sábado, 8 de abril de 2017

Moonlight - Capitulo Trinta e Cinco

02 dias restantes...
_ Preciso que me faça um favor, Sehun. – gradativamente, a atenção do Matador se desviou do pequeno frigobar para seu Mestre que encarava a janela longa e silenciosamente. Luhan, por mais que aos olhos do mais novo parecesse uma criatura cadavérica, encontrava-se mais desperto e consciente do que antes. – Encontre Nicodemos o mais rápido possível e consiga com ele, as informações sobre os Lazulli.
_ Lazulli? – Sehun se aproximou, franzindo o cenho.
_ Se recorda de minha conversa com o Sr. Nicodemos? – lembrou-o. – Sobre uma suposta maldição nos olhos azulados de Kim Minseok?
_ Sim, senhor. – concordou.
_ Acredito que Minseok seja descendente desse clã vampírico. – comentou. – Mas para ter certeza, preciso conseguir essas informações com o Sr. Nicodemos.
_ Mas senhor... Esse clã não existe.
_ Só por que não está registrado no livro eterno, não significa que ele não existe. – e o olhou. – Venha. Irei lhe contar sobre eles.
E, finalmente, Luhan relatou sobre o que o Líder dos Nosferatus havia lhe contado. A cada palavra ditada, mais Sehun parecia incrédulo ao ouvir. Era como se seu Mestre estivesse contando alguma história de terror que nunca ninguém soubesse ou ouviu falar e que somente ele conhecia. Durante todo o monólogo, o ruivo permaneceu em silêncio e logo que o mais velho se calou, ambos se encararam longamente.
_ Como sabe de toda essa história? – começou Sehun.
_ O Sr. Nicodemos me contou. – relatou. – Mas eu preciso de mais informações. – pediu. – Por isso, deves ir até ele.
_ E se não houver mais nada? E se for só isso?
_ Então, tente encontrar o vampiro que tentou matar Sohee. – ordenou. – Ele deve saber um pouco mais.
_ Sim senhor. – concordou Sehun, entregando-lhe uma bolsa de sangue e saltou a janela, correndo velozmente pela noite fria.
Logo que o ruivo desapareceu em seu campo de visão, Luhan pegou o diário de Baekhyung e o abriu, lendo-o em seguida.
26 de março de 1986
Finalmente... Estou casado.
Mas... Como era de se esperar, ele agiu como uma criança. Mesmo duvidando de meus sentimentos por si, ele ainda insistiu para que eu não me casasse, mas eu não podia voltar atrás. E essa não era a primeira vez que brigamos por sua infantilidade e por minha decisão. Bem que o Sr. Lee me alertou de que eu não deveria me aproximar dele.
Contudo... Como eu não iria me aproximar? Já que essa era a primeira vez que conheci alguém tão parecido comigo.
Claro que, para ele, foi tudo muito doloroso, especialmente quando lhe contei – há alguns meses – que iria me casar. Admito que fiquei visivelmente surpreso com sua revolta e raiva contra mim. Até me xingou com palavras que nunca ouvi na vida. No entanto... eu aguentei calado por que sabia, mais do que ninguém, o quanto aquilo estava doendo em seu peito.
Sim, Baekhyung. A culpa é sua por magoá-lo.
No entanto, logo que lhe reencontrei, pedi para que estivesse ao meu lado antes do grande dia. Eu sabia que, fazer aquilo, seria o mesmo que reabrir a ferida em seu peito, mas, mal sabe ele que eu também estava machucado. Pedi que fosse nosso último reencontro, para que, pelo menos, pudéssemos nos despedir cordialmente.
Sua resposta, antes de concordar foi: “Vai se foder, Baekhyung!”.
Eu iria. Mas não sozinho.
Não há como me esquecer daquela noite por que... encarando agora meus braços e minhas costas, seus arranhões ainda estão guardados em mim. Eu sei que sempre fui péssimo em desculpas, mas consegui dizer à Yura que isso não passava de “uma última caçada antes do casamento”. E, para a minha sorte, ela acreditou.
Sei que estou mentindo para a minha própria esposa, mas... exatamente como Yixing me dissera: Se as pessoas souberem, meu senhor... Elas o deixarão de segui-lo.
