sábado, 8 de abril de 2017

Moonlight - Capitulo Trinta e Seis

_ Príncipe.
A suave voz de Aliah preencheu o grandioso escritório do homem de madeixas castanhas, enquanto seus rubis brilhantes encaravam a janela num longo e quase interminável silêncio.  A hora havia chegado. Luhan desviou, pouco a pouco, a atenção para a líder dos Tremere que curvou-se respeitosamente em sua direção, esperando uma resposta. O vampiro assentiu de leve, levantou-se de sua poltrona, respirou fundo pegando o pequeno diário de Baekhyung e dirigindo-se a entrada de sua sala.
_ Desejamos boa sorte ao senhor. – disse ela.
_ Acredito que vocês devam desejar estarem notavelmente mortos depois desta noite. – rebateu, encarando-a.
O Príncipe sabia que seu Matador se encontrava longe de Londres naquele momento e, provavelmente, não estaria ali para tentar mudar a situação que estava prestes a acontecer. Afinal, Sehun estava em missão, atrás de Nicodemos. Relutante, desceu as escadas em direção ao hall de entrada, enquanto observava, pela última vez, cada um dos vampiros que torciam por sua vitória.
Mal sabiam eles que ninguém sobreviveria.
E com toda a certeza do mundo, Chanyeol seria o primeiro a morrer...
Logo que adentrou seu veículo, ordenou para que fossem ao local determinado. E, não muito longe dali, Minseok assistia a tortura aplicada em Mark, que somente rosnava em resposta. Ao seu lado, Yixing prendia a respiração, tentando não se concentrar no pútrido cheiro de sangue que se espalhava pelo chão e pelos da criatura. Um pouco atrás do Líder da Ordem, Dahyun alternava os olhos entre o primo e o prisioneiro, enquanto o temor se apossava de seus membros. Por mais que fosse um lobisomem ali, ela não tinha o mesmo sangue frio que o mais velho tinha.
_ Então... – Mark começou, ofegante e com um tom animalesco. – Você é o novo Líder da Ordem? Achei que fosse mais alto...
_ Apenas resposta à pergunta dele. – ordenou o vampiro, emergindo na luz. Somente Mark era iluminado pela luz parcial da saleta. – O que os Andarilhos estão fazendo aqui em Londres?
_ Ainda carrega aquela maldição? – estreitou os olhos. – Ou você só é um filhotinho de caçador que assumiu o lugar que nem...
_ Escute. – desta vez, Minseok ficou de pé, aproximando-se da criatura e o encarou. – O que os Andarilhos fazem em Londres?
E no segundo em que o ruivo encontrou as órbitas azuladas do humano, seu sorriso morreu, enquanto engolia em seco. Não era possível que aquele homem tenha as mesmas características que Baekhyung. Ou pelo menos, os notáveis e brilhantemente azulados Netunos. Devagar, Mark piscou, baixando a cabeça ao que seu queixo foi segurado e erguido pelo outro.
_ Responda.
_ Meu... Mestre... – começou, hesitante. – Ele veio a Londres a fim de encontrar o Líder da Ordem dos Caçadores.
_ Por que? – insistiu Minseok.
_ Ele quer alertá-lo de que encontrou outro exatamente como ele. – ditou. Por fim, encarou-o. – Ele encontrou alguém com as mesmas safiras que o senhor.
O que, para Minseok, aquilo não fazia um mínimo de sentido, para Yixing, parecia uma enorme luz no fim do túnel. O homem de madeixas acinzentadas desviou a atenção para o chinês que reconectava algumas informações em sua mente, até que sua atenção se desviou para o Líder que continuou suas perguntas.
_ E quanto as mortes provocadas no último mês?
_ Nosso chamado... – e sorriu breve. – Estávamos chamando a atenção da Ordem e, especialmente, do Líder.
_ Chamando... Atenção? – estreitou as sobrancelhas.
_ Sim. – concordou. – Geralmente, na segunda ou terceira morte, o senhor nos atendia, mas... Achamos estranho quando o número triplicou.
