sábado, 8 de abril de 2017

Moonlight - Capitulo Vinte e Oito

_ O que houve? – questionou Minseok, entrando na enfermaria, acompanhado de Jongdae.
Jongin, que ajudava Eunjung a colocar Kyungsoo na cama, desviou os olhos para a dupla e meteu-se na frente deles, impedindo-os de se aproximar do outro rapaz. Jongdae notou o semblante cerrado alheio, completamente focado nas feições de seu Mestre que respirou fundo, retribuindo o olhar. O mais velho, no fundo, compreendia a reação do garoto de madeixas douradas, contudo, ele estava atrapalhando a conversa.
_ Está tudo bem, Jongin. – suspirou Kyungsoo, gemendo de dor logo que Eunjung tocou em seu ferimento. – Srta. Kim... – rosnou ele, olhando-a.
_ Perdão. – respondeu.
_ Eu posso dar uma olha-... – começou Jongdae, e mais uma vez, foi impedido por Jongin.
_ Ninguém, a não ser ela, pode tocar no Kyungsoo. – ditou ele.
_ Jongin! – chamou o moreno de olhos grandes, fazendo-o desviar os olhos para si. De leve (e para a surpresa de todos), um sorriso transpareceu em seus lábios pálidos. – Obrigado. Você já fez muito por mim, mas agora, eu preciso falar com o Sr. Kim Minseok. Então... Você e Jongdae poderiam...
_ Eu não vou sair daqui. – rebateu e Minseok controlou uma risada no fundo da garganta. Ele conhecia bem aquele sentimento.
_ Está tudo bem, Kyungsoo. – disse o mais velho, pousando levemente a mão no ombro de Jongin, que se afastou. – Jongin pode ficar aqui. Mas... O que houve para que voltasse ferido?
_ A residência estudantil ao qual Jongin está morando foi atacada ontem à noite por...
_ Lobisomens. – completou o outro. – Eles... Me usaram como isca para atrair algum caçador e... – lentamente, seus olhos se voltaram para o outro.
_ Podia ter sido qualquer um. – Kyungsoo sussurrou apenas para ele ouvisse.  Por fim, voltou ao tom normal. – O suposto líder do bando mandou avisá-lo que “as peças começaram a se mover”. Eu não entendi o que ele quis dizer com isso, mas acho que esteja relacionado...
_ A uma nova guerra. – murmurou Minseok, assentindo. – E seus ferimentos? Foram causados por eles?
_ Não exatamente. – Kyungsoo fechou os olhos, travando o maxilar. Ele ainda sentia dor mesmo com Eunjung suturando sua ferida. – Jongin acabou se confundindo com o líder e... Me atacou. – logo, o olhou. – Mas a culpa não é dele.
_ Muito bem. – assentiu, desviando os olhos para o rapaz de tez castanha. – E você? Está ferido?
_ Não. – negou, virando o rosto.
_ Certo. – assentiu. – Por sorte, vocês estão vivos. Jongdae. – e se virou para o seu Mordomo. – Poderia levar Jongin para tomar o café da manhã? Aposto que ele deve estar faminto. E Kyungsoo. – por fim, voltou-se para o moreno de olhos grandes. – Descanse bem nestes dois dias.
Kyungsoo observou o Líder da Ordem deixar a enfermaria, porém, quando Jongdae tentou fazer o mesmo, a fim de levar Jongin consigo, o dono dos ambares se recusou, alegando que não tiraria os pés dali. O Mordomo de Minseok suspirou arrastado, lhe explicando que ele logo voltaria para junto do rapaz de olhos grandes, mas nem mesmo assim, ele aceitou. O Mordomo de Baekhyun quase riu daquela cena, no entanto, seu corpo reagia o oposto, provocando-lhe dor.
_ Eu já disse que... – Jongin tentou rebater, mas foi interrompido pelo outro.
_ Vá, Jongin. – pediu Kyungsoo. – Eu... Preciso descansar um pouco. E eu sei que você não comeu nada.
