sábado, 8 de abril de 2017

Moonlight - Capitulo Trinta e Três

14 dias restantes...
_ Não vai comemorar comigo os últimos minutos do meu aniversário?
Gradativamente, as safiras azuladas desviaram-se para os semelhantes esverdeados do moreno, que parecia esperançoso. Desde que Joonmyun chegara na Ordem, não houve um diálogo descente entre os dois homens, especialmente depois que Jongdae assistiu aquilo que ele, por tanto tempo, tentou esconder. Já magoou o amor de sua vida – por mais que não acreditasse nisso e seu Mordomo fosse a prova contrária – e não queria fazer o mesmo com o “não loiro” Suho. Minseok apenas se limitou a abraçar o menor e depositar um simples selar no alto de sua cabeça, soltando-o em seguida e rumando para a cama.
_ Minnie... – Joonmyun tentou chama-lo, se aproximando do leito e deitou-se por sobre o homem de madeixas acinzentadas, afagando delicadamente seu rosto. – É sério que não ganho mais nada de presente?
_ Eu já lhe dei o colar. – o olhou.
_ Eu sei que sim. – assentiu, sorrindo tímido, enquanto suas palmas deslizava pelo dorso despido do mais velho. – Mas eu pensei em algo mais... Interessante.
_ Eu... – e rapidamente, segurou o menor pelos pulsos, respirando fundo. – Tem algo que eu devo lhe contar, mas peço, por favor, que não me interrompa.
_ Sim. – respondeu. – E o que é?
_ Ontem à noite, eu recebi uma carta do Príncipe da Máscara, convidando-me para um duelo próximo ao palácio de Westminster. – começou. – Somente armas brancas serão utilizadas e... – não demorou muito para que os Netunos encontrassem os Vênus do mais novo. – O combate é apenas encerrado quando um dos dois oponentes... Morrer.
_ O que está querendo dizer? – rapidamente, Joonmyun soltou-se do outro, sentando-se na cama. – Minseok, o que você...
_ Esse é o convite não oficial. O convite oficial é, na verdade, uma ordem dada pelo Conselho, após o julgamento do Príncipe. – e o fitou. – Eles querem a minha morte para que o Príncipe seja novamente aceito pela Máscara.
_ Eles não podem fazer isso! – protestou, enquanto algumas lágrimas ameaçavam cair. – Eu... É por isso que você está assim?
“Também estou assim por que machuquei Jongdae”, pensou ele, no entanto, se limitou a concordar com a cabeça. Rapidamente, Joonmyun o abraçou forte, afundando o rosto em seu pescoço, enquanto repetia constantemente que ele não deveria fazer aquilo. Que Minseok deveria recusar o pedido, ou quem sabe, fugir com ele para Busan, já que a nova Sede da Ordem dos Caçadores estava completamente restaurada. O homem de madeixas acinzentadas sorriu de leve, ouvindo a tudo em silêncio e afagou as madeixas escuras do mais novo, que em pouco tempo, acabou adormecendo em seus braços.
No entanto, em seu âmago, Minseok não queria deixar Jongdae. Não queria ver aquele garoto, ao qual finalmente aprendeu a amar, sozinho. E ele conhecia o moreno o suficiente para que ele não deixasse suas origens. Afinal, Jongdae e Jongdeok eram ingleses com descendência coreana. Calmamente, o mais velho descansou o noivo sobre a cama e levantou-se, deixando o cômodo silencioso. Em passos arrastados, mancou pelos corredores desertos, enquanto seus olhos vagavam tranquilamente pelas paredes e portas da mansão. Era por aquele caminho que ele e Baekhyun seguiam, quando este último brincava de correr. E pensar que também fora naquele corredor que seu atual Mordomo o desafiou.
E o que Jongdae tinha mesmo na cabeça quando disse aquilo?
_ Mestre? – lentamente, as órbitas azuladas se desviaram para trás, onde Jongdae, trajando roupas de caçador, se encontrava. O moreno, aos poucos, se aproximou do mais velho, que lhe encarava por alguns instantes, antes de continuar seu trajeto. – Precisa de alguma coisa?
