sábado, 8 de abril de 2017

Moonlight - Capitulo Trinta

“Por que não pergunta à Dahyun-ssi? Talvez ela te explique o que há comigo, já que ela é especialista nisso”.
Mal o dia amanheceu, Jongin proferiu essas palavras para o mais velho, deixando a enfermaria em silêncio, ainda magoado por ter ouvido a conversa do Mordomo com aquela garota na noite anterior. Afinal, tinha ciúmes da aproximação dos dois e somente um tolo ou um cego não percebia aquilo. Ele gostava de Kyungsoo desde o dia em que fora salvo pelo mesmo, então, por que o moreno de olhos grandes não notava isso? Seus pés e sentidos o guiaram pela silenciosa mansão, já que poucos ‘recrutas’ e caçadores andavam por ali, quando sua atenção se voltou para um corredor longo que o levava a uma porta branca de carvalho.
Curioso, o loiro de tez castanha verificou se ninguém estava observando-o e seguiu pelo corredor, parando diante a entrada e abriu a porta. Olhando para o interior da mesma, surpreendeu-se com os movimentos rápidos de ataque e defesa dos dois homens, a qual Jongin conseguiu claramente distinguir um deles. Jongdae parecia mais um bailarino, desviando e atacando seu oponente, chegando ao ponto de deslizar no chão e saltar. Algo bem parecido com o que o próprio garoto fazia durantes as aulas de balé. Em meio ao combate, o Mordomo de Minseok imobilizou o adversário com o bastão, forçando o mesmo a ficar de joelhos, o que o outro apenas gesticulou que desistira de lutar, sendo liberto logo em seguida.
_ Está ficando lento, Hyung. – riu Jongdae, ajudando Jongdeok a ficar de pé.
_ Ou você está muito rápido, ChenChen. – respondeu o outro, se apoiando no próprio bastão. E, numa fração de milésimos de segundos, ambos desviaram os olhos para a entrada do salão de treinamento, avistando Jongin ainda abismado com ambos. – O que está fazendo aqui?
_ E-eu... – gaguejou o loiro, engolindo em seco. – Desculpe. É que eu escutei alguns barulhos... Eu não sabia que estavam lutando...
_ É apenas um treinamento matinal, Jongin. – explicou Jongdae se aproximando. – Aposto que veio para cá por que não aguenta ficar na enfermaria, não é?
“Também”, pensou o rapaz, mas o mesmo se limitou a concordar calado.
_ Bom... – Jongdeok se alongou, olhando-os. – Meu treinamento acabou. – e logo jogou seu bastão para o loiro que o pegou. – Eu vou tomar um banho antes do café da manhã. Fique à vontade para lutar com Jongdae. – por fim, encarou o irmão mais novo. – E, por favor, bata nele por mim. Se conseguir, claro.
As últimas palavras de Jongdeok, antes de sair, provocaram uma risada nos dois rapazes que voltaram a se encarar. Jongdae gesticulou para que o outro se aproximasse e iniciou algumas instruções simples de combate, desde como se defender até como atacar o oponente, pegando-o desprevenido. Durante a curta aula, o dono dos âmbares parecia mais calmo e mais feliz, chegando a rir de algumas “atuações” do moreno. Aquele Mordomo parecia com um irmão para si, que fazia questão de levantar seu humor.
_ Você tem uma boa defesa, Jongin. – concordou Jongdae.
_ Pode me chamar de Kai. – deu de ombros, voltando a entrar em posição de combate. – Meus... Amigos costumavam me chamar assim.
_ Kai. – repetiu, pensativo. – Apelido legal.
E voltaram a lutar, provocando, gradativamente no loiro, uma adrenalina controlada. Quando os movimentos de combate aceleraram, Jongdae forçou-se a se defender como se estivesse lutando contra uma cria mal abraçada, acabando por acertar o rosto de Jongin no processo. O maior cambaleou para trás, ao que moreno largou o próprio bastão, se aproximando e segurou seu rosto, preocupado.
_ Você está bem? – perguntou, vendo-o assentir, sorrindo largo. – Caramba, Jongin! Eu sei que estava se empolgando na luta, mas você tem muita força no ataque.