Jongdae reparou na relutância do mais alto que concordou em acompanha-lo. E logo que a dupla desapareceu na entrada da enfermaria, Eunjung respirou fundo, reprimindo um sorriso, algo que foi perceptível aos olhos de Kyungsoo, já que o mesmo apenas bufou, fechando os olhos.
_ Diga, srta. Kim. – pediu ele.
_ Se lembra de quando Jongin chegou até nós? – começou ela. – Achei que você fosse se apaixonar por ele, mas... Não é que eu me enganei direitinho?
_ O que está insinuando?
_ Não percebe, Kyungsoo? – desta vez, ambos se olharam. – Jongin está apaixonado por você. O jeito como ele o olha, ou se preocupa com você... Acredito que seus sentimentos sejam tão intensos que é impossível disfarça-los.
_ Não diga besteiras. – riu ele, fazendo uma leve careta de dor. – Jongin é apenas uma criança.
_ Depois não diga que não lhe avisei.
Após todo o procedimento médico, Eunjung deixou a enfermaria com um Kyungsoo recém-tratado e cheio de incertezas. E até o fim do dia, Jongin fez companhia ao moreno, que se limitava a conversar, trocar suturas e principalmente, dormir, sem se preocupar com o que estava por vir. Diferente de seu Mestre, a aproximadamente dez quadras dali. Baekhyun relembrava da dor em seu peito assim como as perguntas de seu hyung quanto à sua saúde. No fundo, sabia que se Minseok descobrisse o que estava sentindo, ficaria cada vez mais preocupado.
Não demorou muito para que seus pensamentos fossem interrompidos pela mensagem em seu celular. Ao verificar rapidamente, constatou que sua noiva iria dormir na casa de sua mãe, já que a mesma se sentia doente. Baekhyun respondeu “Tudo bem. Desejo melhoras a ela”, enviando em seguida e ao guardar o aparelho em seu bolso, sentiu seus pelos se eriçarem de forma violenta, fazendo seu corpo paralisar temporariamente. Aquilo só poderia ser uma brincadeira de mau gosto. Discretamente nervoso, o dono das safiras piscou algumas vezes e respirou fundo, ajeitando-se em seu assento, enquanto seus dedos fechavam-se na garrafa de cerveja e, gradativamente, os Netunos brilhantes avistaram um homem sentado à sua frente, que tamborilava os dedos longos sobre a mesa.
O jovem professor estaria mentindo se desejasse que o homem sentado ali, não fosse Chanyeol.
_ Sentiu minha falta? – ditou a voz grave, ao que Baekhyun encarou o mais alto. E, diferente da última vez que o viu, seus cabelos estavam arrumados num topete discreto, contudo, sem os óculos retangulares. – Parece... Chocado.
_ Estou surpreso. – comentou, tomando um gole da bebida. Por fim, retirou algumas notas e levantou-se, andando em direção ao balcão. – Boa noite.
Baekhyun pagou pela cerveja e deixou o estabelecimento em seguida, caminhando calmamente – por mais que seu coração estivesse batendo no ritmo de um trem-bala – pelas ruas pouco movimentadas de Londres. Ele sabia que, em duas ou três horas, soariam o toque de recolher, por isso, achou melhor se apressar. Até por que...
_ Acredita mesmo nesse toque de recolher, Baekhyun? – o moreno parou subitamente e ao se virar, avistou o outro se aproximando. Chanyeol olhou em volta, como se achasse graça naquilo. – Eu acho isso uma baboseira. O governo só quer assustar vocês.
_ Para um homem que não tem medo da morte, você está bem confiante. – disse.
_ É. – assentiu, rindo soprado. – Mas, o que está me deixando um pouco... Curioso... Em nossa conversa, é o fato de você não pronunciar o meu nome desde que cheguei. Por acaso, se esqueceu?
_ Não... Sr. Park. – sorriu de leve, tornando a caminhar.