Em resposta, Minseok desferiu uma dolorosa tapa no rosto do ruivo, vendo-o respirar fundo e tombar a cabeça para trás. Contudo, antes que continuasse com seu interrogatório, Yixing o alertou do horário, fazendo o Líder da Ordem, assim, deixar a saleta em silêncio. Logo que chegaram no corredor principal rumando em direção ao seu escritório, o humano parou de andar, desviando os olhos para o chinês.
_ O que ele se referia com aquilo? Há alguém com os mesmos olhos que eu e Baekhyun? – questionou.
_ Eu não sei, Minseok. – respondeu. – Mas tentarei tirar mais informações do lobisomem.
_ E Jongin? Alguma informação?
_ Kyungsoo ainda não retornou desde esta manhã.
_ E... – desta vez, houve uma relutância nas palavras do mais velho.
_ Jongdae? – completou, vendo assentir discretamente. – Eu o enviei para longe junto com minha equipe. Ainda devem estar em Cambridge.
_ Acha que ele irá para a batalha? – e o olhou preocupado.
_ Nunca subestime uma lenda, Minseok. – Yixing sorriu fraco.
Ele esperava que Yixing estivesse errado.
Ambos adentraram o cômodo, onde o mais velho vestiu as roupas de caçador – exclusivas do Líder da Ordem – e respirou fundo, sentando-se no sofá de couro. Ele sabia o que havia pedido à Luhan, mas... No fundo, Minseok esperava que sua partida não fosse tão dolorosa quanto a de seu pai há 20 anos. Aos poucos, os Netunos brilhantes encararam as palmas suavemente trêmulas, enquanto um pequeno sorriso transpareceu em seus lábios.
_ Pode entregar isso... – devagar, retirou a aliança prateada e colocando-a num colar, entregou-o.
_ À Joonmyun? – questionou, pegando o pequeno objeto.
_ Não. – negou. – Não a Joonmyun. Quero que entregue isso à... – e suspirou. – à Baekhyun.
_ Ao... Seu irmão? – Yixing franziu o cenho sem entender. – Por que daria uma aliança de noivado...
_ Não é uma aliança de noivado, Yixing. – explicou. – Antes de ser uma aliança, ele era um colar prateado entregue por Park Chanyeol no período em que meu pai e ele tinham... Um caso.
_ E por que quer entregar isso justamente à Baekhyun?
_ Por que Chanyeol vai identificar a grafia em sua auréola. – e o olhou. – E nós dois sabemos que ele irá atrás de Baekhyun quando chegar a minha hora.
Por fim, Minseok mancou para fora do escritório, carregando a bengala consigo e ao parar na escadaria, todos os caçadores o aguardavam ansiosos, curvando-se respeitosamente para o mais velho, que calmamente desceu o lance de escadas. Logo que parou diante de Joonmyun, Jongdeok e Eunjung, despediu-se deles, depositando um longo selar na testa de seu noivo, enquanto este se controlava para não chorar.
_ Boa sorte, Mestre. – desejou Jongdeok. – E sinto muito se seu Mordomo... Ele...
_ Está tudo bem, Jongdeok. – concordou, sorrindo breve.
Ele não queria que Jongdae estivesse ali mesmo.
E, no momento em que Minseok se aproximou do hall de entrada, surpreendeu-se com Kyungsoo subindo as escadas rapidamente. Foi por muito pouco. De súbito, o Mordomo de Baekhyun parou de andar, encarando o Líder por alguns minutos até o mesmo sorrir-lhe e lhe pedir para que o levasse até o Palácio de Westminster. Sob o olhar longo do chinês, que concordou para que o moreno o fizesse, o mais novo seguiu até o carro que havia chegado e abriu a porta do banco traseiro. Ao adentrar o veículo, o homem de madeixas acinzentadas respirou fundo, observando o jovem Mordomo fazer o mesmo no banco do motorista.
Não demorou muito para que o carro deixasse os terrenos da Ordem e rumasse em direção ao famoso cartão-postal de Londres. Durante o longo trajeto, Minseok recordou-se de tudo o que aconteceu enquanto vivia na enorme mansão. Sua chegada com Baekhyun à capital inglesa, recebido com um olhar pesaroso do Sr. Bomer; seu primeiro conhecimento com os Chefes dos Departamentos; a convivência com os outros ‘recrutas’ que, atualmente, estão divididos entre Zeladores, Médicos e Caçadores... E, dentre seus inúmeros pensamentos, a lembrança de seu pai na noite em que ele o deixara e seguira o Velho Lee.