_ Não, obrigado. – respondeu num sussurro. Além do mais, não tinha confiança na própria voz.
_ Certo. – assentiu e reverenciou-o. – Tenha uma boa noite.
Contudo, antes que o moreno deixasse o corredor, Minseok o deteve, segurando-o pelo pulso. As órbitas escuras do moreno desviaram do próprio braço para o mais velho que se recostava a parede, olhando-o longamente. E, por um instante, Jongdae o viu derramar algumas lágrimas silenciosas. Não tão diferente de si, seu Mestre também estava magoado; tanto que era possível ver o reflexo da dor em suas írises azuladas.
_ Você... Lembra da noite em que nos conhecemos? – sussurrou o mais velho, encarando-o. – Você estava bêbado e havia declarado para mim que seria o novo Mordomo. – em resposta, Jongdae assentiu de leve. – Eu... Nunca pensei que eu diria isso, mas... Eu estou orgulhoso de você.
Lentamente, o homem de madeixas acinzentadas continuou seu trajeto em direção a biblioteca, arrastando-o devagar consigo. Minseok continuou seu monólogo sobre o passado e todas as vezes em que ele e seu jovem Mordomo se encontraram pela mansão. Nem mesmo se esquecera de mencionar a tarde que ele passara na academia, sob o olhar desejoso do outro. Contudo, sem a percepção de ambos, suas mãos estavam entrelaçadas, onde Jongdae já se encontrava lado ao lado do mais velho.
Porém, a única coisa que o moreno desejava saber e seu Mestre sequer citou foi “por que ele estava lembrando do passado”? Não demorou muito para que parassem diante a biblioteca, ao que Minseok desviou os olhos para ambas as mãos, sorrindo de leve, e segurou a palma alheia, deslizando por seu rosto, como se o fizesse fechar os olhos. Jongdae o observou em silêncio, e engoliu em seco quando o maior abriu novamente os olhos.
_ Por que está relembrando isso? – questionou baixinho.
_ Essa é a função do homem: lembrar do passado. – sorriu fraco.
_ Não... Está me escondendo nada...
_ Eu devia ter lhe dito que estava noivo. – sussurrou.
_ Se sabia que estava noivo, por que ainda tentou, Minseok? – rosnou. Jongdae ainda se sentia furioso com o outro. – Por que não deixou claro que estava comprometido?! Por que deixou que fosse até você?
_ E o que você faria, se eu dissesse?
_ Eu...
O moreno tentou continuar, mas acabou se calando. Ele realmente não sabia o que teria feito. Principalmente por estar apaixonado pelo outro. Em resposta, Minseok sorriu de leve, se recostando ao portal e suspirou pesadamente, puxando-o para perto de si. Jongdae sentiu a respiração alheia contra a sua pele, ao mesmo tempo que um calafrio percorria sua espinha, tamanha pressão que suas írises tinham em si.
_ Eu sei que não mereço sequer pedir qualquer coisa a você, mas... – e lentamente, deslizou os dedos pela face alheia. – Por favor, Jongdae. Eu não quero que vá ao Palácio de Westminster nas próximas duas semanas. Em hipótese nenhuma. Não vá.
_ Por que? – piscou confuso e Minseok permaneceu em silêncio. O moreno odiava quando ele fazia aquilo. – Por que, Minseok?
_ Apenas não vá. – e baixou a cabeça. – Apenas me prometa isso.
_ Não vou prometer porra nenhuma enquanto não me disser...
Mas Jongdae não conseguiu concluir com os lábios alheios pressionando contra os seus. Minseok o abraçou forte, afundando as mãos em seus cabelos, enquanto friccionava seu pequeno músculo molhado no semelhante alheio. O Mordomo, pouco a pouco, se rendia aos toques do mais velho, que o prendeu entre o portal e seu corpo, ainda aprofundando o ósculo. Por mais que o corredor e o chão fossem frios, a sensação térmica do discreto casal parecia aumentar gradativamente. E, logo que o beijo foi interrompido, ambos ofegaram baixinho, encarando-se por longos e longos minutos.