Espero que ele compreenda que, tudo o que estou fazendo é para protege-lo de meus próprios seguidores.
Luhan percebeu que, durante as anotações, nunca era citado o nome de Chanyeol. Em momento algum e em nenhum dia. Era como se Baekhyung estivesse o escondendo não apenas dos caçadores, mas de qualquer um que estivesse com seu diário. Mas a pergunta a ser feita é: Por que?
“Changmin sabia do relacionamento amoroso entre meu pai e seu filho, Park Chanyeol”.
_ Então... Ele estava escondendo isso... De Changmin? – sussurrou, tornando a folhear algumas datas.
04 de novembro de 1986
Costumam nos dizer que, quem ama, deve estar ao lado de seu amado. Mas, quem realmente ama, deve deixar seu amado partir.
Isso é contraditório. Se eu realmente o amo... Não deveria ficar ao seu lado pelo resto da vida? Então, por que deveria deixa-lo partir? Talvez a frase correta seria: se a pessoa que você ama não está feliz com você, então, deve deixa-la partir.
Isso seria o certo, mas... Para quem?
Para mim?
Ou para ele?
Eu sei que deixá-lo também vai machucar a mim tanto quanto a ele. E talvez, o que eu fiz tenha sido o correto, por mais que eu ainda consiga encontra-lo pelas redondezas de Busan. E, assim como eu, ele também me evita, finge que não me vê e continua vivendo a sua vida.
Mas... Por Deus ou qualquer entidade divina! Eu sinto falta dele. Eu sei que nunca admiti isso em nenhum momento no diário, mas... Eu sinto como se fosse morrer se eu não vê-lo novamente. Nem que fosse por uma fração de segundos.
Eu deveria tentar uma reaproximação com ele, mesmo sem nenhuma certeza de que isso iria funcionar?
_ Esse foi o período que Chanyeol estava agindo de forma estranha, então? – murmurou, passando novas páginas. E, para sua surpresa, a data seguinte havia inúmeros detalhes importantes.
27 de novembro de 1987
Feliz aniversário, meu pequeno.
Eu sei que não era isso o que você esperava, mas... Eu agradeço por ter colocado Minnie para dormir. Desde a morte da mãe dele, você notou o quão desolado eu estava e apareceu no momento certo para estar do meu lado.
É engraçado ver meu filho sobre você enquanto quatro cobertores distanciam suas peles. E pensar que você queria morder as bochechas dele. Que maldade, hein?
Sinceramente, eu agradeço por que estarmos aqui, neste quarto de hotel alugado apenas na companhia um do outro...
Sei que gostaria de passar seu aniversário de outra forma, mas nós dois sabemos que isso não iria dar muito certo. Mas, uma coisa posso ter certeza: Farei questão em apresenta-lo a Minseok quando este foi mais velho. Acredito que vocês dois me darão muito trabalho, mas isso será bastante prazeroso.
Aliás, tem algo que devo fazer antes que ele se vá.
Lembrete: cortar seus cabelos. Eles estão muito longos!
Se deixar crescer mais um pouco, vai parecer uma garota e...
Eu sei que você não é.
E, claro. Há algo que também quero agradecer.
Obrigado pelo colar de prata. Sei que para você manusear aquilo devia ser difícil, especialmente com aquelas luvas de couro preta.
E não se preocupe: Minseok irá usá-la.
_ Minseok não mentiu quando disse aquilo... – piscou surpreso.
“Pode não parecer, mas eu já havia conhecido Chanyeol antes daquela noite. Meu pai havia nos apresentado antes da chegada de meu irmão e... Eu me divertia com ele. Segundo papai, ele estava lidando com duas crianças”.
30 de dezembro de 1989
Lembra de quando eu disse que estava lidando com duas crianças?
Bem... Eu não menti. Agora vou ter de pensar numa forma de não deixar que eles revirem a casa de novo.
E antes que eu me esqueça... Ele ficou bastante surpreso ao ver Minseok com o colar. Afinal, eu não havia prometido que meu filho o usaria? No entanto, eu não esperava receber um saudoso beijo vindo de sua parte, bem no instante em que meu filho apareceu na sala de estar.
Lembrete, Baekhyung: encontrar uma resposta plausível para Minseok quando ele o questionar sobre esse dia.
