencheu o grandioso escritório do homem de madeixas castanhas, enquanto seus rubis brilhantes encaravam a janela num longo e quase interminável silêncio.  A hora havia chegado. Luhan desviou, pouco a pouco, a atenção para a líder dos Tremere que curvou-se respeitosamente em sua direção, esperando uma resposta. O vampiro assentiu de leve, levantou-se de sua poltrona, respirou fundo pegando o pequeno diário de Baekhyung e dirigindo-se a entrada de sua sala.
_ Desejamos boa sorte ao senhor. – disse ela.
_ Acredito que vocês devam desejar estarem notavelmente mortos depois desta noite. – rebateu, encarando-a.
O Príncipe sabia que seu Matador se encontrava longe de Londres naquele momento e, provavelmente, não estaria ali para tentar mudar a situação que estava prestes a acontecer. Afinal, Sehun estava em missão, atrás de Nicodemos. Relutante, desceu as escadas em direção ao hall de entrada, enquanto observava, pela última vez, cada um dos vampiros que torciam por sua vitória.
Mal sabiam eles que ninguém sobreviveria.
E com toda a certeza do mundo, Chanyeol seria o primeiro a morrer...
Logo que adentrou seu veículo, ordenou para que fossem ao local determinado. E, não muito longe dali, Minseok assistia a tortura aplicada em Mark, que somente rosnava em resposta. Ao seu lado, Yixing prendia a respiração, tentando não se concentrar no pútrido cheiro de sangue que se espalhava pelo chão e pelos da criatura. Um pouco atrás do Líder da Ordem, Dahyun alternava os olhos entre o primo e o prisioneiro, enquanto o temor se apossava de seus membros. Por mais que fosse um lobisomem ali, ela não tinha o mesmo sangue frio que o mais velho tinha.
_ Então... – Mark começou, ofegante e com um tom animalesco. – Você é o novo Líder da Ordem? Achei que fosse mais alto...
_ Apenas resposta à pergunta dele. – ordenou o vampiro, emergindo na luz. Somente Mark era iluminado pela luz parcial da saleta. – O que os Andarilhos estão fazendo aqui em Londres?
_ Ainda carrega aquela maldição? – estreitou os olhos. – Ou você só é um filhotinho de caçador que assumiu o lugar que nem...
_ Escute. – desta vez, Minseok ficou de pé, aproximando-se da criatura e o encarou. – O que os Andarilhos fazem em Londres?
E no segundo em que o ruivo encontrou as órbitas azuladas do humano, seu sorriso morreu, enquanto engolia em seco. Não era possível que aquele homem tenha as mesmas características que Baekhyung. Ou pelo menos, os notáveis e brilhantemente azulados Netunos. Devagar, Mark piscou, baixando a cabeça ao que seu queixo foi segurado e erguido pelo outro.
_ Responda.
_ Meu... Mestre... – começou, hesitante. – Ele veio a Londres a fim de encontrar o Líder da Ordem dos Caçadores.
_ Por que? – insistiu Minseok.
_ Ele quer alertá-lo de que encontrou outro exatamente como ele. – ditou. Por fim, encarou-o. – Ele encontrou alguém com as mesmas safiras que o senhor.
O que, para Minseok, aquilo não fazia um mínimo de sentido, para Yixing, parecia uma enorme luz no fim do túnel. O homem de madeixas acinzentadas desviou a atenção para o chinês que reconectava algumas informações em sua mente, até que sua atenção se desviou para o Líder que continuou suas perguntas.
_ E quanto as mortes provocadas no último mês?
_ Nosso chamado... – e sorriu breve. – Estávamos chamando a atenção da Ordem e, especialmente, do Líder.
_ Chamando... Atenção? – estreitou as sobrancelhas.
_ Sim. – concordou. – Geralmente, na segunda ou terceira morte, o senhor nos atendia, mas... Achamos estranho quando o número triplicou.
Em resposta, Minseok desferiu uma dolorosa tapa no rosto do ruivo, vendo-o respirar fundo e tombar a cabeça para trás. Contudo, antes que continuasse com seu interrogatório, Yixing o alertou do horário, fazendo o Líder da Ordem, assim, deixar a saleta em silêncio. Logo que chegaram no corredor principal rumando em direção ao seu escritório, o humano parou de andar, desviando os olhos para o chinês.
_ O que ele se referia com aquilo? Há alguém com os mesmos olhos que eu e Baekhyun? – questionou.
_ Eu não sei, Minseok. – respondeu. – Mas tentarei tirar mais informações do lobisomem.
_ E Jongin? Alguma informação?
_ Kyungsoo ainda não retornou desde esta manhã.
_ E... – desta vez, houve uma relutância nas palavras do mais velho.
_ Jongdae? – completou, vendo assentir discretamente. – Eu o enviei para longe junto com minha equipe. Ainda devem estar em Cambridge.
_ Acha que ele irá para a batalha? – e o olhou preocupado.
_ Nunca subestime uma lenda, Minseok. – Yixing sorriu fraco.
Ele esperava que Yixing estivesse errado.
Ambos adentraram o cômodo, onde o mais velho vestiu as roupas de caçador – exclusivas do Líder da Ordem – e respirou fundo, sentando-se no sofá de couro. Ele sabia o que havia pedido à Luhan, mas... No fundo, Minseok esperava que sua partida não fosse tão dolorosa quanto a de seu pai há 20 anos. Aos poucos, os Netunos brilhantes encararam as palmas suavemente trêmulas, enquanto um pequeno sorriso transpareceu em seus lábios.
_ Pode entregar isso... – devagar, retirou a aliança prateada e colocando-a num colar, entregou-o.
_ À Joonmyun? – questionou, pegando o pequeno objeto.
_ Não. – negou. – Não a Joonmyun. Quero que entregue isso à... – e suspirou. – à Baekhyun.
_ Ao... Seu irmão? – Yixing franziu o cenho sem entender. – Por que daria uma aliança de noivado...
_ Não é uma aliança de noivado, Yixing. – explicou. – Antes de ser uma aliança, ele era um colar prateado entregue por Park Chanyeol no período em que meu pai e ele tinham... Um caso.
_ E por que quer entregar isso justamente à Baekhyun?
_ Por que Chanyeol vai identificar a grafia em sua auréola. – e o olhou. – E nós dois sabemos que ele irá atrás de Baekhyun quando chegar a minha hora.
Por fim, Minseok mancou para fora do escritório, carregando a bengala consigo e ao parar na escadaria, todos os caçadores o aguardavam ansiosos, curvando-se respeitosamente para o mais velho, que calmamente desceu o lance de escadas. Logo que parou diante de Joonmyun, Jongdeok e Eunjung, despediu-se deles, depositando um longo selar na testa de seu noivo, enquanto este se controlava para não chorar.
_ Boa sorte, Mestre. – desejou Jongdeok. – E sinto muito se seu Mordomo... Ele...
_ Está tudo bem, Jongdeok. – concordou, sorrindo breve.
Ele não queria que Jongdae estivesse ali mesmo.
E, no momento em que Minseok se aproximou do hall de entrada, surpreendeu-se com Kyungsoo subindo as escadas rapidamente. Foi por muito pouco. De súbito, o Mordomo de Baekhyun parou de andar, encarando o Líder por alguns minutos até o mesmo sorrir-lhe e lhe pedir para que o levasse até o Palácio de Westminster. Sob o olhar longo do chinês, que concordou para que o moreno o fizesse, o mais novo seguiu até o carro que havia chegado e abriu a porta do banco traseiro. Ao adentrar o veículo, o homem de madeixas acinzentadas respirou fundo, observando o jovem Mordomo fazer o mesmo no banco do motorista.