Ainda sentiam falta um do outro.
Ainda se amavam... Mesmo com as novas condições.
_ Você é filho da puta egoísta, Kim Minseok. – rosnou Jongdae.
_ Eu também amo você, Kim Jongdae. – rebateu sério.
Em resposta, o moreno piscou surpreso, ao que o maior se afastou, adentrando a grandiosa biblioteca e desaparecendo na imensidão escura do cômodo. Jongdae ainda pode assistir seus passos sumindo pouco a pouco, ao que ele, sem demora, também deixou a mansão. Em passos largos, o Mordomo se dirigiu a garagem, onde pegou seu carro e deixou os terrenos da Ordem, dirigindo rápido pela via principal de Londres. O único som que preenchia o interior do veículo era o rádio que estava numa estação qualquer, onde uma das inúmeras músicas que falam de um amor acabado tocava.
Contudo, a transmissão da música foi interrompida pela fala do locutor da rádio que anunciava um estranho chamado de uivo por algumas cidades da Inglaterra. “É como se todos os cães das maiores cidades estivessem conversando ou chorando por um ente querido morto”, brincou o radialista. “Estamos recebendo várias ligações de nossos ouvintes e estão dizendo que as cidades Winchester, Cambridge, Birmingham, Leicester, Nottingham e Norwich estão ouvindo uivos constantes. E o nosso produtor também está dizendo que em Manchester, Leeds, Liverpool e Sheffield também é possível ouvir os uivos”.
Não muito longe da estação de rádio, Jackson assistia a cidade do alto de um prédio, enquanto ouvia o chamado de resposta dos outros Adoradores da Lua. Gradativamente, um sorriso largo transpareceu em seus lábios, enquanto Mark posicionava ao seu lado, como um bom cão de guarda. Os olhos do líder dos Andarilhos vagaram por todos os prédios e casas, que acendiam as luzes, incomodados com o “barulho”. Até mesmo os cães de raça e vira-latas respondiam ao chamado, também obedecendo à matilha.
_ Senhor. – Mark o olhou. – Até mesmo os cães...
_ Significa que eles são fiéis a sua matilha. – respondeu, olhando-o.
_ Por quanto tempo devemos chama-los? – questionou o outro lobisomem.
_ Quando vocês conseguirem atingir todo o clã da Europa, você podem parar. – disse, ainda assistindo a orquestra de uivos.
_ Mas... – o rapaz desviou os olhos para o ruivo que lhe encarava sério. – Vai demorar, pelo menos, duas semanas.
_ Pode demorar mais se você não ajudar seus irmãos. – Jackson ditou sem olhá-lo.
Em resposta, o homem se recolheu para seu devido lugar e tornou a uivar na direção indicada, enquanto Jackson fechava os olhos, imerso na melodia de seus seguidores. Vez ou outra, balançava os pés em resposta aos sons e agitava a cabeça com o ritmo, apesar de que, qualquer um que ouvisse, pensaria que os cães estavam assustados e uivavam para alertar o perigo. Devagar, Mark abaixou ao lado do moreno, encarando longamente a noite fria e suspirou pesadamente, provocando uma pequena fumaça.
_ Algo está te incomodando. – disse Jackson.
_ Por que o interesse pelo Líder da Ordem dos Caçadores? – o olhou.
_ Nós temos um caso mal resolvido. – resumiu, sem deixar o sorriso morrer.
_ Sei. – assentiu. – E você o amava?
_ Eu não diria “amor”, mas... Sim. Eu tenho uma tara por ele.
_ Tara? – franziu o cenho. – E o que há nele que te atrai?
_ Os olhos. – e desviou a atenção para Mark, encarando-o longamente. – Eu já os vi em outro lugar.
_ Naquela sua viagem para os Estados Unidos? – questionou.
_ Sim.
_ E o que viu?
