sábado, 8 de abril de 2017

Moonlight - Capitulo Trinta e Dois

Xangai, China.
Já era mais de nove horas da noite quando Yixing se dirigia para a Máscara. Durante o trajeto, seus olhos vagaram pelos inúmeros documentos e anotações que havia feito quando esteve afastado de sua Instituição. O taxista que o guiava logo parou diante uma enorme mansão, avisando-o de que haviam chegado. O loiro sorriu de leve, entregando-lhe algumas notas e desceu do veículo, caminhando para o interior do terreno. Como se tivessem visto mais do que uma assombração, os homens e as mulheres que caminhavam pelo jardim simplesmente pararam e contemplaram a chegada do chinês.
Calmamente, o rapaz subiu as escadas, adentrando o hall de entrada da construção antiga – afinal, aquela construção era do período imperial, apesar dos muros e do interior contradizerem os séculos – e rumou pelos corredores, adentrando assim, em sua sala. Um suspiro cansado deixou seus lábios, além do mais, aquela viagem se tornou mais longa do que o normal. Logo, deixou os documentos sobre a mesa e acomodou-se atrás dela, retirando seu pequeno diário da caixa de madeira.
E, assim, iniciou suas anotações:
21 de maio de 2015, 21h59min da noite.
Mais uma viagem cansativa, mas prazerosa. Afinal, não há melhor lugar que o nosso lar. Minseok continua com o mesmo segredo e para piorar, a relação entre ele e Jongdae não anda nada bem. Já Kyungsoo, fico surpreso por não ter descoberto cedo o significado da lenda. Claro, tudo ao seu tempo, Yixing.
Antes de partir, não consegui encontrar com o Sr. Baekhyung, talvez estivesse ocupado com sua sede. Mas uma das razões para voltar para a Máscara em Xangai é simples: todo Príncipe precisa verificar como andam as coisas em casa. A última vez que enviei um e-mail para o meu Matador, ele me respondera breve, alegando que iria comandar uma Caçada de Sangue contra um Ventrue. E isso já faz mais de um mês e meio. Fico me perguntando por que tanta demora...
E claro, o outro motivo para retornar é que... Eu senti a presença de meu clã em Londres. No fundo, acredito que eles querem saber onde estar o paradeiro do sobrevivente Lazulli. O problema é que... Eu não faço a mínima ideia onde ele está. Apenas sei que seus descendentes estão bem, mesmo passando por situações complicadas.
Sinceramente, estou pensando se deveria iniciar a uma busca pelo paradeiro. Contudo... Estou receoso com o que irei encontrar...
Aliás, agora que verifiquei a data... Amanhã é o aniversário de Joonmyum.
_ Mestre. – gradativamente, as órbitas tranquilas de Yixing se desviaram para a porta, surpreendendo-se levemente com a aparição e o estado de seu jovem Matador. Apesar de suas madeixas douradas estarem perfeitamente arrumadas, não era possível dizer o mesmo sobre seu quimono tradicionalmente chinês. – O senhor acabou de chegar?
_ Sim. – concordou sorrindo largo. – E como andam as coisas na Máscara, meu pequeno?
_ Mestre, já pedi que não me chame dessa forma. – as feições infantis do garotinho encararam o rosto calmo de Yixing, antes de um suspiro calmo abandonar seus lábios. – Está tudo sob controle. – respondeu. – Acabei de chegar de uma caçada de sangue...
_ Isso explica as suas roupas rasgadas. – riu ele, levantando-se e caminhando na direção do outro. – Mas quem estava sendo caçado?
_ Huang Zitao. – o olhou. – Eu sei que o certo seria esperar pelo senhor... Mas aquele bastardo já estava me dando nos nervos. – logo, o garoto baixou a cabeça.
_ Eu sei que vai me odiar por dizer isso, mas... – e afagou seus cabelos. – Você fica muito fofo quando está furioso, Chenle.