Não demorou muito para que o carro deixasse os terrenos da Ordem e rumasse em direção ao famoso cartão-postal de Londres. Durante o longo trajeto, Minseok recordou-se de tudo o que aconteceu enquanto vivia na enorme mansão. Sua chegada com Baekhyun à capital inglesa, recebido com um olhar pesaroso do Sr. Bomer; seu primeiro conhecimento com os Chefes dos Departamentos; a convivência com os outros ‘recrutas’ que, atualmente, estão divididos entre Zeladores, Médicos e Caçadores... E, dentre seus inúmeros pensamentos, a lembrança de seu pai na noite em que ele o deixara e seguira o Velho Lee.
Afinal, o que estava na mente de Baekhyung naquela noite?
Ele teve medo do que iria acontecer, exatamente como estava para acontecer com Minseok?
_ Encontrou Jongin? – questionou, a fim de dissipar tais pensamentos e vendo Kyungsoo o olhar pelo retrovisor.
_ Ainda não, meu senhor. – respondeu. – Mas eu irei.
_ Kyungsoo... – começou Minseok. – Cuide bem de Baekhyun e Dahyun-ssi, sim?
_ Sim senhor. – concordou o outro.  – Nós... Chegamos, Sr. Kim.
Logo, Kyungsoo estacionou o veículo próximo a construção, ao que o dono das safiras encarou a entrada longamente.
_ Antes de ir, não se esqueça de que deve manter aquela promessa anterior. – ordenou e Kyungsoo assentiu. – Sei que Baekhyun, em suas mãos, se tornará um ótimo líder. – por fim, antes que ele adentrasse a construção, sorriu de leve. – E, por favor, quando tiver uma oportunidade perfeita, atire em Chanyeol.
_ Sim senhor. – assentiu.
Minseok caminhou calmamente para o interior da construção gótica e desaparecendo assim, do campo de visão de Kyungsoo. Atravessando o corredor até os portões de ferro, o homem de madeixas acinzentadas pode avistar o jardim principal, assim como os apoiadores do Príncipe da Máscara. Os Netunos vagaram por todos os líderes dos clãs e alguns penetras que desejavam assistir aquele combate épico e secular. Bem ao centro, Luhan se aproximou de si, com uma notável expressão de preocupação, enquanto negava com a cabeça.
_ Você não devia ter vindo. – murmurou, e sem qualquer receio, pousou ambas as palmas enluvadas no rosto do humano. – Devia ter ficado na Ordem, Minseok.
_ Eu prometi que viria. – respondeu.
_ Eles querem a sua morte... – sussurrou.
_ Eles a terão... Junto com suas consequências. – sorriu-lhe fraco.
_ Por que tanta teimosia? – franziu as sobrancelhas. – Essa não é a solução...
_ Senhores, boa noite. – logo, a atenção da dupla se voltou para Noah, líder dos Assamitas, que se aproximava devagar. – Poderiam, por favor...
_ Cale-se, Noah. – rosnou Luhan, surpreendendo a todos que estavam ali. – O Sr. Kim sabe exatamente por que está aqui.
Em resposta, o vampiro cerrou o semblante, retornando para o seu lugar, enquanto o castanho respirava fundo, olhando novamente para o humano. Minseok sorriu de leve, retirando as palmas alheias de seu rosto e o guiou até o centro do jardim, afastando-se em seguida.
_ Antes de começarmos... – Luhan logo mexeu em seu longo casaco, retirando o pequeno diário. – Quero que receba isso. Era... O diário de seu pai. – e lhe entregou, ao que Minseok encarou o pequeno objeto longamente. – Esteve com Sehun na noite em que a Ordem foi atacada. Eu... Sinto muito se li algumas anotações.
_ Obrigado. – agradeceu, pegando-o e guardando em suas roupas.
_ E Minseok... O que houve... Com o colar? – questionou, vendo-o desviar as safiras para o seu rosto. – O Colar que...
_ Ele foi entregue ao novo dono.
_ Então... Ele realmente existiu?
_ O colar? Sim. – assentiu.
_ E você nunca se desfez....
_ Podemos ir ao que nos interessa? – apressou-o. – Por favor.
Luhan engoliu em seco e respirou fundo, assentindo, enquanto retornava para o seu lugar. Minseok olhou em volta, não demorando muito em avistar Chanyeol no telhado do palácio. As safiras por longos minutos, encararam o gangrel que sorria largo pelo resultado da batalha: afinal, qualquer que fosse, ele sairia ganhando.

_ Quando se sentirem prontos, senhores. – disse Aliah. Em resposta, Minseok assentiu e, após longos segundos, Luhan também concordou. E, num impulso, ambos os adversários avançaram contra seus oponentes.


Ainda na pequena saleta, Dahyun encarou o corpo do homem por longos minutos e, devagar, se aproximou, enquanto Mark retribuía o longo olhar. O silêncio preenchia todo o ambiente, somente quebrado pelas respirações quentes e pesadas. Hesitante, a morena deslizou os dedos pelo próprio rosto em direção ao tapa-olho e removeu-o, afastando, assim, os cabelos. O ruivo assistiu todo o processo completamente calado, até mesmo quando a garota retirou a lente de contato castanha.
_ Eu serei bastante direta com você, Sr. Tuan. – começou ela, puxando uma cadeira e sentou-se diante o outro. – Há algum motivo específico para que os Andarilhos viessem à Londres?
_ Eu já respondi a ele...
_ Eu não sou como meu primo. – rebateu. – Por que os Andarilhos vieram?
_ Além de encontrar o líder da Ordem, viemos conquistar nosso antigo território. – foi simplista. – Como já fizemos avanços no Japão...
_ Então deve se lembrar do que o senhor fez a mim, não é? – e emergiu seu rosto na luz, fazendo Mark se surpreender. – Por acaso, ficou indignado por que eu carrego os mesmos olhos azulados que meu primo?
Por mais que a cicatriz interferisse na coloração do olho atingido e ferido, tornando-o branco, a coloração da íris no olho direito não mentia sobre sua verdadeira origem.
_ Sua maldita vadiazinha... Você não tem o direito de ter essas irises. – rosnou.
_ Então, eu tenho uma péssima notícia para te dar: todos da minha família tem essa coloração. Incluindo as mulheres. – sorriu maroto. – Agora, diga: Onde está Jongin?
_ Onde acha que ele está? – provocou. – Com certeza, escondido.
_ Nós iremos acha-lo, Mark. – respondeu ela. – Você, querendo ou não.
_ Não acho que seja comigo que deva se preocupar.
Logo, Dahyun deixou a saleta, amarrando o tapa-olho novamente e acrescentando a lente de contato castanha no olho esquerdo, seguindo assim pelos corredores da mansão em direção ao hall de entrada. Ela ajudaria Kyungsoo no que fosse preciso. Nem que, para isso, tivesse que aplicar torturas piores no lobisomem. Não demorou muito para que a garota encontrasse Yixing, Eunjung, Joonmyun e Jongdeok sentados na escadaria da mansão, apenas a espera de seu primo.
_ Alguma notícia de Minseok? – questionou ela.
_ Nenhuma... Até agora. – suspirou Joonmyun, gesticulando para que a mais nova se sentasse ao seu lado.
_ Os portões... – anunciou o chinês, fazendo os outros quatro se erguerem em expectativa.
Logo que o veículo preto parou diante as escadas, Jongdae desceu do carro, caminhando em direção ao grupo, fazendo-lhes voltar a sentar. E, sob o ponto de vista do loiro, o moreno estava visivelmente agitado. Aquilo significava que ele sabia da partida do Líder da Ordem.
_ Onde está Minseok? – questionou, nervoso.
_ Na batalha. – respondeu Jongdeok.
_ Você deixou que ele fosse? – franziu o cenho para Yixing que devagar, abaixou a cabeça. – Você sabe que ele vai morrer lá!