_ Eu... – e sorriu largo. – Vi alguém tão semelhante quanto o líder da Ordem. Ou pelo menos, seus olhos nunca me enganaram.
_ Quando foi a última vez que o viu?
_ Eu acho que já te contei essa história. – o olhou.
_ Por favor. – insistiu.
_ Era setembro de 1999. – suspirou. – Uma quinta-feira, eu acho. Foi na mesma noite que o Yugyeom foi morto. Nós havíamos saído de uma boate e o pirralho sentiu o cheiro de um sanguessuga. O pior é que, ele foi tão impulsivo que sequer me ouviu quando lhe disse que “ele não deveria ir atrás daquele vampiro”. Aquele vampiro tinha um cheiro diferente. Completamente diferente de qualquer outro que eu já tinha sentido. Ele não era adocicado como são de muitos outros. E muito menos, fede a sangue. – e pensou um pouco. – Não sei como explicar isso, Mark. Mas, tudo o que sei é que foi através do cheiro dele que eu percebi que ele não era como essas pragas criadas pela Máscara.
_ É por essa razão você quer ir atrás do Líder da Ordem?
_ Eu quero ter certeza de que encontrei os meus olhos preferidos.
_ E quando foi a última vez que viu o próprio líder?
_ Em 1994. – respondeu. – Tivemos uma conversa breve e lhe disse que eu pretendia encontrar alguém com aqueles olhos em algum outro lugar. É claro que Baekhyung apenas riu de mim, alegando que ele era o único que tinha aquela coloração de írises estranhamente natural.  Por isso, enviamos nossa pequena Taeyeon para encontra-lo. Por que quero lhe dizer que, cinco anos depois, eu encontrei e ele está em algum lugar em Nova York ou Chicago.
_ E se... Ele não estiver vivo? E se Baekhyung morreu...
_ Ele não morreu. – sorriu de leve, negando com a cabeça.
_ Ouvi boatos de que a Ordem dos Caçadores em Busan havia sido destruída e seu Líder e Mordomo assassinados...
De súbito, Jackson segurou Mark pelo pescoço e o suspendeu acima da cabeça, fazendo o restante da matilha se calar. Gradativamente, as pupilas do líder dilataram, enquanto suas unhas cresciam pouco a pouco, chegando a ferir a tez branquinha de seu seguidor. Não demorou muito para que um fio de sangue escorresse pela pele do lobisomem, passando pela palma do moreno que, de imediato, o largou, vendo-o cair no chão.
_ Nunca mais repita isso. – ameaçou-o. – Baekhyung não está morto.

E, sem demorar mais, deixou o terraço do prédio sob o olhar fuzilador de Mark.


13 dias restantes...
_ “A notícia se espalhou por toda a capital. Homens e mulheres, adolescentes e adultos, crianças e velhos conversavam sobre um único assunto: a Orquestra dos Cães na noite anterior. Nem os meteorologistas e, muito menos, o Primeiro-Ministro conseguia explicar sobre essa “Orquestra” canina. Inúmeros veterinários, adestradores e especialista de cães foram visitados naquela manhã nublosa com a seguinte questionamento: o que houve com o melhor amigo do homem?” – dizia o âncora do telejornal da manhã.
_ Está de brincadeira! – disse Jongdeok chocado. – A noite toda assim?
_ Pelo visto, os cães pareciam se importar muito com a sua própria conversa. – Eunjung suspirou, enquanto mexia a xícara de café.
_ Jongdeok, Eunjung. Acelerem o processo de treinamento dos ‘recrutas’. – subitamente, ambos desviaram os olhos para Yixing que logo que aparecera na cozinha, deixou a mesma.
_ Espera! – chamou a mulher.
_ Yixing! – Jongdeok a seguiu. – Quando foi que ele chegou?
_ E eu vou saber?! – ela o olhou.
Yixing rapidamente subiu as escadas, rumando em direção ao escritório de Minseok e, sem sequer anunciar sua entrada, as portas de carvalhos se abriram de supetão, fazendo Joonmyun se assustar, enquanto o líder da Ordem sequer desviava os olhos da televisão.