_ Você quis dizer: Chanyeol. – ditou num sussurro, ao que o professor parou de andar. – Parece que o pequeno bebê ficou com medo em ouvir esse nome... Não é? – continuou, enquanto se aproximava do menor. – Algum tempo atrás... Eu perguntei ao seu irmão se você ainda carregava a minha marca. – sem Baekhyun perceber, o poste de iluminação acima deles se apagou, ao mesmo tempo que o vampiro aproximou os lábios de seu ouvido. – Ainda tem pesadelos daquela noite, bebê?
_ O que quer comigo, Chanyeol?
_ Ah, Baekhyun... – Chanyeol riu soprado, pousando delicadamente as mãos em sua cintura. – Se você soubesse do que eu queria fazer a você... Tanto você quanto seu irmãozinho ficariam horrorizados. – e, mordiscou a orelha alheia. – Começando com uma noite louca de puro sexo. Já o resto... Veríamos como você reagia.
E sem esperar mais um segundo, o gangrel pegou o moreno no colo e saltou para os prédios, correndo velozmente na direção de seu apartamento. A todo instante, Baekhyun tentava se soltar do maior, quase despencando entre a fenda de dois prédios, sendo segurado pelo pé por Chanyeol que gargalhou, jogando-o para o alto. Nas mãos do vampiro, o rapaz mais parecia uma boneca de pano, que era jogada para longe e segurada logo em seguida. Por fim, o professor voou para o interior do apartamento, quebrando o vidro das janelas e caiu sobre o colchão, gemendo de dor.
Logo, Chanyeol adentrou o cômodo, caminhando na direção da cama, com um sorriso largo no rosto. Havia alguns cortes no rosto de Baekhyun devido os cacos de vidro, e parte do seu corpo estava dolorido. O castanho se aproximou do corpo imóvel e num único movimento, lhe desferiu uma tapa no rosto, fazendo o moreno apagar.
_ Que iniciemos o plano. – sorriu, deslizando os dedos pelos cabelos alheios.
Enquanto isso, a caminho da Máscara, Sehun disparava pelas ruas londrinas em sua moto, adentrando os terrenos da enorme mansão vampiresca. Contudo, havia uma razão para o próprio Matador entrar em desespero, afinal, naquela manhã, uma carta estava endereçada ao ruivo de feições sérias. Às pressas, o ventrue rumou em direção as escadas e rompeu as portas de carvalho num chute, fazendo o Príncipe arquear uma das sobrancelhas.
_ Me dê um bom motivo para eu não arrancar a sua cabeça, Sehun. – ditou Luhan, descansando o livro sobre sua mesa e levantando-se.
_ Senhor. – começou Sehun, estendendo-lhe a carta recebida, fazendo o outro franzir o cenho, levemente confuso e pegar o envelope, abrindo-a. – Chanyeol está aprontando algo.
_ Céus, Sehun. – bufou o mais velho. – Conte-me alguma novidade...
Contudo, no instante em que Luhan iniciou a leitura, simultaneamente Sehun continuou:

_ Ele planeja fazer algo contra o irmão mais novo do Sr. Kim Minseok.
“À Vossa Alteza,
Eu lhe disse anteriormente, meu Senhor, que ninguém poderá me afastar do bebê. Nem Minseok e muito menos, o senhor”.
_ Onde ele está agora? – questionou, sem olhá-lo.
_ Os gangrels disseram que ele está em seu apartamento. – respondeu.
Luhan se voltou para seu Matador e, quase com um único pensamento, ambos correram para a varanda, saltando e seguindo na direção do outro vampiro. A corrida contra o tempo parecia não se findar, já que, quanto mais corriam, menos tempo tinham para salvar o irmão mais novo do grandioso caçador. Sehun pensou em inúmeras hipóteses sobre o que Chanyeol poderia estar fazendo com Baekhyun, assim como mentalizou as mínimas chances de sobrevivência do humano. E não tão diferente do Matador, o Príncipe imaginou se, por algum acaso, eles se atrasassem um milésimo de segundo...
Se Baekhyun morrer nas mãos de Chanyeol...
O próprio Minseok iniciaria a guerra contra a Máscara.