_ Minseok é forte. – rebateu Joonmyun, pondo-se de pé, enquanto o outro passava a mão pela face, bufando em seguida. – Ele vai sobreviver.
_ Não. – negou Yixing. – Jongdae está certo. Minseok irá morrer nas mãos de Luhan. – e de imediato, todos desviaram os olhos para o chinês. – E sinto informar, mas... não há nada que possamos fazer.
_ Não. – Joonmyun negou com a cabeça. – Ele não vai morrer. Você está mentindo!
E assim, o pequeno grupo iniciou a discussão. Dahyun e Eunjung questionavam constantemente como ele poderia saber daquilo sem mesmo ter nenhuma certeza. Jongdeok o olhava incrédulo e Joonmyun, que estava visivelmente alterado, negava veementemente aquelas palavras. O único que ainda se permitia completamente quieto era Jongdae, que encarava profundamente a expressão sofrida de Yixing.
E ele sabia, mais do que ninguém, quando o chinês estava mentindo.
_ É mentira... Não é? – sussurrou o Mordomo, ao que os outros se calaram. – Ele... Não vai morrer lá... Vai?
_ Ele desistiu. – explicou, e duas lágrimas escorreram dos olhos de Jongdae. – Aliás... Já que ele não está aqui, eu irei abrir o jogo. – por fim, desviou os olhos para Joonmyun. – Sr. Kim, eu quero apresenta-lo ao homem que seu noivo está perdidamente apaixonado desde sua partida para Seul. – e apontou para o Mordomo. – Eis Kim Jongdae, Mordomo, braço direito do Líder e amante de Kim Minseok.
E, logo após a declaração, Joonmyun desviou os olhos marejados para o moreno que simplesmente baixou a cabeça, permanecendo em silêncio. Yixing ainda continuou com aquela explicação, alegando que ele era a razão das noites mal dormidas de seu senhor e, principalmente, as mudanças de humor do mesmo. Mas tudo o que Jongdae queria naquele momento era que o chinês se calasse por que aquele homem não merecia saber de tudo.
_ Minseok... – gaguejou incrédulo. – Minseok me traia com o próprio Mordomo?
_ Creio que sua relação com o líder, Joonmyun, era apenas uma proteção. – explicou. – Afinal, quando se conheceram, Minseok era mais velho que você e tinha a necessidade de cuidar...
_ Cale-se! – gritou, desferindo uma tapa no loiro e, logo em seguida, avançando contra Jongdae. – Como ousa?! Você é um completo filho da puta! Você sabia que ele estava comprometido! – e, enquanto continuava a gritar, Joonmyun estapeava o Mordomo que somente fechou os olhos e ficou quieto. – Você... – logo o segurou pelas vestes. – Você não merece viver, Jongdae.
_ Eu... – e olhou para o castanho. – Eu já estou morto.
_ O... que?
_ Eu não sabia que ele era comprometido com você. – explicou num sussurro. – Eu não sabia que ele estava noivo. E... Se eu soubesse... Talvez eu tivesse desistido dele.
Desta vez, em resposta, Joonmyun socou seu rosto, fazendo o Mordomo cambalear para trás. Contudo, antes que o castanho pudesse avançar contra o outro, Yixing o deteve, ordenando para que Jongdae fosse imediatamente atrás de Minseok. Relutante com a situação que havia se agravado, o moreno retornou ao veículo, adentrando-o e partiu logo em seguida. O chinês, que assistia a tudo em silêncio, apenas sorriu de leve, voltando-se para o menor que tentava se soltar.
_ Imbecil! – gritou Joonmyun, soltando-se. – Por que deixou...
_ Por que é com Jongdae que a lenda irá se concretizar. – foi direto, retornando assim para as escadas e sentando-se. – Agora, sente-se e espere.
_ Lenda? – questionou Dahyun. Parecia que ela era a única que havia lhe escutado.
_ Se Minseok sobreviver a essa batalha, vocês dois irão se ver comigo! – ameaçou, encarando o chinês. Por fim, Joonmyun entrou na mansão, ao que Jongdeok, Dahyun e Eunjung desviaram os olhos para Yixing.
_ Ele... – começou o Chefe dos Caçadores. – Minseok vai sobreviver?
_ Definitivamente... Eu não sei. – suspirou.


“Por favor... Não faça nenhuma besteira”, mentalizou Jongdae, enquanto dirigia desesperadamente em direção ao Palácio de Westminster. Pouco a pouco, as lágrimas escorriam por suas bochechas, gotejando em suas vestes, enquanto sua respiração se entrecortava devido aos soluços que forçavam escapar de sua garganta. Aquela era a segunda vez que o Mordomo de Minseok desejava insanamente para que seu Mestre não morresse. E esperava, exatamente como na primeira vez, que o homem de madeixas acinzentadas estivesse consciente quando ele chegasse.
De súbito, o veículo estacionou próximo ao carro de Kyungsoo que se surpreendeu com a aparição de Jongdae. O Mordomo de Baekhyun tentou questionar o motivo de estar ali, porém, o mais velho simplesmente correu para o interior da construção, sendo seguido pelo mais novo pouco tempo depois. O corredor parcialmente iluminado levou a dupla em direção ao grandioso jardim e, em seguida, a uma pequena porção de telespectadores, que assistiam atentamente ao combate entre o Líder da Ordem e o Príncipe da Máscara.
E, no segundo em que o rapaz tentou chamar por seu Mestre, Luhan violentamente cravou as garras contra o peito de Minseok.
Foi como se o tempo tivesse simplesmente parado para todos. Incluindo o castanho que encarava abismado o sangue que escapava dos lábios rosados do dono das safiras. Luhan, gradativamente, baixou os rubis brilhantes para o local atingido, enquanto sua ficha caia e o desespero tomava conta de seu corpo. Ele fizera exatamente aquilo que não queria ter feito. Assim como havia cumprido involuntariamente com o pedido alheio. Imediatamente, o vampiro removeu a mão, permanecendo apenas o estreito buraco no peito alheio, e recuou alguns passos, ofegante. Minseok, que cuspia um pouco de sangue, baixou os olhos para o próprio corpo, surpreso e chocado com a própria situação. Luhan realmente havia lhe acertado. E, em resposta, o dono dos Netunos brilhantes sorriu fraco, cambaleando um pouco para trás, enquanto sua visão embaçava.
_ Bom... Trabalho... Lu-Ge. – sussurrou, tombando o corpo para trás. Contudo, Minseok não esperava que seu corpo fosse cair exatamente nos braços daquele ao qual havia lhe proibido de estar ali.
Oh, não...
Ele não podia fazer aquilo com ele.
Não com Jongdae...
_ Resista. – pediu o moreno, tentando estancar o sangue. – Por favor! Nós iremos leva-lo de volta a Ordem...
A face angelical e os Netunos brilhantemente azulados encararam longamente a semelhante chorosa e cansada do Mordomo. Mesmo com os lábios e os dedos ensanguentados, Minseok guiou a palma até o rosto alheio e lhe secou as lágrimas, manchando suas bochechas de vermelho, enquanto um sorriso pequeno se formava em seu rosto. Jongdae tentou controlar o choro no fundo da garganta e o puxou para junto de si, implorando mentalmente para que ele não partisse. Mas não havia escapatória. Ambas as írises – azulada e escura – se fixaram por longos e longos minutos, até que, pouco a pouco, o sorriso cansado do mais velho foi abandonando-o e a frieza da pele se acomodou no corpo agora, desfalecido, do Líder da Ordem.
_ M-minseok? – gaguejou, sacudindo-o de leve.