Mas... Há algo que preciso dizer e que ele ainda não sabe: acredito que alguém dentro da Máscara esteja nos espionando. Não é nada concreto, mas... Eu sinto essa estranha perseguição. E temo que algo aconteça, não apenas ao meu filho mas a ele também.
Eu sei que amá-lo vai me causar mais do que a minha morte.
Amá-lo vai lhe causar sofrimento.
Amá-lo vai ocasionar uma guerra.
E... se tudo isso realmente acontecer... O que exatamente eu deveria fazer?
Devo estar do seu lado?
Ou devo deixa-lo partir?
Mas, deixando-o partir, eu deixarei de sentir seu cheiro, deixarei de tocar sua pele fria, deixarei de sentir suas unhas ferindo minhas costas, de sua respiração normalizada contra a minha respiração descompassada... De seus rubis encarando minhas safiras.
Então... O que devo fazer?
Luhan piscou incrédulo, engolindo em seco e fechou o diário, enquanto sua mente recordava-se das palavras de Kim Minseok. Então, era possível que nas próximas anotações, Baekhyung estivesse falando sobre seu distanciamento com Chanyeol e os acontecimentos que se seguiram:
 “Mas, com o tempo, ele se afastou; começou a agir diferente conosco e, cada vez que me encarava, parecia que iria me matar a qualquer momento. Até que, quando Baekhyun nasceu, a situação piorou. Meu pai nunca mais o viu e preferiu que eu também esquecesse sobre ele. No entanto, na noite em que fomos atacados, eu não imaginava que ele fosse se voltar contra mim e meu irmão. É claro que tudo o que fiz foi para salvar o mais novo, contudo... Eu me sinto decepcionado pelo que ele fez à nós dois”.

_ No entanto... O que houve com o colar prateado? – questionou.


01 dia restante...
_ Jongin... – Kyungsoo tentou chama-lo, enquanto que o loiro de tez castanha rosnava baixinho.
As algemas que o prendiam na cama de casal machucavam e feriam os pulsos e os tornozelos do rapaz que, segundos depois, se cicatrizavam. O Mordomo de Baekhyun já se sentia cansado com aquela relutância do dono dos âmbares, que se forçava a quebrar e se soltar. Seu rosto estava parcialmente transfigurado num lobo, fazendo suas irises brilharem mais do que o normal. Calmamente, Kyungsoo se aproximou da cama, mas antes que pudesse tocar em seu rosto, Jongin o ameaçou morde-lo, forçando-o a recuar.
_ Sai... Daqui... – esbravejou.
_ Só resista mais um pouco, por favor... – pediu, apertando as algemas.
No entanto, Jongin forçou tanto as pernas que uma das algemas se quebrou, e, antes que Kyungsoo pudesse segura-lo, seu corpo foi chutado para longe. Pouco a pouco, o loiro foi se soltando, saltando para o chão e avançou contra o moreno que rapidamente puxou a adaga, a fim de se defender. Prontamente, o maior segurou o mais velho pelo pescoço, arremessando-o contra o guarda-roupa, que se quebrou completamente com o impacto, e correu até a janela, saltando-a. De imediato, a porta do cômodo se abriu, onde Dahyun e Joonmyun correram em direção ao moreno que estava desorientado.
_ O que houve? – questionou o castanho.
_ Onde está Jongin-ssi? – a garota o olhou, examinando o fio de sangue que escorria por seus lábios.
_ Ele... Fugiu... – respondeu Kyungsoo, massageando a cabeça.
_ Precisamos ir atrás dele! – Dahyun logo se colocou de pé, porém antes que deixasse o quarto, o Mordomo se levantou, segurando-a pelo pulso. – Kyungsoo-ssi... O Jongin...
_ Eu irei... – arfou, enquanto sua visão escurecia gradativamente. – Atrás dele...
E caiu de joelhos, desmaiando. Dahyun, rapidamente, tratou de acordá-lo, enquanto ordenava à Joonmyun para que chamasse Minseok. O castanho simplesmente concordou, correndo veloz pelos corredores e entrou de supetão no escritório do homem de madeixas acinzentadas.