Em outras palavras, a morte de Baekhyun poderia resultar no maior desastre sangrento de Londres e na melhor desculpa para os outros líderes dos clãs.
Ele não podia permitir isso.
Não demorou muito para que Luhan e Sehun avistassem o vampiro segurar o corpo do rapaz bem próximo ao seu, fechando as mãos em seus cabelos negros e exibir as presas pontiagudas. Se ambos – Príncipe e Matador – tivessem coração – pelo menos, um que funcionasse –, este teria parado subitamente com aquela visão. E, num impulso, o castanho invadiu o apartamento do gangrel, enquanto suas feições mudavam gradativamente. As veias de seu rosto saltavam, assim como seus rubis brilharam intensamente, num intuito de assustar o outro. O que, por um segundo, funcionou, já que Chanyeol alternou os olhos famintos entre a criatura antiga e seu seguidor.
_ O que foi dessa vez? – começou Chanyeol, olhando-os. – Por acaso, não posso comer em paz, agora?
_ Você sabe de quem está se alimentando, Chanyeol? – Sehun o olhou.
_ Quem? – o maior franziu o cenho e afastou o rosto para examinar melhor sua vítima, voltando assim, a olhar para os outros dois. – Sei. O que é que tem?
Em resposta, Luhan arqueou uma das sobrancelhas e puxou o humano pela jaqueta, examinando o rosto do rapaz. Naquele segundo, o castanho sentiu o tempo parar ao reconhecer aquelas feições suaves e estranhamente adormecida. Chanyeol, que observava o Príncipe em silêncio, riu de escárnio, balançando a cabeça e deixou a cama, cruzando os braços. Será que o destino estava disposto a bagunçar sua eternidade?
Como podia aquela criança ser idêntica ao homem que ele viu morrer?!
Aliás, ele se lembrava bem daquela noite em 1995, simplesmente por estar lá. Claro, não apoiando as decisões incoerentes de Changmin, mas estava.
Ele viu a mansão grandiosa pegando fogo, assim como também viu o antigo líder da Ordem dos Caçadores ser jogado para o jardim, completamente ensanguentado. O rastejar cansado e enfraquecido de Baekhyung, enquanto Changmin debochava de sua fraqueza, mostrando-se superior.
Luhan somente foi às escondidas naquela noite para observar a forma de matar do líder dos Gangrels, algo que é bem semelhante ao jeito do seu filho.
E, pela primeira vez, em muito tempo, Luhan teve pena de Baekhyung. Principalmente com o ultimato de Changmin contra ele. Aquele ultimato que o próprio Príncipe agradeceu por nem Sehun e muito menos Chanyeol ter presenciado.
Baekhyung foi empalado contra o carvalho por uma grossa estaca no peito.
“Não era assim que você nos matava, Kim?”, provocara Changmin, observando-o sangrar até a morte.
O Príncipe não gostava de se recordar daquela noite, por que... Além da humilhação de Baekhyung, outros também ficaram chocados com aquela imagem. Especialmente, o rapaz de feições suaves e rosto choroso que constantemente repetia “M-mestre?”.
Desde aquela noite, Luhan jamais se esqueceu do acontecido. Era como se estivesse gravado em seu peito, como uma marca de ferro quente. Por causa daquela noite, o Príncipe deitava-se com Sehun todas as noites, a fim de esquecer.
Ora, se para ele era difícil lembrar, que dirá contar para o filho do homem!
Se ele bem recordava, Minseok, ao saber da verdade sobre seu pai, o evitou de todas as formas ao ponto de Luhan visita-lo na mansão. Suas conversas, que se seguiam fluentes, no início, se tornou, por longos 10 anos, um monólogo. O líder da Ordem evitava qualquer assunto que estivesse relacionado ao seu pai ou mesmo sobre a noite de 1995.
E agora, 20 anos depois, estava o filho mais novo de Baekhyung.
Com as mesmas feições que o pai na época, contudo, mais baixo que o mesmo.
Então... Se o irmão de Minseok estava ali, com Chanyeol...