_ Senhor... – começou Yixing.
_ Eu ouvi o noticiário, Yixing...
_ Eu não vim por causa disso. – interrompeu-o, vendo desviar a atenção para si. – Sr. Kim, poderia se retirar, por favor?
_ É um assunto tão...
_ Joonmyun. – ordenou Minseok e o castanho lhe fitou, levantando-se e deixando o cômodo. Logo, o homem de madeixas acinzentadas deslizou o televisor e se levantou, caminhando até o loiro. – Sobre o que quer falar comigo?
_ Você aceitou a proposta de Luhan? – questionou e Minseok o olhou. Como ele poderia saber se sequer falou com ele? E, como se Yixing tivesse lido os pensamentos do homem, continuou. – Eu recebi a visita de meu criador em Xangai. Ele me disse que a ordem do Conselho vampírico é matar você para que eles voltem a acreditar em Luhan! Pelos séculos que já vivi, Minseok, o que raios deu em você?
_ Yixing...
_ Já não é o primeiro Mestre que perco! Já não basta seu tio, seus pais, seus avós, seus bisavôs... Você também quer morrer?! Será que eu serei obrigado a assistir toda a extinção do clã Choi? – exclamou e Minseok suspirou. – Me diga que não aceitou a proposta.
_ Eu já decidi que iria aceitar, Yixing. – respondeu, após longos minutos.
E, para a surpresa de Minseok, o chinês desferiu uma tapa em seu rosto.
_ Eu sei que prometi ao seu pai que não encostaria um dedo em você... – começou ele, rosnando baixinho. – Mas você merece muito mais do que uma tapa. – por fim, engoliu em seco, respirando fundo. – Por que aceitou? Podia ter recusado e...
_ Você não entenderia. – sussurrou.
_ Para dizer a verdade, eu nunca entenderei os humanos. – rebateu. – Será em 12 dias... Não é?
_ Sim. – assentiu, ainda de olhos fechados.
O loiro fitou as feições suavemente chorosas do humano e suspirou arrastado, puxando-o para um abraço forte. Por mais que fosse filho de seu senhor – e notavelmente adulto –, aos seus olhos, Minseok parecia ainda aquele garotinho que costumava se fascinar com suas habilidades. E Yixing tinha medo de perder esse garotinho para sempre. Por que sabia que, se ele morresse, sua vida estaria em risco. Afinal... Baekhyung não perdoaria ninguém que assassinou ou orquestrou a morte de seu primogênito. E ele, querendo ou não, estaria nessa lista de “Imperdoáveis”.
_ Contou ao seu pai?
_ Ele já sabe. – respondeu, abafado. Por fim, se afastou.
_ E o que ele respondeu?
_ Deve ter ficado puto. – ironizou. – Além do mais, ele o impedi de intervir.
_ Você...
Naquele segundo, Yixing desejou que Minseok fosse um vampiro forte e antigo o suficiente para receber a surra que ele estava preste a dar. Não. O filho de Baekhyung não passava de uma criança mimada que quer resolver tudo tirando a própria vida. E não tão diferente dele, seu pai também agira da mesma forma. Devagar, suas órbitas avermelhadas se voltaram para a face suave e, em especial, a bochecha avermelhada.
_ Sinto muito pela tapa. – disse, deslizando os dedos longos pela maçã do rosto. – É que... Eu me preocupo com sua vida.
_ Você só se preocupa com a minha vida por que sabe que isso vai custar a sua. – o olhou.
_ Eu também me preocupo com você por que me apeguei a você, Minseok. – continuou. – Exatamente como seu pai. Se eu não tivesse me apegado, eu nem teria deixado Xangai.
Minseok o fitou longamente e suspirou, agradecendo baixinho. Ambos os homens permaneceram em silêncio por alguns momentos até que Yixing revirou os olhos, ouvindo as próximas palavras do líder:
_ Eu... Gostaria de pedir um favor, Yixing.