Kyungsoo, que estava ao lado de Jongdae, retirou a arma do coldre e apontou para todos os outros vampiros que tentavam se aproximar, numa vã tentativa de detê-los. Um pouco mais afastado do trio, Luhan balbuciava algumas palavras, enquanto encarava a própria mão ensanguentada. “É impossível”, era o que dizia. Gradativamente, seus rubis marejados se desviaram para o corpo no colo do Mordomo que, ainda em silêncio, afastava algumas madeixas acinzentadas de seu rosto.
_ Ele... – começou um dos vampiros, possivelmente um ventrue, que se aproximava da cena. – Meu senhor... Ele... Ele está...
Contudo, o vampiro não tivera tempo de concluir sua frase já que, num acesso de raiva súbito, Luhan avançou contra o rapaz, arrancando-lhe a cabeça. A cena chocou os outros líderes que recuaram um passo, enquanto notavam que as írises avermelhadas haviam desaparecido dos olhos do Príncipe, permanecendo apenas as órbitas escuras. Visivelmente alterado, o castanho se aproximou dos dois humanos, enquanto os sussurros de Jongdae ainda soavam pelo grandioso jardim.
_ Jongdae... – começou Luhan.
_ Que... Que horas são... Kyungsoo? – questionou o Mordomo ao outro, como se a existência do Príncipe não estivesse ali.
_ Uma da manhã. – respondeu o moreno, reprimindo o choro no fundo da garganta. – Hoje são seis de junho de 2015.
_ Certo. – assentiu, voltando a atenção para o rosto de Minseok. – Dia e hora da morte: 06 de Junho de 2015, à 01 da manhã.
_ Jongdae... – sussurrou Luhan, ajoelhando-se próximo ao corpo do Líder. – Eu... Eu sinto muito...
Devagar, as órbitas escuras e frias do Mordomo se voltaram para a face chorosa do Príncipe, que baixou a cabeça, chorando baixinho. Por mais que aquilo doessem nos dois, Jongdae não podia fugir dos procedimentos principais. Assim, ordenou para que Kyungsoo lhe entregasse o celular, ao que o mais novo concordou, obedecendo em seguida. O mais velho discou o número de emergência e esperou ser atendido, o que não demorou muito.
_ Central de Emergência de Londres. – respondeu a atendente. – Qual é a sua emergência?
_ Código 0326. – ditou Jongdae, sem desviar os olhos do rosto de Minseok.
_ Desculpe, mas... – era notável o nervosismo na outra linha, mas Jongdae não tinha paciência para esperar. – Poderia...
_ Código 0326. – repetiu, num tom mais alto e entre dentes.
_ Sim, senhor.
De imediato, a atendente transferiu a linha para o setor do código ditado pelo Mordomo. Já na Central de Investigação e Monitoramento Noturno Britânico – responsável por atender casos de ataques por criaturas noturnas como vampiros, lobisomens e afins –, o rapaz de madeixas escuras e sorriso fácil conversava baixinho com o indivíduo na outra linha.
_ Promete que vai sair mais cedo do trabalho amanhã? – insistiu o outro.
_ Jungkook, eu disse que assim que eu tiver tempo, eu... – de imediato a atenção de Jimin se desviou para uma luz vermelha no canto do telefone, que brilhava constantemente. – Meu amor, eu ligo para você depois. Há alguém na outra linha.
_ Mas... Jimin-hyung... – e, prontamente, Jimin desligou, respirando fundo e recebeu a recebeu a transferência do outro setor, atendendo a ligação.
_ Aqui é Park Jimin, da Central de Investigação e Monitoramento Noturno Britânico. – ditou o moreno de olhos pequenos. – Qual é a sua emergência?
E, naquele segundo, o jovem Park desejava insanamente não ouvir aquela voz.
_ Aqui quem fala é Kim Jongdae. Mordomo e braço direito do Líder da Ordem, Kim Minseok.
Em resposta, não apenas Jimin, mas todos os caçadores que ouviam ao chamado do telefonema, desviaram os olhos atentos ao enorme painel de monitoração, rastreando imediatamente o número do celular, assim como as câmeras de segurança do local. E para o infeliz sucesso de toda a equipe – formada por, aproximadamente, 196 pessoas –, não era possível verificar a parte interna do Palácio de Westminster.
_ Pode dizer, Sr. Kim Jongdae. – autorizou Jimin, hesitante. – Qual é a emergência?
_ Código 01.
De imediato, o sangue de todos os caçadores gelou em suas veias. Ele... Não podia estar falando sério, não é? Quer dizer... Há mais de 50 anos que o Código 01 não foi dito pelo próprio Mordomo, então, seria possível que aquilo realmente estivesse acontecendo?
_ Poderia... Por favor, repetir, Sr. Kim Jongdae? – pediu Jimin, desviando os olhos para o seu superior, Kim Namjoon, que estava tão nervoso quanto ele.
_ Código 01. Eu repito: Código 01. Isso não é um treinamento.
Era como se o pior e o maior dos medos de todos os caçadores da Ordem se reunissem naquelas palavras.
Eles não podiam ter ouvido errado.
Se Jongdae realmente estivesse dizendo aquilo, significam duas coisas:
A primeira era que, o grande Líder da Ordem, encontrava-se morto.
E se a segunda estiver certa...
_ Transmita a todas as centrais. – imediatamente, Namjoon gritou para que todos obedecessem a ordem de Jongdae. Cada um dos caçadores, responsável por se comunicar com seu respectivo país, direcionou a transmissão ordenada. E, em poucos minutos, o anúncio do Mordomo de Minseok estava sendo transmitido mundialmente. – Anotem no diário oficial: sábado, seis de junho de dois mil e quinze, à uma da manhã, pelo horário de Greenwich, foi declarado a morte do Líder da Ordem Kim Minseok, assassinado pelo Príncipe da Máscara, Lu Han. – ditou e, por um instante a linha ficou muda, somente quebrada pelo suave soluço do moreno. –  Neste momento, em todo o mundo, está aberta a Caçada Sangrenta. Inglaterra, envie a Brigada Principal ao Palácio de Westminster. Quantos aos outros países: preparem-se para caçar.
E a transmissão foi encerrada. Jimin desviou os olhos para o telefone, notando que a luz vermelha havia desaparecido, enquanto o silêncio preenchia toda a sala. Devagar, o moreno desviou os olhos para os dois homens que encaravam o painel de monitoramento – ao lado de Namjoon, Kim Seokjin, responsável pelo envio de informações de ataques para a sede da Ordem dos Caçadores – respiraram fundo. Logo, o homem de madeixas castanho-douradas e olhar avaliador berrou:
_ VOCÊS OUVIRAM! CÓDIGO UM! ENVIE A BRIGADA IMEDIATAMENTE!
O que nenhum caçador, nem mesmo o Mordomo ou o Príncipe haviam notado era que a transmissão da notícia, que se espalhou mundialmente, havia sido rastreada pelos Andarilhos, que sintonizaram os pequenos radinhos de pilha na mesma frequência que os outros. De imediato, um dos lobisomens correu em direção ao andar onde Jackson e Taeyeon estavam, parando subitamente diante a porta. O moreno de olhos grandes desviou a atenção para o seguidor que se aproximou rapidamente e cochichou em seu ouvido sobre as péssimas notícias. E, como um banho de água fria em seu corpo, o líder do clã encarou o outro completamente abismado.
_ Onde está Mark? – sussurrou, sem qualquer confiança na própria voz. – ONDE ESTÁ MARK?!
_ Ele ainda não voltou, senhor. – respondeu o rapaz.
_ O que houve? – questionou Taeyeon.
_ Sanguessugas de merda... Filhos da puta... – praguejou Jackson. – Envie uma equipe imediatamente para o local. Eu quero a cabeça daqueles desgraçados numa bandeja. AGORA!