_ Minseok, Kyungsoo está desmaiado. – disse, ao que o mais velho levantou-se de sua cadeira, mancando rápido em direção ao quarto de Jongin. Mal o maior adentrou o cômodo, avistou a prima tentando acordar o Mordomo de seu irmão e ao verificar em volta, percebeu que Jongin havia desaparecido.
_ Onde está Jongin? – questionou, olhando-a.
_ Ele atendeu ao chamado. – Dahyun o olhou, respirando fundo.
_ Chame a equipe médica. – ordenou, ao que Joonmyun concordou, deixando o cômodo. – Levem Kyungsoo a enfermaria. E Dahyun? – logo, a garota levantou os olhos para o primo. – Quero que venha comigo.
Relutante, Dahyun se ergueu, caminhando até o mais velho, enquanto a equipe médica adentrava o quarto acompanhados de Joonmyun. A morena olhou para o Mordomo uma última vez antes de seguir o primo pelos corredores em direção ao escritório.
_ O que quer comigo? – perguntou, e de súbito, Minseok parou, se virando para ela.
_ O quanto sabe sobre essa raça? – questionou em tom baixo.
_ São lobisomens. – respondeu simplista. – Homens e mulheres que foram mordidos...
_ Não foi isso o que eu perguntei.
Dahyun o encarou por longos minutos e respirou fundo, negando com a cabeça.
_ Eu não sei que raça é essa. – murmurou. – Não tenho conhecimento de suas habilidades ou algo do gênero...
_ Se trouxermos uma amostra para você examinar... – começou. – Poderia me dizer com clareza o que eles são?
_ Creio que sim. – concordou. – Mas, como vai...
_ Yixing. – ditou Minseok e Dahyun olhou para trás onde o chinês sorria de leve. – Pode me fazer um favor?
_ Já vi que hoje não vou conseguir dormir bem... – murmurou o loiro.
_ Monte um pequeno grupo de busca e encontre um deles. – ordenou. – Se conseguir encontrar Jongin, traga-o imediatamente. É uma ordem.
_ Sim senhor. – concordou, curvando-se e deixou o local.
Não muito longe dali, Jongin correu na direção do chamado, sem qualquer controle de seu instinto. Por mais que sua razão odiasse sua própria reação, seu lado instintivo estava completamente liberto de qualquer ordem. Involuntariamente, suas pernas fortes e flexíveis o impulsionaram para mais longe e mais rápido, fazendo-lhe saltar por sobre os telhados dos prédios e das casas, desaparecendo em meio a noite chuvosa. Contudo, não demorou muito para que outro de sua espécie também seguissem na mesma direção que ele. Alguns, bem maiores que ele; já outros, um pouco mais fortes. Mas havia uma enorme distinção entre homens e mulheres naquele meio.
Não demorou muito para que o loiro avistasse o prédio, de onde vinha o chamado. Muitos lobisomens – e até mesmo pessoas – adentravam o edifício antigo, seja pelas janelas de vidro, pelo terraço, ou pela porta de entrada. Jongin, num impulso, pulou para a janela já quebrada, tropeçando na aterrisagem e se esbarrando em dois homens barbudos. O receio do garoto foi tão grande que até mesmo sua transformação havia cessado, fazendo-lhe recuar alguns passos ao mesmo tempo que a dupla avançava em sua direção.
_ Não façam isso! – e, de imediato, a dupla parou, desviando os olhos para o lado, onde Mark se aproximava devagar, sorrindo. – Ele está comigo.
E, sem delongas, o puxou pelo braço, arrastando o loiro de tez castanha – e completamente nu – por dentre as pessoas. Vez ou outra, os âmbares vagavam por dentre os convidados, onde inúmeros pares de olhos femininos lhe observavam, enquanto que sorrisos marotos transpareciam em seus lábios finos e vermelhos com batom. Cochichos sobre si ecoaram por dentre todos os recém-chegados, fazendo Jongin se encolher um pouco mais a fim de esconder sua intimidade.
_ Aonde está me levando? – questionou, quando finalmente entraram no elevador.
_ Aqui. – e lhe entregou uma calça velha. – Vista-se.
