sábado, 8 de abril de 2017

Moonlight - Capitulo Trinta e Quatro

08 dias restantes...
_ “Sete dias já se passaram e a Orquestra dos Cães ainda continua soando por todo o centro de Londres. A população anda assustada com os uivos constantes de seus animais de estimação como mostra na reportagem de William Smith”. – anunciou o âncora.
Baekhyun encarou o televisor e assistiu a toda a reportagem em silêncio, enquanto ouvia Taeyeon cantarolar no outro cômodo. Por mais que o eletrodoméstico não estivesse num volume tão alto, era possível perceber o timbre suavemente nervoso de sua noiva. Como se temesse os próximos dias ou, pior, as próximas horas. Já na cozinha, a morena alternava os olhos entre a cebola picada e o moreno de safiras brilhantes, que permanecia quieto. Desde que se encontrou com aquele maldito sanguessuga, a moça não conseguiu dormir direito, principalmente depois da ameaça feita.
Afinal... De onde ele conhecia seu noivo?
_ Ai! – exclamou, afastando a faca dos dedos e examinou o corte.
_ Está tudo bem? – questionou Baekhyun, olhando-a.
_ E-está. – riu, enquanto sacudia a mão e chupava o ferimento. – Eu acabei me cortando com a faca.
_ Quer que eu termine de cortar? – o moreno seguiu até a cozinha, tomando a lâmina de suas mãos. Taeyeon ainda encarou o noivo por alguns longos segundos ao que Baekhyun sorriu. – A cebola. Quer que eu termine?
_ Ah! Claro... – concordou, se afastando um pouco e seguiu para o fogão.
_ É melhor colocar um curativo antes que acabe sujando tudo de sangue. – brincou e a moça apenas assentiu, deixando o cômodo.
Logo que Taeyeon desapareceu do campo de visão de Baekhyun, o moreno rapidamente parou o que estava fazendo e pegou o celular da noiva, desbloqueando a senha do mesmo. Em pouco tempo, verificou na lista de chamadas, estranhando um detalhe: se conhecia a noiva o suficiente, sabia que ela tinha amigas e que as mesmas possuíam nomes. Então, por que o nome “mãe” estava repetido em diversas chamadas? Num teste breve, o professor pegou seu telefone e discou um dos números, notando que este não se encontrava em sua lista – afinal, sua noiva havia lhe obrigado a ter o número de sua sogra na sua agenda –, assim como nenhum dos outros.
_ Tem alguma coisa errada. – sussurrou ele, desligando rapidamente os dois aparelhos e devolvendo-os aos seus respectivos lugares, ao mesmo tempo que Taeyeon adentrou a cozinha.
_ Terminou? – perguntou ela.
_ Falta mais uma rodela. – sorriu-lhe voltando a cortar.
Não demorou muito para que o almoço fosse concluído e o jovem casal comesse em silêncio. Vez ou outra, se entreolhavam longamente, enquanto seus inúmeros questionamentos rondavam em suas mentes, especialmente a pergunta:
“O que você está me escondendo?”.
_ Pretende sair hoje? – perguntou Baekhyun, voltando a comer.
_ Não. – negou. – Por que?
_ Estou pensando em sair e comprar alguns livros de literatura. – explicou. – Quer vir comigo?
_ Passei tanto tempo trabalhando que me sinto cansada. – sorriu fraco, enquanto remexia a própria comida.
_ Taeyeon? – Baekhyun chamou-a, estranhando seu silêncio. – Está tudo bem?
Gradativamente, as órbitas escuras da moça se desviaram para as feições calmamente preocupadas do noivo e, num impulso, Taeyeon se levantou, acomodando-se no colo alheio e o beijou desesperadamente. As palmas deslizaram pelo peito forte do moreno, removendo a camisa, enquanto os lábios percorriam afoitos pelo pescoço e maxilar. Baekhyun apertou-lhe as coxas, puxando-a mais para perto, enquanto lhe marcava a tez branquinha do seio. Trocaram longos carinhos, carícias íntimas, ofegos, suspiros e gemidos contidos, enquanto moviam-se em sincronia sobre a mesa de jantar. Parte da louça e da comida estava espalhada pelo chão, tornando o cômodo numa verdadeira bagunça.