Ao fim da ligação, Jongdae desligou o aparelho e entregou para Kyungsoo que alternou os olhos entre um Príncipe chocado e o Mordomo de Minseok. Calmamente, o seguidor do líder deslizou os dedos pela face alheia, fechando seus olhos e o pegou no colo, erguendo-se. E, em passos lentos, o rapaz arrastou seu Mestre para longe do grupo.
_ Lembre-se, Luhan. – ditou Jongdae, se dirigindo para a saída. – Fugir e se esconder não vai salvá-lo por muito tempo.
E após sua declaração, Jongdae e Kyungsoo deixaram o jardim. Aliah, que se aproximava cautelosa de Luhan, pousou a mão em seu ombro, alegando que não havia mais nada que ele pudesse fazer. Afinal, sua ordem fora cumprida e agora, todos os líderes da Máscara o respeitariam, contudo...
_ Me respeitam? – quase com uma aparência derrotada e um sorriso morto estampado em seu rosto, Luhan desviou os olhos para a mulher que notou o desespero alheio. – Estão preocupados com isso?
_ Mestre... – começou ela.
_ Vocês deviam fugir agora. – murmurou. – Vocês não fazem a mínima ideia do que a Ordem é capaz. 
E, numa fração de segundos, Luhan assistiu uma bala prateada atravessar a cabeça de Aliah na diagonal, fazendo o corpo da Tremere tombar imediatamente. Noah, que se encontrava mais afastado, rosnou, se virando na direção do tiro e imediatamente foi acertado por uma sequência de disparos nas mais diversas direções. Já Chanyeol que estava mais longe de todos, notou a chegada dos outros caçadores e prontamente, fugiu do local, sem antes receber um tiro em sua panturrilha, fazendo-o cair no telhado do outro prédio.
Finalmente, a Caçada Sangrenta contra a Instituição Vampírica Máscara estava aberta.

Moonlight - Capitulo Trinta e Cinco

02 dias restantes...
_ Preciso que me faça um favor, Sehun. – gradativamente, a atenção do Matador se desviou do pequeno frigobar para seu Mestre que encarava a janela longa e silenciosamente. Luhan, por mais que aos olhos do mais novo parecesse uma criatura cadavérica, encontrava-se mais desperto e consciente do que antes. – Encontre Nicodemos o mais rápido possível e consiga com ele, as informações sobre os Lazulli.
_ Lazulli? – Sehun se aproximou, franzindo o cenho.
_ Se recorda de minha conversa com o Sr. Nicodemos? – lembrou-o. – Sobre uma suposta maldição nos olhos azulados de Kim Minseok?
_ Sim, senhor. – concordou.
_ Acredito que Minseok seja descendente desse clã vampírico. – comentou. – Mas para ter certeza, preciso conseguir essas informações com o Sr. Nicodemos.
_ Mas senhor... Esse clã não existe.
_ Só por que não está registrado no livro eterno, não significa que ele não existe. – e o olhou. – Venha. Irei lhe contar sobre eles.
E, finalmente, Luhan relatou sobre o que o Líder dos Nosferatus havia lhe contado. A cada palavra ditada, mais Sehun parecia incrédulo ao ouvir. Era como se seu Mestre estivesse contando alguma história de terror que nunca ninguém soubesse ou ouviu falar e que somente ele conhecia. Durante todo o monólogo, o ruivo permaneceu em silêncio e logo que o mais velho se calou, ambos se encararam longamente.
_ Como sabe de toda essa história? – começou Sehun.
_ O Sr. Nicodemos me contou. – relatou. – Mas eu preciso de mais informações. – pediu. – Por isso, deves ir até ele.
_ E se não houver mais nada? E se for só isso?
_ Então, tente encontrar o vampiro que tentou matar Sohee. – ordenou. – Ele deve saber um pouco mais.
_ Sim senhor. – concordou Sehun, entregando-lhe uma bolsa de sangue e saltou a janela, correndo velozmente pela noite fria.
Logo que o ruivo desapareceu em seu campo de visão, Luhan pegou o diário de Baekhyung e o abriu, lendo-o em seguida.
26 de março de 1986
Finalmente... Estou casado.
Mas... Como era de se esperar, ele agiu como uma criança. Mesmo duvidando de meus sentimentos por si, ele ainda insistiu para que eu não me casasse, mas eu não podia voltar atrás. E essa não era a primeira vez que brigamos por sua infantilidade e por minha decisão. Bem que o Sr. Lee me alertou de que eu não deveria me aproximar dele.
Contudo... Como eu não iria me aproximar? Já que essa era a primeira vez que conheci alguém tão parecido comigo.
Claro que, para ele, foi tudo muito doloroso, especialmente quando lhe contei – há alguns meses – que iria me casar. Admito que fiquei visivelmente surpreso com sua revolta e raiva contra mim. Até me xingou com palavras que nunca ouvi na vida. No entanto... eu aguentei calado por que sabia, mais do que ninguém, o quanto aquilo estava doendo em seu peito.
Sim, Baekhyung. A culpa é sua por magoá-lo.
No entanto, logo que lhe reencontrei, pedi para que estivesse ao meu lado antes do grande dia. Eu sabia que, fazer aquilo, seria o mesmo que reabrir a ferida em seu peito, mas, mal sabe ele que eu também estava machucado. Pedi que fosse nosso último reencontro, para que, pelo menos, pudéssemos nos despedir cordialmente.
Sua resposta, antes de concordar foi: “Vai se foder, Baekhyung!”.
Eu iria. Mas não sozinho.
Não há como me esquecer daquela noite por que... encarando agora meus braços e minhas costas, seus arranhões ainda estão guardados em mim. Eu sei que sempre fui péssimo em desculpas, mas consegui dizer à Yura que isso não passava de “uma última caçada antes do casamento”. E, para a minha sorte, ela acreditou.
Sei que estou mentindo para a minha própria esposa, mas... exatamente como Yixing me dissera: Se as pessoas souberem, meu senhor... Elas o deixarão de segui-lo.
Espero que ele compreenda que, tudo o que estou fazendo é para protege-lo de meus próprios seguidores.
Luhan percebeu que, durante as anotações, nunca era citado o nome de Chanyeol. Em momento algum e em nenhum dia. Era como se Baekhyung estivesse o escondendo não apenas dos caçadores, mas de qualquer um que estivesse com seu diário. Mas a pergunta a ser feita é: Por que?
“Changmin sabia do relacionamento amoroso entre meu pai e seu filho, Park Chanyeol”.
_ Então... Ele estava escondendo isso... De Changmin? – sussurrou, tornando a folhear algumas datas.
04 de novembro de 1986
Costumam nos dizer que, quem ama, deve estar ao lado de seu amado. Mas, quem realmente ama, deve deixar seu amado partir.
Isso é contraditório. Se eu realmente o amo... Não deveria ficar ao seu lado pelo resto da vida? Então, por que deveria deixa-lo partir? Talvez a frase correta seria: se a pessoa que você ama não está feliz com você, então, deve deixa-la partir.
Isso seria o certo, mas... Para quem?
Para mim?
Ou para ele?
Eu sei que deixá-lo também vai machucar a mim tanto quanto a ele. E talvez, o que eu fiz tenha sido o correto, por mais que eu ainda consiga encontra-lo pelas redondezas de Busan. E, assim como eu, ele também me evita, finge que não me vê e continua vivendo a sua vida.
Mas... Por Deus ou qualquer entidade divina! Eu sinto falta dele. Eu sei que nunca admiti isso em nenhum momento no diário, mas... Eu sinto como se fosse morrer se eu não vê-lo novamente. Nem que fosse por uma fração de segundos.
Eu deveria tentar uma reaproximação com ele, mesmo sem nenhuma certeza de que isso iria funcionar?