_ Céus! Por favor, na minha próxima vida eterna, lembre-me de nunca fazer promessas à família Choi, ok? – murmurou Yixing, olhando para o alto. Logo, desviou a atenção para Minseok que sorria breve. – Diga. O que quer, desta vez?
_ Prometa que vai manter Jongdae longe da minha luta.
_ Espera... – e franziu o cenho. – O que?
_ É tudo que eu peço. – disse. – Eu pedi a ele que não fosse à Palácio de Westminster nas próximas duas semanas, mas o conheço o suficiente para vê-lo lá. Então... Garanta-me que ele não vai estar lá.
_ Peço perdão pela palavra, mas... Puta que pariu, Minseok. – o olhou. – Diga pelo menos que contou a ele sobre...
_ Ele sabe sobre Joonmyun. – explicou e Yixing o avaliou em silêncio. – Ele sabe que estou noivo dele e ainda está magoado com isso. Mas o motivo de lhe pedir isso é que eu não quero que ele se machuque na tentativa de me salvar.
_ Como ele fez na sua batalha contra Changmin?
_ Isso. – assentiu.
_ Sabe que vai ser difícil, não sabe? – lembrou-o. – E você também sabe que a história sempre se repete.
Gradativamente, os Netunos brilhantes se desviaram para Yixing que suspirou pesadamente, alegando que encontraria Do Kyungsoo e revelaria a verdade por trás da lenda que ronda o Clã Choi. Contudo, antes que o loiro deixasse o escritório em silêncio, Minseok o deteve.
_ Yixing, o que quis dizer com “a história sempre se repete”?
_ Lembre-se da lenda: uma das crianças carregará os traços do pai, a outra, da mãe; uma das crianças nos deixará, a outra, prosperará conosco... Uma das crianças morrerá nos braços de seu amor, a outra, se vingará de seu assassino... – cantarolou, desaparecendo no corredor.
E enquanto Minseok se perdia em seus devaneios, Yixing seguia calmamente em direção a biblioteca. Durante o trajeto, sua mente foi preenchida pela imagem de seu Matador que, naquele momento, ainda se encontrava confuso com a decisão alheia. Contudo, ele não se enganara em sua escolha. Deixar Chenle cuidar da Máscara enquanto ele estivesse fora foi a melhor decisão, principalmente, por que o garotinho conhecia a Instituição em Xangai na palma da mão. Logo que o loiro adentrou o cômodo cercado de livros, avistou o moreno de olhos grandes acomodado em uma poltrona, lendo uma das inúmeras obras de Sigmund Freud em silêncio.
_ Tentando interpretar seus sonhos? – perguntou Yixing, fazendo Kyungsoo desviar a atenção para si.
_ Estou tentando me distrair. – murmurou, voltando sua atenção para o livro.
_ Com um livro de mais de 600 páginas? – brincou e o moreno suspirou. – Está assim por causa de Jongin?
_ Eu o encontrei hoje pela manhã. – declarou. – Ele estava acompanhado de uma amiga e fingiu não ter me visto. Por que me sinto como se a culpa por não gostar de homens fosse minha?
_ Às vezes, nós não entramos nas perspectivas que as pessoas criam sobre nós. – logo, se abaixou ao lado dele. – E não se preocupe. Jongin irá perdoá-lo um dia. Mas não vim por causa disso. Vim por que...
_ Sr. Do. – não demorou muito para que a atenção dos dois homens se voltassem para a entrada da biblioteca, onde um caçador se aproximava. – Um garoto chamado Kim Jongin está na entrada da mansão. Ele deseja conversar com o senhor.
_ Eu não achei que esse dia fosse hoje. – comentou Yixing.
_ Deixe-o entrar. – confirmou Kyungsoo, levantando da poltrona e seguindo para fora da biblioteca.
Em resposta, Yixing reprimiu um sorriso e seguiu o moreno que estava parado próximo a escada, enquanto assistia o loiro de pele castanha se aproximando. Jongin agradeceu ao caçador e se voltou para o Mordomo de Baekhyun, encarando-o longamente. Kyungsoo o questionara sobre sua visita à Ordem, quando o garoto de pele acastanhada o interrompeu com a seguinte sentença:
_ Eu vim conversar com o Líder da Ordem.