Relutante, o dono dos âmbares pegou a peça, vestindo-se rapidamente e tornou a encarar o reflexo de Mark no espelho, que apenas encarava o painel digital do elevador. O ruivo, vez ou outra, desviava a atenção para o loiro que desviava os olhos, voltando assim, a olhar para os números. Finalmente quando o elevador parou no quarto andar, o menor o empurrou para fora da caixa metálica, lhe guiando pelos corredores movimentados até uma acabada sala de reunião. Jongin tentou relutar contra o outro, mas acabou parando ao avistar – e reconhecer – o homem que invadiu seu quarto na noite em que a Residência Estudantil havia pegado fogo.
_ Maldito! – gritou, avançando contra Jackson que simplesmente o segurou pelos braços, jogando-o na direção contrária.
Jongin chocou-se contra a parede de gesso, quebrando-a e atravessando-a para outra sala. De imediato, outros três se ergueram prontos para defender o líder dos Andarilhos que apenas ergueu uma das mãos, negando com a cabeça. Jackson conhecia aquela personalidade, afinal, já havia o encontrado antes. Calmamente, o moreno esperou que o loiro se erguesse, o que não demorou muito, já que Kai – já transformado num enorme lobisomem, saltou da cratera na parede em sua direção.
Contudo, a criatura foi forçada a parar sua aproximação no mesmo momento em que o homem puxou uma garota como escudo. Taeyeon engoliu em seco, encarando o monstro diante de si, enquanto seu pescoço e corpo estavam presos nos braços de Jackson. A morena relutou contra a prisão alheia, enquanto que algumas lágrimas escorriam de seus olhos.
_ O que foi? – questionou Jackson, olhando-o. – Não vai me atacar?
_ Larga ela! – ditou grotescamente, fazendo a garota arregalar os olhos.
_ Olha só! O cãozinho fala! – provocou, arrancando risadas dos outros. – Será que ele também obedece? – e mudou seu timbre. – Senta.
Mesmo relutante contra a ordem, o corpo da criatura foi cedendo pouco a pouco, permanecendo de joelhos e de cabeça baixa. Por fim, o moreno soltou a moça, caminhando devagar na direção do loiro e deslizou os dedos por seus pelos, na qual Jongin voltava ao normal. E não demorou muito para que os dedos longos segurassem o queixo alheio, fazendo-o olhá-lo.
_ Kim Jongin... – começou. – Você é um diamante bruto no meio das joias. E todo diamante bruto merece ser polido... Não acha?
_ Vai pro inferno! – rosnou.
_ Nós estaremos lá, meu amor. – sorriu. – Em poucas horas, nós estaremos lá. Agora... Diga-me, onde você estava todo esse tempo?
_ Não te interessa!
_ Escute. – respirou fundo. – Está vendo esses caras atrás de mim? Eles vão pegar essa garota e vão tortura-la, e você vai assistir tudo de perto. Então, se não quiser cooperar comigo, eu terei de dar a péssima notícia a ela. – em resposta, Jongin encarou Taeyeon que alternava os olhos entre os dois homens que a encurralavam. – E então? O que me diz?
Mas para a surpresa de Jackson, Jongin sorriu ameaçador.
_ Faça o que quiser com ela. – ditou. – Ela não me importa mesmo.
_ Você me lembra muito o Mark... – riu, balançando a cabeça. – Mas... Você sabe de quem ela é noiva? – Jongin voltou a olhá-la e respirou fundo, negando com a cabeça. – Ela é noiva de um professor de história chamado...
_ Aposto que ele vai ficar bastante triste com a notícia...
_ Byun Baekhyun. – e ao completar, os âmbares piscaram rápidos. – Esse nome lhe é familiar? Acredito que sim... Afinal, ele deve ser seu professor, não é? De qualquer forma, isso não interessa. Então, diga-me. Onde esteve esse tempo todo?
_ Escondido... – murmurou. – E bem longe de você.
_ Pelo visto, não vai me dizer a localização, não é? – sorriu largo e levemente inclinou a cabeça para o lado. – Tudo bem. Vamos lhe dar o tratamento necessário. – por fim, desviou os olhos para a dupla. – Preparem-no para o banquete.
E, sem esperar muito, os dois homens arrastaram Jongin para fora da sala, enquanto Taeyeon o observava em silêncio. Logo, Jackson desviou os olhos para a moça, aproximando-se enquanto a mesma recuava alguns passos.