_ Esse foi o período que Chanyeol estava agindo de forma estranha, então? – murmurou, passando novas páginas. E, para sua surpresa, a data seguinte havia inúmeros detalhes importantes.
27 de novembro de 1987
Feliz aniversário, meu pequeno.
Eu sei que não era isso o que você esperava, mas... Eu agradeço por ter colocado Minnie para dormir. Desde a morte da mãe dele, você notou o quão desolado eu estava e apareceu no momento certo para estar do meu lado.
É engraçado ver meu filho sobre você enquanto quatro cobertores distanciam suas peles. E pensar que você queria morder as bochechas dele. Que maldade, hein?
Sinceramente, eu agradeço por que estarmos aqui, neste quarto de hotel alugado apenas na companhia um do outro...
Sei que gostaria de passar seu aniversário de outra forma, mas nós dois sabemos que isso não iria dar muito certo. Mas, uma coisa posso ter certeza: Farei questão em apresenta-lo a Minseok quando este foi mais velho. Acredito que vocês dois me darão muito trabalho, mas isso será bastante prazeroso.
Aliás, tem algo que devo fazer antes que ele se vá.
Lembrete: cortar seus cabelos. Eles estão muito longos!
Se deixar crescer mais um pouco, vai parecer uma garota e...
Eu sei que você não é.
E, claro. Há algo que também quero agradecer.
Obrigado pelo colar de prata. Sei que para você manusear aquilo devia ser difícil, especialmente com aquelas luvas de couro preta.
E não se preocupe: Minseok irá usá-la.
_ Minseok não mentiu quando disse aquilo... – piscou surpreso.
“Pode não parecer, mas eu já havia conhecido Chanyeol antes daquela noite. Meu pai havia nos apresentado antes da chegada de meu irmão e... Eu me divertia com ele. Segundo papai, ele estava lidando com duas crianças”.
30 de dezembro de 1989
Lembra de quando eu disse que estava lidando com duas crianças?
Bem... Eu não menti. Agora vou ter de pensar numa forma de não deixar que eles revirem a casa de novo.
E antes que eu me esqueça... Ele ficou bastante surpreso ao ver Minseok com o colar. Afinal, eu não havia prometido que meu filho o usaria? No entanto, eu não esperava receber um saudoso beijo vindo de sua parte, bem no instante em que meu filho apareceu na sala de estar.
Lembrete, Baekhyung: encontrar uma resposta plausível para Minseok quando ele o questionar sobre esse dia.
Mas... Há algo que preciso dizer e que ele ainda não sabe: acredito que alguém dentro da Máscara esteja nos espionando. Não é nada concreto, mas... Eu sinto essa estranha perseguição. E temo que algo aconteça, não apenas ao meu filho mas a ele também.
Eu sei que amá-lo vai me causar mais do que a minha morte.
Amá-lo vai lhe causar sofrimento.
Amá-lo vai ocasionar uma guerra.
E... se tudo isso realmente acontecer... O que exatamente eu deveria fazer?
Devo estar do seu lado?
Ou devo deixa-lo partir?
Mas, deixando-o partir, eu deixarei de sentir seu cheiro, deixarei de tocar sua pele fria, deixarei de sentir suas unhas ferindo minhas costas, de sua respiração normalizada contra a minha respiração descompassada... De seus rubis encarando minhas safiras.
Então... O que devo fazer?
Luhan piscou incrédulo, engolindo em seco e fechou o diário, enquanto sua mente recordava-se das palavras de Kim Minseok. Então, era possível que nas próximas anotações, Baekhyung estivesse falando sobre seu distanciamento com Chanyeol e os acontecimentos que se seguiram:
 “Mas, com o tempo, ele se afastou; começou a agir diferente conosco e, cada vez que me encarava, parecia que iria me matar a qualquer momento. Até que, quando Baekhyun nasceu, a situação piorou. Meu pai nunca mais o viu e preferiu que eu também esquecesse sobre ele. No entanto, na noite em que fomos atacados, eu não imaginava que ele fosse se voltar contra mim e meu irmão. É claro que tudo o que fiz foi para salvar o mais novo, contudo... Eu me sinto decepcionado pelo que ele fez à nós dois”.

_ No entanto... O que houve com o colar prateado? – questionou.


01 dia restante...
_ Jongin... – Kyungsoo tentou chama-lo, enquanto que o loiro de tez castanha rosnava baixinho.
As algemas que o prendiam na cama de casal machucavam e feriam os pulsos e os tornozelos do rapaz que, segundos depois, se cicatrizavam. O Mordomo de Baekhyun já se sentia cansado com aquela relutância do dono dos âmbares, que se forçava a quebrar e se soltar. Seu rosto estava parcialmente transfigurado num lobo, fazendo suas irises brilharem mais do que o normal. Calmamente, Kyungsoo se aproximou da cama, mas antes que pudesse tocar em seu rosto, Jongin o ameaçou morde-lo, forçando-o a recuar.
_ Sai... Daqui... – esbravejou.
_ Só resista mais um pouco, por favor... – pediu, apertando as algemas.
No entanto, Jongin forçou tanto as pernas que uma das algemas se quebrou, e, antes que Kyungsoo pudesse segura-lo, seu corpo foi chutado para longe. Pouco a pouco, o loiro foi se soltando, saltando para o chão e avançou contra o moreno que rapidamente puxou a adaga, a fim de se defender. Prontamente, o maior segurou o mais velho pelo pescoço, arremessando-o contra o guarda-roupa, que se quebrou completamente com o impacto, e correu até a janela, saltando-a. De imediato, a porta do cômodo se abriu, onde Dahyun e Joonmyun correram em direção ao moreno que estava desorientado.
_ O que houve? – questionou o castanho.
_ Onde está Jongin-ssi? – a garota o olhou, examinando o fio de sangue que escorria por seus lábios.
_ Ele... Fugiu... – respondeu Kyungsoo, massageando a cabeça.
_ Precisamos ir atrás dele! – Dahyun logo se colocou de pé, porém antes que deixasse o quarto, o Mordomo se levantou, segurando-a pelo pulso. – Kyungsoo-ssi... O Jongin...
_ Eu irei... – arfou, enquanto sua visão escurecia gradativamente. – Atrás dele...
E caiu de joelhos, desmaiando. Dahyun, rapidamente, tratou de acordá-lo, enquanto ordenava à Joonmyun para que chamasse Minseok. O castanho simplesmente concordou, correndo veloz pelos corredores e entrou de supetão no escritório do homem de madeixas acinzentadas.
_ Minseok, Kyungsoo está desmaiado. – disse, ao que o mais velho levantou-se de sua cadeira, mancando rápido em direção ao quarto de Jongin. Mal o maior adentrou o cômodo, avistou a prima tentando acordar o Mordomo de seu irmão e ao verificar em volta, percebeu que Jongin havia desaparecido.
_ Onde está Jongin? – questionou, olhando-a.
_ Ele atendeu ao chamado. – Dahyun o olhou, respirando fundo.
_ Chame a equipe médica. – ordenou, ao que Joonmyun concordou, deixando o cômodo. – Levem Kyungsoo a enfermaria. E Dahyun? – logo, a garota levantou os olhos para o primo. – Quero que venha comigo.
Relutante, Dahyun se ergueu, caminhando até o mais velho, enquanto a equipe médica adentrava o quarto acompanhados de Joonmyun. A morena olhou para o Mordomo uma última vez antes de seguir o primo pelos corredores em direção ao escritório.
_ O que quer comigo? – perguntou, e de súbito, Minseok parou, se virando para ela.
_ O quanto sabe sobre essa raça? – questionou em tom baixo.
_ São lobisomens. – respondeu simplista. – Homens e mulheres que foram mordidos...
_ Não foi isso o que eu perguntei.