_ É muito importante? – Yixing o olhou.
_ Está relacionado com a “Orquestra dos Cães”. – concordou.
_ Venha. – gesticulou para o outro. – Eu o levarei até ele.
Jongin assentiu de leve, subindo as escadas e ao passar por Kyungsoo, baixou a cabeça, acompanhando Yixing, que lhe guiava pelos corredores. O moreno de olhos grandes não demorou muito para acompanha-los pelos corredores, e somente parou quando as portas do escritório de Minseok se fecharam lentamente, ao mesmo tempo que o mais novo lhe observava pela última vez. Já dentro do escritório, o rapaz de tez castanha se voltou para Minseok que gesticulava para que se sentasse, contudo, ele se recusou, alegando que estava bem de pé.
_ E qual é o motivo de sua visita? – questionou Minseok.
_ O senhor deve ter visto o noticiário da “Orquestra dos Cães”, não viu? – Jongin o olhou e Minseok concordou. – Bom, não eram apenas os cães que estavam fazendo aquilo. Eles estavam “chamando” todos da raça Canis lupus. Incluindo... Os lobisomens.
_ Então... Você também ouviu o chamado? – Yixing o olhou.
_ Na verdade, eu estava sendo recrutado por eles. – respondeu. – Ainda não sei o motivo para isso, mas com certeza não é algo bom.
_ O que eles diziam em seu uivo? – indagou o mais velho.
_ “Venham”. – disse. – Apenas isso. “Venham”.
_ E você atendeu ao pedido? – continuou.
_ Não. Eu... Pedi que a minha amiga trancasse todas as portas e janelas do quarto dela para que eu não saísse. – respondeu. – Eu acredito que eles não irão parar enquanto todos atenderem ao pedido.
_ Alguma informação sobre isso, Yixing? – Minseok o fitou.
_ Não, senhor. – negou. – Contudo, eu acredito nas palavras de Jongin.
_ Eu... Agradeço, Jongin, por nos dar essa informação. – o homem de madeixas acinzentadas se ergueu, se aproximando do mais novo e pousou a mão em seu ombro. – Irá nos ajudar bastante.
_ Eu... – gaguejou o outro, hesitante. – Eu também quero pedir um favor.
_ Diga.
_ Eu quero ficar na Ordem. – disse decidido.
Em resposta, Yixing, que estava mais atrás, piscou surpreso, desviando a atenção para seu Mestre, que encarava os âmbares longa e silenciosamente. Jongin não estava hesitando quando escolheu ficar ali. Aliás, foi um conselho de sua amiga, Krystal, para que ele ficasse naquela Instituição que parecia possuir mecanismos melhores de protege-lo desses lobisomens. Minseok respirou fundo e pensou um pouco antes de responder.
_ Escute o que lhe direi, Jongin. – começou. – Posso até permitir que fique na Ordem, contudo... Eu sei que seu instinto falará mais alto do que sua razão e você acabará atendendo ao chamado deles. Podemos protege-lo, mas eu temo, como Líder da Ordem e responsável por todos que vivem aqui, que você acabe entregando informações para ele.
_ Eu prometo não dizer nada. – implorou. – Por favor, me deixe ficar!
Minseok desviou os olhos para Yixing que ainda encarava o loiro de tez castanha por alguns minutos, assentindo brevemente. Por fim, o dono das safiras brilhantes concordou com uma condição: que alguém de sua confiança lhe acompanhasse para onde quer que ele fosse. Até por que, nenhum dos dois gostaria de arriscar em deixar Jongin sozinho.
_ Tudo bem. – aceitou, olhando-os. – Mas... Quem vai ficar de olho em mim?
_ Chame Kyungsoo. – ordenou Minseok, vendo o mais novo arregalar os olhos. Logo Yixing deixou o escritório, ao que o líder se voltou para Jongin. – Kyungsoo é de minha confiança e, como vocês já se conhecem, acredito que não será um...