_ Acha mesmo? – piscou surpreso, enquanto Jongdae limpava o canto de seus lábios carnudos. – Você... Acha que eu deveria entrar para a Ordem?
_ Bom... – pensou um pouco. – Você seria o primeiro lobisomem na história a entrar na Ordem, mas... Sim. Acho que devia tentar.
Contudo, apesar do apoio e da notícia boa de Jongdae, Jongin não parecia tão animado assim. Ele sabia que, entrando para a Ordem, o encontraria quase todos os dias e vê-lo com Dahyun lhe doía o peito. O moreno encarou o mais novo que fitava o chão em silêncio e sorriu de leve, puxando-o para um abraço lateral.
_ Escute. – começou. – Se algo está lhe incomodando, não tenha medo de me contar, ok? Se precisar de alguém para desabafar... Pode contar comigo.
_ Obrigado, Jongdae-hyung. – sorriu Jongin, abraçando-o.
_ Jongdae.
Não demorou muito para que a atenção dos dois se desviassem para a porta de entrada, onde Minseok e Kyungsoo estavam parados, sendo que o primeiro estava visivelmente sério. Já o Mordomo de Baekhyun apenas alternava os grandes olhos entre os três, em completo silêncio.
_ Bom dia, Sr. Kim. – cumprimentou o Mordomo, olhando-o. – Deseja algo?
_ Por que Jongin está aqui? – o olhou.
_ Ele queria andar um pouco, então pensei que depois daqui eu poderia mostrar a mansão... – tentou justificar.
_ Kyungsoo pode fazer isso para ele. – cortou-o, ao que Jongin desviou os olhos entre os dois homens. – Leve Jongin daqui, Kyungsoo. – ordenou.
_ Sim, senhor. – concordou o Mordomo de Baekhyun. – Vamos, Jongin.
Contra a vontade, Jongin ainda encarava Jongdae enquanto era arrastado pelo baixinho para fora da sala de treinamento. Ambos atravessaram os corredores, agora um pouco mais movimentados, mas antes que se aproximassem do corredor principal, o loiro se soltou, encarando-o. Kyungsoo o olhou longamente, contudo, antes que pudesse leva-lo novamente, o maior se afastou.
_ Jongin! – começou o moreno. – Por que está agindo assim?
_ Por que eu estou agindo assim? – estreitou os olhos. – Sei lá. Por que não vai perguntar a Dahyun-ssi? Talvez ela te diga. Não é com ela que você está esclarecendo suas dúvidas?
_ Você está agindo estranho desde que amanheceu. – declarou, puxando-o para perto. Kyungsoo não queria que outras pessoas ouvissem sua conversa. – O que está te incomodando?
_ O que está me incomodando? – o loiro riu de escárnio, balançando a cabeça. – Eu é que pergunto! Por que não me deixa ficar com você? Que droga, Kyungsoo! Eu gosto tanto de você e, sempre que eu me aproximo, você se afasta!
_ Do que é que você está falando?
_ Pelo visto, eu vou ter que desenhar. – resmungou. – E-eu realmente gosto de você, Kyungsoo.
_ Eu também gosto de você, mas não estou entendendo...
_ Que droga! – rosnou. – Eu sou gay, certo? Eu gosto de homens e, principalmente, eu gosto de você! – ao ouvir suas palavras, Kyungsoo piscou rápido, porém controlou suas reações. – Quer algo mais claro que isso? Eu gosto de você e odeio quando você está com a Dahyun. É por isso que estou de mau humor! Eu tenho ciúmes quando vocês conversam sobre mim, já que parece ser o único assunto que você não cansa de repetir.
Kyungsoo ainda permaneceu em silêncio durante as explicações de Jongin, que estava visivelmente alterado. Contudo, quando o loiro finalmente se calou, o moreno respirou fundo, soltando-o devagar.
_ Por favor, seja sincero. Você é gay ou não?
_ Escute, Jongin. – começou. – Por mais que você seja um bom garoto...
_ Responda, Kyungsoo.
_ Eu gosto de mulheres. – declarou, olhando-o. – Eu o mantive esse tempo todo ao meu lado por que o considerava como um dongsaeng, mas não sabia que isso estava confundindo seus sentimentos. Me desculpe.