Afinal, o que estava na mente de Baekhyung naquela noite?
Ele teve medo do que iria acontecer, exatamente como estava para acontecer com Minseok?
_ Encontrou Jongin? – questionou, a fim de dissipar tais pensamentos e vendo Kyungsoo o olhar pelo retrovisor.
_ Ainda não, meu senhor. – respondeu. – Mas eu irei.
_ Kyungsoo... – começou Minseok. – Cuide bem de Baekhyun e Dahyun-ssi, sim?
_ Sim senhor. – concordou o outro.  – Nós... Chegamos, Sr. Kim.
Logo, Kyungsoo estacionou o veículo próximo a construção, ao que o dono das safiras encarou a entrada longamente.
_ Antes de ir, não se esqueça de que deve manter aquela promessa anterior. – ordenou e Kyungsoo assentiu. – Sei que Baekhyun, em suas mãos, se tornará um ótimo líder. – por fim, antes que ele adentrasse a construção, sorriu de leve. – E, por favor, quando tiver uma oportunidade perfeita, atire em Chanyeol.
_ Sim senhor. – assentiu.
Minseok caminhou calmamente para o interior da construção gótica e desaparecendo assim, do campo de visão de Kyungsoo. Atravessando o corredor até os portões de ferro, o homem de madeixas acinzentadas pode avistar o jardim principal, assim como os apoiadores do Príncipe da Máscara. Os Netunos vagaram por todos os líderes dos clãs e alguns penetras que desejavam assistir aquele combate épico e secular. Bem ao centro, Luhan se aproximou de si, com uma notável expressão de preocupação, enquanto negava com a cabeça.
_ Você não devia ter vindo. – murmurou, e sem qualquer receio, pousou ambas as palmas enluvadas no rosto do humano. – Devia ter ficado na Ordem, Minseok.
_ Eu prometi que viria. – respondeu.
_ Eles querem a sua morte... – sussurrou.
_ Eles a terão... Junto com suas consequências. – sorriu-lhe fraco.
_ Por que tanta teimosia? – franziu as sobrancelhas. – Essa não é a solução...
_ Senhores, boa noite. – logo, a atenção da dupla se voltou para Noah, líder dos Assamitas, que se aproximava devagar. – Poderiam, por favor...
_ Cale-se, Noah. – rosnou Luhan, surpreendendo a todos que estavam ali. – O Sr. Kim sabe exatamente por que está aqui.
Em resposta, o vampiro cerrou o semblante, retornando para o seu lugar, enquanto o castanho respirava fundo, olhando novamente para o humano. Minseok sorriu de leve, retirando as palmas alheias de seu rosto e o guiou até o centro do jardim, afastando-se em seguida.
_ Antes de começarmos... – Luhan logo mexeu em seu longo casaco, retirando o pequeno diário. – Quero que receba isso. Era... O diário de seu pai. – e lhe entregou, ao que Minseok encarou o pequeno objeto longamente. – Esteve com Sehun na noite em que a Ordem foi atacada. Eu... Sinto muito se li algumas anotações.
_ Obrigado. – agradeceu, pegando-o e guardando em suas roupas.
_ E Minseok... O que houve... Com o colar? – questionou, vendo-o desviar as safiras para o seu rosto. – O Colar que...
_ Ele foi entregue ao novo dono.
_ Então... Ele realmente existiu?
_ O colar? Sim. – assentiu.
_ E você nunca se desfez....
_ Podemos ir ao que nos interessa? – apressou-o. – Por favor.
Luhan engoliu em seco e respirou fundo, assentindo, enquanto retornava para o seu lugar. Minseok olhou em volta, não demorando muito em avistar Chanyeol no telhado do palácio. As safiras por longos minutos, encararam o gangrel que sorria largo pelo resultado da batalha: afinal, qualquer que fosse, ele sairia ganhando.