Seria por que Baekhyun era o caso mal resolvido de Chanyeol?
Ou...
_ Senhor? – chamou Sehun, despertando o Príncipe de seus devaneios, que apenas desviou os olhos para Chanyeol que ainda esperava uma resposta dele.
_ Pode devolver minha comida? – sorriu Chanyeol.
Luhan não respondeu. Apenas fuzilou o maior com seus olhos avermelhados e pegou o jovem professor no colo, saltando da varanda para o chão. Sehun, que assistia em silêncio, suspirou arrastado, se voltando para o maior que apenas riu baixinho.
_ Por acaso, não sabe onde está se metendo, Chanyeol? – perguntou o ruivo, seguindo seu Mestre mais atrás.
Chanyeol calmamente caminhou até a varanda e olhou para a dupla que se afastava no fim da rua, ao que um suspiro pesado deixou seus lábios.
_ Parte um: concluída. – ditou num sussurro. – Hora da parte dois do plano começar.


_ Não quer que eu o leve? – perguntou Sehun, olhando para seu Mestre que sequer desviava os olhos de Baekhyun.
_ Não é necessário. – respondeu pela bilionésima vez.
_ Por que acha que Chanyeol queria o Sr. Byun? – continuou.
_ Não sei. – suspirou, virando numa esquina.
_ Senhor.
_ O que?
_ Algo está o incomodando. – e em seguida, Sehun ficou diante Luhan que parou de andar. – Por que não me diz o que lhe incomoda?
_ Não quero preocupa-lo. – sorriu de leve, tornando a andar.
_ Mestre, por favor. – insistiu o ruivo, parando diante o outro novamente. – O que é?
_ Tudo bem. – concordou Luhan, num suspiro. Por fim, seguiram até um banco e sentaram-se, colocando Baekhyun entre eles. – Se lembra da noite sombria de 1995? A noite em que a Ordem foi destruída? – em reposta, Sehun concordou, fazendo o castanho continuar. – Naquela noite, o Príncipe da época pediu-me para vigiar e observar as atitudes de Park Changmin. Eu... Sempre evitei recordar daquela noite devido a crueldade daquele homem. Sei que nunca contei isso a você, mas... – nesse momento, o vampiro bloqueou a audição do professor, sussurrando. – O pai de Chanyeol empalou o pai de Minseok. Claro que eu tive pena do humano e, principalmente, do homem que apareceu depois que Changmin foi embora.
_ Esse homem foi o único sobrevivente? – questionou.
_ Infelizmente, sim. – concordou. – Mas não era sobre isso que eu estava pensando quando chegamos ao apartamento de Chanyeol. – logo, desviou os olhos para o moreno adormecido. – Você... Reconhece as feições desse rapaz em mais alguém? Ou melhor, esse rosto lhe é familiar, Sehun?
_ Bem... – começou o Matador. – Baekhyun é irmão do Sr. Kim Minseok e filho de Baekhyung, principalmente por causa dos olhos...
_ Baekhyun, nesse exato momento... – interrompeu-o. – Está com as mesmas feições de seu pai na noite em que foi assassinado.
_ O senhor está brincando, não está? – Sehun alternou os olhos entre o moreno e o castanho, enquanto este último estava com o olhar perdido. – Senhor?
_ Baekhyun é exatamente como seu pai, Baekhyung, contudo... Mais baixo. – especificou. – Mas algo me intriga, Sehun. Algo que está me deixando completamente pensativo.
_ E o que seria?
_ Se me recordo da conversa com Minseok, ele e Baekhyun foram as vítimas de Chanyeol quando Changmin assassinou seu pai. – explicou. – Então, a razão de Chanyeol ir atrás de Baekhyun é apenas para cumprir o assunto que ele não concluiu há vinte anos, ou...
_ Ou...? – Sehun o olhou. No fundo, ele odiava o mistério de seu Mestre. – Luhan!
_ Ou Chanyeol só foi atrás de Baekhyun por que o mesmo tem as semelhantes feições do antigo líder da Ordem? – sussurrou, pensativo.