_ Você está gostando dela, não é? – questionou Jongin, notando a surpresa estampada nas írises alheia. – Eu percebo como você olha para ela. Infelizmente, você não percebe quando eu faço o mesmo com você.
_ Jongin... – o moreno tentou se justificar. No entanto, o que ele teria a dizer?
_ Faz o seguinte: não me procure mais, ok? Finja que eu não existo e farei o mesmo. – e deu a conversa por encerrada. – Assim, você poderá ficar com Dahyun.
E rumou pelos corredores, se aproximando da escadaria principal quando subitamente parou ao sentir um cheiro incomum emanando dos poros de Yixing que se aproximava aos poucos, com uma xicara em mãos, enquanto subia as escadas. O chinês, ao avistar o loiro, sorriu de leve, acenando e cumprimentando-o.
_ Bom dia, Jongin! – disse. – Por acaso, viu o Sr. Kim Minseok por aí?
_ Ele... Está com Jongdae no salão com a porta branca de carvalho. – murmurou, olhando-o. Contudo, quando o outro concordou, se afastando um pouco, Jongin continuou num sussurro. – Por que ninguém percebe que ele tem um cheiro diferente?
De imediato, Yixing parou de andar e se virou devagar na direção do loiro, que estava pensativo. Um pequeno sorriso transpareceu em seus lábios, fazendo-o voltar até onde estava o mais novo e encará-lo nos olhos.
_ Então, você consegue sentir. – ditou ele. – Meus parabéns!
_ Seu cheiro é estranho. – sussurrou, baixando a cabeça. – Por que as outras pessoas não percebem?
_ Elas tem alguns sentidos aguçados, como visão e tato, mas o seu olfato é uma enorme surpresa e um grande problema para mim, Jongin-ssi. – explicou. – Por isso, eu peço que você não diga uma única palavra para ninguém sobre essa conversa, fui claro?
E foi nas últimas palavras e no pequeno sorriso simpático de Yixing, que os pelos de Jongin se eriçaram, fazendo-o seus âmbares brilharem mais do que o normal. O loiro de tez acastanha assentiu de leve, baixando a cabeça e apressou-se em descer as escadas, praticamente correndo para a entrada da mansão, antes que Kyungsoo conseguisse alcança-lo. O moreno encarou a porta aberta, suspirando pesadamente, ao que o chinês pousou a mão em seu ombro, alegando que o rapaz precisava de um tempo.
Sem sequer se importar com que velocidade o loiro de tez castanha estava atingindo, Jongin venceu a distância entre a Ordem e a casa de sua amiga, batendo freneticamente na porta e apertando a campainha. E, no segundo em que Soojung abriu a porta, o rapaz desabou em seus pés, chorando copiosamente. A garota o acolheu em seus braços, levando-o para dentro e o ouviu contar toda a história, calando-se em seguida.
_ Vamos ver se eu entendi. – começou ela. – Está me dizendo que o cara que te salvou no incêndio e cuidou de você, depois que houve aquele ataque na festa... É o mesmo que disse que não era gay?!
_ Isso. – assentiu de cabeça baixa. – Ele está gostando da prima do chefe dele.
Jongin teve que omitir alguns detalhes para não chocar Soojung.
_ Que filho da puta... – murmurou. – Bom... Você, pelo menos, fez o certo, Nini. Não se preocupe. Eu vou te ajudar a esquecê-lo, ok?
E abraçou o amigo. Ambos se deitaram na cama da garota, ainda abraçados quando tocaram novamente a campainha. Jongin riu quando ouviu Krystal dizer que “o indivíduo ficaria do lado de fora”, apertando os braços em torno do corpo esguio e moreno. Mais alguns minutos se passaram quando a mão da moça entrou no quarto, dizendo que um rapaz chamado “Kyungsoo” queria conversar com ela.
Mas como foi que ele sabia que Jongin estaria ali?
_ Krys... – Jongin tentou impedi-la, mas a outra logo levantou da cama e deixou o quarto. Rapidamente, o loiro foi a janela, avistando o mais velho trajando um casaco robusto de frio e olhando em volta. – O que ele veio fazer aqui?