_ O que acha que está fazendo, Sr. Byun? – em meio a transa, Baekhyun afastou o rosto do pescoço alheio, enquanto encarava a noiva visivelmente corada e excitada. – Está mesmo fazendo amor com o inimigo?
Baekhyun não podia estar louco, quer dizer...
Ele sabia que não possuía uma segunda personalidade, então...
Quem...
_ Ora, bebê? – ditou a voz. – Já não reconhece mais meu timbre?
_ Chan... – mal o moreno pronunciou o nome alheio, Taeyeon o silenciou com um longo beijo. Mas o que raios ele estava fazendo em sua cabeça?
E a quilômetros do lar dos Byun, Chanyeol segurava fortemente o portal de entrada para seu quarto, destruindo a madeira pouco a pouco. A raiva em assistir aquela cena erótica lhe consumia como fogo num mar de gasolina. Já não era a primeira vez que ele desejava matar Taeyeon, afinal, fora ela – juntamente com Kim Minseok – que o afastou de seu pequeno bebê.
_ Eu não menti quando lhe disse que estávamos conectados, meu caro. – continuou. – E não me peça para sair da sua cabeça. Agora, escute o que lhe direi: Taeyeon está planejando algo contra você. Ela deixou de ser alguém de confiança há algum tempo, Baekhyun, e com certeza, as chances de você sobreviver nas mãos dela são mínimas.
E o que quer que eu faça?”, questionou mentalmente.
_ Primeiro, pare de transar com ela. – rosnou, sorrindo largo em seguida ao mesmo tempo que Baekhyun abandonava o corpo alheio. – Agora, vista-se e venha ao meu apartamento. Estarei lhe esperando.
Rapidamente, Baekhyun engoliu em seco, recolhendo suas roupas e vestiu-se, como fora ordenado, deixando a casa em seguida, mesmo sob os questionamentos de Taeyeon. Em passos largos, caminhou em meio as ruas movimentadas de Londres, parando diante um prédio residencial e adentrou-o. Sem mesmo saber ou sequer questionar qual apartamento ficava, o professor subiu a longa escadaria, somente parando quando seu corpo foi bruscamente puxado para trás.
_ Eu moro no sexto andar. – ressaltou Chanyeol em seu ouvido, deslizando a ponta da língua pelo lóbulo da orelha. – Guarde bem esse número.
_ Eu não devia ter vindo.
_ Mas veio. E em tempo. – sorriu-lhe, enquanto lhe guiava para dentro do apartamento.
_ Deixe-me ir. – ordenou Baekhyun, soltando-se e ao tentar passar pela porta, a mesma estava impedida pelo maior. – Chanyeol...
_ Eu irei lhe explicar por que está aqui, Baekhyun. – o olhou. – Mas antes... Você precisa de um alívio, não acha?
E, sem esperar muito, Baekhyun foi jogado contra a parede, ao mesmo tempo que Chanyeol colou-se ao seu corpo, estimulando seu pênis por baixo da boxer. Aos poucos, os olhos do professor se fecharam, enquanto suas mãos tentavam afastar o corpo esguio de forte do seu. Contudo, por mais que o moreno ditasse em alto e bom som que não queria aquilo, seu corpo respondia o contrário, proporcionando um pouco de graça ao gangrel que lhe assistia em silêncio.
_ Se lembra da noite em que nos beijamos pela primeira vez? – questionou num sussurro. – Por mais que você tenha dito que nada significou... Eu sei que significou algo para você. Afinal, não é todo dia que você tem a oportunidade de fazer amor com outro homem, não é? Por que você sabe que, uma relação fora do casamento é proibido e, por ser proibido... É mais delicioso.
_ V-você é um filho da...
_ Puta. Eu sei. – completou, assentindo. – Mas isso não importa muito, não é?
_ Chanyeol, por favor... Não faça... Isso...
E, em resposta, Baekhyun gemeu alto.
_ Assim? É assim que quer? – provocou, sorrindo largo.
_ Céus!
_ Não clame pelos céus, pelos anjos ou mesmo, por Deus. – disse ele. – Não são eles quem está proporcionando isso a você. Clame por mim. Chame meu nome.
_ Chega! – protestou, empurrando as mãos alheias de seu corpo. Subitamente, Chanyeol bateu as mãos contra a parede, bem próximo de Baekhyun que se assustou, encolhendo-se. As safiras encararam longamente os rubis extremamente brilhantes, enquanto um sorriso animalesco despontava de seus lábios. – C-chanyeol.