_ Quando se sentirem prontos, senhores. – disse Aliah. Em resposta, Minseok assentiu e, após longos segundos, Luhan também concordou. E, num impulso, ambos os adversários avançaram contra seus oponentes.


Ainda na pequena saleta, Dahyun encarou o corpo do homem por longos minutos e, devagar, se aproximou, enquanto Mark retribuía o longo olhar. O silêncio preenchia todo o ambiente, somente quebrado pelas respirações quentes e pesadas. Hesitante, a morena deslizou os dedos pelo próprio rosto em direção ao tapa-olho e removeu-o, afastando, assim, os cabelos. O ruivo assistiu todo o processo completamente calado, até mesmo quando a garota retirou a lente de contato castanha.
_ Eu serei bastante direta com você, Sr. Tuan. – começou ela, puxando uma cadeira e sentou-se diante o outro. – Há algum motivo específico para que os Andarilhos viessem à Londres?
_ Eu já respondi a ele...
_ Eu não sou como meu primo. – rebateu. – Por que os Andarilhos vieram?
_ Além de encontrar o líder da Ordem, viemos conquistar nosso antigo território. – foi simplista. – Como já fizemos avanços no Japão...
_ Então deve se lembrar do que o senhor fez a mim, não é? – e emergiu seu rosto na luz, fazendo Mark se surpreender. – Por acaso, ficou indignado por que eu carrego os mesmos olhos azulados que meu primo?
Por mais que a cicatriz interferisse na coloração do olho atingido e ferido, tornando-o branco, a coloração da íris no olho direito não mentia sobre sua verdadeira origem.
_ Sua maldita vadiazinha... Você não tem o direito de ter essas irises. – rosnou.
_ Então, eu tenho uma péssima notícia para te dar: todos da minha família tem essa coloração. Incluindo as mulheres. – sorriu maroto. – Agora, diga: Onde está Jongin?
_ Onde acha que ele está? – provocou. – Com certeza, escondido.
_ Nós iremos acha-lo, Mark. – respondeu ela. – Você, querendo ou não.
_ Não acho que seja comigo que deva se preocupar.
Logo, Dahyun deixou a saleta, amarrando o tapa-olho novamente e acrescentando a lente de contato castanha no olho esquerdo, seguindo assim pelos corredores da mansão em direção ao hall de entrada. Ela ajudaria Kyungsoo no que fosse preciso. Nem que, para isso, tivesse que aplicar torturas piores no lobisomem. Não demorou muito para que a garota encontrasse Yixing, Eunjung, Joonmyun e Jongdeok sentados na escadaria da mansão, apenas a espera de seu primo.
_ Alguma notícia de Minseok? – questionou ela.
_ Nenhuma... Até agora. – suspirou Joonmyun, gesticulando para que a mais nova se sentasse ao seu lado.
_ Os portões... – anunciou o chinês, fazendo os outros quatro se erguerem em expectativa.
Logo que o veículo preto parou diante as escadas, Jongdae desceu do carro, caminhando em direção ao grupo, fazendo-lhes voltar a sentar. E, sob o ponto de vista do loiro, o moreno estava visivelmente agitado. Aquilo significava que ele sabia da partida do Líder da Ordem.
_ Onde está Minseok? – questionou, nervoso.
_ Na batalha. – respondeu Jongdeok.
_ Você deixou que ele fosse? – franziu o cenho para Yixing que devagar, abaixou a cabeça. – Você sabe que ele vai morrer lá!
_ Minseok é forte. – rebateu Joonmyun, pondo-se de pé, enquanto o outro passava a mão pela face, bufando em seguida. – Ele vai sobreviver.
_ Não. – negou Yixing. – Jongdae está certo. Minseok irá morrer nas mãos de Luhan. – e de imediato, todos desviaram os olhos para o chinês. – E sinto informar, mas... não há nada que possamos fazer.
_ Não. – Joonmyun negou com a cabeça. – Ele não vai morrer. Você está mentindo!
E assim, o pequeno grupo iniciou a discussão. Dahyun e Eunjung questionavam constantemente como ele poderia saber daquilo sem mesmo ter nenhuma certeza. Jongdeok o olhava incrédulo e Joonmyun, que estava visivelmente alterado, negava veementemente aquelas palavras. O único que ainda se permitia completamente quieto era Jongdae, que encarava profundamente a expressão sofrida de Yixing.