Mas não demorou muito para que Soojung aparecesse – vestida em seu pijama – e começasse a gritar com Kyungsoo, que, a todo instante, tentava manter a calma. Jongin assistiu a tudo em silêncio e tomou um susto quando a amiga desferiu uma tapa no rosto do Mordomo. Ele sabia que a outra era atrevida em vários aspectos, contudo, jamais imaginou que fosse capaz de fazer o que fez. Por fim, Krystal entrou em casa, fechando a porta com força e subiu as escadas, porém, o moreno de olhos grandes não deixou a frente da casa.
_ Filho da mãe... – resmungou a garota, jogando-se na cama. – Eu devia ter dado um chute no saco dele!
_ Ele ainda não saiu de lá. – disse Jongin e a outra correu até ele, para olhar pela janela.
_ Conta até 10. – Krystal se encostou à janela e cruzou os braços. – 1... 2... 3... 4...
Logo, Jongin observou Kyungsoo suspirar pesadamente e deixar a frente da casa, entrando no carro e partindo em seguida. Krystal ainda continuou com seu discurso triunfante por ter conseguido tirar o outro da frente de sua casa, enquanto o loiro fitava a janela molhada por longos minutos, enquanto seus âmbares marejavam gradativamente.

_ Você vai superá-lo, Jonginnie. – a garota sorriu, afagando seus cabelos.


_ Permita-me perguntar algo. – começou Jongdae, desviando os olhos para Minseok que ainda encarava a enorme janela do salão de treinamento. – Por que todo esse ciúme? O senhor sabe que meu coração lhe pertence e ainda continua com o mesmo ciúme infantil?!
Gradativamente, os Netunos brilhantes se voltaram para o Mordomo que suspirou pesadamente, parado ao seu lado.
_ Jongin está numa nova vida, Minseok. – explicou-lhe. – Tudo é muito novo para ele. Ponha-se, por favor, no lugar dele! Ele precisa se adaptar...
_ Eu sei que tudo é novo para ele, Jongdae. – interrompeu-o. – Mas se não notou, ele é um lobisomem. Assim que a raça dele fizer o chamado, ele irá atende-lo pois é de sua natureza. É instinto!
_ E por ele ser diferente de nós, nós devemos destrata-lo? É isso? – estreitou os olhos. – Ele é uma criança assustada...
_ Que está pronta para matar num acesso de raiva. – completou, encarando-o. – Eu não o quero perto de você, por que eu me preocupo com você.
_ Então, o senhor também não está preocupado se o Mordomo de seu irmão morrer nas mãos de Jongin, não é?
_ Kyungsoo sabe se virar com ele. – e voltou a encarar a janela.
Jongdae suspirou pesadamente, encarando os próprios pés e tornou a encará-lo. Desde que Minseok saiu do coma, suas atitudes estavam diferentes, como se escondesse algo de si. Até mesmo quando ele decidia dormir com o próprio Mestre, o mesmo se recusava, alegando que passaria a noite verificando documentos da Ordem e os pedidos do Primeiro-Ministro.
_ Minseok-hyung. – Jongdae sussurrou e Minseok o olhou surpreso. Era a primeira vez que Jongdae o chamava daquela forma.  – Tem algo que eu preciso lhe dizer que não o fiz quando despertou do coma.
_ Diga.
Aquela era a hora de revelar a verdade, já que aquilo já o consumia por inteiro há meses. Jongdae respirou fundo algumas vezes antes de iniciar sua declaração: A visita de Sehun na Ordem e o beijo ocorrido no escritório de seu senhor, a investigação numa boate gay sobre as possíveis criaturas e, principalmente, a transa que tivera com o Matador do Príncipe, na mesma noite em que ele chamara seu nome. Foram coisas que ele se arrependia ter feito, contudo, foram necessárias para trazê-lo de volta. O Mordomo, em momento algum, desviou os olhos do rosto de seu Mestre que, gradativamente fechava o punho contra a bengala e, no segundo em que o moreno se calou, o homem de madeixas acinzentadas acertou-lhe na face com a bengala escura, fazendo-o cair no chão.
Ambos estavam magoados.
Um, por ter sido traído.
O outro, por esconder a verdade.