_ Sim?
_ Eu quero ir embora.
_ Eu não estou lhe segurando. – rebateu, enquanto desviava os olhos para o corpo e, especialmente, a ereção alheia. – Não quer que eu termine? Tem certeza?
_ P-pare de encarar. – resmungou, bloqueando a ereção com as mãos.
_ Você fica muito fofo quando está corado. – provocou, e, sem esperar, jogou-o contra a cama, deitando-se por sobre o outro. Lentamente, removeu a camisa alheia, ainda que Baekhyun relutasse contra os toques alheios. – Diga-me... Por acaso não está desconfiado de sua noiva?
_ Por que isso seria do seu interesse? – perguntou, imediatamente interrompendo as mãos alheias no cós de sua calça. Lentamente, Chanyeol se voltou para ele. – O que sabe sobre ela?
_ Tudo o que eu sei é que ela conspira contra você. – relatou. – Se estivesse comigo quando eu a encontro pelo horário noturno, você...
Pouco a pouco, Baekhyun se recordou de todas as vezes que ela precisava sair para ver a mãe e os momentos em que se encontrava com Chanyeol (quando o mesmo se chamava Richard): não havia como o castanho ser o amante de sua noiva já que seus encontros com ambos eram sequenciados, ou seja, não havia uma sincronia de saídas e chegadas. Então... Como ele podia saber que ela...
_ Taeyeon estaria me traindo? – sussurrou, ao mesmo tempo que sua boxer branca foi ao chão.
_ Não, meu querido. – negou Chanyeol. – Você é quem está traindo ela. E ela está armando algo muito pior contra você.
_ E como você sabe disso?
_ Devia confiar em mim, as vezes. – e deitou-se sobre o outro. – Para lhe ser sincero, eu não sei o que ela planeja, mas ela já foi avisada de que... Se fizesse algo contra você, ela morreria.
_ Desde quando você começou a se importar comigo?
Chanyeol não lhe respondeu. Apenas deslizou a ponta dos dedos por seu rosto antes de proferir suas últimas palavras naquela noite.

_ Tome cuidado com todos a sua volta, Baekhyun. Inclusive, com aqueles mais próximos de você.


07 dias restantes...
_ E como está o treinamento do Sr. Kim? – Jongdae se aproximava devagar de Yixing que encarava a janela molhada pela chuva longamente. O moreno notou que o amigo parecia perdido em devaneios, já que sequer voltou sua atenção para si. – Yixing?
_ O que? – piscou levemente, sem encara-lo.
_ Está tudo bem? – questionou. – Você parece perdido...
_ Só estou pensando.
_ Em que?
_ Jongdae... – Yixing se voltou para o Mordomo e respirou fundo. – Acredito que Minseok tenha lhe dito para que não fosse ao Palácio de Westminster...
_ Disse. – concordou. – Ele disse.
_ E ele lhe disse o porquê de não ir? – o olhou.
_ Não. Ele não disse.
Yixing encarou as órbitas escuras por longos minutos e suspirou arrastado, balançando a cabeça negativamente. Minseok iria mesmo esconder a verdade de seu seguidor? Em passos largos, o chinês deixou o salão de treinamento em silêncio, permanecendo apenas o moreno que encarou o chão de madeira. Para dizer a verdade, Jongdae deixou de se importar se seu Mestre lhe diria o que estava acontecendo ou não, afinal, ele era egoísta o suficiente para sequer receber ajuda.
_ Jongdae-hyung? – a atenção do Mordomo se voltou para a entrada, onde Jongin se aproximava acanhado. O loiro de tez castanha sorriu de leve, parando ao lado do mais velho e cercou os braços em torno do próprio corpo, tremendo um pouco.
_ Está tudo bem? – perguntou Jongdae.
_ Mais ou menos. – deu de ombros. – Eu... Eu só não gosto do chamado. – e apontou para as próprias orelhas, ao que Jongdae percebeu que o outro estava com fones de ouvido, enquanto a música estava muito acima do limite de decibéis. – Eles estão recrutando todos e... Eu estou tentando não responder, mas...