E ele sabia, mais do que ninguém, quando o chinês estava mentindo.
_ É mentira... Não é? – sussurrou o Mordomo, ao que os outros se calaram. – Ele... Não vai morrer lá... Vai?
_ Ele desistiu. – explicou, e duas lágrimas escorreram dos olhos de Jongdae. – Aliás... Já que ele não está aqui, eu irei abrir o jogo. – por fim, desviou os olhos para Joonmyun. – Sr. Kim, eu quero apresenta-lo ao homem que seu noivo está perdidamente apaixonado desde sua partida para Seul. – e apontou para o Mordomo. – Eis Kim Jongdae, Mordomo, braço direito do Líder e amante de Kim Minseok.
E, logo após a declaração, Joonmyun desviou os olhos marejados para o moreno que simplesmente baixou a cabeça, permanecendo em silêncio. Yixing ainda continuou com aquela explicação, alegando que ele era a razão das noites mal dormidas de seu senhor e, principalmente, as mudanças de humor do mesmo. Mas tudo o que Jongdae queria naquele momento era que o chinês se calasse por que aquele homem não merecia saber de tudo.
_ Minseok... – gaguejou incrédulo. – Minseok me traia com o próprio Mordomo?
_ Creio que sua relação com o líder, Joonmyun, era apenas uma proteção. – explicou. – Afinal, quando se conheceram, Minseok era mais velho que você e tinha a necessidade de cuidar...
_ Cale-se! – gritou, desferindo uma tapa no loiro e, logo em seguida, avançando contra Jongdae. – Como ousa?! Você é um completo filho da puta! Você sabia que ele estava comprometido! – e, enquanto continuava a gritar, Joonmyun estapeava o Mordomo que somente fechou os olhos e ficou quieto. – Você... – logo o segurou pelas vestes. – Você não merece viver, Jongdae.
_ Eu... – e olhou para o castanho. – Eu já estou morto.
_ O... que?
_ Eu não sabia que ele era comprometido com você. – explicou num sussurro. – Eu não sabia que ele estava noivo. E... Se eu soubesse... Talvez eu tivesse desistido dele.
Desta vez, em resposta, Joonmyun socou seu rosto, fazendo o Mordomo cambalear para trás. Contudo, antes que o castanho pudesse avançar contra o outro, Yixing o deteve, ordenando para que Jongdae fosse imediatamente atrás de Minseok. Relutante com a situação que havia se agravado, o moreno retornou ao veículo, adentrando-o e partiu logo em seguida. O chinês, que assistia a tudo em silêncio, apenas sorriu de leve, voltando-se para o menor que tentava se soltar.
_ Imbecil! – gritou Joonmyun, soltando-se. – Por que deixou...
_ Por que é com Jongdae que a lenda irá se concretizar. – foi direto, retornando assim para as escadas e sentando-se. – Agora, sente-se e espere.
_ Lenda? – questionou Dahyun. Parecia que ela era a única que havia lhe escutado.
_ Se Minseok sobreviver a essa batalha, vocês dois irão se ver comigo! – ameaçou, encarando o chinês. Por fim, Joonmyun entrou na mansão, ao que Jongdeok, Dahyun e Eunjung desviaram os olhos para Yixing.
_ Ele... – começou o Chefe dos Caçadores. – Minseok vai sobreviver?
_ Definitivamente... Eu não sei. – suspirou.


“Por favor... Não faça nenhuma besteira”, mentalizou Jongdae, enquanto dirigia desesperadamente em direção ao Palácio de Westminster. Pouco a pouco, as lágrimas escorriam por suas bochechas, gotejando em suas vestes, enquanto sua respiração se entrecortava devido aos soluços que forçavam escapar de sua garganta. Aquela era a segunda vez que o Mordomo de Minseok desejava insanamente para que seu Mestre não morresse. E esperava, exatamente como na primeira vez, que o homem de madeixas acinzentadas estivesse consciente quando ele chegasse.