Gradativamente, Chenle desviou os olhos para Yixing ainda sério, enquanto o maior afastava a mão aos poucos. Claro que o mais velho ainda se arrepende de ter transformado o garoto em um deles quando tinha apenas 16 anos. Foi um erro gravíssimo que quase custou a sua vida. Contudo, Lay apenas o fez por que não suportava a dor que os Lazulli haviam provocado em sua família.
Foi por isso que Yixing o abraçou.
Por que, para ele, Chenle era como um filho.
_ Venha. – chamou-o. – Vamos tomar um banho.
Por fim, os dois seguiram para a casa de banho, na ala noroeste da mansão, onde Yixing mergulhou o menor na água, lavando suas bochechas sujas de sangue e seu corpo. Por mais que Chenle odiasse aquele tipo de tratamento – por que vejamos, ele tinha mais de meio século de idade! –, a sensação de ser cuidado por alguém que deu a sua vida para protege-lo era gostosa. Não tão diferente do Príncipe da Máscara que o via como um filho, o Matador tinha a mesma visão dele como pai.
_ Alguma novidade que eu não sei? – começou Yixing, sentado na borda da banheira, enquanto massageava as madeixas douradas do outro.
_ Os líderes dos outros clãs parecem não me obedecer, especialmente, quando o senhor está com aqueles humanos. – explicou. – Eles estão pensando em colocar outro Príncipe em seu lugar. Alguém mais presente...
_ Mal sabem eles que meu tempo na Ordem está garantindo a salvação deles. – comentou, rindo baixinho. – E quanto àquele rapaz? – em resposta, Chenle desviou os olhos. E se ainda fosse humano, Yixing o veria corar violentamente. – Ele está de férias?
_ A-ainda não. – respondeu. – Eu pedi para que ele ficasse em Seul... E não voltasse mais.
_ Quanto anos disse que ele tinha?
_ 15 anos. – suspirou. – Os pais dele são homossexuais e muito educados. Me disseram que não seria ruim se eu fosse passar um fim de semana com eles... Desde que meu pai permitisse.
_ Eu permito. – o maior o olhou.
_ Mas eu não irei. – continuou. – Eu tenho medo de que minha sede fale mais alto e acabe matando-os.
_ Me fale mais dele. – pediu.
_ Bem... – e antes que Chenle continuasse, Yixing puxou suas pernas, deitando o corpo do garotinho submerso, a fim de lavar suas pernas. “Ele foi adotado pelos pais quando tinha dois anos. Também tem um irmão dois anos mais velho. Segundo ele, os dois foram adotados juntos. Nós nos conhecemos no outono, quando você decidiu sair por algum tempo. Eles são pessoas interessantes de se conhecer”, explicou telepaticamente ao mais velho, enquanto lhe encarava e remexia os dedos. “Estranhamente, ele e o seu irmão são bastante parecidos com os pais”.
_ E no que os pais deles trabalham? – o olhou, enquanto o outro emergia.
_ São professores de dança.
_ Dando um banho em seu filho? – não demorou muito para que a atenção dos dois se desviasse para a porta da casa de banho. Yixing respirou fundo, ao que Chenle se curvou levemente, baixando a cabeça.
_ Na verdade, meu Matador, – corrigiu-o. – Mas o que o ilustre Nicodemos anda fazendo em meu território?
_ Vim visita-lo, já que havia se recusado me ver em Londres. – a criatura sorriu de leve, acomodando-se na borda da banheira.
_ Então, sabes o motivo para a minha não ida, não sabes? – Yixing sorriu, puxando uma toalha e enrolou o garotinho, pegando-o no colo. Em resposta, Chenle respirou fundo, arqueando levemente uma das sobrancelhas. Ele odiava quando seu Mestre fazia aquilo.
_ Por causa do Príncipe da Máscara? – estreitou os olhos. – Há alguma desavença entre vocês?
_ Temos pensamentos e ideologias divergentes, Nicodemos. – suspirou, enquanto transitava pelos corredores, sendo acompanhado pelo outro. – E claro, eu sou um homem bastante ocupado.