As lágrimas já embaçavam sua visão, gotejando no chão limpo, juntamente com algumas gotas de sangue, enquanto a surpresa estampava seus olhos. Minseok já o machucou durante os treinamentos, contudo... Aquela era a primeira vez que ele lhe batia com tanto ciúme em seu peito. O canto de seus lábios ferido estava levemente arroxeado, fazendo-o proteger o local e se levantar devagar, ainda encarando seu Mestre.
_ Saia da minha frente. – rosnou enfurecido, ao que Jongdae apenas baixou a cabeça, afastando-se em passos largos para fora do salão de treinamento.
No trajeto, o moreno avistou Yixing se aproximando, sendo impedido de prosseguir até seus aposentos. O chinês tentou conversar consigo, surpreendendo-se com o hematoma em seu rosto e respirou fundo, afagando o lado machucado.
_ O que houve? – perguntou. – Você contou a verdade a ele?
Em resposta, Jongdae assentiu. Ele não conseguia dizer aquilo em voz alta.
_ Não se preocupe com isso, Jongdae. – disse Yixing, abraçando-o e afagando seus cabelos. – Minseok também tem um segredo que nunca revelou e ele sabe que, se isso ocorrer, vai acabar te perdendo para sempre.
Por fim, o soltou, ao que o moreno ainda lhe encarou por alguns minutos, antes de desaparecer no fim do corredor. Yixing assistiu o outro partir e, numa fração de segundos, estava parado ao lado de Minseok que ainda ofegava, choroso.
_ Por que fez aquilo com ele? – questionou. – Jongdae não merecia aquilo!
_ Você ouviu o que ele fez?! – encarou-o. – Ele me traiu! Meu próprio Mordomo me traiu, Yixing!
_ Você também não é nenhum santo, Minseok! – rebateu em voz baixa. – Ou por acaso se esqueceu de também revelar ao garoto que você está noivo? – em resposta, Minseok desviou os Netunos marejados para o chinês. – Como acha que Jongdae vai reagir quando você lhe contar que está noivo desde os 16 anos com Joonmyun?!
_ N-não... Contou a ele... Não é?
_ Não. – suspirou. – Mas o deixei em alerta. Pelos céus, Minseok! Conte de uma vez! Quanto mais você esconder, mais magoado ele ficará! – logo, Yixing balançou a cabeça e engoliu em seco. – Contudo, não foi por isso que vim falar com você. Eu precisarei sair por dois dias para resolver um assunto, mas logo voltarei.
_ Com ele? – murmurou.
_ Não. – negou. – Meu Senhor está bem em seu lar. É outro assunto.
_ E não pode me dizer? – o olhou.
_ Você já tem um segredo guardado, Sr. Kim. – sorriu de leve. – Preciso ter o meu, não acha?
Em resposta, Minseok assentiu e assistiu o chinês mesurar em respeito e partir em seguida. E enquanto o Líder da Ordem repensava nas palavras do Chefe dos Zeladores, Jongdae dirigia pelas ruas movimentadas de Londres. Antes de sair, havia avisado ao irmão que só voltaria tarde da noite, caso seu Mestre perguntasse. Contudo, não ousou contar para onde iria. Afinal, nem mesmo ele sabia para onde estava indo. Apenas estava ali, no interior do carro encostado na calçada e chorando contra o volante.
Por que Minseok não podia entender que tudo o que ele fez foi para trazê-lo de volta? Para manter as coisas em ordem? Por que ele tinha de ver justamente – somente e só – o fato de Jongdae ter transado com Sehun? O moreno apertou o volante com uma das mãos, soluçando e molhando a buzina, enquanto a outra se fechava em seus cabelos, deslizando os dedos pelas madeixas negras. Por que ele estava sendo visto como o vilão da relação deles?
“Você... Nunca desconfiou de que seu Mestre estava comprometido com alguém?”
“Minseok também tem um segredo que nunca revelou e ele sabe que, se isso ocorrer, vai acabar te perdendo para sempre”.
Pouco a pouco, Jongdae se afastou do volante, fungando e respirando fundo, enquanto pensava um pouco. Talvez as palavras de Sehun fizessem sentido com as palavras de Yixing naquele momento. Afinal, o quanto ele conhece sobre seu Mestre? Rapidamente, o moreno limpou o rosto, controlando os ânimos e dirigiu pelas ruas, parando no sinal de transito. E, no segundo em que o Mordomo descansou a cabeça no encosto do banco, percebeu que seu carro se movia sozinho. De súbito, desviou os olhos para as mãos, notando que o volante havia sumido, e ao olhar para o lado, encontrou Sehun guiando o veículo velozmente em direção ao seu apartamento.