_ Como assim? O que quer dizer?
_ Antes de mais nada... – cortou-o, desviando os rubis para o outro. – Você ainda tem aquele diário que eu lhe entreguei?
_ Claro. – concordou. – Ele está bem guardado, mas... Por que o interesse?
_ Faremos o seguinte. – Luhan apressou-se em pegar Baekhyun no colo e continuar a andar na direção da casa do professor, sendo seguido por Sehun. – Deixaremos Baekhyun em sua casa e você me levará até o local onde você escondeu o diário.
_ Sim senhor, mas... Por que precisaremos daquele diário? – perguntou, ao mesmo tempo que seu Mestre pulava para a janela, abrindo-a.
Rapidamente, Luhan colocou o corpo do professor sobre a cama e, com o movimento do casaco – a única peça que cobria seu tronco –, o vampiro avistou a marca antiga em seu ombro. A mesma marca provocada por Chanyeol. Além de rastreador, o líder dos gangrels poderia controlar o professor de História onde quer que ele estivesse. Por fim, o castanho saltou para o chão, enfiando as mãos nos bolsos e seguiu Sehun, estranhamente nervoso.
_ Há algumas coisas que preciso confirmar. – resumiu. – Por acaso, se lembra quando foi a última vez que ele escreveu naquele diário?
_ Duas semanas antes do ataque à Ordem. – foi direto. – E senhor?
_ O que? – ao olhá-lo, Luhan percebeu que Sehun estava mais atrás, parado. – O que foi, Sehun?
_ No diário, parecia que Baekhyung sabia do ataque à Ordem.
_ Como assim, sabia? – franziu o cenho.
_ Em uma das passagens do diário, estava escrito: “Algo me diz que alguém da Máscara já sabe da verdade sobre mim”. – explicou. – Não sei se ele realmente sabia que era Changmin, mas ele já desconfiava de uma suposta traição.
_ Puta merda... – rosnou. – Vamos! Nós não podemos perder mais tempo!
E correram noite adentro, saltando para os telhados das casas e os prédios, em direção ao esconderijo do diário. Já no apartamento de Chanyeol, o vampiro rapidamente trocou de roupa, sorrindo em malícia ao avistar a camisa escura de Baekhyun sobre o colchão. Claro que aquela camisa ali também fazia parte do plano: seu objetivo era obrigar – inconscientemente – Luhan a ver a marca de 20 anos atrás.
Bem vestido e trajando as roupas tradicionalíssimas de líder de seu clã – um casaco longo preto com faixas douradas no interior da gola, nas mangas e na barra – Chanyeol deixou seu apartamento – ainda desorganizado – e rumou para a mansão da Máscara. Calmamente, adentrou a construção, subindo as escadas e seguindo até a sala de reunião, onde acomodou-se educadamente em seu lugar.
Com uma tranquilidade anormal, o vampiro discou o número dos líderes dos outros clãs, alegando ter uma reunião secreta e sem a presença do Príncipe da Máscara. Mesmo contra a vontade de alguns clãs – como os Ventrue, os Nosferatus e os Toreadores – os outros líderes decidiram aparecer, tomando seus devidos lugares na mesa. Chanyeol assistiu um por um adentrar a sala, os cumprimentando com um sorriso largo, até que, de todas as cadeiras, apenas quatro não estavam ocupadas: a do Príncipe, a dos “bons moços” (Ventrue), a dos “exibicionistas” (Toreador) e, finalmente, a dos “bicho-papão” (Nosferatu).
_ Olha, é bom que o filho de Changmin tenha motivos para nos reunir a essa hora. – Marcus, o novo líder dos Brujah, ditou.
_ Aposto que ele apenas nos chamou por que não consegue lidar com seus próprios cãezinhos. – zombou Kristian, líder dos Malkavian.