_ É... Notável... – começou. – A importância que você dá a esses humanos medíocres. – em resposta, Lay sorriu e se virou, olhando-o longamente. – Cuidando das crias de um suposto descendente dos Lazulli, tornando-se tutor de uma garotinha que é especialista em lobos... Por que esse interesse?
_ Os humanos possuem algo que nós nunca tivemos. – resumiu.
_ Você... Não se arrependeu de não ter matado Sohee, não foi?
Em resposta, Yixing respirou fundo e continuou seu trajeto até o quarto de Chenle, sentando-o na cama. Como um pai super protetor, o chinês procurou pelo grandioso closet alguma peça de roupa para vestir o garotinho. Nicodemos, que estava recostado a porta, observou o loiro exibir algumas peças de roupas para o menor que balançava a cabeça, conforme gostava ou não da roupa.
_ Na verdade, Sohee não sobreviveu. – explicou. – E você sabe disso.
_ As suas crias...
_ Eu disse que ela não sobreviveu. Não que suas crias também foram mortas. – e o olhou.
_ E por que não os matou? – estreitou os olhos.
_ Pela mesma razão que nós decidimos não matar Sohee no início. – e deu a conversa por encerrada.
Por fim, tratou de vestir Chenle que apenas alternava as órbitas de Marte entre o rosto de seu Mestre e o Nosferatu, visivelmente hesitante. Afinal, por mais que fosse do mesmo sangue que Yixing, a presença do outro antigo lhe deixava mais desconfortável do que o próprio Príncipe. O loiro, ao terminar de vesti-lo, perfumou-o e gesticulou para que ele deixasse o cômodo.
_ Por que mima seu Matador? Ele não é mais uma criança. – Nicodemos o encarou, ao mesmo tempo que Chenle passava por ele.
_ Na verdade, estou tentando preencher a vaga de família que ele perdeu. – suspirou, estendendo a toalha e sentou na cama do garotinho. – Chenle foi tirado de seus pais durante um surto vampírico e eu o salvei.
_ E agora, ele é seu filho. – sorriu de leve.
_ Se ele é meu filho ou não, Nicodemos, isso não é da sua conta. – e ao deixar o quarto, Nicodemos o segurou pelo pulso, impedindo-o.
_ O Conselho vampírico e... Os Antigos Nosferatus... Declararam uma ordem ao Príncipe da Máscara em Londres. – começou, levemente entristecido. – Para ser novamente respeitado, o Príncipe da Máscara deve assassinar o Líder da Ordem.
Em resposta, Yixing desviou os olhos arregalados e incrédulos para o mais alto que apenas encarava o vazio. Então... Mais uma vez a lenda vai se concretizar? Nicodemos logo revelou o que havia acontecido na noite do julgamento do Príncipe e ao finalizar, o silêncio se estendeu pelo grandioso corredor. O loiro respirou fundo e rapidamente atravessou os corredores em direção ao seu gabinete, encontrando Chenle prontamente de pé.
_ Mestre? – chamou-o, vendo arrumar seus pertences. – Vai partir de novo?
_ Preciso voltar para a Ordem. – explicou.
_ O senhor sequer ficou aqui por algumas horas! – protestou e Yixing se virou, olhando-o. Logo, o menor arfou, sorrindo fraco e balançou a cabeça. – Eu me esqueci de que gosta de ficar com eles.
_ Chenle... – tentou se explicar.
_ Está tudo bem, Mestre. – e curvou-se. – Não precisa me explicar.
E, logo que o Matador saiu, o Príncipe tratou de preparar uma declaração, assinando e carimbando em seguida. Por fim, pegou seus pertences necessários e seguiu para o grande salão, onde todos os outros clãs o aguardavam.
_ Senhoras e senhores... – começou Chenle ao sentir a presença de seu senhor. – O 210° Príncipe...
_ Como não possuo muito tempo para apresentações, irei direto ao assunto. – interrompeu Yixing, surpreendendo a todos. – Em minhas mãos, está uma declaração oficial do Príncipe alegando que, em minha ausência, a Máscara será comandada pelo meu Matador. – e entregou-lhe a carta. – Qualquer desobediência para com ele será o mesmo que me desobedecer. – logo, se virou para o garotinho. – Deixo a Instituição em suas mãos, meu pequeno. Nos veremos em breve.