_ O que foi? – Jackson riu baixinho, olhando-a. – Parece que viu um bicho-papão. Você achou mesmo que eu iria deixa-lo te machucar? Ainda mais quando você tem uma tarefa a cumprir?
_ T-tarefa...? – gaguejou ela.
_ Você ainda não me trouxe o líder da Ordem... Me trouxe?
_ Eu... Me desculpe, mas eu não sei... Onde procura-lo. – e baixou a cabeça.
_ Não sabe? – Jackson estreitou as sobrancelhas num leve sinal de preocupação. – Engraçado... O cheiro dele é bem familiar. Me lembra muito o cheiro de seu noivo...
_ O que está dizendo? Que meu noivo é... – protestou ela.
_ Você é que está dizendo isso. – a olhou. – Estou dizendo que o cheiro de seu noivo é bastante familiar. Diga-me... Há alguma foto dele em seu celular?
Relutante, Taeyeon retirou o pequeno aparelho do bolso e mexeu, a fim de procurar por alguma foto que mostrasse o rosto do professor de História. Após a longa demora, ela estendeu o celular para o moreno que sorriu em agradecimento, pegando-o. Todavia, no segundo em que seus olhos encontraram a imagem exibida, o sorriso em seu rosto desapareceu de imediato, enquanto que a incredulidade e choque estampavam seu semblante.
_ Há quanto tempo... Está noiva? – questionou pausadamente.
_ Há alguns anos... – murmurou em resposta.
_ Há alguns anos? – e, gradativamente, desviou os olhos para a garota. – Está noiva dele... Há alguns anos?
_ S-sim... – Taeyeon notou pelo tom de voz alheia o quão nervoso estava o líder dos Andarilhos.
_ E por que raios você nunca abriu sua maldita boca e me disse que estava noiva do Líder da Ordem dos Caçadores? – desta vez, ele ditou entre dentes.
_ O-o... Que? – gaguejou, puxando o aparelho das mãos alheias a fim de verificar melhor a foto.
Ali, ela e Baekhyun registravam o exato dia em que o jovem professor de História lhe pedira em casamento. Contudo, ela não entendia por que Jackson estava dizendo aquilo sobre ele. Numa velocidade sobre humana, Mark se aproximou da moça e a segurou, impedindo-a de fugir.
_ Há quanto tempo sabia que ele era o Líder da Ordem? – questionou o ruivo.
_ E-eu não sei do que vocês estão falando! – rebateu ela.
_ Não sabe? – as órbitas escuras de Jackson cresceram.
_ Ele não pode ser o homem que vocês querem... Quer dizer...
_ Você nunca ousou questionar a ele sobre sua outra vida? – o líder perguntou, vendo-a franzir o cenho. – Nunca sequer questionou o que ele faz? Ou para onde vai?
_ Eu...
“No que seu irmão trabalha, Baekhyun?”
“Ele é investigador.”
“No que trabalha, Sr. Kim Minseok?”
“Eu... Sou CEO de uma multinacional”.
E então as respostas de Baekhyun e Minseok fizeram sentido na mente da garota que, pouco a pouco, desviou a atenção para o líder dos Lobisomens. Havia alguma coisa errada naquelas palavras e Taeyeon notou que um dos irmãos não estava dizendo a verdade.
_ Nunca desconfiou das estranhas saídas de seu noivo? – Mark a provocou.
_ Espera, estão dizendo que meu noivo é o Líder que vocês procuram? – ela os olhou.
_ Pelo visto, minha querida, você não andou fazendo sua lição de casa. – Jackson negou com a cabeça.
_ Mas ele nunca... Escute, se eu soubesse que ele era o Líder que você procurava, eu o teria trazido até aqui! – protestou.
_ Teria mesmo? – Mark a olhou. – Ou tentaria escondê-lo de nós?
_ É claro que não! Eu o traria agora! – os olhou.
_ Então, vá busca-lo. – ordenou Jackson, ao que Mark a soltou. Contudo, antes que a morena deixasse a sala de reunião, o líder a deteve. – Pensando melhor, você fica, Taeyeon. – logo, ela o olhou. – Mark irá atrás de seu noivo. – sem demorar muito, desviou a atenção para o ruivo que sorriu breve. – Se já identificou seu rosto, acredito que você o encontre facilmente.