Chanyeol riu da piada alheia e, em resposta, alfinetou-o:
_ Os meus são bem cuidados e domados, diferente dos seus que preferem cheirar o próprio rabo, ao invés de obedecer as ordens do Príncipe. – por fim, estreitou os olhos. – Aliás, quem é mesmo que está sujo com Luhan? Você sabe que um movimento fora da linha e ele arranca a sua cabeça, não sabe, Kris?
_ Chega, vocês dois. – suspirou Aliah, líder dos Tremere. A morena, com inúmeras tatuagens nos braços, apoiou a cabeça sobre a mão, impaciente. – Só sabem brigar por um osso velho. Por que nos chamou aqui, Chanyeol?
Chanyeol conhecia bem aquele jeito “entediado” da egípcia que, diferente de seus costumes, evitava usar uma burca. Com seus olhos misteriosos e avermelhados e corpo esbelto, além, é claro, da belíssima pele escura e bem cuidada. O gangrel nunca chegou a namorá-la, afinal, seu coração – se é que ele podia dizer isso – foi conquistado pela sedução de Noah, líder dos Assamitas.
_ Bem, primeiramente, eu gostaria de agradecer pela presença de todos vocês. – começou. – Segundo, há um assunto que é de suma importância e que precisamos resolver imediatamente.
_ E o que seria? – Marcus ergueu uma das sobrancelhas.
_ Como muitos devem se lembrar... – logo, desviou os olhos para Marcus. – E outros não tanto, o Sr. Zhou foi o antigo Príncipe da Máscara. Claro que, após seu reinado, foi passado para o Sr. Watson e, deste, para o Sr. Lu, nosso novo Príncipe.
_ E? – Aliah resmungou, sem interesse.
_ Recentemente, o nosso Príncipe anda desobedecendo as regras da Máscara. – iniciou, despertando a atenção dos demais. – A cada dia, ele dita a própria forma de jogar sem se importar com as opiniões dos outros líderes dos clãs. Afinal, a função do Príncipe, além de nos proteger, não é cumprir a lei imposta? – em resposta, os outros concordaram. – No entanto, meus caros, o Sr. Lu não está o fazendo.
_ E o que ele anda fazendo? – pronunciou-se Noah, fazendo Chanyeol tremer de leve.
Os assamitas não era um clã confiável, mas ele teria que mudar de opinião rapidamente.
_ Simples: todas as noites, nosso amado Príncipe está se encontrando com um humano que, além de caçador, é líder da Ordem dos Caçadores. – e continuou. – Alguns clãs que moram na mansão sofrem quando seus pedidos não são atendidos, já que ele insiste em proteger “nosso alimento”.
_ Não acha que está fazendo tempestade em copo d’água, Channie? – riu Aliah.
_ Para você, que vive sempre bem alimentada no Egito... – e encarou-a. – É fácil falar. Mas o Príncipe não está dando importância a nenhum pedido nosso.
_ Como pode ter certeza disso? – questionou Marcus, cruzando os braços.
_ Ontem de madrugada, deixei uma carta em seu gabinete, avisando-o de que iria capturar um humano, já que estava ficando difícil de conseguir bolsas de sangue, principalmente por que o estoque acabou. – alegou. – Fiz, exatamente como qualquer um faria. Mas ele ignorou minha carta.
_ Eu conheço Luhan. – disse Noah. – Ele não faria isso...
_ Não faria? – Chanyeol arqueou uma das sobrancelhas. – Há alguns minutos, fui subitamente interrompido, no meio do jantar, pela presença dele e de seu seguidor. E, acima de tudo, ele não disse uma palavra, nenhuma explicação para tomar o humano de minhas mãos!
_ Eu ainda acho que você está reclamando de barriga vazia. – Aliah balançou a cabeça. – Aqui. – e retirou de sua bolsa, uma bolsa de sangue, entregando-lhe. – Coma antes de continuar.
_ Essa bolsa... – começou Chanyeol. – Por acaso, vai alimentar todo o meu clã que está faminto?
_ Não, mas...
_ Então, significa que somente eu devo ser alimentado? E que, assim, eu devo deixar meu clã morrer de sede? – continuou.