Jongdae notou que os pelos do corpo alheio se eriçaram violentamente, fazendo-o apertar os braços em torno de si próprio e se encolher. Já havia se passado uma semana desde que os uivos começaram e Jongin estava lutando contra o chamado da matilha. Contudo, as palavras de seu Mestre pareciam fazer sentido naquele momento: por mais que o loiro relutasse, ele sempre iria responder ao seu instinto. Calmamente, o Mordomo puxou o maior para perto, cercando os braços em torno de seu corpo esguio e afagou as madeixas douradas, numa tentativa de acalmá-lo. E não muito longe da dupla, Kyungsoo os observava em silêncio, afinal, ele ainda cumpria ordens do Líder.
Jongin percebeu que o Mordomo de Baekhyun os assistia ali, sem mover um músculo ou ditar uma única palavra e, sem esperar uma atitude, afundou o rosto contra o pescoço do mais velho, que o apertou em seus braços. Gradativamente, os olhos de Kyungsoo se desviaram para o chão, contudo, no instante em que ameaçou deixar o salão, avistou Minseok se aproximando e passando ao seu lado.
_ Sr. Kim. – anunciou Kyungsoo.
_ Jongdae. – começou Minseok, parando subitamente, ao presenciar tal cena. Devagar, o Mordomo soltou o mais novo que se escondia, pouco a pouco, atrás do mais velho. O homem de madeixas acinzentadas alternou os olhos entre a dupla e respirou fundo, gesticulando para Jongdae. – Acompanhe-me até meu escritório. Você também, Kyungsoo.
E, de imediato, Minseok seguiu pelos corredores, mancando em direção ao seu escritório, enquanto era seguido pelos outros dois. Ao adentrarem o cômodo, o dono das safiras gesticulou para que se sentassem a sua frente e respirou fundo, retirando dois envelopes de sua gaveta.
_ Eis minhas últimas instruções antes do combate. – começou. – Espero que sigam conforme o ordenado, senhores.
_ Obrigado, Sr. Kim. – agradeceu Kyungsoo, levantando-se.
_ Já podem ir. – assentiu o mais velho, fechando os olhos e respirando fundo. Contudo, no momento em que desviou os olhos para frente, percebeu que Jongdae não deixou o escritório. Muito menos, deixou de encará-lo. Minseok retribuiu o longo olhar, enquanto o silêncio mórbido preenchia por completo o espaço. Claro que o mais velho desejava vencer a pequena distância entre sua cadeira e os lábios do moreno, mas conhecia o outro o suficiente para ser rejeitado. – Deseja alguma coisa, Jongdae?
O que ele poderia dizer?
Que Minseok é egoísta? Bem... Ele já disse isso.
Que seu Mestre é um FDP? Sim. Ele também disse isso.
Então, por que ele tinha a necessidade de continuar xingando seu Senhor pela atitude imaturamente tomada?
_ Não é nada, meu Senhor. – negou, levantando-se devagar e mesurou em respeito. – Tenha uma boa noite.
_ Se tem algo a me dizer, então, diga. – alertou-o.
_ Mestre... – Jongdae se virou na direção do outro e permaneceu quieto e parado por longos minutos. Como se algo em sua garganta estivesse prestes a sair, contudo, seu dono não lhe permitisse proferir nenhuma palavra. Pacientemente, Minseok esperou uma resposta alheia, qualquer que ela fosse, mas nada foi proferido pelo mais novo.
E assim, em silêncio, Jongdae deixou o escritório, fechando a porta atrás de si, ao mesmo tempo que suas lágrimas escorriam livres por seu rosto. Ora, ele ainda o amava, mesmo após descobrir a verdade, o Mordomo continuava amando seu Mestre. Em passos arrastados, o moreno seguiu pelos corredores silenciosos, sem sequer se importar se estava sendo seguido ou não. Já um pouco mais atrás, Jongin o acompanhava sorrateiramente, seguido de Kyungsoo, fazendo com que o trio parasse no interior da biblioteca.
_ Por que não vai descansar um pouco, Jongin-ssi? – sugeriu Jongdae com a voz embargada.
_ Você... Está bem, Hyung? – perguntou o loiro.
_ Ele vai ficar. – não demorou muito para que a atenção do trio se voltasse para Yixing, que estava bem acomodado numa poltrona. – Poderia vir até aqui, Jongdae?