De súbito, o veículo estacionou próximo ao carro de Kyungsoo que se surpreendeu com a aparição de Jongdae. O Mordomo de Baekhyun tentou questionar o motivo de estar ali, porém, o mais velho simplesmente correu para o interior da construção, sendo seguido pelo mais novo pouco tempo depois. O corredor parcialmente iluminado levou a dupla em direção ao grandioso jardim e, em seguida, a uma pequena porção de telespectadores, que assistiam atentamente ao combate entre o Líder da Ordem e o Príncipe da Máscara.
E, no segundo em que o rapaz tentou chamar por seu Mestre, Luhan violentamente cravou as garras contra o peito de Minseok.
Foi como se o tempo tivesse simplesmente parado para todos. Incluindo o castanho que encarava abismado o sangue que escapava dos lábios rosados do dono das safiras. Luhan, gradativamente, baixou os rubis brilhantes para o local atingido, enquanto sua ficha caia e o desespero tomava conta de seu corpo. Ele fizera exatamente aquilo que não queria ter feito. Assim como havia cumprido involuntariamente com o pedido alheio. Imediatamente, o vampiro removeu a mão, permanecendo apenas o estreito buraco no peito alheio, e recuou alguns passos, ofegante. Minseok, que cuspia um pouco de sangue, baixou os olhos para o próprio corpo, surpreso e chocado com a própria situação. Luhan realmente havia lhe acertado. E, em resposta, o dono dos Netunos brilhantes sorriu fraco, cambaleando um pouco para trás, enquanto sua visão embaçava.
_ Bom... Trabalho... Lu-Ge. – sussurrou, tombando o corpo para trás. Contudo, Minseok não esperava que seu corpo fosse cair exatamente nos braços daquele ao qual havia lhe proibido de estar ali.
Oh, não...
Ele não podia fazer aquilo com ele.
Não com Jongdae...
_ Resista. – pediu o moreno, tentando estancar o sangue. – Por favor! Nós iremos leva-lo de volta a Ordem...
A face angelical e os Netunos brilhantemente azulados encararam longamente a semelhante chorosa e cansada do Mordomo. Mesmo com os lábios e os dedos ensanguentados, Minseok guiou a palma até o rosto alheio e lhe secou as lágrimas, manchando suas bochechas de vermelho, enquanto um sorriso pequeno se formava em seu rosto. Jongdae tentou controlar o choro no fundo da garganta e o puxou para junto de si, implorando mentalmente para que ele não partisse. Mas não havia escapatória. Ambas as írises – azulada e escura – se fixaram por longos e longos minutos, até que, pouco a pouco, o sorriso cansado do mais velho foi abandonando-o e a frieza da pele se acomodou no corpo agora, desfalecido, do Líder da Ordem.
_ M-minseok? – gaguejou, sacudindo-o de leve.
Kyungsoo, que estava ao lado de Jongdae, retirou a arma do coldre e apontou para todos os outros vampiros que tentavam se aproximar, numa vã tentativa de detê-los. Um pouco mais afastado do trio, Luhan balbuciava algumas palavras, enquanto encarava a própria mão ensanguentada. “É impossível”, era o que dizia. Gradativamente, seus rubis marejados se desviaram para o corpo no colo do Mordomo que, ainda em silêncio, afastava algumas madeixas acinzentadas de seu rosto.
_ Ele... – começou um dos vampiros, possivelmente um ventrue, que se aproximava da cena. – Meu senhor... Ele... Ele está...
Contudo, o vampiro não tivera tempo de concluir sua frase já que, num acesso de raiva súbito, Luhan avançou contra o rapaz, arrancando-lhe a cabeça. A cena chocou os outros líderes que recuaram um passo, enquanto notavam que as írises avermelhadas haviam desaparecido dos olhos do Príncipe, permanecendo apenas as órbitas escuras. Visivelmente alterado, o castanho se aproximou dos dois humanos, enquanto os sussurros de Jongdae ainda soavam pelo grandioso jardim.
_ Jongdae... – começou Luhan.
_ Que... Que horas são... Kyungsoo? – questionou o Mordomo ao outro, como se a existência do Príncipe não estivesse ali.
_ Uma da manhã. – respondeu o moreno, reprimindo o choro no fundo da garganta. – Hoje são seis de junho de 2015.