_ Não, Chanyeol. O que Aliah está fazendo... – Noah tentou se explicar, até que Chanyeol interveio.
_ Vocês não estão percebendo, não é? – os olhou. – Luhan irá causar a morte de todos os clãs da Máscara. Ele já começou com o meu clã e é apenas uma questão de tempo para que ele faça o mesmo com os de vocês.
_ Luhan não ousaria fazer isso. – Aliah se meteu. – Ele sabe que foi com o nosso apoio que ele ascendeu na Máscara.
_ Creio que Luhan, agora, está cagando e andando para vocês. E daí que fomos nós quem o colocou naquele lugar? – riu irônico. – Parece que vocês estão cegos: LUHAN ESTÁ REINANDO PARA OS HUMANOS!
_ Isso está errado. – Marcus os olhou.
_ E isso não é tudo. – continuou Chanyeol. – Luhan está ajudando esse caçador a nos capturar e matar todas as nossas novas crias recém-abraçadas. Perdoem-me pelas próximas palavras, mas ele está pouco se fodendo com as leis. E, apesar de não ter muita certeza, não dou muito tempo para que os Gangrels sumam do mapa... – e se voltou para Marcus. – Seguido dos Brujah. E você sabe, mais do que ninguém, Marcus, o quão desprezado os Brujah são pelo Príncipe.
_ Eu ainda acho que você está fazendo tempestade em copo d’água. – Kristian suspirou.
_ Você não acha que Luhan também não vai destruir o seu clã? – o gangrel estreitou os olhos. – Aliás, não pensem que o nosso Príncipe trabalha com força. Não senhor. Ele trabalha com estratégia. Tudo o que ele faz é pura estratégia.
_ Chanyeol, você tem certeza do que está dizendo? – Aliah o olhou.
_ Nunca tive certeza... Em toda a minha existência imortal. – concordou.
_ Sabe que isso é uma denúncia grave, Chanyeol, e que se estiver mentindo, você é quem será morto. – lembrou Noah. – Sabe que, quando Luhan for questionado, você estará presente em seu interrogatório... Não sabe?
_ Sei. – respondeu confiante.
_ Sabe também que, se Luhan negar alguma pergunta, você será caçado e morto pela Guarda Vampírica, não sabe? – Aliah o alertou.
Em resposta, Chanyeol engoliu em seco, assentindo. Ele conhecia bem as regras impostas pela Máscara. E que nem ele e nenhum líder de qualquer outro clã pode desobedecer às leis.
_ Ok. – Marcus suspirou, talvez mais nervoso do que Chanyeol. – Eu farei uma última pergunta, Chanyeol: Sei que somos de clãs diferentes e temos nossas desavenças, mas... É isso o que quer? Denunciar o Príncipe da Máscara?
Ele tinha que arriscar.
_ Sim. É o que eu quero.
_ Muito bem. – Kristian o fitou longamente. – Hoje, nos hospedaremos na mansão e solicitaremos a presença dos clãs faltantes, especialmente, o Príncipe e o Matador. Amanhã à noite, iniciaremos o interrogatório ao Príncipe. Que todos estejam aqui para o momento.
Após uma breve concordância dos líderes dos clãs, cada um deixou a sala, permanecendo apenas Chanyeol que, devagar, voltava a sentar em seu lugar. Ele sequer se lembrava em que momento havia ficado de pé no meio de suas explicações, mas com certeza, suas pernas estavam correspondendo ao seu medo interior. Por mais que tivesse avançado com a parte dois do plano – o de convencer os outros clãs para uma reunião –, a parte três poderia sair pela culatra. E, por esse motivo, o jovem gangrel teria que tomar muito cuidado com suas próximas atitudes.
Afinal, ele estava atuando.
Seu personagem era a vítima e testemunha do crime de seu Príncipe.
Luhan seria o réu e, se ele não estivesse errado...
Sehun seria o julgador.
_ Mantenha o foco e seja firme com suas palavras. – repetiu em sussurros.
E aquele dia só estava começando...

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