E, sem qualquer delonga, Mark deixou o local rapidamente, fazendo a moça olhar nervosa na direção do corredor. Pouco a pouco, Jackson se aproximou dela e não se surpreendeu quando a outra lhe desferiu uma tapa no rosto. No entanto, antes que Taeyeon desferisse outra tapa, o moreno segurou seu braço, encarando-a longamente.
_ Se ele machucar meu noivo, eu juro... – começou.
_ Se Mark machucar seu noivo, eu mesmo o mato. – interrompeu-a. – Não se preocupe. Seu noivo ficará bem.


Já na forma de um lobisomem de pelugem avermelhada, Mark saltou pela janela do enorme prédio, correndo e saltando por sobre as outras construções, guiando-se apenas pelo cheiro característico de Byun Baekhyun. Contudo, três cheiros semelhantes o direcionavam para locais diferente: o primeiro, para o leste; o segundo, para noroeste; e o último, para alguns quilômetros na direção que seguia. A criatura parou no terraço de um prédio residencial e concentrou-se em encontrar o cheiro específico. Contudo, por mais que quisesse, ainda estaria indeciso entre dois cheiros.
Seria possível ele se multiplicar?
_ Peguei você.
A voz suave soou tão próxima de sua audição aguçada que Mark não tivera tempo de evitar o ataque surpreso do pequeno grupo. Num total de 20 homens – sendo 10 vampiros e 10 humanos – atiraram balas de prata em alguns pontos de seu corpo a fim de incapacita-lo na fuga. A dor dilacerante em seus ombros e pernas o forçou a assumir uma forma humana, enquanto se arrastava para longe do grupo. Não demorou muito para que um par de botas recém-engraxadas se aproximasse do ruivo despido, enquanto que o caído lhe fuzilava com as pupilas dilatas. Calmamente, o homem abaixou-se a sua frente e removeu o longo casaco, cobrindo o corpo alheio.
_ Acredito que não vai querer constranger as damas, não é?
_ Então, a Máscara anda recrutando até mesmo os humanos para o seu bando? Que fofo. – provocou Mark.
_ Eles não são da Máscara... – começou Yixing. – Yi-En Tuan.
_ Como sabe quem sou eu? – estreitou os olhos.
_ Sei muitas coisas. – disse. – Sei que deu trabalho durante As Cruzadas e principalmente, na Segunda Guerra Mundial.
_ Eu estava tentando sobreviver!
_ Eles também. – lembrou-o, pondo-se de pé. – E acredite, você não era o único que queria voltar para casa. Apaguem-no e o levem.
No momento em que Yixing virou as costas e a equipe avançou na direção do lobisomem, Mark adiantou-se:
_ Para onde pretende me levar?
_ Logo vai saber. – respondeu, encarando na direção que o outro viera.
_ Você não vai me impedir de encontrar o Líder da Ordem dos Caçadores! – protestou, ao que Yixing se voltou para o outro. – Você deve saber onde ele está, não é? Não se preocupe! Logo que eu o encontrar, irei leva-lo até Jackson.
_ Jackson ainda está vivo? – questionou-o.
_ Mais do que você estaria. – e sorriu largo.
_ Acredito que não conseguiu identificar qual dos três cheiros o levará ao Líder da Ordem... não é? – o loiro o olhou, no mesmo momento em que a equipe o apagou.
_ Devemos leva-lo? – questionou um dos zeladores.
_ Sim. – concordou. – Podem leva-lo.
Yixing assistiu o grupo arrastar o ruivo para fora do prédio, enquanto que suas órbitas se voltavam na direção que Mark estava se dirigindo. Por fim, um pequeno sorriso transpareceu em seus lábios, enquanto balançava a cabeça de um lado para o outro.
_ Qualquer que fosse a direção que você tomasse... Yi-En-ssi... Você conseguiria encontrar o Líder da Ordem dos Caçadores. – sussurrou. – Contudo... As direções indicadas o levariam ao passado, presente e futuro. – e  apontou respectivamente para o norte, o noroeste e o leste. – E apenas dois desses caminhos o levariam até Baekhyung e Baekhyun.

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