_ Certo. – assentiu, voltando a atenção para o rosto de Minseok. – Dia e hora da morte: 06 de Junho de 2015, à 01 da manhã.
_ Jongdae... – sussurrou Luhan, ajoelhando-se próximo ao corpo do Líder. – Eu... Eu sinto muito...
Devagar, as órbitas escuras e frias do Mordomo se voltaram para a face chorosa do Príncipe, que baixou a cabeça, chorando baixinho. Por mais que aquilo doessem nos dois, Jongdae não podia fugir dos procedimentos principais. Assim, ordenou para que Kyungsoo lhe entregasse o celular, ao que o mais novo concordou, obedecendo em seguida. O mais velho discou o número de emergência e esperou ser atendido, o que não demorou muito.
_ Central de Emergência de Londres. – respondeu a atendente. – Qual é a sua emergência?
_ Código 0326. – ditou Jongdae, sem desviar os olhos do rosto de Minseok.
_ Desculpe, mas... – era notável o nervosismo na outra linha, mas Jongdae não tinha paciência para esperar. – Poderia...
_ Código 0326. – repetiu, num tom mais alto e entre dentes.
_ Sim, senhor.
De imediato, a atendente transferiu a linha para o setor do código ditado pelo Mordomo. Já na Central de Investigação e Monitoramento Noturno Britânico – responsável por atender casos de ataques por criaturas noturnas como vampiros, lobisomens e afins –, o rapaz de madeixas escuras e sorriso fácil conversava baixinho com o indivíduo na outra linha.
_ Promete que vai sair mais cedo do trabalho amanhã? – insistiu o outro.
_ Jungkook, eu disse que assim que eu tiver tempo, eu... – de imediato a atenção de Jimin se desviou para uma luz vermelha no canto do telefone, que brilhava constantemente. – Meu amor, eu ligo para você depois. Há alguém na outra linha.
_ Mas... Jimin-hyung... – e, prontamente, Jimin desligou, respirando fundo e recebeu a recebeu a transferência do outro setor, atendendo a ligação.
_ Aqui é Park Jimin, da Central de Investigação e Monitoramento Noturno Britânico. – ditou o moreno de olhos pequenos. – Qual é a sua emergência?
E, naquele segundo, o jovem Park desejava insanamente não ouvir aquela voz.
_ Aqui quem fala é Kim Jongdae. Mordomo e braço direito do Líder da Ordem, Kim Minseok.
Em resposta, não apenas Jimin, mas todos os caçadores que ouviam ao chamado do telefonema, desviaram os olhos atentos ao enorme painel de monitoração, rastreando imediatamente o número do celular, assim como as câmeras de segurança do local. E para o infeliz sucesso de toda a equipe – formada por, aproximadamente, 196 pessoas –, não era possível verificar a parte interna do Palácio de Westminster.
_ Pode dizer, Sr. Kim Jongdae. – autorizou Jimin, hesitante. – Qual é a emergência?
_ Código 01.
De imediato, o sangue de todos os caçadores gelou em suas veias. Ele... Não podia estar falando sério, não é? Quer dizer... Há mais de 50 anos que o Código 01 não foi dito pelo próprio Mordomo, então, seria possível que aquilo realmente estivesse acontecendo?
_ Poderia... Por favor, repetir, Sr. Kim Jongdae? – pediu Jimin, desviando os olhos para o seu superior, Kim Namjoon, que estava tão nervoso quanto ele.
_ Código 01. Eu repito: Código 01. Isso não é um treinamento.
Era como se o pior e o maior dos medos de todos os caçadores da Ordem se reunissem naquelas palavras.
Eles não podiam ter ouvido errado.
Se Jongdae realmente estivesse dizendo aquilo, significam duas coisas:
A primeira era que, o grande Líder da Ordem, encontrava-se morto.
E se a segunda estiver certa...