O Mordomo respirou fundo, limpando o rosto e gesticulou para que os outros dois deixassem-no sozinho. Visivelmente relutante, Jongin o fez, sendo acompanhado por Kyungsoo que permanecia calado o tempo todo. Jongdae se voltou para o chinês e aproximou-se, acomodando-se no chão frio. Yixing o olhou por longos minutos e sorriu fraco, afagando delicadamente suas madeixas escuras.
_ Sabe... O que você sente por Minseok é uma surpresa. – começou, vendo Jongdae se encolher. – Se apaixonar pelo próprio Mestre... Essa é a primeira vez que presencio um romance entre Mordomo e Líder da Ordem. No entanto... – e o olhou longamente. – Minseok não foi o primeiro homem que havia se apaixonado por seu seguidor. – gradativamente, o moreno lhe encarou.
“Há algumas décadas, já havia me tornado um grande confidente dos Líderes e dos Chefes dos Departamentos da Ordem. Quase como um diário ambulante, entende? Muitas histórias foram relatadas a mim e segredos que... Para ser sincero, eu nem ouso proferir em voz alta. Mas saiba, Jongdae que, o que Minseok sente por você não é novidade para mim. Outra pessoa também se apaixonara por um homem, contudo... O Sr. Kim teve mais sorte”.
“Lembro-me de assistir cada combate, cada treinamento... Cada luta entre os dois caçadores, a fim de melhorar suas táticas de defesa pessoal e ataque surpresa. No entanto, os humanos são uma raça que deixa seus sentimentos transparecerem facilmente... Em seus olhos. A forma como ele lhe encarava não carregava apenas a necessidade de proteger, mas... O amor em sua mais pura essência. Eu já o alertei de que ter um romance com alguém do mesmo sexo poderia leva-lo a uma condenação, e principalmente, ao banimento da Ordem dos Caçadores. Afinal, relações homo afetivas naquela época eram complicadas. Por isso, muitos homens e muitas mulheres mantinham seus relacionamentos ‘às escuras’ ou simplesmente, negavam em público”.
_ Por que ele nunca se declarou? – questionou.
_ Além do medo de ser expulso da Instituição e a Ordem se tornar novamente um caos... Aliás, frase bastante contraditória, não acha? – em resposta, Jongdae sorriu de leve. – Ele não correspondia as expectativas de seu amado.
_ Não... Correspondia? – franziu o cenho.
_ Assim como a relação entre o jovem Kim Jongin e o Mordomo Do Kyungsoo, ele estava apaixonado pelo outro caçador que não o via da mesma fora. – explicou. – Ele sabia que, se contasse, acabaria se machucando.
_ E o que houve com ele? 
_ Morreu. – foi simplista.
_ Eu... – e Jongdae piscou surpreso. – Não me referia a isso. Digo... A vida dele...
_ Ah, sobre a vida dele? – em resposta, o moreno concordou, sorrindo. – Bom... Ele se casou com uma mulher e com ela, teve uma menina.
_ Mesmo ainda amando...
_ O outro? Sim. – assentiu. – Ele sabia que não tinha muitas chances de estar com ele, já que seu amado havia se casado e sua esposa estava esperando um filho. Durante muito tempo, questionei-lhe por que manter esse sentimento guardado, já que... Quanto mais uma pessoa demorasse para se declarar, mais seu corpo adoecia. E sua resposta foi: “Minha intenção não é destruir a vida dele. Se estar com ela o faz se sentir bem, então eu não o impedirei”.
_ E como ficou a relação deles? – perguntou.
_ Para ser sincero, continuou a mesma até a sua morte. – continuou, encarando a janela. – Mas o interessante é que, antes de morrer, nós tivemos uma breve conversa.
“Eu tentei insistir para que ele não fosse a essa caçada. Tentei até mesmo impedir sua saída de seus aposentos. Simplesmente por que eu temia pelo que estava por vir. É como uma sensação estranha de que algo ruim vai acontecer. Isso, é claro, se chama ‘intuição’ e a minha gritava para que fosse atendida. Alertei-o de que algo ruim poderia acontecer em meio a essa caçada e, sua resposta foi: ‘Yixing, não há o que temer. Eu ficarei bem, afinal, nós iremos nos proteger’. Só que... Não adiantou muita coisa”.
_ Qual foi a causa da morte?
_ Os médicos alegam que foi infarto. – suspirou. – Mas, para ser sincero... Ele morreu de amor. E mesmo em seus últimos segundos de vida... Ele deve ter tido a enorme sorte de ter visto o rosto de seu amado.