E sob o olhar surpreso e confuso do Matador Zhong Chenle, Zhang Yixing partiu.


Londres, Inglaterra.
Mal o dia amanheceu na capital inglesa, Baekhyun, Aaron e Benjamin estavam dentro de um táxi, rumando para o aeroporto. Cada um dos amigos do moreno de olhos azuis iria para um congresso que duraria uma semana. O único que não iria seria Andrew, que preferiu ficar em casa, se recuperando de uma gripe. Não demorou muito para que o trio descesse do veículo e pagando pela corrida, adentrando assim o saguão.
_ Sério que vocês precisam ir? – Baekhyun os olhou.
_ Que fofo! Baekhyun já está sentindo a nossa falta. – brincou Aaron, arrancando uma risada dos outros.
_ Não é isso. – explicou. – É que... Transitar pelos corredores da escola não será mais tão interessante assim.
_ Não se preocupe, Baekhyun. – Benjamin pousou a mão em seu ombro. – Logo voltaremos para cuidar de você.
_ Te ouvindo assim, parece que eu sou uma criança de três anos. – resmungou o moreno e todos riam. – Boa viagem para vocês. E bom congresso também.
Baekhyun se despediu dos dois amigos e observou-o seguir para o portão de embarque. Vez ou outra, o moreno ria baixinho com as atitudes da dupla, que fingia não querer viajar para poder ficar com ele. “Duas crianças”, pensou, balançando a cabeça e, ao se virar, supostamente ouviu alguém chamar seu nome.
_ Baekhyun?
Lentamente, o professor de História se virou, encontrando há alguns metros de si, um rapaz de madeixas castanhas e sorriso largo, como se estivesse surpreso e encantado por reencontrá-lo. Contudo... Ele não fazia a mínima ideia de quem era aquela pessoa. Calmamente, o outro homem se aproximou, parando diante de si e encarou atentamente suas órbitas de Netuno, piscando rápido ao perceber que o irmão de Minseok já estava se sentindo constrangido.
_ Desculpe. – pediu. – Você é Baekhyun, não é? O irmão de Minseok.
_ Sou. – concordou, olhando-o desconfiado. – Mas como...
_ Os olhos não enganam. – sorriu largo. – Acho que você não está me reconhecendo. – e Baekhyun agradeceu aos céus pelo outro pensar mais rápido que ele. – Eu sou Joonmyun, lembra?
_ Joonmyun... – franziu o cenho.
_ Você costumava me chamar de “Suho-hyung” quando mais novo. – completou e um estalo soou na cabeça do moreno.
_ Nossa! Eu... Desculpa. Eu não consegui te reconhecer de cara. – e logo o abraçou, sendo retribuído. – Você está bem mudado.
_ As pessoas tendem a crescer, não? – brincou, rindo.
_ Você é o melhor amigo do Minseok, não é?
_ Hã... – Joonmyun estreitou um pouco as sobrancelhas. – É... Na verdade... Eu sou o noivo dele. Eu acredito que ele tenha contado.
_ N-noivo? – franziu o cenho.
_ Isso. – concordou, logo exibindo a aliança no anelar. – Eu e seu irmão, quando ele finalmente concordar, iremos nos casar.
_ Espera... O meu irmão é gay e eu não sabia? – Baekhyun ainda estava sem reação com tal novidade. Mas ele não tinha dito que iria se casar com uma Srta. Kang? – Desde quando vocês...
_ Desde que ele tinha 16 anos. – explicou. – Aliás, eu estou indo para a Ordem agora. Não quer vir comigo? Assim, ele pode te explicar sobre...
_ Eu bem que gostaria de ir, mas... – e riu, incrédulo. – Eu ainda tenho que trabalhar.
_ Você leciona História no Balliol College, não é?
_ Isso. – assentiu, enquanto ambos caminhavam para fora do aeroporto. – Mas como você sabe? Achei que meu arquivo não estivesse na Instituição... Principalmente depois que eu saí.