_ Transmita a todas as centrais. – imediatamente, Namjoon gritou para que todos obedecessem a ordem de Jongdae. Cada um dos caçadores, responsável por se comunicar com seu respectivo país, direcionou a transmissão ordenada. E, em poucos minutos, o anúncio do Mordomo de Minseok estava sendo transmitido mundialmente. – Anotem no diário oficial: sábado, seis de junho de dois mil e quinze, à uma da manhã, pelo horário de Greenwich, foi declarado a morte do Líder da Ordem Kim Minseok, assassinado pelo Príncipe da Máscara, Lu Han. – ditou e, por um instante a linha ficou muda, somente quebrada pelo suave soluço do moreno. –  Neste momento, em todo o mundo, está aberta a Caçada Sangrenta. Inglaterra, envie a Brigada Principal ao Palácio de Westminster. Quantos aos outros países: preparem-se para caçar.
E a transmissão foi encerrada. Jimin desviou os olhos para o telefone, notando que a luz vermelha havia desaparecido, enquanto o silêncio preenchia toda a sala. Devagar, o moreno desviou os olhos para os dois homens que encaravam o painel de monitoramento – ao lado de Namjoon, Kim Seokjin, responsável pelo envio de informações de ataques para a sede da Ordem dos Caçadores – respiraram fundo. Logo, o homem de madeixas castanho-douradas e olhar avaliador berrou:
_ VOCÊS OUVIRAM! CÓDIGO UM! ENVIE A BRIGADA IMEDIATAMENTE!
O que nenhum caçador, nem mesmo o Mordomo ou o Príncipe haviam notado era que a transmissão da notícia, que se espalhou mundialmente, havia sido rastreada pelos Andarilhos, que sintonizaram os pequenos radinhos de pilha na mesma frequência que os outros. De imediato, um dos lobisomens correu em direção ao andar onde Jackson e Taeyeon estavam, parando subitamente diante a porta. O moreno de olhos grandes desviou a atenção para o seguidor que se aproximou rapidamente e cochichou em seu ouvido sobre as péssimas notícias. E, como um banho de água fria em seu corpo, o líder do clã encarou o outro completamente abismado.
_ Onde está Mark? – sussurrou, sem qualquer confiança na própria voz. – ONDE ESTÁ MARK?!
_ Ele ainda não voltou, senhor. – respondeu o rapaz.
_ O que houve? – questionou Taeyeon.
_ Sanguessugas de merda... Filhos da puta... – praguejou Jackson. – Envie uma equipe imediatamente para o local. Eu quero a cabeça daqueles desgraçados numa bandeja. AGORA!


Ao fim da ligação, Jongdae desligou o aparelho e entregou para Kyungsoo que alternou os olhos entre um Príncipe chocado e o Mordomo de Minseok. Calmamente, o seguidor do líder deslizou os dedos pela face alheia, fechando seus olhos e o pegou no colo, erguendo-se. E, em passos lentos, o rapaz arrastou seu Mestre para longe do grupo.
_ Lembre-se, Luhan. – ditou Jongdae, se dirigindo para a saída. – Fugir e se esconder não vai salvá-lo por muito tempo.
E após sua declaração, Jongdae e Kyungsoo deixaram o jardim. Aliah, que se aproximava cautelosa de Luhan, pousou a mão em seu ombro, alegando que não havia mais nada que ele pudesse fazer. Afinal, sua ordem fora cumprida e agora, todos os líderes da Máscara o respeitariam, contudo...
_ Me respeitam? – quase com uma aparência derrotada e um sorriso morto estampado em seu rosto, Luhan desviou os olhos para a mulher que notou o desespero alheio. – Estão preocupados com isso?
_ Mestre... – começou ela.
_ Vocês deviam fugir agora. – murmurou. – Vocês não fazem a mínima ideia do que a Ordem é capaz. 
E, numa fração de segundos, Luhan assistiu uma bala prateada atravessar a cabeça de Aliah na diagonal, fazendo o corpo da Tremere tombar imediatamente. Noah, que se encontrava mais afastado, rosnou, se virando na direção do tiro e imediatamente foi acertado por uma sequência de disparos nas mais diversas direções. Já Chanyeol que estava mais longe de todos, notou a chegada dos outros caçadores e prontamente, fugiu do local, sem antes receber um tiro em sua panturrilha, fazendo-o cair no telhado do outro prédio.
Finalmente, a Caçada Sangrenta contra a Instituição Vampírica Máscara estava aberta.

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