_ Ele...
_ Morreu nos braços de seu amor.
_ Quem era, Yixing? – questionou Jongdae. – Esse homem de que está falando. Quem ele era?
_ Acredito que... – e sorriu de leve. – Minseok tenha lhe contado a história.
_ Não, ele não me...
_ Sim. Minseok já contou essa história a você. – concordou. – Contudo... A versão que ele lhe divulgou e, não apenas a você, mas a Kyungsoo também, não é estendida. Ele lhe contou apenas um dos lados da história. A outra faceta... Eu estou lhe contando.
_ E por que me dizer isso?
_ Por que o tempo é curto. – suspirou. – Por isso, eu peço que tome cuidado pois a lenda, por mais que não queiramos, sempre se repete.
_ Lenda?
_ A lenda por trás da família Choi. – e, por fim, Yixing riu. – Pelo visto, você não andou lendo o livro da família, não é?
_ Eu... – gaguejou. – Ando sem tempo. Só isso.
_ Tente se lembrar da história que Minseok lhe contou, ok? E, por favor... Leia e estude sobre a lenda. Talvez assim, sua mente fique mais clara.
Jongdae observou o loiro levantar da poltrona e deixar a enorme biblioteca em silêncio. Yixing transitou pelos corredores desertos da mansão, rumando em direção ao hall de entrada, deixando assim, a Ordem. Calmamente, caminhando pelas ruas pouco movimentadas, enquanto sua mente repetia constantemente a conversa que tivera com o Mordomo de Minseok.
_ Imagine se eu apostasse na loteria... – brincou, sorrindo.
_ O que Minseok está planejando?
A pergunta soada atrás de si provocou um violento arrepio em sua espinha, ao que Yixing engoliu em seco, se virando lentamente na direção de seu senhor. Por mais que não fosse um vampiro tão antigo, Baekhyung ainda o assustava, principalmente com sua experiencia em matar crias mal abraçadas.
_ Meu senhor...
_ O que ele está planejando, Yixing? – rosnou.
_ Minseok aceitou o convite do Príncipe da Máscara. – explicou, engolindo em seco. – Não há muito do que fazer...
_ Ele pretende se matar?
_ Infelizmente... Creio que sim.
_ Que eu me lembre... Minseok não era tão estúpido assim.
_ Ele tem seus motivos. – olhou-o.
_ E você não pode intervir? – encarou-o.
_ Por mais que eu queira, meu senhor... – suspirou, baixando a cabeça. – A decisão do Sr. Kim está nas mãos dele. Eu... Não tenho autoridade o suficiente para convencê-lo do contrário.
_ Então, ele vai mesmo se matar? – gradativamente, as órbitas avermelhadas cresceram, incrédulas com tal decisão. – Meu primogênito...
_ Eu sinto muito, senhor. – declarou, curvando-se.
Contudo, no momento em que Yixing estava prestes a se afastar, Baekhyung o interrompeu:
_ E se Baekhyun intervir?
Subitamente, o loiro se virou para o antigo Mestre, e negou veementemente com a cabeça. Colocar o irmão mais novo de Minseok na jogada seria o mesmo que apontar uma arma para a cabeça de Baekhyun com o irmão mais velho assistindo. O Líder não o perdoaria em hipótese nenhuma. E as chances de Yixing ser morto antes que o homem de madeixas acinzentadas fosse ao combate são extremas.
_ Perdoe-me senhor, mas... Perdestes o juízo? Não sabes que levar Baekhyun para convencer Minseok de que ele não deve ir a batalha é o mesmo que declarar o próprio óbito? – questionou Yixing. – Minseok está tentando manter isso fora do conhecimento do mais novo por que ele sabe o que Baekhyun vai dizer quando descobrir. E, as chances dele reagir da mesma forma que antes... São grandes.
_ Então... Está me dizendo que... – e estreitou os olhos. – Devo deixar que meu filho morra?
_ Minseok quer que o senhor não interfira. Apenas isso.
_ Eu não ficarei de braços cruzados enquanto meu filho está a caminho da morte. – rosnou furioso.
Mas antes que Baekhyung partisse, Yixing o deteve.