_ Parece que você não conhece o seu irmão tanto quanto eu conheço. – o olhou. – Minseok reservou a sua pasta em seus pertences e sempre que sabia de alguma novidade relacionada a você, ele acrescentava em seu arquivo.
_ Então, ele nunca deixou de cuidar de mim, mesmo depois de nossas brigas?
_ Para dizer a verdade, Minseok nunca tirou os olhos de você desde o incidente em 1995. – suspirou, ao que ambos pararam próximo a um ponto de taxi. – Desde a sua partida, eu pedi para que ele deixasse você viver a sua vida, contudo, Minseok nunca me ouviu. – e o olhou. – Ele se importa muito com você, Baekhyun-ssi.
Logo que o táxi parou próximo deles, Joonmyun sugeriu que ambos fossem juntos até seus respectivos destinos. Já dentro do veículo, Baekhyun questionou ao moreno por qual motivo ele havia partido antes de Minseok declarar seu Mordomo oficial, sendo respondido com “minha mãe, que morava em Seul, havia adoecido e acabei ficando com ela nesse período”. Mas, no fundo, o arquiteto sabia que preferia ficar com o amado do que longe dele.
Por fim, o táxi parou diante dos grandiosos portões de ferro, ao que Joonmyun deixou o veículo, respirando fundo. Aos poucos, o céu se fechava em densas nuvens, iniciando uma garoa.
_ Nos vemos qualquer dia. – despediu-se, acenando para o moreno que retribuiu, fechando a janela e partindo em seguida.
Contudo, no momento em que Joonmyun se virou na direção da mansão, um arrepio violento percorreu por sua espinha, fazendo-o virar na direção que o táxi seguia. Na calçada, um homem alto, de cabelos castanho, trajando um enorme casaco escuro e óculos de sol estava parado, observando o transitar do veículo. E, ao notar que estava sendo observado, um meio sorriso transpareceu em seus lábios, fazendo-o baixar um pouco os óculos e encarar o humano.
No fundo, algo lhe dizia para não confiar naquele homem.
_ Sr. Kim? – rapidamente, seus olhos se voltaram para a entrada, onde Jongdeok piscou surpreso. – Nossa! É uma surpresa vê-lo aqui.
_ É bom estar aqui. – sorriu, novamente voltando a atenção para o homem ao longe, contudo, o mesmo havia desaparecido. – Por que não entramos?
E sem esperar muito, Joonmyun entrou nos terrenos da mansão, caminhando pelo trajeto de pedras e subiu as escadas para a varanda, adentando assim, o hall de entrada. Jongdeok contava-lhe sobre as novidades quando foi silenciado pela presença de seu irmão mais novo, que descia calmamente as escadas, imerso em seus próprios devaneios. Jongdae ainda se sentia perdido após a separação declarada, assim como não poderia se meter na investigação de Sehun.
_ Jongdae!
Rapidamente o moreno de olhos pequenos piscou, desviando a atenção para a dupla e sorriu fraco para o novo visitante, contudo, não fora ele quem o chamou. Calmamente, o semblante do Mordomo se fechou e sua respiração se tornou pesada, fazendo-o virar gradativamente para o alto da escada, onde Minseok alternava os olhos entre Jongdae e, mais atrás, Joonmyun.
_ Deseja alguma coisa, meu senhor? – perguntou ele.
Minseok permaneceu em silêncio por alguns minutos, enquanto assistia o noivo subir as escadas calmamente e lhe abraçar, depositando um selar breve em sua bochecha. Jongdae baixou a cabeça levemente, evitando assistir e se machucar ainda mais. No entanto, no segundo em que seu irmão deixou o salão principal e seus olhos ameaçaram encarar seu próprio Mestre, o Mordomo preferiu ser cego ao ver seu – por que não dizer? – amor sendo beijado por outro homem. Aos olhos do mais novo, Joonmyun parecia uma donzela apaixonada e carente, sendo tomada pelos braços daquele homem que deveria ser seu.
E, por fim, as peças se ligaram.