Como foi que ele migrou de um banco para o outro em milésimos de segundo?
Por fim, o veículo foi estacionado no subsolo do prédio, onde desceram do carro e seguiram pelo elevador até o apartamento do moreno. E até que ambos entrassem, nenhuma palavra foi proferida. Contudo, no segundo em que Jongdae suspirou pesadamente e a porta se fechou um suave clique, seu corpo foi puxado para os braços do Matador que encarava o hematoma visivelmente surpreso e preocupado. Os dedos longos de Sehun deslizaram pelo ferimento, enquanto seus planetas carmesins avaliavam toda a face.
_ Ele fez isso a você? – rosnou baixinho. Nem mesmo Sehun acreditava que Minseok faria aquilo ao próprio seguidor. Em resposta, Jongdae desviou os olhos, concordando. – Como ele ousa!
_ Esqueça isso. – pediu, tentando se soltar, contudo, os braços alheios pareciam dispostos a mantê-lo ali. – Aliás, o que eu estou fazendo aqui, Sehun?
_ Eu estava esperando-o sair da Ordem, já não posso mais entrar lá. – explicou. – Para dizer a verdade, não estava com tanta fé de que você iria sair dali.
_ Sorte a sua. – brincou, sem humor.
_ Venha. – e o guiou na direção do sofá. – Vamos cuidar desse hematoma.
Jongdae acomodou-se no sofá, observando o ruivo caminhar pelos cômodos do apartamento e retornar com uma caixinha de primeiros-socorros. Com cuidado, Sehun pousou a palma fria no rosto do moreno, que fechou os olhos ao toque, enquanto a ponta do polegar acariciava desde o ferimento até o fim da extensão do hematoma, repetindo diversas vezes. No entanto, a tentação de tomar aquela boa pequena parecia devorar mais e mais o seu âmago. E antes que o humano pudesse encará-lo, o vampiro lhe selou os lábios.
Em meio ao ósculo, Sehun foi gentil e cuidadoso, apenas aprofundando quando lhe era permitido. Jongdae deixou-se levar pelos toques alheios em seu rosto e pescoço, correspondendo ao beijo calmo. Não demorou muito para que os selares estalados percorressem pelo dorso do moreno, enquanto suas roupas eram rasgadas pelo ruivo. Seus dedos se prenderam as madeixas vermelhas do maior, que afundou o rosto em seu pescoço e o pegou no colo, guiando-o para a cama.
Sehun deitou-o sobre o leito, distribuindo beijos e mordiscadas pela tez alvinha, provocando suspiros prazerosos no moreno. Sua camiseta branca se tornou apenas um trapo rolando pelo chão, assim com seu casaco e sua calça, já que nada sobreviva aos dedos do vampiro. Suas botas foram jogadas para algum lugar do cômodo, e a única peça que ainda lhe cobria a intimidade era a boxer preta. Algo que Jongdae tinha certeza que não estaria mais ali nos próximos 20 milissegundos. E, não tão diferente de si, o ruivo também se desfizera de suas roupas, deitando-se completamente por sobre o humano.
_ Sehun... – sussurrou Jongdae, vendo-o parar e lhe encarar. – Diga-me a verdade: O que há em mim que tanto te atrai? – e, sorriu de leve. – E não vale dizer que é o meu sangue.
_ A verdade? – murmurou. – Você me proporciona algo que nunca recebi de meu Mestre: Amor. Mesmo sabendo que seu coração ainda pertence ao seu Mestre... Você sequer recusou meus toques ou me deixou de lado. – e retribuiu o sorriso. – Eu sei que ainda ama Minseok, Jongdae. Seu olhar não nega. – por fim, afagou seu rosto. – Sei que está magoado pelo que ele fez a você... Mas você não consegue esquecê-lo.
_ Hoje... Eu me recordei da nossa conversa na Ponte de Westminster. – continuou em tom baixo. – Você tinha razão. Eu não conheço meu Mestre.