_ Acha que eu também não estou preocupado com ele? Achas que não me importo com Minseok? – rebateu. – Se eu pudesse escolher, eu teria escolhido não acompanhar a trajetória da família Choi. Mas que escolha eu tinha quando a cadeia de acontecimentos se iniciou? – pouco a pouco, Baekhyung o olhou. – E para dizer a verdade, Minseok está apenas seguindo seus passos, meu senhor.
_ Do que está falando?
_ Agora, está se fazendo de estúpido, desentendido ou idiota mesmo? – olhou-o, ainda tremendo com o olhar fuzilador do mais alto. – Minseok está seguindo os mesmos passos que você e seu avô seguiram. Ou se esqueceu o que aconteceu na noite em que o senhor foi brutalmente assassinado?
Em resposta, Baekhyung o encarou pela última vez e se virou, continuando seu trajeto em direção ao centro da cidade. Yixing respirou fundo, balançando a cabeça brevemente e seguiu na direção contrária.
_ Não se esqueça, meu senhor. A história sempre se repete... Uma vez, com seu avô; outra vez, com o senhor. Agora... Com o Sr. Kim. – sussurrou.
_ O que quer dizer com... – se Yixing ainda tivesse um coração pulsante, com certeza, o mesmo teria parado bruscamente. Subitamente, o loiro levantou os olhos, avistando o rosto próximo de Baekhyung contra o seu, enquanto a respiração gelada batia contra sua tez fria. – “Agora... Com o Sr. Kim”?
_ E-eu....
_ Yixing.
_ Perdoe-me pelo que direi, meu senhor. – começou. – Mas... Minseok tem conhecimento das duas histórias que forçam a lenda a se repetir. – e o olhou. – E as chances de seu Mordomo, Kim Jongdae, estar no mesmo lugar, na hora certa, que seu senhor... São valiosamente grandes.
_ Kim Jongdae? – franziu o cenho.
_ Filho mais novo de Kim Taeho e irmão de Kim Jongdeok. – explicou. – Creio que o senhor se lembra do pai dele, não?
_ O grande Kim Taeho-hyung... – sorriu de leve.
_ Seu filho mais velho é perdidamente apaixonado pelo filho mais novo do senhor Kim Taeho, senhor. – interrompeu-o.
_ Minnie-ah... Por...
_ ChenChen-ssi. – assentiu.
_ E você acredita que será ele, o homem que estará com Minseok na...
_ Sim. – concordou.
_ E por que acha que...
_ Por que seu filho me pediu para que impedisse Jongdae de estar lá.
E o silêncio se estendeu entre os dois homens que continuavam a se encarar. Por longos minutos, nenhuma palavra a mais foi proferida, enquanto os céus de Londres ficavam limpos com o dissipar das nuvens. Pouco a pouco, ambos encararam o manto negro e estrelado, enquanto os uivos preenchiam as ruas.
_ Estou começando a ficar preocupado. – suspirou Yixing.
_ Com Minseok?
_ Não apenas ele... – negou. – Recentemente, salvamos a vida de um garoto que foi atacado por...
_ Lobisomens. – o olhou. – Minseok me contou.
_ E ele está relutando muito para não atender ao chamado. – explicou. – Acredito que, nesse momento, ele esteja no subsolo da mansão, relutando contra as correntes que o prendem e ao uivo insistente.
_ Você sabe que ele não vai resistir por muito tempo e o instinto vai mesmo falar mais alto, Yixing. – lembrou-o.
_ Nós sabemos disso.
_ Então, não acha que a melhor solução seria... Eliminar o garoto?
_ Eliminar? – encarou-o incrédulo. – Kim Jongin?
_ As chances desse garoto seguir seus instintos e tentar matar alguém...
_ Eu deixarei uma coisa bastante clara, Sr. Kim Baekhyung. – começou. – Por muito tempo, Minseok me crucificou e me condenou por que não era para eu ter salvo seu próprio pai. E sabe por que ele disse isso? “Por que as chances dele seguir seus instintos e assassinar todos os membros da Ordem são grandes”. A mesma frase que o senhor está me dizendo agora. Contudo, diferente do senhor, seu filho concordou em tê-lo de volta. – e fuzilou-o com os olhos carmesins. – Agora, Kim Jongin está sob a proteção de Kim Minseok. E... Se ele concordou em proteger o garoto, não será o senhor e nem ninguém que irá interferir. Bom... Se me der licença, preciso caçar. Passei tanto tempo preocupado com isso que me esqueci de minha própria sede. E tenha uma boa noite.

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