_ Por favor, eu... Não quero que seja ele. – pediu. – Coloque o outro, tipo... O Jongdae-hyung...
_ Jongdae tem outras prioridades. – rebateu o outro.
_ E o irmão dele?
_ Jongin... – suspirou o mais velho. – Eu aceitei sua vinda para a Ordem e você deve aceitar a minha escolha. Kyungsoo será seu acompanhante e...
_ Sr. Kim, por favor. – tentou pela última vez, enquanto seus âmbares marejavam. Ele ainda não se sentia forte o suficiente para ficar (por tempo indeterminado) ao lado de Kyungsoo. – Qualquer outra...
_  Entenda. Não posso deixar um ‘recruta’ com você pois ele não sabe como lidar com sua situação ao anoitecer. – explicou. – Jongdeok, Jongdae, Eunjung e Yixing também não conhecem suas condições e podem acidentalmente te matar. E as duas únicas pessoas que podem lidar com você são Do Kyungsoo e Kim Dahyun. – por fim, suspirou. – E particularmente falando... Eu não quero arriscar a vida da minha prima.
Lentamente, Jongin baixou a cabeça e assentiu de leve, visivelmente derrotado. Não demorou muito para que Yixing retornasse, acompanhado de Kyungsoo que mesurou diante Minseok. E em pouco tempo, o líder da Ordem explicou sobre sua nova tarefa, enquanto o moreno concordava em silencio. Por fim, o Mordomo de Baekhyun se voltou para o loiro de tez castanha e gesticulou para que ambos deixassem o escritório. Calmamente, a dupla deixou o cômodo e transitaram pelos corredores até que o menor lhe segurou pelo pulso, vendo-o parar.
_ Jongin... – começou. – Você...
_ Não precisa me perguntar todo o tempo se estou bem ou não. – interrompeu-o, soltando-se. – Como disse o Sr. Kim, “você só precisa me acompanhar”.
E se afastou. Durante o trajeto, Jongin avistou Jongdae atravessar os corredores e, sem pensar muito, correu até o outro, abraçando-o forte. O Mordomo sorriu surpreso, olhando-o e o soltou, enquanto questionava por que ele estava ali. O loiro resumiu que queria ajudar a instituição que o mais velho estava, mas antes que continuassem, a atenção de ambos se voltou para o início do corredor, onde Dahyun e Joonmyun se aproximavam, conversando entre si. E quase como um interruptor, ambos os sorrisos morreram gradativamente, fazendo-os desviarem os olhos para o chão.
_ Olá, Jongdae. – cumprimentou Joonmyun, logo olhando para o loiro a sua frente. – E esse rapaz, quem é?
No entanto, antes que Jongdae pudesse responder, Jongin se apressou e ditou aquilo que surpreendera tanto Kyungsoo, quanto Minseok e Yixing, que se encontravam mais atrás.
Jongin sabia que estava dizendo aquilo para se proteger de Dahyun e Kyungsoo.
O que ele não sabia era que, dizendo aquilo, também magoaria Minseok.
_ Kim Jongin. – disse. – Eu sou o namorado do Jongdae-hyung. – e segurou sua mão. – Vamos, hyung! Vamos para um lugar mais calmo.
Jongdae apenas encarou abismado do maior, que lhe arrastou pelo corredor, enquanto Kyungsoo lhes acompanhava mais atrás, observando-os atentamente. Rapidamente, desceram as escadas, e rumaram para o jardim, somente parando quando o Mordomo o puxou, a fim de pará-lo. Contudo, ao lhe questionar o que estava acontecendo com ele, Jongin apenas o abraçou, chorando copiosamente em seu ombro. Já o moreno, que estava mais atrás, apenas baixou a cabeça, enfiando as mãos nos bolsos e se permitiu ouvir o choro alheio em completo silêncio.
_ Eu... Sinto muito, Jongin. – sussurrou Kyungsoo.

Nenhum comentário:

Postar um comentário