Dahyun o encarou por longos minutos e respirou fundo, negando com a cabeça.
_ Eu não sei que raça é essa. – murmurou. – Não tenho conhecimento de suas habilidades ou algo do gênero...
_ Se trouxermos uma amostra para você examinar... – começou. – Poderia me dizer com clareza o que eles são?
_ Creio que sim. – concordou. – Mas, como vai...
_ Yixing. – ditou Minseok e Dahyun olhou para trás onde o chinês sorria de leve. – Pode me fazer um favor?
_ Já vi que hoje não vou conseguir dormir bem... – murmurou o loiro.
_ Monte um pequeno grupo de busca e encontre um deles. – ordenou. – Se conseguir encontrar Jongin, traga-o imediatamente. É uma ordem.
_ Sim senhor. – concordou, curvando-se e deixou o local.
Não muito longe dali, Jongin correu na direção do chamado, sem qualquer controle de seu instinto. Por mais que sua razão odiasse sua própria reação, seu lado instintivo estava completamente liberto de qualquer ordem. Involuntariamente, suas pernas fortes e flexíveis o impulsionaram para mais longe e mais rápido, fazendo-lhe saltar por sobre os telhados dos prédios e das casas, desaparecendo em meio a noite chuvosa. Contudo, não demorou muito para que outro de sua espécie também seguissem na mesma direção que ele. Alguns, bem maiores que ele; já outros, um pouco mais fortes. Mas havia uma enorme distinção entre homens e mulheres naquele meio.
Não demorou muito para que o loiro avistasse o prédio, de onde vinha o chamado. Muitos lobisomens – e até mesmo pessoas – adentravam o edifício antigo, seja pelas janelas de vidro, pelo terraço, ou pela porta de entrada. Jongin, num impulso, pulou para a janela já quebrada, tropeçando na aterrisagem e se esbarrando em dois homens barbudos. O receio do garoto foi tão grande que até mesmo sua transformação havia cessado, fazendo-lhe recuar alguns passos ao mesmo tempo que a dupla avançava em sua direção.
_ Não façam isso! – e, de imediato, a dupla parou, desviando os olhos para o lado, onde Mark se aproximava devagar, sorrindo. – Ele está comigo.
E, sem delongas, o puxou pelo braço, arrastando o loiro de tez castanha – e completamente nu – por dentre as pessoas. Vez ou outra, os âmbares vagavam por dentre os convidados, onde inúmeros pares de olhos femininos lhe observavam, enquanto que sorrisos marotos transpareciam em seus lábios finos e vermelhos com batom. Cochichos sobre si ecoaram por dentre todos os recém-chegados, fazendo Jongin se encolher um pouco mais a fim de esconder sua intimidade.
_ Aonde está me levando? – questionou, quando finalmente entraram no elevador.
_ Aqui. – e lhe entregou uma calça velha. – Vista-se.
Relutante, o dono dos âmbares pegou a peça, vestindo-se rapidamente e tornou a encarar o reflexo de Mark no espelho, que apenas encarava o painel digital do elevador. O ruivo, vez ou outra, desviava a atenção para o loiro que desviava os olhos, voltando assim, a olhar para os números. Finalmente quando o elevador parou no quarto andar, o menor o empurrou para fora da caixa metálica, lhe guiando pelos corredores movimentados até uma acabada sala de reunião. Jongin tentou relutar contra o outro, mas acabou parando ao avistar – e reconhecer – o homem que invadiu seu quarto na noite em que a Residência Estudantil havia pegado fogo.
_ Maldito! – gritou, avançando contra Jackson que simplesmente o segurou pelos braços, jogando-o na direção contrária.
Jongin chocou-se contra a parede de gesso, quebrando-a e atravessando-a para outra sala. De imediato, outros três se ergueram prontos para defender o líder dos Andarilhos que apenas ergueu uma das mãos, negando com a cabeça. Jackson conhecia aquela personalidade, afinal, já havia o encontrado antes. Calmamente, o moreno esperou que o loiro se erguesse, o que não demorou muito, já que Kai – já transformado num enorme lobisomem, saltou da cratera na parede em sua direção.
Contudo, a criatura foi forçada a parar sua aproximação no mesmo momento em que o homem puxou uma garota como escudo. Taeyeon engoliu em seco, encarando o monstro diante de si, enquanto seu pescoço e corpo estavam presos nos braços de Jackson. A morena relutou contra a prisão alheia, enquanto que algumas lágrimas escorriam de seus olhos.
_ O que foi? – questionou Jackson, olhando-o. – Não vai me atacar?
_ Larga ela! – ditou grotescamente, fazendo a garota arregalar os olhos.
_ Olha só! O cãozinho fala! – provocou, arrancando risadas dos outros. – Será que ele também obedece? – e mudou seu timbre. – Senta.
Mesmo relutante contra a ordem, o corpo da criatura foi cedendo pouco a pouco, permanecendo de joelhos e de cabeça baixa. Por fim, o moreno soltou a moça, caminhando devagar na direção do loiro e deslizou os dedos por seus pelos, na qual Jongin voltava ao normal. E não demorou muito para que os dedos longos segurassem o queixo alheio, fazendo-o olhá-lo.
_ Kim Jongin... – começou. – Você é um diamante bruto no meio das joias. E todo diamante bruto merece ser polido... Não acha?
_ Vai pro inferno! – rosnou.
_ Nós estaremos lá, meu amor. – sorriu. – Em poucas horas, nós estaremos lá. Agora... Diga-me, onde você estava todo esse tempo?
_ Não te interessa!
_ Escute. – respirou fundo. – Está vendo esses caras atrás de mim? Eles vão pegar essa garota e vão tortura-la, e você vai assistir tudo de perto. Então, se não quiser cooperar comigo, eu terei de dar a péssima notícia a ela. – em resposta, Jongin encarou Taeyeon que alternava os olhos entre os dois homens que a encurralavam. – E então? O que me diz?
Mas para a surpresa de Jackson, Jongin sorriu ameaçador.
_ Faça o que quiser com ela. – ditou. – Ela não me importa mesmo.
_ Você me lembra muito o Mark... – riu, balançando a cabeça. – Mas... Você sabe de quem ela é noiva? – Jongin voltou a olhá-la e respirou fundo, negando com a cabeça. – Ela é noiva de um professor de história chamado...
_ Aposto que ele vai ficar bastante triste com a notícia...
_ Byun Baekhyun. – e ao completar, os âmbares piscaram rápidos. – Esse nome lhe é familiar? Acredito que sim... Afinal, ele deve ser seu professor, não é? De qualquer forma, isso não interessa. Então, diga-me. Onde esteve esse tempo todo?
_ Escondido... – murmurou. – E bem longe de você.
_ Pelo visto, não vai me dizer a localização, não é? – sorriu largo e levemente inclinou a cabeça para o lado. – Tudo bem. Vamos lhe dar o tratamento necessário. – por fim, desviou os olhos para a dupla. – Preparem-no para o banquete.
E, sem esperar muito, os dois homens arrastaram Jongin para fora da sala, enquanto Taeyeon o observava em silêncio. Logo, Jackson desviou os olhos para a moça, aproximando-se enquanto a mesma recuava alguns passos.
_ O que foi? – Jackson riu baixinho, olhando-a. – Parece que viu um bicho-papão. Você achou mesmo que eu iria deixa-lo te machucar? Ainda mais quando você tem uma tarefa a cumprir?
_ T-tarefa...? – gaguejou ela.
_ Você ainda não me trouxe o líder da Ordem... Me trouxe?
_ Eu... Me desculpe, mas eu não sei... Onde procura-lo. – e baixou a cabeça.
_ Não sabe? – Jackson estreitou as sobrancelhas num leve sinal de preocupação. – Engraçado... O cheiro dele é bem familiar. Me lembra muito o cheiro de seu noivo...