Especialmente, quando o recém-chegado segurou a mão alheia e beijou seu anelar com a brilhante aliança.
Minseok estava noivo de Joonmyun.
_ Tire o dia de folga. – sugeriu Joonmyun, olhando-o. – Assim, terá mais tempo para se recuperar, não acha?
Gradativamente, os mares escuros do Mordomo se voltaram para seu Mestre, que o olhava em silêncio e completamente sério. Nenhuma emoção transparecia em seu rosto. Logo, Joonmyun segurou a mão do Líder e o guiou para longe da escada, desaparecendo do campo de visão de Jongdae que, sem esperar muito, retirou o celular do bolso e discou o número de Sehun. E ao segundo toque, o Matador atendeu, sendo surpreendido com a resposta embargada e sussurrada do humano:
_ Não precisa continuar sua investigação. Eu sei de toda a verdade. Kim Minseok está noivo do filho do ex-chefe dos Caçadores, Kim Joonmyun.


Costumam dizer que, tudo o que é belo, deve ser admirado. E para Park Chanyeol, aquilo não era diferente. Estava desde o meio dia observando embaixo de um robusto carvalho antigo, seu precioso lecionando suas aulas de História. O movimentar de suas mãos, o sorriso largo e retangular, os brilhantes Netunos azulados, seu caminhar de um lado para o outro entre as carteiras... Baekhyun mais parecia um discreto Deus grego do que um simples mortal. Ao fim do dia, o castanho saltou por algumas árvores robustas, escondendo-se entre os galhos e as folhas e o assistiu descansar na sala dos professores.
Foi então que o maior notou quando o professor começou a limpar o próprio rosto. Pelo que podia perceber, havia um leve hematoma em sua bochecha, contudo, nada muito notável. Pelo menos, não aos olhos humanos. E pelo que Chanyeol estava notando, Baekhyun parece não se lembrar muito daquela noite. Afinal, suas feições confusas transpareciam em seus olhos que encaravam o vazio, a fim de se recordar o que houve. Contudo, o que o gangrel não esperava era o pequeno sorriso retangular em seu rosto, e, por um instante, o vampiro gostaria de que ele estivesse direcionado para si. Mas, no momento em que o imortal se inclinou na direção da janela, o moreno desviou a atenção para si, fechando o semblante.
_ Eu sei que está aí. – sussurrou, provocando um sorriso pequeno em Chanyeol. Que bela percepção! Lentamente, Baekhyun levantou de seu lugar e caminhou na direção da janela, olhando para o carvalho onde o vampiro se escondia. – Chanyeol.
_ Você... É impressionante, bebê. – sibilou, afastando os galhos e as folhas, enquanto encarava o professor longamente.
Ao avistar a presença de Chanyeol, Baekhyun respirou fundo e retornou para a mesa, pegando seus pertences, deixando assim, a Instituição de Ensino. Durante o trajeto, o moreno seguiu pela calçada, logo sendo seguido pelo maior, que enfiou as mãos nos bolsos do longo casaco. Seguiram por longas ruas, atravessando alguns becos e vielas até finalmente pararem diante do Palácio de Westminster, parando subitamente e se virando na direção do outro que, subitamente, desapareceu.
As safiras brilhantes tentaram encontrar, em meio à multidão, a fisionomia alta e esguia, trajando roupas de frio de Chanyeol, sem encontra-lo em lugar algum. Afinal, onde ele havia...
_ Me procurando? – rapidamente, o professor se virou na direção do som, encontrando-o atrás de si, com um sorriso simples no rosto. – Você não está perdido, está?
_ Por que estava me seguindo? – estreitou os olhos.
_ Estamos conectados. – respondeu e Baekhyun riu baixinho. – Não acredita em destino?
_ Nem um pouco. – debochou. – Acha mesmo que estamos conectados?
_ Através de sua marca. – concordou, deslizando a ponta dos dedos em seu ombro, exatamente onde se encontrava a marca. – Estamos tão conectados... Que eu sei exatamente o que você pensa.
_ E no que eu estou pensando agora?