E Sehun vislumbrou uma enorme e maravilhosa oportunidade ali.
_ E então?
_ Eu não sabia se você iria me atender, mas... – e o olhou. – Pode me ajudar a conhecer meu Mestre?
Um brilho de súplica misturado a desconfiança e preocupação estava estampada no olhar de Jongdae que encarava os semelhantes rubros do vampiro. Para chegar a esse nível, o moreno só podia estar muito cansado de ser deixado de lado na vida do Líder da Ordem. Pelo menos, era isso que Sehun imaginava. Até que, após alguns minutos, o Matador assentiu, concordando.
_ Posso... – sussurrou, tomando-lhe mais uma vez os lábios.


Logo que a tarde chegou, Sehun ainda continuou amando-o e preenchendo-o, enquanto suas costas eram marcadas pelas mãos trêmulas e cerradas de Jongdae. Os soluços do humano ecoavam pelo silencioso quarto, sendo, vez ou outra, interrompido por um beijo longo provocado pelo ruivo. Não demorou muito para que o vampiro o aninhasse em seus braços, cobrindo-o com os lençóis e esperar pacientemente para que ele se acalmasse.
Mais alguns minutos se passaram, quando o Mordomo sentou na cama, visivelmente cansado e com o rosto inchado, enquanto assistia, de soslaio, o outro depositar selares em seu ombro e nuca.
_ Obrigado por me fazer companhia, Sehun. – sussurrou, olhando-o, enquanto os braços alheios cercavam seu corpo.
_ Começarei as investigações ainda hoje. – respondeu, fechando os olhos e descansando a cabeça no ombro alheio. – É bom que esteja preparado quando souber da resposta.
_ Eu estarei. – respondeu, engolindo em seco e desviando os olhos para o chão, encontrando o que sobrou de suas roupas. – Com exceção das botas, você destruiu as minhas roupas, Sehun.
_ Desculpe. – riu baixinho, afundando o rosto contra o seu pescoço, ao que Jongdae arfou, fechando os olhos. – Mas pelo menos lhe dei um bom motivo para ficar um pouco mais.
_ Você e seu jeito estranho de seduzir.
_ Obrigado. – agradeceu.
Por fim, Sehun levantou da cama, caminhando nu até o guarda-roupa e escolheu algumas peças que poderiam servir no moreno, jogando uma camisa de botões, uma calça social preta e uma boxer branca sobre a cama, sendo recebida pelo humano. Quando lhe perguntado onde ficava o banheiro, o ruivo puxou Jongdae pela mão e os levou para o cômodo, onde tomaram um longo banho. Ao fim deste, o Matador vestiu apenas uma boxer e ajudou-o a se vestir, abotoando os botões da camisa e, prontamente, o puxou para um beijo longo, aprofundando-o em seguida.
_ Eu devo partir. – sussurrou Jongdae, descansando ambas as testas.
_ Se eu disser que não quero que vá... Você ainda iria? – o olhou.
Jongdae não lhe respondeu. Apenas depositou um selar demorado em sua bochecha e pegou seus pertences, deixando o apartamento. Sehun o entendia. Entendia que ele, de qualquer forma, voltaria para os braços de seu Mestre, contudo, não desistiria de tentar conquista-lo. Mesmo que isso resultasse em sua morte.
Já dentro do carro, Jongdae dirigiu de voltar para a mansão, estacionando o carro na garagem logo que anoiteceu. Seus olhos encararam o retrovisor interno, onde o hematoma permanecia em seu rosto e prontamente desceu do veículo, rumando para dentro da mansão. Logo que atravessou o hall de entrada, Eunjung o chamou, alegando que Minseok queria vê-lo imediatamente, contudo, a médica se surpreendeu com o hematoma no rosto do Mordomo que sequer proferiu uma palavra, subindo as escadas e seguindo para o escritório do líder.
Logo que Jongdae se aproximou da porta, ele a abriu sem bater ou anunciar sua chegada, encontrando Minseok sentado atrás de sua mesa com uma garrafa de uísque e um copo com gelo sobre a mesma. O homem de madeixas acinzentadas desviou os olhos para o Mordomo, enquanto uma expressão preocupada se apossava de seu rosto. Hesitante, o líder se levantou de seu lugar e mancou até o outro, contudo, antes que pudesse tocá-lo no rosto, o moreno recuou um passo, engolindo em seco.