_ O que está dizendo? Que meu noivo é... – protestou ela.
_ Você é que está dizendo isso. – a olhou. – Estou dizendo que o cheiro de seu noivo é bastante familiar. Diga-me... Há alguma foto dele em seu celular?
Relutante, Taeyeon retirou o pequeno aparelho do bolso e mexeu, a fim de procurar por alguma foto que mostrasse o rosto do professor de História. Após a longa demora, ela estendeu o celular para o moreno que sorriu em agradecimento, pegando-o. Todavia, no segundo em que seus olhos encontraram a imagem exibida, o sorriso em seu rosto desapareceu de imediato, enquanto que a incredulidade e choque estampavam seu semblante.
_ Há quanto tempo... Está noiva? – questionou pausadamente.
_ Há alguns anos... – murmurou em resposta.
_ Há alguns anos? – e, gradativamente, desviou os olhos para a garota. – Está noiva dele... Há alguns anos?
_ S-sim... – Taeyeon notou pelo tom de voz alheia o quão nervoso estava o líder dos Andarilhos.
_ E por que raios você nunca abriu sua maldita boca e me disse que estava noiva do Líder da Ordem dos Caçadores? – desta vez, ele ditou entre dentes.
_ O-o... Que? – gaguejou, puxando o aparelho das mãos alheias a fim de verificar melhor a foto.
Ali, ela e Baekhyun registravam o exato dia em que o jovem professor de História lhe pedira em casamento. Contudo, ela não entendia por que Jackson estava dizendo aquilo sobre ele. Numa velocidade sobre humana, Mark se aproximou da moça e a segurou, impedindo-a de fugir.
_ Há quanto tempo sabia que ele era o Líder da Ordem? – questionou o ruivo.
_ E-eu não sei do que vocês estão falando! – rebateu ela.
_ Não sabe? – as órbitas escuras de Jackson cresceram.
_ Ele não pode ser o homem que vocês querem... Quer dizer...
_ Você nunca ousou questionar a ele sobre sua outra vida? – o líder perguntou, vendo-a franzir o cenho. – Nunca sequer questionou o que ele faz? Ou para onde vai?
_ Eu...
“No que seu irmão trabalha, Baekhyun?”
“Ele é investigador.”
“No que trabalha, Sr. Kim Minseok?”
“Eu... Sou CEO de uma multinacional”.
E então as respostas de Baekhyun e Minseok fizeram sentido na mente da garota que, pouco a pouco, desviou a atenção para o líder dos Lobisomens. Havia alguma coisa errada naquelas palavras e Taeyeon notou que um dos irmãos não estava dizendo a verdade.
_ Nunca desconfiou das estranhas saídas de seu noivo? – Mark a provocou.
_ Espera, estão dizendo que meu noivo é o Líder que vocês procuram? – ela os olhou.
_ Pelo visto, minha querida, você não andou fazendo sua lição de casa. – Jackson negou com a cabeça.
_ Mas ele nunca... Escute, se eu soubesse que ele era o Líder que você procurava, eu o teria trazido até aqui! – protestou.
_ Teria mesmo? – Mark a olhou. – Ou tentaria escondê-lo de nós?
_ É claro que não! Eu o traria agora! – os olhou.
_ Então, vá busca-lo. – ordenou Jackson, ao que Mark a soltou. Contudo, antes que a morena deixasse a sala de reunião, o líder a deteve. – Pensando melhor, você fica, Taeyeon. – logo, ela o olhou. – Mark irá atrás de seu noivo. – sem demorar muito, desviou a atenção para o ruivo que sorriu breve. – Se já identificou seu rosto, acredito que você o encontre facilmente.
E, sem qualquer delonga, Mark deixou o local rapidamente, fazendo a moça olhar nervosa na direção do corredor. Pouco a pouco, Jackson se aproximou dela e não se surpreendeu quando a outra lhe desferiu uma tapa no rosto. No entanto, antes que Taeyeon desferisse outra tapa, o moreno segurou seu braço, encarando-a longamente.
_ Se ele machucar meu noivo, eu juro... – começou.
_ Se Mark machucar seu noivo, eu mesmo o mato. – interrompeu-a. – Não se preocupe. Seu noivo ficará bem.


Já na forma de um lobisomem de pelugem avermelhada, Mark saltou pela janela do enorme prédio, correndo e saltando por sobre as outras construções, guiando-se apenas pelo cheiro característico de Byun Baekhyun. Contudo, três cheiros semelhantes o direcionavam para locais diferente: o primeiro, para o leste; o segundo, para noroeste; e o último, para alguns quilômetros na direção que seguia. A criatura parou no terraço de um prédio residencial e concentrou-se em encontrar o cheiro específico. Contudo, por mais que quisesse, ainda estaria indeciso entre dois cheiros.
Seria possível ele se multiplicar?
_ Peguei você.
A voz suave soou tão próxima de sua audição aguçada que Mark não tivera tempo de evitar o ataque surpreso do pequeno grupo. Num total de 20 homens – sendo 10 vampiros e 10 humanos – atiraram balas de prata em alguns pontos de seu corpo a fim de incapacita-lo na fuga. A dor dilacerante em seus ombros e pernas o forçou a assumir uma forma humana, enquanto se arrastava para longe do grupo. Não demorou muito para que um par de botas recém-engraxadas se aproximasse do ruivo despido, enquanto que o caído lhe fuzilava com as pupilas dilatas. Calmamente, o homem abaixou-se a sua frente e removeu o longo casaco, cobrindo o corpo alheio.
_ Acredito que não vai querer constranger as damas, não é?
_ Então, a Máscara anda recrutando até mesmo os humanos para o seu bando? Que fofo. – provocou Mark.
_ Eles não são da Máscara... – começou Yixing. – Yi-En Tuan.
_ Como sabe quem sou eu? – estreitou os olhos.
_ Sei muitas coisas. – disse. – Sei que deu trabalho durante As Cruzadas e principalmente, na Segunda Guerra Mundial.
_ Eu estava tentando sobreviver!
_ Eles também. – lembrou-o, pondo-se de pé. – E acredite, você não era o único que queria voltar para casa. Apaguem-no e o levem.
No momento em que Yixing virou as costas e a equipe avançou na direção do lobisomem, Mark adiantou-se:
_ Para onde pretende me levar?
_ Logo vai saber. – respondeu, encarando na direção que o outro viera.
_ Você não vai me impedir de encontrar o Líder da Ordem dos Caçadores! – protestou, ao que Yixing se voltou para o outro. – Você deve saber onde ele está, não é? Não se preocupe! Logo que eu o encontrar, irei leva-lo até Jackson.
_ Jackson ainda está vivo? – questionou-o.
_ Mais do que você estaria. – e sorriu largo.
_ Acredito que não conseguiu identificar qual dos três cheiros o levará ao Líder da Ordem... não é? – o loiro o olhou, no mesmo momento em que a equipe o apagou.
_ Devemos leva-lo? – questionou um dos zeladores.
_ Sim. – concordou. – Podem leva-lo.
Yixing assistiu o grupo arrastar o ruivo para fora do prédio, enquanto que suas órbitas se voltavam na direção que Mark estava se dirigindo. Por fim, um pequeno sorriso transpareceu em seus lábios, enquanto balançava a cabeça de um lado para o outro.
_ Qualquer que fosse a direção que você tomasse... Yi-En-ssi... Você conseguiria encontrar o Líder da Ordem dos Caçadores. – sussurrou. – Contudo... As direções indicadas o levariam ao passado, presente e futuro. – e  apontou respectivamente para o norte, o noroeste e o leste. – E apenas dois desses caminhos o levariam até Baekhyung e Baekhyun.