_ Agora? – e sorriu largo. – Seu pensamento ainda é incrédulo sobre a nossa conexão. – em resposta, Baekhyun o encarou. – Você acha que seu melhor aluno, Kevin, está interessado em você, principalmente por tê-lo flagrado algumas vezes, lhe olhando... Como se fosse devorá-lo. Você também acha que a morte de Evelyn foi sua culpa, mesmo sabendo que não é.
_ Bela dedução... – ironizou.
_ Você também está confuso se deveria estar na Ordem, onde é seu lugar, ou lecionando como Professor de História. – lentamente, aproximou o rosto do semelhante do menor. – Aliás, essa é a única dúvida que está preenchendo sua mente e o atrapalha em seus afazeres mais simples, não é? Por que não quer que sua noiva viva uma vida conturbada que você passou tanto tempo escondendo. Mas... Eu lhe direi algo sobre Kim Taeyeon, Sr. “Kim Baekhyun”... – em resposta, Baekhyun o encarou. – Ela está tramando algo tão bem que sequer você sabe da verdade.
_ Está mentindo.
_ Acredite em mim se quiser. – declarou, se afastando. – Mas, já foi alertado.
Baekhyun assistiu o outro seguir seu trajeto em silencio, desaparecendo em meio à multidão que parecia apressada em voltar para casa. Não diferente dos outros, o professor pegou um táxi e indicou-lhe o endereço de casa, pagando a quantia necessária e deixou o veículo, entrando em casa. Em passos calmos, dirigiu-se a cozinha, mas ao se aproximar da geladeira, percebeu um bilhete preso por um imã.
Baekhyun, tive um imprevisto no trabalho e não tenho hora para voltar. O jantar está todo pronto e reservado em recipientes fechados. Basta esquentar.
Com amor,
TaeTae.
O professor leu a mensagem em silêncio e retirou o celular do bolso, discando o número da noiva. Porém, todas as ligações caiam na caixa postal ou respondiam com “o número que você ligou, no momento, não está recebendo ligações. Por favor, tente mais tarde”. Não demorou muito para que as palavras de Chanyeol preenchessem sua mente e a dúvida instalasse em sua cabeça. E se ele estivesse certo? Confiaria na criatura que tentou mata-lo? E enquanto Baekhyun iniciava suas especulações sobre as palavras do gangrel e as estranhas saídas de sua noiva, Taeyeon engolia em seco, tremendo em sua cadeira. Seus olhos escuros vagaram pelos convidados, percebendo a tensão que se instalava.
_ Eu agradeço a presença de todos. – começou Mark, olhando para os visitantes. – Especialmente, da nossa querida Kim Taeyeon. Como todos sabem, a razão principal para esta reunião...
_ Mark, você enrola demais. – subitamente, a atenção de todos os convidados, especialmente de Taeyeon se desviou para a entrada da cozinha, onde um homem de sobrancelha cortada e olhar sério avaliou cada um dos presentes. – Obrigado pela visita, Srta. Kim.
_ J-Jackson Wang. – respondeu ela, baixando a cabeça.
_ Em outras palavras, a razão para ter vindo aqui é simples. – começou ele, olhando-os.
Os Andarilhos do Asfalto vieram conquistar seu território prometido. Nosso verdadeiro lugar é em Londres, contudo, há algumas sanguessugas que estão me interrompendo. Como muitos sabem, dois de nós foram mortos por um Matador da Máscara, contudo, ele estava apenas fazendo seu trabalho: proteger seu Príncipe”.
“Passamos muito tempo escondidos nos esgotos da Europa, meus amigos. Sob a sombra dos humanos e dos vampiros, ao qual os primeiros insistem que somos descendentes deles. Esta noite, será diferente. Nós daremos o alerta tanto a esses humanos frágeis, quanto aos morceguinhos. E eles saberão quem somos. Mark já deve ter lhes passado o plano de invasão ontem à noite e espero que tudo entre nos conformes”.