_ E-eu... Sinto muito pelo que fiz. – começou. – Não devia ter reagido dessa forma. – e o olhou. – Yixing... Me contou que você apenas fez isso para me trazer de volta...
_ O senhor deseja algo, Sr. Kim? – foi direto.
_ Jongdae, por favor... – implorou, tentando uma nova aproximação. – Não faça isso comigo. E-eu... Eu sei que errei, eu... Eu deveria ter me controlado e... – não demorou muito para que algumas lágrimas escorressem por seu rosto, enquanto um sorriso derrotado se formou em seus lábios. – Céus, a quem estou querendo enganar? Você só fez o que era certo... Eu é que estou errado.
_ O senhor deseja algo... Sr. Kim? – repetiu, surpreendendo Minseok.
Era como se Jongdae não estivesse lhe ouvindo.
_ Dae... – sussurrou, se aproximando e pousou ambas as mãos em seu rosto.
Contudo, antes que Minseok pudesse selar seus lábios, Jongdae virou o rosto, desviando os olhos. Seria melhor ter levado um soco do moreno do que vê-lo recusar seu beijo. Rapidamente, o Mordomo soltou as mãos alheias de seu rosto e, mais uma vez, recuou um passo, engolindo em seco. Porém, antes que o mais novo pudesse questionar – pela terceira vez – o seu Mestre queria, o dono dos brilhantes Netunos venceu a pequena distância dos corpos, prendendo-o contra a porta e colou ambas as bocas. Houve uma grande relutância do rapaz que tentava afastá-lo, chegando a quase socar na boca do estomago, no entanto, Jongdae o correspondeu, prendendo-o em seus braços e os guiou até o sofá, derrubando-o ali.
Em poucos minutos, despiu o mais velho da cintura para cima, arrancando-lhe gemidos baixo, toda vez que maltratava seu pescoço e peito com mordidas e beijos. Corresponderam a mais de um ósculo, contudo, Minseok não conseguia desfazer as roupas de seu Mordomo, já que ele o impedia o tempo todo. Jongdae agarrou as madeixas acinzentadas, aprofundando o beijo afoito e, de súbito, interrompeu-o, afastando-o. Rapidamente, o moreno se afastou de seu Mestre, respirando afobado, enquanto observava o mais velho também tranquilizar a respiração, mesmo que entre suas pernas tivesse uma notável ereção.
_ Jongdae... – Minseok o olhou, sem entender tal reação. – O que foi? Por que...
Minseok o assistiu se aproximar do sofá, ajudando-o a sentar e sentou em seu colo. As palmas alheias percorreram por seu peito e abdômen, provocando arrepios em seu corpo. O mais velho fechou os olhos, apenas se permitindo ouvir a respiração alheia contra seu ouvido, enquanto suas mãos pousavam na cintura alheia. Jongdae, que também se encontrava de olhos fechados, roçou o rosto contra a semelhante alheia, enquanto controlava algumas lágrimas que ameaçavam cair.
Era uma decisão difícil de ser tomada, mas não havia muitas escolhas.
Era amá-lo e passar o resto da vida desconfiado.
Ou saber da verdade e deixa-lo ir.
E Jongdae preferia optar pela segunda opção.
_ Jongdae, me perdoe... – sussurrou Minseok contra seu pescoço.
_ Eu realmente sinto muito, Mestre, mas não posso fazê-lo. – respondeu. – Ainda não estou pronto para perdoá-lo. – e se afastou para encará-lo. – E sinto informar também que... A partir de hoje... Eu o servirei como meu Mestre. Contudo, acabou a relação que havia entre nós dois.
Calmamente, Jongdae deixou o colo alheio, sendo segurado pelo pulso pelo mais velho e, num rápido movimento, o moreno se soltou, encarando-o e se afastando em seguida. Minseok ainda tentou segui-lo, porém, logo que o mais novo passou pela porta, puxou a maçaneta, impedindo-o de sair. O Mordomo ainda pode ouvir o clamor de seu Mestre do outro lado da porta, enquanto se afastava devagar do escritório.
Agora, era só esperar a resposta de Sehun sobre a investigação.

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