“O primeiro passo é o chamado. Uivem para os seus irmãos e irmãs e os recrutem. Todos iremos nos encontrar na Ponte de Westminster a meia noite. Aos mais habilidosos, deixarei com vocês a segunda parte do plano: cubram a capital londrina com uma cortina de fumaça. Iremos cegá-los temporariamente. Como em 1952. E, por último, meus pequenos cãezinhos: cacem. E mostrem-lhes a grandeza dos Adoradores da Lua!”.
Em resposta, todos os convidados uivaram, provocando um sorriso largo em Jackson que logo desviou os olhos para Taeyeon, aproximando-se da mesma e estendeu-lhe a mão, ao que a moça segurou a mesma, sendo guiada para longe da multidão. Calmamente, atravessaram alguns corredores até uma saleta, ao que o moreno parou, se virando e olhando-a.
_ Acredito que Mark tenha lhe dado uma missão simples, não lhe deu, Srta. Kim? – começou ele.
_ S-sim. Ele deu. – concordou.
_ E por que ainda não me trouxe o Líder da Ordem dos Caçadores? – questionou, deslizando os dedos pela face assustada. – Se não se lembra, você ainda tem o nosso sangue correndo em suas veias e ainda está sob meu controle.
_ Eu sei, senhor...
_ Então, o que está esperando? Encontre o líder da Ordem dos Caçadores e traga-o para mim. Agora.
E, sem esperar uma segunda ordem, Taeyeon fugiu da saleta praticamente correndo, pegando assim seu casaco e deixando a boate em poucos minutos. Desesperada, atravessou algumas ruas, contudo, antes que pudesse virar uma esquina, assustou-se com a presença de um homem alto e esguio diante de si. A morena afastou-se alguns passos, ao mesmo tempo que o outro se aproximava e rapidamente retirou um spray de pimenta do bolso do casaco, agitando-o. Mas ela não tivera tempo de utilizá-lo, já que Chanyeol desferiu uma tapa em sua mão, derrubando o objeto.
_ Não se atreva a encostar em mim! – gritou ela, recuando.
_ Não se atreva a machucar Baekhyun. – sibilou ele melodicamente. Em resposta, Taeyeon franziu o cenho. – Escutei o que irei dizer, Srta. Kim. – e subitamente, Chanyeol a segurou pelas vestes, puxando-a. – Se tentar matar o seu noivo, ou simplesmente, entrega-lo a essa sua raça de cachorros molhados, eu não vou ter nenhuma piedade em arrancar a sua cabeça, fui claro?
_ Então... Você é um daqueles sangue sugas da Máscara? – Taeyeon questionou, rindo. – Fico me perguntando o que tanto vocês veem no meu noivo? – e estreitou os olhos. – Seriam as írises azuladas?
_ Você é uma simples menina que não conhece metade da história de seu noivo. – Chanyeol fingiu preocupação. – Não faz a mínima ideia de quem é o homem que, todas as noites, faz amor e dorme ao seu lado.
_ Ah, claro! E você o conhece muito bem! – provocou.
_ Muito mais do que você. – sorriu de lado. – Por isso, estou deixando o alerta. Baekhyun nunca deveria estar com você.
_ Oh, me desculpe se “a mocinha” de pernas longas estar apaixonada... – contudo, Taeyeon não tivera tempo de terminar, já que Chanyeol a segurava pelo pescoço e a suspendia um pouco acima da sua cabeça. – V-você também deve saber... Que se fizer alguma coisa... C-comigo... Baekhyun irá saber...
_ Talvez ele não se importe se eu quebrar a sua perna. – arqueou uma das sobrancelhas. – Ou quem sabe, um braço.
_ N-não se... Atreveria... – rosnou ela.
_ Então não tente pô-lo em perigo, criatura desprezível! – ditou em tom grave, largando-a no chão. Taeyeon se arrastou para longe de Chanyeol, que limpava as mãos no longo casaco e enfiou as mesmas nos bolsos, caminhando devagar para longe dali. – Tenha uma boa noite, Srta. Kim Taeyeon.
_ Seu... Sanguessuga imundo! – vociferou ela.
_ Vira-lata fedida! – rebateu, rindo em seguida.

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